PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OS VERSOS QUE TE FIZ – Florbela Espanca

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

COMENTÁRIO DO LEITOR

COISAS DE VELHO

Comentário sobre a postagem TONHO SIQUEIRA – BETIM-MG

João Francisco:

Eu fiz mais coisas de velho:

– Fiz cópia com mimeógrafo,
– Passei fax,
– Ouvi músicas em disco de vinil em uma sonata,
– Usei telefone de manivela para pedir número a telefonista para conectar com uma casa (pesquisem),
– Minha casa na minha cidade a linha de telefone tinha 4 números (6242),
– Brinquei de Forte Apache,
– Tinha fotos de monóculos (pesquisem).

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

NÃO TEM ALGUÉM”!

Beatriz Azevedo de Almeida Santos

Os netos e bisnetos vão nascendo e nem sempre o avô vai podendo conhecê-los logo no berçário da maternidade. Alguns dos meus, só vim a conhecer depois de adultos, dado à distância dos lugares onde nasceram e vivem.

Aproveitando uma ida ao Rio, fui a São Paulo conhecer a neta Beatriz, filha de Luciene e do marido, meu primogênito, Carlos Eduardo.

Chegar em outra cidade surge logo a vontade de conhecer novos ambientes públicos, rever as ruas, dar uma olhadela nas livrarias e conhecer pessoas. Assim fiz. Aproveitei e comprei um livro.

No dia seguinte, pela manhã, reservei todo o expediente para a netinha. Pedi para assistir os noticiários da tv, enquanto minha nora e o filho foram trabalhar.

Aparelho ligado, Cid Moreira no ar, notei uma discreta conversa de Beatriz com a babá, solicitando alguma coisa que, a princípio não entendi.

Em instantes a secretária doméstica me sugeriu colocar filmes de desenhos animados. Ouvi quando a netinha pulou no sofá, toda contente, e apontou o dedinho para um videocassete: “As aventuras de Pluto”.

Pluto, o herói de Beatriz

Enquanto o desenho preferido da pequena Bia rodava na tela, aproveitei para dar uma olhadela no livro que comprei no dia anterior. Fiquei sentado no tapete e abri o livro, na maior “secura” para começar a ler a biografia de Assis Chateaubriand.

Numa folga da leitura, parei, a fim de lhe dar um beijo. Foi a senha que ela aguardava para iniciar um diálogo. E tinha razões.

Luciane me havia dito que sua filha gostava muito do cãozinho endiabrado da Disney, que fazia sua parte do universo da animação tradicional. Ele não era interpretado por um ator de carne e osso, como no cinema, mas sim por profissionais de voz, que chamamos de dubladores.

Ao longo dos anos, eles têm sido os principais responsáveis por dar vida aos sons, latidos, resmungos e expressões do Pluto. E tome prosa com netinha!

– Vovô, o senhor gosta do “Pluto”?

– Sim, minha filha, Gosto muito!

– Mas vovô, o Pluto “tá” aqui na televisão. Não “tá” no livro não!

Fiquei envergonhado. Fechei o livro e comecei a prosear com ela.

– Você gosta de morar neste lugar, minha filha?

– Gosto muito vovô. Tem até piscina! Vamos ver lá embaixo?

– Minha querida, você acha que tem alguém por lá?

– Tem vovô. Eu garanto!

Tentando escapar, argumentei:

– Mas hoje é segunda-feira, dia em que os rapazes devem estar limpando a piscina e o portão do jardim deve estar fechado.

– Mas vamos lá pra ver se tem alguém, vovô!…

Com esse povinho miúdo não se deve discutir. Fomos descendo no elevador e ela sempre se referindo ao tal Pluto. Deve ter visto o filminho tantas vezes que já estava com as histórias decoradas.

Apresentei-me ao Porteiro, informando que era avô da criaturinha. Telefonou e conferiu. Livre acesso. Abriu o portão da enorme área ajardinada onde estava a piscina. Deserto total. Nem o sol compareceu.

Seguimos para o amplo jardim próximo à piscina e depois que ela deu uma olhada geral, ficou meio desanimada ao notar que não havia pessoa alguma alí, como eu havia imaginado.

