DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TESTAMENTO – MANUEL BANDEIRA

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros – perdi-os…
Tive amores – esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!… Não foi de jeito…
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, Recife-PE (1886-1968)

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O FANTASMA DA EXTREMA-DIREITA INEXISTENTE

Roberto Motta

Os regimes tradicionalmente chamados de “extrema-direita” – fascismo e nazismo – são sistemas totalitários ultraviolentos, coletivistas e adoradores do Estado. Isso representa uma oposição completa ao ideário dos conservadores

Desde os tempos de Stálin, sempre que está em desvantagem, a esquerda recorre ao mesmo truque de chamar seus oponentes de fascistas. A mensagem da esquerda é simples: só ela pode vencer eleições. A vitória de qualquer outra força política é uma ameaça antidemocrática.

A esquerda chama a oposição de fascista. Foi o que o grande líder do PT fez nos últimos dias. Mas, se você conferir a definição de fascismo, verificará que ela nada tem a ver com as ideias defendidas pela direita do Brasil. Absolutamente nada.

Ontem, ao passar acidentalmente na frente de uma televisão ligada no maior canal de TV, ouvi uma jornalista falando do perigo representado pela possibilidade de a extrema direita chegar ao poder. Mas qualquer pessoa com um mínimo de informação e bom senso constata que não existe nenhuma força política organizada no Brasil que possa ser chamada de extrema direita. Mas existem pelo menos seis partidos de extrema-esquerda (PCO, PSTU, UP, PCB, PCdoB e PSOL).

“Fascista” e “extrema-direita” são as expressões que a esquerda e seus parceiros usam para se referir aos seus opositores. Qualquer um deles.

Mas, na verdade, fascismo é uma ideologia irmã do comunismo/socialismo. Regimes comunistas e fascistas têm muito em comum: glorificação do Estado, desprezo pelos direitos individuais, sujeição da propriedade à conveniência do Estado, partido único ou hegemônico e uso da violência – campos de concentração, tortura, tribunais de exceção e assassinato de opositores – como instrumento de ação política.

O objetivo permanente tanto de comunistas quanto de fascistas é conquistar e manter o monopólio do poder.

O confronto entre comunismo e fascismo não é um conflito entre ideologias opostas, mas uma disputa entre concorrentes.

Fascismo não é o oposto do comunismo. Fascismo é outra ideologia totalitária e coletivista que compete com o comunismo pelo controle do Estado e pela dominação da sociedade. É um fato histórico a aliança entre comunistas soviéticos e nazistas alemães, formada antes da Segunda Guerra Mundial, através do pacto Ribbentrop-Molotov. Comunistas e nazistas dividiram a Europa. O pacto foi violado pela Alemanha. Se dependesse dos comunistas, a aliança com os nazistas teria continuado.

Há apenas três diferenças entre o fascismo e o comunismo. O fascismo se define em termos nacionais, enquanto o comunismo tem caráter internacionalista. A segunda diferença é que, enquanto o comunismo divide a sociedade em classes econômicas em conflito, para os fascistas as divisões importantes são étnico/raciais. A última diferença é o tratamento dado à economia. Os comunistas defendem o planejamento econômico centralizado e a estatização completa da economia; o Estado deve ser dono de todas as empresas. Os fascistas, embora também defendam o controle da economia pelo Estado, preferem a propriedade privada subordinada ao Estado.

Comunistas e fascistas têm a mesma natureza e pertencem, juntos, ao lixo da história.

Os regimes tradicionalmente chamados de “extrema-direita” – fascismo e nazismo – são sistemas totalitários ultraviolentos, coletivistas e adoradores do Estado. Isso representa uma oposição completa ao ideário dos conservadores, liberais e libertários que formam a direita. Como se podem chamar de “extrema-direita” ideologias que não têm nada a ver com as ideias da direita?

Segundo vários autores, como Stephen Hicks, o fascismo deve ser classificado como uma ideologia de extrema-esquerda por seu caráter coletivista e pela supremacia que reivindica para o Estado. Essa também é a visão da escritora Susan Sontag, quando diz que “o comunismo é, em si, uma variante, a variante mais bem-sucedida, do fascismo. Fascismo com rosto humano”.

DEU NO JORNAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

O FILHO DA FILHA DE DONA DULCE

Neto, a maior invenção de Deus, é filho lambuzado de doçura

Mariana dorme o sono de recém-mãe. Dona Dulce, eu e o pai Clécio sorrimos. Era Outubro, um final de tarde, dia 7. Deus amanheceu inspirado e inventou Bernardo. Ele dorme o sono da vida, mas já enternecendo meus dias futuros. Seu sono inocente é um acalanto para um homem, cabelos algodoados, que descobriu, em 2013, a ventura de ser avô do filho da filha de dona Dulce.

E ele, em seu berço primeiro, olha para mim, como que a balbuciar a meus ouvidos a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhinhos a canção de Paz por que tanto lutei. Fez-me sentir na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus milhares de colos e braços para recebê-lo, enquanto começavam a surgir as notas da canção que pensei criar e que o desassossego da vida só permitiria compor os primeiros acordes algum tempo depois.

