DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

O FESTIVAL DE INCOERÊNCIAS NO JULGAMENTO DA CPMI DO INSS

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Correria na CPMI do INSS, que investiga como 6,5 milhões de idosos foram roubados em R$ 6 bilhões por uma quadrilha para a qual prisão seria pouco. Pena que a correria ocorre porque tudo indica que a CPMI não será prorrogada. A maioria dos ministros do Supremo decidiu que o STF não pode impor uma prorrogação, que isso só pode ser feito se a maioria aprovar. E, como o que mais tem é gente querendo esconder e proteger (os governistas, por exemplo, querem proteger o Lulinha; outros que devem ter levado algo também querem esconder), a ordem é abafar tudo, contrariando o que diz a Constituição, que exige moralidade e publicidade no serviço público. Se o serviço é público, tem de ser público. E o público – você, eu, todo mundo – tem de ficar sabendo o que estão fazendo com o dinheiro dos nossos impostos.

Eu assisti à votação, cheia de ironias interessantes nos votos contrários a essa prorrogação. Os ministros dizem que os poderes são independentes, e que por isso eles não se podem meter no Legislativo. Mas não se metem o tempo todo? Um dia antes fizeram exatamente isso, legalizando penduricalhos. O ministro Flávio Dino chegou a dar um exemplo, dizendo que eles não podem exigir que o Executivo tenha um certo número de ministérios. Mas impedir que o presidente da República nomeie o diretor da Polícia Federal, isso pode? Porque já fizeram isso. Os ministros ainda disseram que não pode haver prorrogação indefinida. Mas sete anos de inquérito do fim do mundo, isso pode? O tamanho de um inquérito normal é de 60 dias, o das fake news está com sete anos. Disseram que é preciso seguir rigorosamente o devido processo legal. E por acaso ele foi seguido nos julgamentos do 8 de janeiro? Tem mais: falaram em “obedecer aos direitos fundamentais”. Foram obedecidos nas condenações coletivas, por atacado, em que nem sabiam o que a pessoa tinha feito? Tem manifestante condenado a 14 anos sem ninguém saber o que fez, sem uma única prova do que a pessoa fez.

E agora? A CPMI pode votar um relatório apressadamente, ou encontrar maioria para prorrogar. O Supremo não impediu a prorrogação, só decidiu que não pode obrigar.

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Carla Zambelli ainda tem mais duas chances de evitar extradição

Os jornais já estão noticiando até que Carla Zambelli agora vai ser presa, que vai voltar para cumprir pena na prisão feminina em Brasília. Calma lá! Ela ainda tem 15 dias para recorrer à Corte de Cassação e, depois disso, quem dá a palavra final é o Poder Executivo, o Ministério da Justiça do governo de Giorgia Meloni. A versão que apurei é que, se Meloni e o ministro da Justiça ficarem em silêncio, não haverá extradição. Eles precisam ordenar que Zambelli seja enviada de volta ao Brasil. Aconteceu aqui com Cesare Battisti: o Supremo autorizou a extradição, mas o governo do PT não deixou. Foi Temer quem assinou a extradição, pouco antes de começar o governo Bolsonaro, mas Battisti fugiu e foi capturado na Bolívia.

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Lula ensaia mais bondades para enganar o povo novamente

Lula está preocupadíssimo com as pesquisas. Viu Flávio Bolsonaro passar à frente dele nas simulações de segundo turno, e sua desaprovação está cada vez maior. Por isso, está inventando mais bondades, mais presentes em troca de votos. Nós criticamos Lula, mas ele é só a consequência. A causa são as pessoas que votam nele. Elas são a causa de não termos picanha, das promessas não cumpridas, de a corrupção e a bandidagem terem voltado com tudo. Os bandidos e os corruptos tinham medo de Bolsonaro; com Lula todo mundo já conhece, já sabe como é. Mas repito, a culpa não é de Lula. Lula é a consequência, e a causa são os que decidiram o voto.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

Aderaldo Ferreira de Araújo, mais conhecido como “Cego Aderaldo” um dos maiores cantadores da poesia popular nordestina (1878-1967)

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Cego Aderaldo

(atendendo a um pedido do Padre Cícero)

À ordem do meu padrinho
Vou colher algumas flores…
Fazer minhas poesias
Cheias de grandes louvores
Saudando, primeiramente,
A Santa Virgem das Dores.

O nome do santo Padre
Anda pelo mundo inteiro,
A cidade está crescendo
Com este povo romeiro,
Devido às grandes virtudes
Do santo de Juazeiro.

Nossa Senhora das Dores
É que nos dá proteção,
Ordena ao nosso bom Padre,
E ele cumpre a Missão,
Ensinando a todo mundo
O ponto da salvação.

