Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolências de veludos caros,
São como sedas brancas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Ó meu Deus!
Receber estes versos da Florbela é como levar um tapa com luvas de pelica.
Uma não poesia para alguém que, talvez se acha merecedor dos mais lindos versos da Florbela (e ela era capaz de fazê-los com maestria).
Até em um verso de amor, como os de tantos “imortais” que vejo por aqui, ela era diferenciada.
Meu dia está mais feliz.