Bê continua a inspirar um avô cada dia mais apaixonado. São 4.750 dias e ele continua enfeitando meu viver. Como não me plantar num inverno de alegrias para florar risos nesse meu olhar de avô? Salve Bernardo, que me dá a alegria de tê-lo como neto. Feliz 13 anos, meu amiguinho/amigão, meu imenso companheiro. São tantos dias emanando cheiros no meu pé de alegrias. E ele hoje, no jardim da felicidade, crescido e florado, já está carregado de bons frutos. Que assim continue! Que a vida lhe sorria, sempre. Parabéns, Bernardo! Beijos mil!

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COMO A DEGRADAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES AFETA TAMBÉM A ECONOMIA

Editorial Gazeta do Povo

Desde a publicação de A Riqueza das Nações por Adam Smith, em 1776, a humanidade vem confirmando que um dos principais fatores de crescimento econômico, enriquecimento material e desenvolvimento social é a qualidade das instituições, bem como resta provado que a degradação das instituições e o declínio de seu funcionamento levam à queda da confiança nelas depositada pela população e a crises políticas e empobrecimento econômico. Esse é o retrato do Brasil de hoje.

No Brasil, o Poder Judiciário e todo o sistema legal têm o Supremo Tribunal Federal (STF) como corte mais elevada. Ela deveria ser fundamental para a segurança jurídica, a estabilidade das leis e a confiança da sociedade necessária ao estímulo à livre iniciativa, aos investimentos privados, à proteção do direito de propriedade e dos contratos juridicamente válidos. No entanto, o STF vive o pior momento de sua história, com flagrantes agressões à Constituição, distorções funcionais e, mais recentemente, os escandalosos casos de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. O resultado é o acentuado descrédito da corte perante a população, como mostram pesquisas recentemente divulgadas.

O Poder Judiciário, no entanto, é apenas o mais recente a cair na espiral de descrédito, juntando-se a um Legislativo tradicionalmente envolvido em escândalos e a um Executivo atualmente comandado por um presidente e um partido que protagonizaram alguns dos maiores esquemas de corrupção da história recente: o mensalão e o petrolão. É neste último escândalo que a desconfiança nos diversos poderes se encontra, porque foi apenas graças ao Supremo que Lula conseguiu escapar das penas impostas na primeira instância e confirmadas na segunda instância e no Superior Tribunal de Justiça, tornando-se novamente um ficha limpa e podendo disputar o Planalto em 2022.

Esse quadro somado tem o efeito direito de desestimular o espírito de iniciativa, prejudicar o ambiente de negócios e inibir os investimentos e o crescimento econômico. A má qualidade das leis, a instabilidade das regras e a deterioração moral das instâncias mais elevadas da nação formam hoje um conjunto de fatores suficientes para manter o Brasil no atraso e na pobreza, ao lado do baixo crescimento econômico agravado pelos efeitos de um governo imprudente, criador de déficits fiscais, dívida pública elevada e em trajetória crescente, juros altos e os eternos casos de corrupção típicos dos governos petistas. O resultado desse quadro é a consolidação de uma sociedade de desconfiança que transformou o Brasil em um país que, tendo condições e recursos naturais para ser um país rico e capaz de oferecer um nível socioeconômico próximo ao padrão das nações desenvolvidas, continua com elevado grau de miséria, pobreza, violência urbana e baixo índice de desenvolvimento humano.

O esforço para identificar as causas do atraso tem no livro A Sociedade de Confiança, escrito pelo sociólogo e cientista político Alain Peyrefitte, uma rica fonte de explicações. O autor francês acumulou leituras e estudos de casos em suas pesquisas feitas em cinco continentes, respaldado por suas experiências como político e ministro de Estado durante quatro décadas. Ele defende que a falta de confiança da população nas instituições é um elemento-chave na manutenção da pobreza e do atraso mesmo em países ricos em recursos naturais – tese que tem no Brasil uma prova concreta.

Peyrefitte afirmou que foi o conhecimento do antigamente chamado “Terceiro Mundo” que o convenceu de que o capital e o trabalho, considerados como fatores do desenvolvimento econômico, eram na realidade fatores secundários, e que o fator principal do desenvolvimento é imaterial, ou seja: a confiança nas instituições. Se as mais elevadas instituições sociais se degradam, sobretudo pelo descumprimento das leis e pela corrupção, o espírito de iniciativa e o estímulo aos investimentos desaparecem, e o atraso econômico torna-se apenas a consequência normal.

A história do Brasil é marcada por baixa taxa de confiança da população nos governos e nas mais altas instituições do Estado, realidade essa agravada fortemente pelos cinco mandados presidenciais conquistados pelo PT, caracterizados por políticas econômicas ruins e corrupção persistente e contínua. Esse é o legado da era petista, que, usando o argumento de combater a pobreza, aplicou as piores práticas políticas e cometeu os mais desatinados atos de corrupção e desvios de várias naturezas, além de colocar o Brasil como um pária internacional aliados às piores ditaduras e regimes totalitários. Para crescer e prosperar, o país tem que mudar seu rumo, sabendo que eventual recuperação será lenta e demorada.

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL