Arquivo diários:30 de outubro de 2026
DEU NO JORNAL
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
NO BOTÃO
DEU NO JORNAL
DÚVIDA
DEU NO X
TÁ EXPLICADO
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
MILLÔR FERNANDES
Millôr era gênio, sem dúvida. Quando Maria Lectícia e eu estávamos no Rio coordenava, sempre aos sábados, almoço no Arlecchino. Com turma grande: Eliana e Chico Caruso, Guga e Paula Casé, Hugo Carvana, José Lewoy, Luiz Gravatá, Técio Lins e Silva, muita gente mais. De vez em quando o embaixador José Aparecido, Fernanda Montenegro, João Ubaldo Ribeiro, Ziraldo. E tendo só duas regras: 1. Ninguém podia chegar antes das 15hs. 2. Nem sair antes das 19hs. Aproveito e conto, aqui, umas poucas histórias dele (algumas creio que já publiquei aqui, escusas, faz mal não).
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Na praia da Lagoa Azul, de vez em quando, tem andada dos siris. Põem os ovos, partem do mangue e vem se lavar no mar; depois, usando palavras de Pessoa (Caeiro, no Guardador…), “para de onde vieram, voltam depois”. No trajeto, com frequência, passam por dentro de nossa casa. Com recomendação, aos funcionários, para não serem incomodados. Numa noite, grito pavoroso. De Guga, mulher do arquiteto Paulo Casé, que saiu do quarto com um siri pendurado na orelha. Dei um tapa e ele voou. Millôr, espectador da cena, completou ‒ “Siri melhor quem siri por último”.
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Aniversário de 70 anos, com festa no apartamento de Eliana e Chico Caruso. Lá, gente de todas as tribos: de João Ubaldo Ribeiro a Geraldinho Carneiro, de Paulo Francis (NY) ao embaixador José Aparecido (então morando em Lisboa); de José Lewgoy a nós (Recife). Quando foi apagar velas, Millôr pediu a palavra: – “Estou emocionado. Trata-se de um momento único. Que considerando nossas idades, é a lei da vida, isso não vai se repetir muitas vezes mais”.
Baixou a cabeça, como se fosse chorar. E era mesmo natural. Por ser, provavelmente, o mais velho no recinto. Protestos gerais. Que é isso?, Millôr. Quando se fez silêncio, completou: – “A vida é mesmo breve, sei bem. Não há como alterar o tempo. Mas quero só dizer uma coisa, meus amigos. Quando o último de vocês morrer, e eu tiver de comemorar aniversário sozinho, vou sentir muitas saudades”.
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Quando um amigo dizia “vou fazer aniversário amanhã”, ele respondia – “Tomara”.
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Soube que estava escrevendo sobre Fernando Pessoa. E, certo dia, chega em casa encomenda que me mandou. Era a biografia de (Ludwig Josef Johann) Wittgenstein, e mais um bilhete: ‒ “Como está escrevendo uma biografia, mando a melhor que já li. Talvez lhe seja útil”.
Pouco antes de enviar à editora mandei, para ele, os rascunhos do livro. Pedindo sua opinião, era natural. Quando escreveu A Bíblia do Caos, também mandou para que fizesse observações. Fiz isso para empatar. E logo recebi bilhete dele, a maior honra que tive em minha pobre vida: ‒ “Escusas por lhe mandar a biografia de Wittgenstein, a sua é muito melhor”.
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Nos Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Sales, escreveu ‒ “A última vez em que estivemos juntos (com Ariano Suassuna) foi o momento mais extraordinário. Na casa de nosso comum amigo José Paulo Cavalcanti Filho, jornalista, escritor e causídico (a ordem é a do leitor), numa praia de quatro quilômetros de extensão, em Porto de Galinhas. Ficamos lá horas, conversando dentro d’água, num mar indizível mas que vou tentar dizer.
“A meu lado, dentro das águas claras, a presença absolutamente surreal de Ariano, secundado por (apertem os cintos!) Luís Fernando Veríssimo. E eu ali, galera, me boquiabrindo diante da loquacidade brilhante de Ariano Suassuna e me boquifechando diante do mutismo perturbador de Veríssimo, mostrando, como sempre, que não é homem de jogar conversa fora. Ao redor, a meteorologia no seu melhor, enviando leves pancadas de chuva em momentos preciosos e vento sempre fresco, com dezoito nós e alguns laços ‒ os da amizade”.
DEU NO JORNAL
POR QUE SERÁ???
ALEXANDRE GARCIA
ESTÁ RECEBENDO MENOS APOIO DO QUE DEVERIA

Nos EUA, Flávio Bolsonaro afirma que é o “líder do Brasil”. Inicialmente, o senador havia se declarado o “verdadeiro presidente eleito”
Flávio Bolsonaro e a família receberão visto de residência, para permanecer nos Estados Unidos. Ele se lançou como líder da oposição – chegou a falar em “presidente eleito”, mas recuou – no exílio. Mas as manifestações de seu partido e de outros políticos aqui no Brasil nos deixam na dúvida sobre com quem ele vai trabalhar.
O PL já reconheceu o resultado das urnas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou da nota de Flávio, e fez essa declaração ao sair de um encontro com Jair Bolsonaro, que não sabia – ao menos foi o que disse Costa Neto – da saída de Flávio. Depois, Tarcísio de Freitas também disse que o resultado da eleição está finalizado e não cabe contestar o resultado das urnas, porque somos democratas, e que é preciso fazer uma oposição responsável.
Mais ainda: Ives Gandra Martins, uma liderança jurídica liberal, também disse que Lula foi eleito, ponto final; que foi um erro de Flávio se autoproclamar “presidente eleito”; e que cabe agora fazer oposição e ir ao ponto: Lula gastou uma montanha de dinheiro público para se eleger. Isso, sim, justifica uma ação no Tribunal Superior Eleitoral. Mas é difícil imaginar que o TSE vá anular o registro da candidatura de Lula ou cassar o diploma.
O fato é que a posse já está marcada para 5 de janeiro – costumava ocorrer no dia 1.º, mas a data foi mudada por uma emenda constitucional de 2021. O objetivo é poder receber mais convidados do exterior e de outros locais onde também tenha havido posse, ou permitir que as pessoas venham depois das festas de fim de ano. O dia seguinte à passagem de ano realmente dificultava uma presença maior do público e de convidados.
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Novos números da dívida mostram que ajuste fiscal é urgente
A situação econômica está mais difícil do que se imagina, e ficará ainda pior se não houver medidas drásticas de corte de despesas, o que Lula dificilmente fará. O Banco Central anunciou que as contas do governo Lula, até 30 de setembro, tinham déficit primário de R$ 94,3 bilhões – no ano passado eram R$ 79 bilhões. Com os juros, o déficit chega a R$ 113 bilhões. Os juros pagos em 12 meses somam R$ 1,2 trilhão.
O total da dívida pública é de R$ 11,1 trilhões; pelo padrão do FMI, essa dívida está em 95,2% do PIB, ou seja, de tudo que o país produz durante um ano, quase tudo já está comprometido com a dívida. É muito perigoso, e pode levar as pessoas a ter dúvidas sobre os papéis do governo, pode provocar uma crise de crédito muito grande, e a tendência é que os juros subam. Obviamente, isso aumenta o endividamento das pessoas: 30% da renda das famílias já está comprometida com dívidas. Isso é muito grave, e anuncia quatro anos muito difíceis.
DEU NO JORNAL
PROVA DE VIDA
O senador eleito Rui Costa (PT-BA) elogiou velhinhos de andador e até carregados por filhos e netos para votar “e eleger Lula”.
Isso é fantasia.
Foram votar como “prova de vida”, pressionados pelo INSS, porque temiam ficar sem suas aposentadorias degradantes nesta sexta (30).
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Não há motivos para espanto.
Esta manifestação, vinda de um petralha, é normal, normal.
VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO
A INJÚRIA
Injúria é a ação de ofender a honra e a dignidade de alguém. Em termos penais, o direito define a injúria como um dos crimes contra a honra, assim como a calúnia e a difamação.
O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal (CP), e a queixa crime por injúria pode gerar condenação, com pena de 1 (um) a 6 (seis) meses de prisão e multa.
Esse caso ocorreu há décadas, numa determinada audiência, quando o Juiz ouvia o depoimento de uma testemunha de defesa, em processo de crime de injúria.
A acusação que pesava contra o constituinte do grande criminalista José Moreno, era a de que o acusado havia chamado o autor da representação de “PEDERASTA”. O autor tratava-se de um conhecido vereador da cidade, candidato à reeleição.
O Ministério Público estava ali representado por uma Promotora de Justiça, no início da carreira, muito séria e cerimoniosa, que demonstrava absoluto respeito aos circunstantes.
O crime de injúria, para ser provado, exigia perguntas indiscretas e respostas claras, no sentido de inocentar o réu. O Juiz começou a ouvir o depoimento de uma testemunha de defesa, empregado de uma mercearia, que tinha pouco estudo. O réu seria inocentado, caso a prova da pederastia de que era portador o autor da representação viesse para o processo.
Mesmo se esforçando, para manter o equilíbrio da seriedade da audiência, o advogado de defesa, com muita ética profissional, fez, através do juiz, a seguinte pergunta:
– Pergunto à testemunha se pode informar se o autor da ação demonstra “trejeitos” nos seus costumes de homem honrado ou algum gesto efeminado?
Imediatamente, a testemunha respondeu:
– Doutor, eu não entendo essas palavras difíceis que o senhor falou. Mas, mesmo assim, doutor, pela maneira e o tom da pergunta, posso dizer, com toda a certeza, que o autor da representação, como toda a cidade sabe, realmente, dá o “SEDÉM”.
Diante da inesperada resposta que a testemunha deu ao Juiz, na presença das partes, pairou na sala de audiências um silêncio sepulcral, deixando surpresos todos os participantes daquele ato jurídico.
Esse caso passou a fazer parte do anedotário forense do Rio Grande do Norte.
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