Deixo aqui no Juazeiro
Todos os sentidos meus
Juntamente ao meu Padrinho
Que me limpou com os seus,
Vou correr por este mundo
Levando a bênção de Deus.

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Louro Branco

Cantador como eu ninguém num fez
Deus deixou pra mandar muito depois
Que se cabra for grande eu dou em dois
E se o cabra for médio eu dou em três
E se for bem pequeno eu dou em seis
Que a minha riqueza é bem total
Cantador como eu não nasce igual
Que ou nasçe mais baixo sou mais estreito
Repentista só canta do meu jeito
Se for fora de série ou genial.

* * *

Otacílio Batista Patriota

Ao romper da madrugada,
um vento manso desliza,
mais tarde ao sopro da brisa,
sai voando a passarada.
Uma tocha avermelhada
aparece lentamente,
na janela do nascente,
saudando o romper da aurora,
no sertão que a gente mora,
mora o coração da gente.

*

O cantador violeiro
longe da terra querida,
sente um vazio na vida,
tornando prisioneiro,
olha o pinho companheiro,
aí começa a tocar,
tem vontade de cantar,
mas lhe falta inspiração.
Que a saudade do sertão
faz o poeta chorar.

* * *

João Paraibano

Vê-se a serra cachimbando…
Na teia, a aranha borda;
O xexéu canta um poema;
Depois que o dia se acorda,
Deus coloca um batom roxo
Na flor do feijão de corda.

*

Do nevoeiro pra o chão
a nuvem faz passarela;
o sapo pinota n’água,
entra na lama e se mela;
faz uma cama de espuma
pra cantar em cima dela.

*

Sempre vejo a mão divina
no botão de flor se abrindo,
no berço em que uma criança
sonha com Jesus sorrindo;
a mão caçando a chupeta
que a boca perdeu dormindo.

* * *

Roberto Queiroz

Admiro o Zé Ferreira
Um cantador estupendo
Se a roupa se suja, lava
Se rasga, bota remendo
Gasta menos do que ganha
Que é pra não ficar devendo.

* * *

Luciano Carneiro

Eu não tive vocação
Pra diácono nem vigário
Tornei-me então um poeta
Não muito extraordinário
Mas sou com muita alegria
No campo da poesia
Um verdadeiro operário.

* * *

Leonardo Bastião

Ontem vi uma coruja,
Sentada numa cancela,
Demorei trinta segundos,
Olhando a feiura dela,
Quando me vi no espelho,
Tava mais feio do que ela.

*

Admiro o juazeiro,
Nascido na terra enxuta,
A fruta é pequena e ruim,
A madeira é torta e bruta,
Mas a bondade da sombra,
Cobra a ruindade da fruta.

*

Eu não vou plantar saudade,
Que não estou mais precisando,
A caçamba da saudade,
Toda vez que vai passando,
Ao invés de levar a minha,
Derrama a que vai levando.

* * *

Josué Romano

Eu já suspendi um raio
E já fiz o tempo parar.
Já fiz estrela correr,
Já fiz sol quente esfriar.
Já segurei uma onça
Para um moleque mamar!

DEU NO JORNAL

CPMI ENTERRADA

Impressionaram as intervenções dos ministros de sempre do STF, nesta quinta-feira (26), atacando os que dedicaram meses de suas vidas investigando na CPMI do INSS os suspeitos de roubar de mais de R$ 10 bilhões de aposentados e pensionistas.

Muitos dos suspeitos tinham fortes ligações políticas, como o irmão e um filho de Lula.

O julgamento de ontem fez lembrar os ataques desferidos contra supostos “abusos” da Lava Jato, levando à anulação da operação que lavava a alma do Brasil.

A desconstrução da Lava Jato levou à descondenação até de corruptos confessos e de quem admitiu haver pagado propinas a agentes públicos.

Esperava-se, em um tribunal tão importante, elogios ao fato de a CPMI haver revelado dezenas de ladrões, indiciado 228 e levado 14 à prisão.

* * *

CPMI morta e enterrada.

O careca do INSS e seus comparsas já estão na espera de futuras “descondenações”.

Isso é cagado e cuspido o retrato da republiqueta banânica da atualidade.

Que os céus se apiedem desse devastado país.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A SABEDORIA DA FÁBULA

A fábula é uma antiga narração com intuitos morais. Segundo a literatura, elas já eram usadas nos livros sagrados, onde apareciam sob a forma de parábolas. As mais célebres são as escritas por um escravo chamado Esopo, que nasceu em Amorium, pequena aldeia de Phrygia, em 620, e morreu em 560 A.C.
Esopo foi escravo de dois filósofos, Xanto e Idmo; este último emancipou-o.

Esopo adotou um método para as suas narrativas, mais claro e mais simples que o dos filósofos: fez falar os animais e as coisas inanimadas, para dar lições aos homens.

