DEU NO JORNAL

AMEAÇA

Lula acusou o golpe, cancelando sua presença na posse de José Antonio Kast, aborrecido com o convite do novo presidente do Chile a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

É o petista reconhecendo que o senador o ameaça.

* * *

Num é ameaça de dar um tabefe.

Ou um cascudo.

E outra bem pior…

A ameaça de derrotá-lo e tirá-lo das mordomias do paraíso presidencial deve deixar o descondenado apavorado.

PROMOÇÕES E EVENTOS

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ESCOLA PREPARATÓRIA DE FORTALEZA

Eu era menino, menino. Tinha me submetido ao difícil exame para Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza. Naquele tempo, em Maceió só havia a Faculdade de Direito. O jovem ingressar na Escola Militar, ser Oficial do Exército ou entrar no Banco do Brasil era o sonho das famílias da classe média. Foi numa noite de festa de rua, na Praça Sinimbu, que Jarbas Bagdá me deu a notícia: Eu havia passado nos exames. Jarbas com o jornal O Globo, do Rio na mão, mostrou-me a relação. Meu nome ali era a glória, muita emoção, muita vibração. Apenas três candidatos passaram no Estado de Alagoas. Fui correndo para casa dar a notícia. D. Zeca improvisou a maior festa, que durou até altas horas da noite, com amigos e parentes, muita bebida e comida. No final da festa, fui até a Avenida da Paz, andei sem rumo pela praia. A Lua iluminava de prata as águas daquela imensidão do mar. Fiquei a me perguntar: ” O que será?”. Sentei-me no parapeito do coreto, olhando para aquele infinito escuro, apenas a tênue iluminação da Lua, não sei de felicidade ou tristeza, chorei como menino… Estava deixando de sê-lo. Foi o que aconteceu de mais bonita de minha vida… ser menino. Vi o dia amanhecer e fui dormir.

Numa madrugada de março, deixando minha mãe chorosa, meu pai levou me à bela Estação Ferroviária de Maceió. Peguei o trem para Recife juntamente com Rubião Torres e Elio Wanderley, os dois outros alagoanos que passaram nos exames da Escola Preparatória. Partimos no famoso Trem das Alagoas, saiu às seis horas da manhã de Maceió, com chegada prevista no Recife às 18:00 horas, nunca cumprindo o horário.

Escalas incontáveis. Passamos em Bebedouro, Fernão Velho, Satuba, União dos Palmares e mais inúmeras cidadezinhas perdidas nos canaviais de Alagoas e Pernambuco. Nas estações, desciam e entravam novos passageiros, sempre com mala ou saco, o cadeado era um nó. O trem parava o mínimo possível, era o tempo de apreciar os vendedores de frutas, de comidas regionais, uma feira de mangaio: “Olha a manga madurinha. Cavaco, olha o cavaco… Tapioca quentinha feita na bora… Olha a água de quartinha… Chapéu de palha…” Achava interessante aquele comércio ambulante em cada estação, como se fossem as mesmas pessoas, raramente uma novidade nos artigos oferecidos.

Um belo céu azul quase sem nuvem se encontrava com o verde ondulado dos canaviais nos longínquos horizontes. O poeta pernambucano Ascencio Ferreira imortalizou essa viagem com seu poema, O Trem das Alagoas:

“Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar… Mergulham mocambos nos mangues molhados… Moleques mulatos vêm vê-los passar…. Adeus, adeus. Mangueiras, coqueiros. Cajueiros em Bor. Cajueiros em frutos já bom de chupar. Adeus morena do cabelo cacheado…… Vou danado pra Catende com vontade de chegar… Cana caiana. Cana roxa. Cana fita. Cada qual é mais bonita. Todas boas de chupar… Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende. Já deixei a praia longe…e vem perto outro mar.”

Que mar será? Pensava. Viagem cansativa, bancos de madeira dura. Para amenizar, conversávamos. Especulávamos o que haveria de ser, nós três meninos. Mas, no fundo, eu estava com uma saudade tremenda, minha mãe, meu pai, meus irmãos, minha bonita família, meu mundo, minha praia da Avenida. As vezes a vontade de chorar chegava, olhava o verde canavial no infinito disfarçadamente para enxugar uma lágrima. Era apenas um menino.

Ao Chegar em Recife, embarcamos num navio de Guerra até Fortaleza. 77 jovens de todo o Brasil ingressavam na Escola Preparatória de Fortaleza naquele dia. Era preciso ter raça, ser forte para enfrentar a nova vida. Algumas vezes tive vontade de desistir, mas os colegas incentivavam para terminar o curso, foram seis anos, contando com a Academia Militar das Agulhas Negras de onde me formei tenente do Exército. Depois da formatura os colegas se espalharam pelo Brasil, a maioria seguiu a carreira militar chegando ao generalato, eu deixei o Exército como Capitão. Desde a Escola nos tornamos irmãos. E nesse fim de semana haveremos de nos encontrar e celebrar os 70 anos do ingresso na Escola Preparatória. Serão quatro dias de alegria, muitas histórias, muitas recordações, alguns já se foram, choramos. Ainda sobram veteranos irmãos de armas, conservados no companheirismo, camaradagem, confiança, lealdade, amor e carinho por tantos anos.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

ELE NÃO FOI…

Comentário sobre a postagem LULA PROTEGENDO O BRASIL

Matilde Urbach Le Regret d’ Hèraclite:

Já que o assunto é comunista…

Assumiu, hoje, o novo presidente chileno, no caso o conservador José Antonio Kast.

Substitui o comunista Gabriel Boric (extrema-esquerda), representando mais uma forte e abençoada guinada à direita na América do Sul.

Festejemos!!!!!

Ah, o presidente do Brasil não deu o ar da graça no evento.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

MIGUEL RUFINO

Tinha 1,96 metros de altura. Crioulo convicto daqueles de retinir à luz do sol. Desabusado de boca, invencioneiro e linguarudo, o povo de Currais de Dentro não via a hora dele se tornar importante, coisa de secretário municipal, ou algo mais avantajado como deputado, ou senador.

Devocioneiro de São Bartolomeu conhecia toda raça de vento e era municiado das mais variadas rezas para cortar febre palustre, ou miasmas dos pântanos que rodeavam a cidade. Nunca ficara doente, até ria, pouco casista, dos casos de doença que ouvia ter na cidade. Para cada mal tinha uma receita certeira, uma garrafada bem preparada, principalmente para as pantaneiras muito comum na cidade. Dizia que, para febre palustre, tinha uma garrafada que era pior que coice de mula. A mezinha caía no covil da pantaneira e a peçonha da febre saia nas urinas.

Para o povo atrasado da cidade, que era Currais de Dentro, Miguel Rufino era uma espécie de santo milagreiro, doutor em poções e sinapismos e benzedeiro oficial que curava espinhela caída, leiteira virada, bicho de pé. Só não curava falta de donzelismo porque dizia que isso era igual bananeira. Uma vez que deu fruto, não tinha mais o que fazer.

Era, também, conhecedor de toda raça de assombração que existia no mato. Benzia encruzilhada, ou aceiro ofendido por visagem do mato, ou mangação de lobisomem. Aliás, conhecia toda a raça desses assombrados só pela marca do pelo. Desde os tubianos nanicos, até os barrosos, de porta de cemitério, daqueles garbosos que arrepiam só com o uivo empestiado. Nunca que Miguel Rufino ia tremelicar de medo por causa de lobisomem de beira de estrada.

Mas, como nem tudo são fl ores, num domingo, que pita cachimbo, Miguel Rufino sentiu no vazio das costelas, bem lá, no miolo da lombar, uma pontada dolorosa que foi evoluindo para algo mais sério. Firmado na sua jurisprudência de medicação natural, recusou-se a buscar médico da cidade. A malina desfez de seus medicamentos e toda a sua parentagem obrigando Miguel Rufino a buscar doutor formado, já que tinha ficado mouco e perdido a capacidade de cheirar. Foi convencido pelo compadre Abelardo a procurar ajuda do Doutor Orozimbo, médico novo, desses de canudo ainda molhado pelos esforços dos exames.

Chegou ao consultório do doutor, entulhando sala e saleta e quase danifica uma teia de aranha que era da especial predileção do médico. O doutor, todo cheio de salamaleques e donzelices espantou-se com aquele crioulo de dois metros de altura entrando em seu consultório. Olhou o sarro da língua, futucou o sovaco com o apurador de febre, ponhou uns gravetos nas ventas dele e apalpou as conchas das orelhas.

– Doutor, dou duas semanas para ficar livre dessa mazela! O médico, colocou o “mata piolho” debaixo do queixo e sentenciou. É, seu Miguel. Doença cavilosa, dessas que tiram o cheirar do nariz e o escutar das orelhas, mas vou passar um remédio aqui para o senhor tomar duas colheres no depois do jantar e, em quinze dias o senhor vai estar novo e cheio de energia como aquele cabrito da Arca do Noé.

Meio descrente, Miguel Rufino pegou o papel com aquela garatuja de médico que só Belzebu consegue entender e foi na botica do Serafim preparar a beberagem, que era mais amarga que fel de sogra depois de brigar com o genro.

Duas semanas passadas e bem contadas, o doutor Orozimbo encontra Miguel Rufino todo embonecrado e cacarejoso na feira da cidade, mais falante que candidato a deputado em busca de voto. Miguel Rufino ao ver o doutor veio cambaio, com todos os dentes gozando a alegria da cura e do bom serviço do doutor médico.

– Doutor, eu tenho que agradecer a poção que Vossa Senhoria me passou. Já cheiro e escuito tudo dereito, ingual quando eu era criança e vou lhe provar. Vou soltar um peido aqui, daqueles silenciosos, mas fedido o suficiente para espantar todo esse povinho daqui da feira.

