Vá devagar, meu amigo, Que a vida não volta atrás! O tempo é sempre fugaz… Em pouco, o novo é antigo E eu vivo a pensar comigo: Correr pra quê pela estrada?! Se é sempre na caminhada Que a gente colhe poesia, Pra que tanta correria Se Tudo vem a ser Nada?
Melchior SEZEFREDO Machado
Para que tanto cifrão VSó somar não dividir Por que não subtrair Ajudando seu irmão Se não leva no caixão O que juntou na jornada Deixa tudo na morada Vai morar no céu um dia Pra que tanta correria Se Tudo vem a ser Nada?
Cabal Abrantes
Não adianta se estressar Perder sua paciência E ir parar numa Urgência Em um bloco hospitalar Se tudo aqui vai passar Vem o final da jornada E o fim dessa caminhada Terminará qualquer dia Pra que tanta correria Se Tudo vem a ser Nada?
Poeta Nascimento
Não adianta tanta pressa Tampouco ter alvoroço Pra ir ao fundo do poço Pois pouca coisa interessa E se o nada é promessa Dessa curta caminhada Vou evitar na jornada Levar tudo o que queria Pra que tanta correria Se Tudo vem a ser Nada?
Leo Brasil
Pra que dinheiro de Emenda, Desvio e corrupção Pra comprar uma mansão, Um iate, uma fazenda? E perder a vaga na Tenda Da mais sublime morada Ter a alma encarcerada Na infernal enxovia. Pra que tanta correria Se Tudo vem a ser Nada?
Luís Carlos Prestes nasceu em 3\1\1898, em Porto Alegre, RS. Engenheiro militar, político e secretário-geral do PCB-Partido Comunista Brasileiro no período 1943-1980. Foi apontado como um dos políticos mais influentes do País durante o século XX e ficou conhecido por liderar a “Coluna Prestes” na década de 1920.
Filho de Maria Leocádia Felizardo Prestes e Antonio Pereira Prestes, capitão do Exército. Aos 6 anos, a famíia mudou-se para o Rio de Janeiro e 4 anos depois perdeu o pai. A mãe, professora, tratou de alfabetizar o garoto em casa. Ingressou no Colégio Militar aos 11 anos, visando cursar a 2ª série. Aos 18 anos ingressou na Escola Militar do Realengo, formando-se oficial da Arma de Engenharia, em 1920, aos 22 anos.
Por esta época passou a se interessar pela política, junto com seus companheiros de turma: Juarez Távora, Siqueira Campos, Eduardo Gomes e Cordeiro de Farias entre outros. Na condição de tenente, foi engenheiro na 1ª Companhia Ferroviária de Deodoro. Mas como seu chefe estudava medicina e pouco comparecia no trabalho, era ele quem de fato comandava. Em 1921 pediu demissão e assumiu o cargo de instrutor na Escola Militar, onde permaneceu por apenas um ano. Participou do Movimento Tenentista, uma revolta de jovens oficiais contra a República Velha, de combate a corrupção, o coronelismo e o voto de cabresto. O Tenentismo estendeu-se de 1922 a 1927 e teve Prestes como um dos seus líderes dando origem à “Coluna Prestes”, em 1925.
Trata-se de um contingente rebelde com 1.500 homens, que percorreu 25 mil km. do Pais em 13 estados por mais de 2 anos. Por essa época sua liderança no movimento lhe garantiu a alcunha de “Cavaleiro da Esperança”. Em 1928 passou um período na Bolívia estudando marxismo e travou contato com os comunistas argentinos Rodolpho Ghioldi e Abraham Guralski, dirigente da Internacional Comunista. Pouco depois foi convidado ao comando militar da Revolução de 1930, ao lado de Getúlio Vargas, mas não aceitou. Para ele, tal “revolução” era apenas uma disputa de oligarquias e sua proposta incluia a organização e participação do povo na conquista de um novo modelo econômico. Escreveu um manifesto expondo seus ideais e divulgou no âmbito nacional.
Em 1931, foi convidado para conhecer a União Soviética e lá passou um período trabalhando como engenheiro e se aprofundando nos estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética, o PCB-Partido Comunista Brasileiro o aceitou como filiado em agosto de 1934.
Em seguida, foi eleito membro da comissão executiva da IC-Internacional Comunista. Em dezembro de 1934, voltou ao Brasil como clandestino, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC. No ano seguinte foi criada a ALN-Aliança Libertadora Nacional, uma frente de esquerda reunindo comunistas, alguns tenentes, operários intelectuais, tendo Prestes como presidente de honra.
Sua liderança possibilitou uma articulação visando a derrubada do Governo Vargas, em 1935. Ocorreram algumas insurreições em Natal e Recife, chegando ao Rio de Janeiro e outras capitais. O movimento foi apoiado logistica e financeiramente pela União Soviética, através do Secretariado Latino-Americano, sediado em Montevidéu. No entanto, os levantes foram derrotados pela violenta repressão do Governo Vargas sob o comando de Filinto Muller, chefe da polícia política. O Levante de 1935 ficou pejorativmente conhecido pelos militares como “Intentona Comunista”. Prestes perdeu a patente de capitão, foi preso por 9 anos e foi anistiado por Vargas, em 1945, em troca de apoio político.
As relações entre Vargas e Prestes foram marcadas por uma grande rivalidade, traumas pessoais e pitadas de interesses políticos. Enquanto Prestes estava na cadeia, Vargas decretou a deportação de sua esposa Olga Benário para a Alemanha, sabendo que ela iria para um campo de concentração nazista, onde foi morta. Enquanto estava presa, nasceu sua filha Anita Leocádia Prestes, que foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internaciona. Após a anistia, em 1945, foi eleito deputado federal, mas renunciou para assumir a vaga de senador no período 1946-1948. Na Assembleia Constituinte de 1946, foi líder da bancada comunista de 14 deputados, incluindo Jorge Amado, Carlos Mariguela e João Amazonas.
Em 1950 casou-se com Altamira Rodrigues Sobral, que passou a se chamar Maria Prestes, tiveram 7 filhos e viveram juntos por 40 anos. Em 1958 foi preso mais uma vez, porém teve a prisao revogada por mandato judicial. Após o Golpe Militar de 1964, teve os direitos políticos revogados por 10 anos, foi perseguido pelo governo e fugiu para a União soviética em fins dos anos 1960 e regressou ao Brasil após a anisitia em 1979. No ano seguinte publicou uma Carta aos Comunistas, comunicando seu rompimento com o PCB. Durante toda a vida, lutou para a contrução de um partido comunista efetivamente revolucionário.
Na década de 1980 foi assediado por grupos e personalidades de esquerda para que liderasse um novo partido revolucionário, que para ele só poderia surgir das lutas do povo. Apoiou seu conterrâneo Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, em 1982 e à Presidência da República, em 1989. Por este gesto recebeu o título de presidente de honra do PDT-Partido Trabalhista Brfasileiro, cargo que manteve até sua morte em 7/3/1990.
Ao longo da história, tem sido retratado no cinema, na televisão e na literatura, Nos filmes O país dos tenentes (1987), de João Batista de Andrade; Olga, baseado no romance homônimo de Fernando Morais; na novela Kananga do Japão (1989). Em 1997, foram lançados os documentários Prestes, O Cavaleiro da Esperança e O Velho – A história de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança e no ano seguinte, centenário de seu nascimento, a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio prestou-lhe homenageou no carnaval com o enredo “Cavaleiro da Esperança”. Em Santo Ângelo é mantido o Memorial Coluna Pretes, um museu contendo a memória da marcha e pertences de seu protagonista. Em termos biográficos, temos a biografia romanceada de Jorge Amado O Cavaleiro da Esperança (1944); os livros de sua filha Anita Lecádia Prestes Luiz Carlos Prestes – O combate por um partido revolucionário, 1958-1990 (2012) e Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (2016); Daniel Aarão Reis Um revolucionário entre dois mundos (2014) e Boris Koval Vida e luta do Cavaleiro da Esperança (2005).
Declaro publicamente uma admiração minha muito forte por um sacerdote que colaborou durante longos anos com Dom Hélder Câmara, o saudoso Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife. Seu nome? EDUARDO HOORNAERT, nascido na Bélgica em 1930 e que vive, desde 1958, no Brasil. Formado em Línguas Clássicas e História Antiga pela Universidade de Lovaina (Bélgica), ensinou durante trinta anos História do Cristianismo em Institutos Teológicos Católicos de João Pessoa, Recife e Fortaleza.
Desde 2011 publica escritos relacionados à história do cristianismo através do seu blog http://eduardohoonaert.blogspot.com, muito bem aceitos nas áreas cristãs dos quatro cantos do Brasil. No ano passado, lançou um livro muito oportuno para os períodos pascoalinos que se aproximam: JESUS DE NAZAR[E: UMA RADIOGRAFIA PARA ALÉM DOS EVANGELHOS, Eduardo Hoornaert, São Paulo, Editora Recriar, 2025, 164 p. Um livro escrito sob o lema Pensar Diferente, uma característica sua sempre a serviço do Senhor Jesus, nosso Irmão Libertador.
Logo na introdução Para Iniciar uma Radiografia, o notável teólogo explicita as três imagens que caracterizam o Nazareno: o modo comparativo ou metafórico, típico das cartas paulinas e do Evangelho de João, o modo narrativo ou mitológico, característico dos Evangelhos Sinótico, e o modelo histórico ou racional, que aparece esporadicamente nos Evangelhos.
Para um aprimoramento do leitor das suas posturas religiosas, páginas complementares muito oportunas para todos os não ruminantes: AS 21 HABILIDADES DA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL: O PRÓXIMO PASSO ALÉM DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, Cindy Wiggleworth, São Paulo, Editora Cultrix, 2023, 268 p. Páginas que ratificam integralmente uma afirmação do consagrado filósofo espiritualista francês Henri Bergson (1859-1941): “Existir é mudar, mudar é amadurecer, amadurecer é continuar criando a si mesmo infinitamente.”
