ALEXANDRE GARCIA

A nova formação do Senado é capaz de grandes transformações no país

Foi um grande domingo. Pena que ainda faltou muita gente: 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Além disso, houve mais de 5 milhões de votos em branco ou nulos.

Mas, enfim, um dia de eleição é um dia de manifestação do poder do povo. E o povo promoveu uma renovação muito importante nos governos estaduais e, principalmente, no Senado, que talvez seja o maior poder do país — e que, pela Constituição, torna o Senado brasileiro o mais poderoso do mundo.

Isso não acontece quando o presidente do Senado, como fizeram Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, deixa de cumprir o dever que lhe cabe. No dia 1º de fevereiro já será eleito o novo presidente do Senado, que não será Alcolumbre. E, a partir do ano que vem, haverá uma nova composição da Casa, com a direita em maioria.

Das 54 vagas disputadas ontem, no mínimo 42 ou 43 foram preenchidas por nomes da direita ou da centro-direita. Isso representa mais da metade do Senado, que tem 81 senadores.

Vinte e sete senadores ainda têm mais quatro anos de mandato pela frente, enquanto 54 foram eleitos neste domingo para um mandato de oito anos. E, em geral, surgem nomes de enfrentamento, que surpreenderam até as pesquisas de opinião.

Em São Paulo, por exemplo, os candidatos da direita estavam sempre atrás de Marina e Tebet e acabaram derrotando as duas. No Rio Grande do Sul, estão eleitos Sanderson e Heinze. No Rio de Janeiro, também apareceram dois senadores do PL.

Enfim, houve um número muito importante de governadores eleitos, inclusive aqueles que venceram no primeiro turno. Para o PT, devem ter ficado apenas os governos da Bahia e do Ceará. Quem mais elegeu governadores foi o PL, com cerca de meia dúzia, inclusive alguns que venceram já no primeiro turno: Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Sérgio Moro, no Paraná; Tarcísio, em São Paulo — estou citando também governadores que não são do PL, mas que apoiam Flávio —; Cleitinho, em Minas Gerais; e o ex-senador Rogério, em Rondônia.

Enfim, foram excelentes resultados.

O que marcou muito esta eleição foi a constatação de que a política brasileira está realmente polarizada: é o contra e o a favor. O voto de ontem foi contra Lula, de um lado, mais do que a favor de Flávio. Era um voto para tirar o PT.

E o Supremo é responsável por isso, porque derrubou a nossa esperança de acabar com a impunidade ao livrar os corruptos da Lava Jato. A corrupção correu solta nesses últimos quatro anos, e foi contra isso que a maioria se levantou: uma maioria de 47% dos votos válidos contra 45% de Lula. Uma diferença de menos de 3 milhões de votos.

Essa diferença será definida agora, no dia 25, porque há os votos que foram para Caiado, que deverão migrar para Flávio; os que foram para Zema, em boa parte; uma parcela dos que foram para Renan; e parte também dos que foram para Curi.

Esses são os votos que, acredito, mais vão se dividir. Mas Flávio só tende a aumentar a diferença, sem contar com a possibilidade de que aqueles 33 milhões que não foram votar decidam comparecer às urnas.

Essa é uma situação muito ruim para Lula, porque a maioria dos governadores eleitos deverá entrar em campanha por Flávio. No Amazonas, por exemplo, estão Aziz e a candidata do PL, para quem Flávio deverá ir fazer campanha. Ela ficou no segundo turno, e Aziz, embora seja do PSD, todos sabem que é pró-Lula.

Há ainda outro fator que certamente será explorado pela campanha de Flávio: com o Senado escolhido neste domingo, não haverá como Lula governar da mesma maneira, porque essa Casa não deverá aprovar nenhuma indicação de um aliado seu para o Supremo. E esse Senado poderá fazer impeachment de ministro do Supremo. Além disso, o Congresso deverá instalar muitas CPIs para investigar as ligações do Master, de Lulinha e de ministros do Supremo.

Por isso, serão três semanas de desespero. Vamos ficar de olho para acompanhar a movimentação dos ministros do Supremo e verificar se eles tentarão impedir que o futuro de alguns deles se encurte bastante.

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