E soltou aquela bufa triunfal, certeira e convicta. Aspirou parta sentir a catinga. Viu, doutor? O povinho não ouviu nada, mas sentiu a catinga e saiu rapidinho daqui de perto. Doutor Orozimbo olhou para o céu, colocou a mão no ombro de Miguel Rufino e disse confiante: passa amanhã cedo no consultório, vamos ter que trocar o remédio para poder curar os seus ouvidos.

DEU NO JORNAL

CRESCIMENTO

O crescimento em flecha da candidatura de Flávio Bolsonaro, reduzindo a zero, em pouco mais de dois meses, uma diferença de dez pontos, sugere que em abril ele já pode estar à frente do petista.

* * *

“Crescimento em flecha”…

Curiosa e criativa, esta expressão.

Já anotei aqui.

Eu só queria mesmo era ver a cara do descondenado vendo esta notícia.

Chega logo, mês de abril !

DEU NO X

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

A OUTRA “TURMA” DE VORCARO

Editorial Gazeta do Povo

uísque vorcaro londres

Ministros de Estado, do STF e do STJ, autoridades da PF e da PGR, e parlamentares estavam em degustação de uísque de R$ 100 mil a garrafa, promovida por Daniel Vorcaro

Quando mandou prender o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ministro do STF André Mendonça se apoiou, entre outras evidências, nas mensagens de grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, cujos membros incluíam o agora famoso “Sicário” e um ex-policial federal que conseguia acessar sistemas restritos dos órgãos de investigação; o objetivo do grupo era monitorar, intimidar e coagir desafetos e possíveis “ameaças”. Mas esta, ao que tudo indica, não era a única “turma” de Vorcaro; os milhões de reais que fluíam por suas mãos serviram também para mimar um grupo bastante seleto – e poderoso.

Em 25 de abril de 2024, Vorcaro bancou uma degustação exclusiva de um caríssimo uísque escocês, o Macallan – cujas garrafas chegam a custar R$ 100 mil –, no George Club, em Londres. Entre os cerca de 30 convidados estavam os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves (“missão dada, missão cumprida”); o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (que na ocasião ainda não ocupava o cargo). A lista foi divulgada por veículos como Poder360 e O Estado de S.Paulo, e confirmada pela Gazeta do Povo. Os convidados foram presentados com garrafas e a conta final ficou em cerca de US$ 640 mil (pouco mais de R$ 3 milhões no câmbio da época).

Todos eles estavam na capital britânica para o 1.º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado de 24 a 26 de abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master. No dia 24, data da abertura do evento e véspera da degustação, Vorcaro se gabou em mensagem à então namorada, dizendo “acabei de dar o discurso para os ministros (…) Todos ministros do Brasil, do STF, STJ etc. E euzinho discursando”. À época, o Master já havia contratado o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, e também o dos filhos de Lewandowski – que era sócio da banca quando o contrato foi fechado, em 2023, mas deixou o escritório para assumir a pasta da Justiça no governo Lula.

Tomar uísque com um banqueiro, obviamente, não é crime. Mas essa festinha bastante exclusiva levanta muitos questionamentos éticos, e não sem razão. Quando uma empresa estabelece regras para seus funcionários e diretores a respeito de presentes e viagens, não o faz por puritanismo, mas para evitar algo que seria fatal para sua credibilidade: o conflito de interesses. Vorcaro não convidou tantas autoridades por serem todas pessoas agradabilíssimas no convívio pessoal, ou porque tenham uma enorme afinidade com o banqueiro – o idem velle, idem nolle (“querer o mesmo, rejeitar o mesmo”) que caracteriza a verdadeira amizade segundo C.S. Lewis; Vorcaro estava comprando aquele tipo de proteção que só um procurador-geral, um diretor da PF ou um ministro de tribunal superior podem oferecer – e isso independe de eles estarem ou não dispostos a vendê-la; toda essa proximidade já basta para criar um gravíssimo problema ético.

Os ministros do STF são especialistas em negar essa obviedade. Quando presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso defendeu as viagens de ministros para eventos no exterior, afirmando que elas não eram custeadas com dinheiro público, como se isso bastasse para tranquilizar o brasileiro. Ora, a não ser que os ministros estejam bancando as viagens do próprio bolso (e eles não afirmam isso, embora fosse muito fácil fazê-lo nesse caso), alguém está pagando, e o país tem todo o direito de saber quem é. No entanto, isso parece irritar sobremaneira os ministros, como demonstrou Gilmar Mendes ao responder com uma enorme grosseria à pergunta de uma jornalista da Folha de S.Paulo, em março de 2018.

Dias Toffoli fez o máximo para emperrar e esconder as investigações sobre o Master; Gonet não viu motivos para a prisão preventiva de Vorcaro; Moraes era a esperança do banqueiro para “bloquear” não se sabe bem o quê (mas se intui) no dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez; Hugo Motta resiste à abertura de uma CPI do Master na Câmara; a PF comandada por Rodrigues deve deixar para o fim as investigações sobre as ligações de Vorcaro com autoridades dos três poderes. Todos estavam bebericando seu Macallan com Vorcaro em Londres. Ninguém pode culpar os brasileiros para os quais nada disso é mera coincidência.