Segundo conta a história, Creso, rei de Lydia, chamou Esopo à sua corte e encheu-o de benefícios. Esopo chegou a viajar pelo Egito e Pérsia, e estava em Athenas, quando Pisistrato a avassalava. Ao ver o que os athenienses sofriam sob o jugo d’aquele tirano, Esopo compôs a fabula das rãs descontentes que pediam um rei.

De volta à corte de Creso, este o mandou-o a Delphos para fazer um sacrifício a Apolo. Aos seus habitantes, desagradou a fábula que ele lhes compôs, sobre as aparências flutuantes sobre a água, que de longe parecem alguma coisa e de perto nada são. Por isso, atiraram-no do alto de uma rocha. Toda a Grécia lastimou a morte de Esopo. Em Athenas erigiram-lhe uma estátua.

Uma das famosas fábulas de Esopo: O BURRO VESTIDO COM PELE DE LEÃO:

Um certo burro vestiu uma pele de leão que encontrou no caminho e encheu de susto todos os animais, que fugiam ao vê-lo. O asno felicitava a si mesmo, por se ver tão temido e respeitado. Até seu amo, que o andava procurando por o julgar perdido, se atemorizou quando o viu de longe; mas depois, reparando numa das suas grandes orelhas que aparecia por debaixo da pele do leão, tirou-lhe o disfarce, deu-lhe uma sova, pôs-lhe a albarda, e montou nele.

Moral:

“SE O IGNORANTE PRETENDE MOSTRAR-SE SÁBIO, A ORELHA O DESCOBRIRÁ, COMO ACONTECEU COM O BURRO DA FÁBULA.”

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

O BOLSONARISMO AINDA VIVE

Jair Bolsonaro

O ministro Barroso estava num convescote dos comunistas da UNE quando disse: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Não só era a confissão de um crime, já que ministros supremos precisam ser apartidários e imparciais, como era um anúncio muito precoce. O bolsonarismo, ao que tudo indica, segue não apenas vivo, mas forte.

Como mostra uma reportagem da Folha de SP, a uma semana do fim da janela partidária, o PL já alcançou a marca de 105 deputados federais. É a maior bancada de um partido na Câmara dos últimos 25 anos. E isso não se deve aos lindos olhos azuis de Valdemar, com certeza. É fruto de um movimento que ainda respira e atrai multidões, mesmo com seu líder preso.

Não resta dúvida de que há inúmeros parlamentares sem convicção ideológica ali. O PL, afinal, agrega uma ala do tal centrão fisiológico também. Mas é inegável que o crescimento do partido se deu a partir da chegada de Jair Bolsonaro, e que o ex-presidente continua sendo o principal cabo eleitoral da direita.

Isso tem ligação com méritos do próprio Jair, como um governo sem escândalos de corrupção, o despertar da esperança patriótica no povo e ministérios técnicos, como também deriva da própria perseguição sofrida pelo ex-presidente e seu entorno. A tentativa de destruir o bolsonarismo por meio do abuso de poder supremo teve um efeito bumerangue: o povo percebeu a injustiça e reagiu.

Há, ainda, o fator do antipetismo. Cada vez mais gente se dá conta, finalmente, de que o governo Lula é um fiasco total. Ser oposição a esse desgoverno, portanto, é questão de bom senso e pragmatismo político. Dentro do PL, como já disse, existe uma ala que pouco se importa para valores e princípios, mas é crescente o grupo que tem como missão derrubar Lula e restaurar o Estado de Direito no país.

Os deputados mais calcados nesses princípios conservadores são os que mobilizam mais gente, como o caso do jovem Nikolas Ferreira. Pesquisa recente mostra que Nikolas é o deputado com imagem mais positiva, enquanto outra pesquisa mostra que o nível de rejeição a Lula entre os jovens de 16 a 24 anos ultrapassa a impressionante marca de 70%. O futuro não parece muito promissor para a esquerda radical, e a contracultura de hoje é ser conservador.

Tanto é verdade que Bolsonaro ainda assusta o sistema que Alexandre de Moraes decidiu por uma prisão domiciliar inovadora, repleta de cautelares, justamente para afastá-lo das articulações políticas e das campanhas de seus aliados. O STF sabe que o bolsonarismo ainda respira, e que toda a asfixia imposta pelos ministros não foi suficiente para matá-lo ou sequer enfraquecê-lo.

A maior prova disso é a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro crescendo e ultrapassando as intenções de voto em Lula no segundo turno. Tentaram enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo vivos, mas não foram capazes. Agora resta tentar “neutralizar” a força conservadora, pressionando e chantageando o PL para que seja mesmo um partido típico do centrão, sem oferecer qualquer ameaça ao sistema podre e carcomido. Espero que fracassem nessa empreitada…

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS