JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Luís Carlos Prestes nasceu em 3\1\1898, em Porto Alegre, RS. Engenheiro militar, político e secretário-geral do PCB-Partido Comunista Brasileiro no período 1943-1980. Foi apontado como um dos políticos mais influentes do País durante o século XX e ficou conhecido por liderar a “Coluna Prestes” na década de 1920.

Filho de Maria Leocádia Felizardo Prestes e Antonio Pereira Prestes, capitão do Exército. Aos 6 anos, a famíia mudou-se para o Rio de Janeiro e 4 anos depois perdeu o pai. A mãe, professora, tratou de alfabetizar o garoto em casa. Ingressou no Colégio Militar aos 11 anos, visando cursar a 2ª série. Aos 18 anos ingressou na Escola Militar do Realengo, formando-se oficial da Arma de Engenharia, em 1920, aos 22 anos.

Por esta época passou a se interessar pela política, junto com seus companheiros de turma: Juarez Távora, Siqueira Campos, Eduardo Gomes e Cordeiro de Farias entre outros. Na condição de tenente, foi engenheiro na 1ª Companhia Ferroviária de Deodoro. Mas como seu chefe estudava medicina e pouco comparecia no trabalho, era ele quem de fato comandava. Em 1921 pediu demissão e assumiu o cargo de instrutor na Escola Militar, onde permaneceu por apenas um ano. Participou do Movimento Tenentista, uma revolta de jovens oficiais contra a República Velha, de combate a corrupção, o coronelismo e o voto de cabresto. O Tenentismo estendeu-se de 1922 a 1927 e teve Prestes como um dos seus líderes dando origem à “Coluna Prestes”, em 1925.

Trata-se de um contingente rebelde com 1.500 homens, que percorreu 25 mil km. do Pais em 13 estados por mais de 2 anos. Por essa época sua liderança no movimento lhe garantiu a alcunha de “Cavaleiro da Esperança”. Em 1928 passou um período na Bolívia estudando marxismo e travou contato com os comunistas argentinos Rodolpho Ghioldi e Abraham Guralski, dirigente da Internacional Comunista. Pouco depois foi convidado ao comando militar da Revolução de 1930, ao lado de Getúlio Vargas, mas não aceitou. Para ele, tal “revolução” era apenas uma disputa de oligarquias e sua proposta incluia a organização e participação do povo na conquista de um novo modelo econômico. Escreveu um manifesto expondo seus ideais e divulgou no âmbito nacional.

Em 1931, foi convidado para conhecer a União Soviética e lá passou um período trabalhando como engenheiro e se aprofundando nos estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética, o PCB-Partido Comunista Brasileiro o aceitou como filiado em agosto de 1934.

Em seguida, foi eleito membro da comissão executiva da IC-Internacional Comunista. Em dezembro de 1934, voltou ao Brasil como clandestino, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC. No ano seguinte foi criada a ALN-Aliança Libertadora Nacional, uma frente de esquerda reunindo comunistas, alguns tenentes, operários intelectuais, tendo Prestes como presidente de honra.

Sua liderança possibilitou uma articulação visando a derrubada do Governo Vargas, em 1935. Ocorreram algumas insurreições em Natal e Recife, chegando ao Rio de Janeiro e outras capitais. O movimento foi apoiado logistica e financeiramente pela União Soviética, através do Secretariado Latino-Americano, sediado em Montevidéu. No entanto, os levantes foram derrotados pela violenta repressão do Governo Vargas sob o comando de Filinto Muller, chefe da polícia política. O Levante de 1935 ficou pejorativmente conhecido pelos militares como “Intentona Comunista”. Prestes perdeu a patente de capitão, foi preso por 9 anos e foi anistiado por Vargas, em 1945, em troca de apoio político.

As relações entre Vargas e Prestes foram marcadas por uma grande rivalidade, traumas pessoais e pitadas de interesses políticos. Enquanto Prestes estava na cadeia, Vargas decretou a deportação de sua esposa Olga Benário para a Alemanha, sabendo que ela iria para um campo de concentração nazista, onde foi morta. Enquanto estava presa, nasceu sua filha Anita Leocádia Prestes, que foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internaciona. Após a anistia, em 1945, foi eleito deputado federal, mas renunciou para assumir a vaga de senador no período 1946-1948. Na Assembleia Constituinte de 1946, foi líder da bancada comunista de 14 deputados, incluindo Jorge Amado, Carlos Mariguela e João Amazonas.

Em 1950 casou-se com Altamira Rodrigues Sobral, que passou a se chamar Maria Prestes, tiveram 7 filhos e viveram juntos por 40 anos. Em 1958 foi preso mais uma vez, porém teve a prisao revogada por mandato judicial. Após o Golpe Militar de 1964, teve os direitos políticos revogados por 10 anos, foi perseguido pelo governo e fugiu para a União soviética em fins dos anos 1960 e regressou ao Brasil após a anisitia em 1979. No ano seguinte publicou uma Carta aos Comunistas, comunicando seu rompimento com o PCB. Durante toda a vida, lutou para a contrução de um partido comunista efetivamente revolucionário.

Na década de 1980 foi assediado por grupos e personalidades de esquerda para que liderasse um novo partido revolucionário, que para ele só poderia surgir das lutas do povo. Apoiou seu conterrâneo Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, em 1982 e à Presidência da República, em 1989. Por este gesto recebeu o título de presidente de honra do PDT-Partido Trabalhista Brfasileiro, cargo que manteve até sua morte em 7/3/1990.

Ao longo da história, tem sido retratado no cinema, na televisão e na literatura, Nos filmes O país dos tenentes (1987), de João Batista de Andrade; Olga, baseado no romance homônimo de Fernando Morais; na novela Kananga do Japão (1989). Em 1997, foram lançados os documentários Prestes, O Cavaleiro da Esperança e O Velho – A história de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança e no ano seguinte, centenário de seu nascimento, a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio prestou-lhe homenageou no carnaval com o enredo “Cavaleiro da Esperança”. Em Santo Ângelo é mantido o Memorial Coluna Pretes, um museu contendo a memória da marcha e pertences de seu protagonista. Em termos biográficos, temos a biografia romanceada de Jorge Amado O Cavaleiro da Esperança (1944); os livros de sua filha Anita Lecádia Prestes Luiz Carlos Prestes – O combate por um partido revolucionário, 1958-1990 (2012) e Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro (2016); Daniel Aarão Reis Um revolucionário entre dois mundos (2014) e Boris Koval Vida e luta do Cavaleiro da Esperança (2005).

8 pensou em “OS BRASILEIROS: Prestes

  1. Caro Domingos, falar de Prestes, ainda que em um texto resumido, e não falar é omitir quem foi seu grande adversário ideológico e defensor frente aos regimes que o prenderam. Segue também uma colaboração com um breve resumo do que Sobral representou para Prestes;

    Sobral Pinto, advogado católico e defensor dos direitos humanos, assumiu a defesa de Luís Carlos Prestes em 1937, após a fracassada Intentona Comunista de 1935. Apesar de suas profundas divergências ideológicas — Sobral Pinto era anticomunista e conservador, enquanto Prestes era marxista —, ele aceitou o caso como um dever profissional e moral. Ele atuou com coragem, mesmo diante de um regime autoritário, exigindo direitos básicos para Prestes, como o acesso a um advogado e condições humanas de prisão.

    Um dos episódios mais emblemáticos foi a luta para salvar Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário e Luís Carlos Prestes, nascida em um campo de concentração nazista. Sobral Pinto, com enorme dedicação, conseguiu o reconhecimento da paternidade da menina e a documentação necessária para seu retorno ao Brasil, enfrentando o medo, a burocracia e a Gestapo.

    Prestes, por sua vez, posteriormente reconheceu o valor de Sobral Pinto, chamando-o de “um homem” com “algo de grande e elevado”, mesmo com ideias diferentes. A relação entre os dois é um exemplo raro de respeito mútuo entre adversários ideológicos, baseado na dignidade humana e na defesa do Estado de Direito.

    Abraço

    • Correção;

      Na primeira, para melhor compreensão, linha deve-se acrescentar; “…e não falar do Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto….”

      • Caro Brito, não quis desmerecer seu texto. É que para mim não se pode falar do Prestes sem citar Sobral Pinto, como também o contrário é verdadeiro.

        Realmente são grandes figuras brasileiras, um representa o que é a direita conservadora, outro o que é a esquerda marxista revolucionária.

        Cada um que faça a reflexão de quem melhor representa suas convicções a partir do exemplo de vida destes personagens antagônicos que souberam se respeitar.

        • Caro João Francisco
          Meu comentário ao texto que você fez não contém ironia; não acho que você quis desmecê-lo. Acho realmente que você fez uma bela contribuição citando o Sobral Pinto

          Abs
          Brito

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