Venezuela!
— Rodrigo Constantino (@Rconstantino) October 26, 2026
Venezuela!
— Rodrigo Constantino (@Rconstantino) October 26, 2026
As estrelas, são milhões e bilhões, bilhões e milhões, as estrelas. Elas barroam umas nas outras até que se dão as mãos e dançam uma ciranda, alegres e felizes. E aí até a Lua entra na dança, bela e cintilante. Ainda cedo, aproveitando os últimos raios do sol, deixam-se refletir com sua luz e resplandecem junto às estrelinhas menores. Aí, é quando o céu se clareia de lua e a terra fica feliz com tanta beleza. Depois, finda a noite, as estrelinhas dormem, descansando para o recomeço do logo mais. É quando a estrela maior, dona do dia, mais uma vez surgirá no horizonte anunciando a manhã que se achega com todo o seu fulgor. É a dança dos astros, coreografia das estrelas num cenário de Deus. Logo mais meu chão será salpicado de milhões e bilhões de estrelas, bilhões e milhões delas. Serão benvindas.
O resultado da eleição de 2026 foi a confirmação de que o sistema consegue se perpetuar. Lula saiu do primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e, no segundo, “virou” com margem estreita depois que seu ex-advogado no Supremo, Cristiano Zanin, prorrogou a votação no país inteiro por liminar monocrática.
Como registrei no X ao longo do dia, algo estranho estava no ar desde cedo: ônibus adesivados por sindicalistas ligados ao PT, artistas com vídeos prontos, a máquina pronta para agir. Não se trata de teoria da conspiração. Trata-se de padrão. Há muito em jogo para essa quadrilha simplesmente aceitar uma derrota nas urnas.
A Bahia, como em outras ocasiões, pesou de forma desproporcional. O Datafolha, que historicamente superestimou o petista, desta vez “errou” para baixo. Lula, que teve péssimo desempenho nos debates da Band e da Globo, virou dez milhões de votos!
Os isentões que se recusaram a votar em Flávio por picuinhas ambientais, culturais ou por achar que o “miliciano” era pior que o PT agora colhem o que plantaram. O resultado matemático está aí: Lula permanece. Os escândalos do INSS e do Banco Master também. As estatais continuam com seus rombos. O aparelhamento das instituições será total. Venezuela vem aí…
O país terá mais tempo de erosão institucional, fiscal e moral. A partir de agora, o espaço para ilusão acabou. Não há mais “virada de urna” pela frente nem narrativa de que o mercado ou o Congresso vão “domesticar” o governo. Olhar para o norte na esperança de um milagre vindo do Trump é bobagem também.
O que resta é mitigar os estragos onde ainda é possível – estados, municípios, bancadas no Congresso, controle de orçamento, fiscalização de estatais e fundos – e organizar, com método e persistência, o caminho para o impeachment de Lula. Não é vingança. É defesa do que ainda resta de República.
O Centrão, como sempre, será decisivo. Não por convicção, mas por interesse. Na época de Dilma, a crise fiscal, a inflação e a recessão fizeram o bloco perceber que a galinha dos ovos de ouro estava morrendo. Emendas, cargos, fundos e a própria arrecadação começaram a secar. O impeachment não foi um ato de pureza moral; foi o momento em que o custo de sustentar o governo superou o benefício do loteamento.
O mesmo cálculo voltará a se impor. Quatro anos adicionais de PT, com o mesmo estilo de gestão fiscal expansionista, uso da máquina e captura de instituições, produzem o mesmo efeito: a fonte de recursos que alimenta o Centrão vai secar. Quando a conta chegar – e ela chega –, o medo de ficar sem a galinha fala mais alto do que qualquer acordo de gabinete.
Enquanto isso, o trabalho imediato é de contenção do estrago. O Congresso que se elegeu tem força para frear o pior, se quiser. O Senado, que já discute impeachments no Supremo, terá de ampliar o olhar para o Executivo. Os governadores de oposição terão de resistir à pressão por pactos que entreguem o controle de políticas locais. E a sociedade, que viu a margem estreita e as irregularidades do processo, precisa manter pressão constante.
O lulismo não se dissolve sozinho. Ele se desgasta quando o custo político e econômico se torna insuportável para quem o sustenta. Lula está indo para seu quarto mandato, o que só ditadores tiveram. Somando com a Dilma, o PT estará no poder por mais do que uma geração inteira. Muita gente não viveu outra coisa, à exceção do breve intervalo de Jair Bolsonaro, impedido de governar pelo ativismo judicial e a pandemia.
Não há romance nisso. Há realismo. A eleição terminou. A batalha pela sobrevivência institucional e econômica do país continua. O tom é sombrio porque a situação é sombria. O que resta é reduzir danos agora e preparar, com frieza, o impeachment que o próprio Centrão acabará por enxergar como necessário – exatamente como fez com Dilma quando a galinha começou a definhar.