Para a Semana Santa que se aproxima, percebamo-nos todos portadores de uma transcendentalidade sempre insuficiente, a carecer de leituras alicerçais que nos faça cada vez mais próximos da Luz Divina.
O meu amigo João Silvino da Conceição, companheiro de muitas caminhadas reflexivas, costuma dizer que “sabendo bem interpretar o que se lê, jamais se perderá ao entardecer”. E as duas leituras acima muito ampliarão as binoculizações daqueles que se comportam como uma permanente metamorfose ambulante, a la Raul Seixas, o sempre enaltecido menestrel brasileiro.
Inadimplência vem batendo recordes históricos no início de 2026
O Brasil tinha, em fevereiro, 73,7 milhões de pessoas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgados dias atrás. Número da Serasa Experian é ainda mais grave: 81,2 milhões de inadimplentes em janeiro. Considerando que o Brasil tem 213 milhões de habitantes, dos quais 106 milhões são pessoas em condições de trabalhar, os recordes históricos de inadimplência são preocupantes e revelam fragilidades da situação econômica do país. Quando um país está entrando em recessão econômica, o aumento no número de pessoas que ficam inadimplentes, principalmente os que atrasam o pagamento de suas dívidas por mais de 90 dias, é uma das primeiras consequências.
É o caso de perguntar se os dados de inadimplência não estão mostrando que algo não vai bem com o desempenho da produção nacional, e se de fato a economia começou a desacelerar. Até o momento, as estatísticas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) nacional não captaram uma retração econômica, embora o PIB praticamente zerado no segundo semestre de 2025 ligue um sinal de alerta. Há, no entanto, quem acredite que a crise mundial atual, que fez o preço do barril de petróleo sair da faixa dos US$ 70 e superar os US$ 110 com a guerra no Oriente Médio, vai forçar os índices de inflação para cima e frear o crescimento do PIB em várias partes do mundo, inclusive o Brasil.
As duas principais causas da inadimplência das pessoas são a inflação e o desemprego. Assim, a elevação do número de inadimplentes é um fenômeno que recomenda às autoridades direcionarem sua atenção para a tendência dos índices de inflação diante da elevação dos preços do petróleo e de eventuais sinais sobre um possível aumento na taxa de desemprego, ainda que ela esteja hoje em mínimas históricas. Nesse cenário, um fator importante que age como inibidor adicional de investimentos e produção – portanto, queda na geração de empregos – é a taxa de juros, especialmente combinada com o aumento de custos nas empresas por efeito do aumento dos combustíveis derivados do petróleo. Se tudo isso ocorre simultaneamente, o efeito sobre o PIB é a redução no crescimento e o flerte com a recessão, ainda que leve.
Em relação ao efeito aumentador da inadimplência provocado pela inflação, sua ocorrência ocorre porque quando os preços sobem, as pessoas gastam mais em valores monetários com a compra de bens e serviços básicos essenciais à vida, a exemplo dos gastos com alimentos, aluguel, água, energia, transporte, escola e assistência à saúde. Juntando a isso o fato de que os salários e outras rendas pessoais não sobem junto com a inflação, boa parte das pessoas se vê na condição de atrasar prestações vencidas. Outra causa está nos juros altos. Mesmo que seja possível renegociar dívidas e tomar empréstimos novos à medida que se vai amortizando dívidas vencidas, juros altos encarecem as dívidas e contribuem para diminuir o valor líquido de novos empréstimos, fazendo que seja agravado o atraso no pagamento de boletos vencidos.
Um problema adicional que agravou a percepção da população de que a inflação pode ser maior que a mostrada nos índices publicados pelo governo foi o conflito entre o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, e parte de seus técnicos e diretores, com alguns pedindo demissão sob a acusação de que Pochmann estaria inclinado a alterar metodologias de cálculo de índices como PIB e inflação. Em um país no qual a taxa de confiança no governo e nos políticos já é bastante baixa, uma crise como a do IBGE reforça a crença de que a inflação real poderia ser maior que a oficial.
Os reajustes salariais e de outras rendas do trabalho são feitos tendo como referência a inflação oficial medida pelo IPCA. Se esse índice for, de alguma forma, jogado para baixo a fim de favorecer a imagem do governo, os reajustes de salários e rendas pessoais serão insuficientes para equilibrar os orçamentos dos trabalhadores, contribuindo assim com aumento da inadimplência de dívidas tomadas anteriormente. Um ponto a ser esclarecido é quanto à finalidade das dívidas contraídas pelas pessoas físicas. Se uma dívida resultar de investimento, como a compra da casa própria, a família terá um ativo e poderá deixar de gastar com aluguel; logo, essa é uma situação menos problemática do que quando a dívida é feita para cobrir déficit de consumo corrente em relação à renda da família.
De qualquer forma, o exagerado número de inadimplentes em relação ao total da população em condições de trabalhar é um sinal de que o país pode estar tendo problemas com o cálculo da inflação real, com a taxa de desemprego e com a taxa de crescimento do PIB. Eis aí um sinal de alerta que recomenda às autoridades o exame das políticas públicas pertinentes. Sem isso, o governo estará se omitindo de forma irresponsável.