Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), “Lula, o PT e o Judiciário quebraram a estabilidade do Brasil, e agora até outras nações estão em alerta por causa disso. Falta segurança. Falta segurança jurídica”, disse.
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Que exagero do sinhô senador…
Desde que o lulo-petismo assumiu o poder, não existe um país mais estável, seguro e progressista do que esta nossa republiqueta.
As urnas falaram, e falaram alto. Não foi sussurro de pesquisa encomendada, nem recado de editorial da imprensa, nem sentença de toga. Foi o eleitor, de carne e osso, os milhões de “pequenos tiranos” carimbando nas seções o que o sistema inteiro tentou impedir. A direita já sai do primeiro turno com governadores eleitos em praças que o establishment jurava ter sob controle: Tarcísio de Freitas reeleito em São Paulo com folga humilhante, Zucco no Rio Grande do Sul, Jorginho Mello em Santa Catarina, Cleitinho em Minas, Moro no Paraná, Marcos Rogério em Rondônia, Arthur Henrique em Roraima. O mapa não ficou vermelho. Ficou azul, e de um azul que não pede licença.
A surpresa da noite, porém, tem CEP no Rio de Janeiro. Douglas Ruas, do PL, aquele que as pesquisas tratavam como figurante, encostou no limiar da vitória no primeiro turno e deixou Eduardo Paes, o prefeito eterno, o candidato do consórcio, o homem de todas as alianças, correndo atrás do prejuízo. O Rio do Centrão fisiológico deu um tapa na mesa. Quem apostou na continuidade do mesmo de sempre levou o troco na urna. Não foi acidente. Foi recado. Há esperanças!
Do outro lado da trincheira, a degola foi cirúrgica. O eleitor decidiu aposentar uma galeria que se achava vitalícia. Renan Calheiros, o eterno dono do Senado alagoano, o homem que sobreviveu a tudo menos ao cansaço do povo. Manuela D’Ávila, a eterna promessa que nunca entregou mandato à altura do marketing. Soraya Thronicke, a “trambique” de plantão, que trocou convicção por holofote e saiu sem nenhum dos dois. Simone Tebet, a candidata do “centro responsável” que o eleitor tratou como o que sempre foi: apêndice do lulismo. Marina Silva, a santa laica do ambientalismo de gabinete, finalmente confrontada com a realidade de que discurso para esquerda caviar não é voto.
A lista não para aí, e é bom que não pare. Benedita da Silva, Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Eliziane Gama, Contarato, Leila do vôlei. Cada um com seu sotaque, seu nicho, sua militância de rede social, mas o mesmo viés lulista. Todos com a mesma conta no final: o eleitor passou a tesoura. Gleisi, especialmente, merecia o tchau mais seco. Quem passou anos tratando oposição como caso de polícia descobriu que a polícia, no domingo, atende pelo nome de urna eletrônica. Não houve complô. Houve cédula.
O fiasco isolado, o vexame que pede moldura, é o de Renan Santos. O cavalo de Troia do Gilmar, o adolescente crescido do MBL que passou a campanha inteira mirando o Flávio para ajudar o Lula, o pretenso outsider que só era outsider na legenda. Chamou a eleição de vazia, chamou o adversário de burro, posou de alternativa e colheu o que planta quem faz oposição à oposição: irrelevância. O teatro das tesouras não encheu seção. O eleitor percebeu o jogo sujo e mandou o personagem de volta ao camarim. Mas cumpriu sua Missão: impedir a vitória de Flávio já no primeiro turno.
No meio desse terremoto, um nome virou fenômeno, e não é força de expressão. Nikolas Ferreira, o “piá de bosta” que desespera a Janja e o Kim Paim, não apenas se reelegeu com votação de presidente;virou cabo eleitoral de peso, o maior da direita. Lucas Pavanato, em São Paulo, passou de dois milhões de votos. Eduarda Campopiano teve quase dois milhões de votos para deputada estadual: bizarro! A comparação com André Janones, aquele do pix e do mimimi, é quase cruel: de um lado, milhões; do outro, dezenas de milhares. Nikolas não é só deputado. É máquina. É transferidor de voto, é rosto de uma geração que não pede desculpa por ser de direita. As jovens lideranças conservadoras arrasaram! O presente é do Lula, mas o futuro é nosso!
José Dirceu, por outro lado, o fantasma do mensalão que insistiu em assombrar São Paulo, ficou com pouco mais de 70 mil votos, lá pela septuagésima posição. O homem que um dia mandava no PT e no Planalto não manda nem na própria seção. Há uma justiça poética nisso que nenhum ministro consegue cassar. O velho esquema tentou a reencarnação e o eleitor preferiu o exorcismo.
A Lava Jato, por sua vez, continua viva. Seu legado é visível na eleição de Sergio Moro como governador e Deltan Dallagnol como o mais votado para o Senado no Paraná. Gilmar Mendes, Lula, Arthur Machado do 5º Elemento, todos tentam difamar a operação mais eficaz de combate à corrupção, mas o povo mostrou que pensa diferente.
No Senado que se desenha, o nome que ganha corpo é o de Rogério Marinho. Não é chute de corredor. É leitura de bancada. Com a direita reforçada, Marinho entra na conversa de presidência da Casa com a legitimidade que Renan Calheiros perdeu na urna. Quem quiser trancar pauta, quem quiser repetir o teatro de sempre, vai ter de negociar com alguém que não deve o mandato ao condomínio de Brasília. Isso muda o jogo. Muda de verdade.
E ainda assim, nenhum desses nomes é o grande derrotado da noite. O grande derrotado atende por Alexandre de Moraes. Tudo isso, cada governador, cada degola, cada milhão de Nikolas e de Pavanato, aconteceu com Jair Bolsonaro preso e ostracizado, com a família sob cerco, com a censura ligada, com o inquérito do fim do mundo ainda aberto. O tirano corrupto da toga apostou que, sem o líder, o rebanho se dispersaria. O rebanho foi às urnas e votou como quem responde a uma provocação. “Derrotamos o bolsonarismo”, disse Barroso de forma muito precipitada.
Davi Alcolumbre já deveria pautar o impeachment de Moraes. Não por vingança. Por inevitabilidade. A urna não absolve ministro. Mas, neste domingo, ela deixou claro quem perdeu.
Sua mãe queria que ele fosse médico. Até porque seu irmão não quis estudar e administrava a borracharia da família. Cuidava de pneus. Para atender à mãe e não frustrar a tradição familiar, estudou Medicina especializando-se em PNEUmologia. Sócio do irmão, vive hoje dividido entre o consultório – onde calibra a pressão das pessoas e a borracharia – onde afere a pressão de pneus.
Plenário do Senado: composição da casa a partir de 2027 terá presença maior da direita
O primeiro turno das eleições terminou com a disputa pela Presidência da República se encaminhando para o segundo turno, mas não da forma como se imaginava. Enquanto praticamente todas as pesquisas mostravam Lula à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que em situação de empate técnico, o candidato do PL recebeu pouco mais de 47% dos votos válidos, ficando dois pontos porcentuais (ou cerca de 2,5 milhões de votos) à frente do petista. Mas, se a definição sobre o próximo ocupante do Planalto ficou para o dia 25, a melhor notícia do dia vem dos resultados para o Senado Federal.
Candidatos ao Senado que fazem oposição a Lula e se mostraram, ao longo da campanha, inclinados a levar adiante os tão necessários processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal levaram as duas vagas em disputa no Distrito Federal e em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rondônia; em outros estados, conseguiram uma das vagas. Assim, compensaram com folga a derrota de atuais senadores favoráveis ao impeachment e que não serão reeleitos, como o mineiro Carlos Viana, o capixaba Marcos do Val e o paraense Zequinha Marinho, bem como a saída de senadores de direita e centro-direita que se elegeram governadores, caso do paranaense Sergio Moro e do rondonense Marcos Rogério. Além disso, petistas e outros aliados do governo perderam seus lugares na casa: o alagoano Renan Calheiros, o amapaense Randolfe Rodrigues, a brasiliense Leila do Vôlei, o capixaba Fabiano Contarato, os maranhenses Weverton Rocha e Eliziane Gama, a sul-matogrossense Soraya Thronicke, e o rondonense Acir Gurgacz.
O recado das urnas foi muito claro. Muitos brasileiros perceberam o espetáculo deprimente de autoproteção protagonizado pela “tropa de choque” do Supremo, na sessão de 15 de setembro. E viram como o STF tentou, nos últimos dias, atropelar o Tribunal Superior Eleitoral em temas que diziam respeito especialmente à corte eleitoral, em uma interferência escancarada com o objetivo quase explícito de beneficiar o atual presidente da República. Ninguém precisava ser jurista ou cientista político para perceber que havia algo profundamente errado no menor dos prédios da Praça dos Três Poderes; bastava o bom senso. Felizmente, campanhas e formadores de opinião souberam comunicar ao eleitor a necessidade de mudar o Senado para colocar um freio no Supremo, e o cidadão entendeu o recado.
O primeiro teste para essa nova configuração do Senado ocorrerá assim que os parlamentares iniciarem o trabalho, em fevereiro de 2027. A maioria conquistada neste domingo é suficiente para que se possa finalmente remover o covarde Davi Alcolumbre (que não disputou as eleições agora por estar na metade dos seus oito anos de mandato) da presidência do Senado e substituí-lo por alguém com a coragem de colocar para votação os inúmeros pedidos de impeachment já protocolados contra Alexandre de Moraes e outros ministros – o nome que desponta é o de Rogério Marinho (PL-RN), que já tentou o comando da casa em 2023, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco.
E esse novo Senado, se for fiel à campanha que fez, não ajudará apenas a retirar do Supremo os atuais ministros indignos da toga; ele também poderá garantir que não tenhamos mais militantes partidários no STF à medida que as vagas na suprema corte forem abertas – uma delas já existe, deixada por Luís Roberto Barroso. Se o Senado atual já foi capaz de barrar Jorge Messias, um Senado ideologicamente mais à direita deve, em tese, ser uma salvaguarda contra novos integrantes da suprema “tropa de choque”, ainda que Lula saia vencedor no segundo turno da eleição presidencial.
Lula e o PT ainda não foram derrotados, mas o domingo deixa uma forte esperança de renovação no Poder Legislativo. O Senado passou tempo demais adormecido, omitindo-se diante de sua obrigação constitucional de ser o contrapeso aos abusos do Supremo, porque os senadores corajosos ainda eram minoria, e o presidente da casa preferiu entrar para a história como um pusilânime. Quem deseja um Brasil decente, onde a juristocracia seja enterrada para dar lugar ao retorno do império da lei, tem muitos motivos para celebrar neste 4 de outubro.