Olhou pra mim com uma carinha de desiludida e exclamou, dando um pequeno “escorrego” na língua pátria:

– É vovô, não tem “alguém” mesmo!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ANTIPETISMO É AMOR PELO BRASIL

Luís Ernesto Lacombe

antipetismo eleicões

Quem ama o Brasil de verdade sabe quem deve rejeitar neste domingo, diante das urnas

Esta é a última coluna que escrevo antes do primeiro turno das eleições. Então, preciso dizer: seguindo a classificação do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, sou um “realista esperançoso”. Assim, enxergo no que aconteceu ontem, em relação ao debate na Rede Globo, uma nova força para o despertar de muita gente, da imprensa, mesmo que tenham alimentado até aqui o monstro da tirania… Fomos inevitavelmente empurrados para um ponto de virada. Os adoradores do Estado devem ser defenestrados de uma vez por todas. Aqueles que prometem o paraíso para o próximo mandato, depois de 18 anos no poder, precisam sumir do mapa. Até porque tudo o que sempre quiseram, e continuam querendo, é manter a população na pobreza, na ignorância, para tomar-lhe o pão e entregar migalhas. É assim o comunismo, em qualquer uma de suas metamorfoses… Ele funciona, sim, já que seu objetivo é não deixar pedra sobre pedra.

Os eleitores brasileiros deveriam barrar Lula por tudo o que ele e seu partido produziram de desgraças, ao longo de tantas décadas, e por tudo o que não fizeram de decente e correto também. O que resulta disso nos esbofeteia a cara todo dia: inflação, com consequente alta taxa de juros, endividamento de empresas, das famílias, do país, serviços de saúde e de ensino na lona, criminalidade altíssima. O que vem do PT é a decadência geral, geral, em todas as áreas. E sempre numa onda destruidora de corrupção, de tráfico de influência, de negociatas, de politicagem. O Brasil, entregue a Lula e à sua turma, é o país das mentiras, das trapaças, das fraudes, da violação das leis. Tudo na maior desfaçatez, na caradura, carregado de arrogância, prepotência, soberba. Tudo carregado de ódio, divisão e intolerância. E chegamos à falência moral, ética, reféns de uma tirania.

Chega disso tudo. Chega! Há fortes indícios de que os jovens, em sua maioria, começam a despertar. Pesquisas formais – do instituto Paraná Pesquisas, por exemplo – e informais mostram isso. Uma enquete no perfil no Instagram do funkeiro, DJ e “influenciador” Buzeira, com mais de 15 milhões de seguidores, teve 60% de votos para Flávio Bolsonaro… Os mais velhos, confio nisso, serão guiados pelo tempo que já viveram. E a maior parte dos eleitores – o “insuspeito” Datafolha mostrou – associa corretamente a turma do Lula ao caso Master, ao Alexandre de Moraes, até pelo histórico de corrupção em governos do PT. Sem falar no escândalo do INSS, potencializado nesse terceiro mandato do petista e com grandes chances de engolir o Lulinha, e talvez o irmão do Lula, se o Brasil tomar jeito, no que, repito, acredito.

É hora de mobilização geral. O que Lula e seus aliados no Supremo Tribunal Federal estão fazendo deve ter nas urnas uma reação à altura. Reforço, mais uma vez, liberdade não se fatia, ou todos têm, ou ninguém tem. Chega de PT, de Moraes, Gilmar, Dino… Há uma chance de derrotá-los já no primeiro turno. Nunca o voto útil foi tão necessário ao país. Se não der agora, que a migração de votos no segundo turno seja redentora. E que haja um milagre qualquer, de Padre Cícero, Irmã Dulce, capaz de iluminar os eleitores nordestinos… Que entendam, no mínimo, que Lula não pode indicar mais quatro ministros para o Supremo. O processo eterno de melhora precisa de um primeiro passo forte agora, no próximo domingo, ou no dia 25. Todos têm de entender que o antipetismo é o mais puro sentimento de amor ao Brasil.

PENINHA - DICA MUSICAL

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS