Arquivo mensais:novembro 2026
DEU NO JORNAL
DEU NO JORNAL
0,5%??? ESTE BANCO ESTÁ MUITO OTIMISTA
JESUS DE RITINHA DE MIÚDO
AOS MEUS SEIS LEITORES
Eu lhes escrevo estas linhas com a paciência de quem já viu o açude transbordar e o leito secar de vez, moldado pela calma que o chão do Seridó ensina a cada um de nós. Os seus filhos.
Eu penso que se o bom Dr. Paulo Balá estivesse ainda por esses ares quentes, de sua mesa de cabeceira certamente abriria uma de suas célebres cartas para nos lembrar de que a história das nossas famílias, e da nossa gente, não foi feita de pressa; mas de espera, fé e de resiliência.
Porque há um tempo biológico, histórico e sagrado para cada coisa sob o sol que nos tosta. E isso é bíblico.
As intempéries da vida, essas turbulências que chegam sem avisar e nos desassossegam o peito, costumam nos empurrar para o erro do desespero, da ansiedade e da falta de confiança.
Às vezes nós queremos governar o vento, ditar ordens à chuva e controlar o compasso dos segundos. Bobagem de quem ainda não entendeu o tamanho da própria pequenez como homem. Porquanto o homem que se consome na angústia daquilo que não pode resolver gasta a alma e parte da vida em vão, já que o prumo da existência se perde quando tentamos forçar o destino e acabamos desequilibrando o tempo.
Eu lembro agora de Cazuza, poeta da minha adolescência, e me convenço que não adianta o esforço desnecessário de “nadar contra a corrente, só para exercitar todo músculo que sente”. Afinal, essa fadiga orgulhosa não acalma as águas; apenas cansa e pode afogar o nadador.
É preciso o recolhimento da palavra mansa, aquela da reunião na calçada ao cair da tarde, na subida da boca da noite, para compreender que a calmaria também é um direito que nos toca.
Por exemplo, quando o inverno atrasa, não adianta o sertanejo brigar com o céu, esmurrando o ar, ou apunhalando o vento. Antes ele deve ajeitar o arado, limpar as sementes e esperar, sabendo que o ciclo da terra é soberano. E a fé é a certeza do que não vemos.
Diminuir a marcha e trocar o passo apressado pela contemplação dos dias difíceis não é covardia ou desistência. É sabedoria e maturidade. É entender que a dor e a incerteza é um rasgão na consciência, e possuem uma anatomia própria; mas, como um arranhão na carne, também precisam de tempo para cicatrizar.
Olhemos para trás, resgatemos na memória a árvore genealógica de nossas próprias superações. Quantas vezes o mundo pareceu desabar e, no dia seguinte, o sol amanheceu dourando as pedras das serras que nos cercam?
Parece, a mim, que as coisas mudam para o rumo certo quando paramos de agitar o lodo do fundo do poço dos nosso querer, e o vento da boa-sorte chega soprando para a direção correta. Se o peso é maior do que nossas mãos podem carregar, entreguemos ao tempo os quilos da desesperança.
Descansemos os braços cansados dessa correnteza. Guardemos o coração para o dia em que o vento soprar a favor.
Afinal, a vida — assim como uma boa rima ou uma carta de saudade — só encontra a sua verdadeira beleza quando respeita o compasso do próprio silêncio servindo de pedra para alicerçar a esperança, com a fé cimentando a certeza de um novo amanhã.
No mais, é acalmar o coração e esperar que as melhores chuvas molhem o nosso chão.
Nosso açude há de transbordar muitas vezes mais.
E isso não é sobre chuvas, ou açudes transbordando.
É sobre aquietar-se. E esperar.
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BASTAVA PERDER APENAS 13%…
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
A VOLTA DO SUPER MINISTRO DA FAZENDA
DEU NO JORNAL
TÁ TODO MUNDO EMBATATADO!
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
BOM DIA !!!
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
LUCIA MARIA DE MEDEIROS – OSASCO-SP
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
A RUA DOS CATAVENTOS – Mario Quintana
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)
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