JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A NOITE

As noites são belas, calmas e iluminadas, nas Queimadas, onde nasci.

Naquele tempo, as únicas luzes eram da natureza, ou, a luz das lamparinas e candeeiros – Vovó e Vovô se encarregavam de acendê-las.

O cansaço de mais um dia de puxado trabalho de carpina e virada de milho – com a maior parte usando a agilidade do Vovô, que, não apenas fazia. Ensinava para evitar erros ali, e além dali – na vida.

Sentei exausto na beirada da calçada de barro feita em estuque com apoio de pequenas estacas de madeira. A poucos metros, Vovô acendia e dependurava o candeeiro que diminuía a escuridão, iluminando o quintal ao derredor, que Vovó limpara na boquinha da tarde.

O cântico irritante, contínuo, mas belo das cigarras levava um ar de poesia que só conseguimos ouvir na calmaria e na escuridão noturna do sertão.

Levantei o olhar para o céu, onde, longe dali, as estrelas formavam o Cruzeiro e escreviam na minha mente, versos de uma poesia. Não tão distante, mariposas em mutação experimental para a transformação em borboletas, se permitiam ver, e, até ouvi-las, tamanho era o silêncio.

Difícil mesmo era não se deixar envolver em deslumbramento. Uníssono, tudo parecia a cerimônia de um casamento bem organizado – tudo dando certo e sendo belo. Poético!

Mariposas e borboletas escreviam um, dois, três versos – poeticamente

– Zé, quer café meu fio? Passei agorinha!

Vovó, claro que, sem saber o momento do êxtase que me envolvia, de hábito, sendo gentil e carinhosa.

Recebi a xícara, bebi o café – mas continuei embevecido e literalmente envolvido pelo céu e sua poesia, que, naquele momento, nenhum Drummond ou nenhum café da Vovó podia ser comparado.

Era a beleza sentida no âmago de mim mesmo – provavelmente tocado pela graça divina.

A noite. A incomparável beleza e calmaria da noite. Coisa de Deus.

A cigarra parou de cantar, de repente. Como um coral de mil vozes estivesse cantando “Aleluia”, e tivesse sido interrompido.

O céu escureceu. As estrelas sumiram. As mariposas se aquietaram e se recolheram.

O vento soprou forte e trouxe a chuva. Relâmpagos calaram – com certeza – as cigarras.

Levantei e fiquei olhando para o céu. A poesia foi transformada num dilúvio que só os pequenos animais noturnos pressentiam – mas que eu agora estava vendo.

E fiquei olhando. Consegui o impossível de ver o vento que tocava os galhos tênues das pequenas árvores, mostrando o quanto é poderoso.

A mariposa pousada observando a nuvem esconder a luminosidade lunar

A noite.

A noite não é apenas o espaço de algumas horas que antecede o dia. A noite é o momento onde a vida (inclusive a vida humana) começa se reproduzir, desde o recolhimento das cigarras e das mariposas, até o casal de humanos, que, em cópula, se reproduz e multiplica.

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

COLAPSO FISCAL

Finda a eleição de 2022, a equipe de transição chefiada pelo vice-presidente começou a negociar o orçamento para comportar a continuidade do pagamento do Bolsa Família em R$ 600,00. Talvez até corra riscos em dizer, mas no governo anterior, esse aumento foi possível graças a recursos devolvidos pelo BNDES, Banco Central e outras estatais, ao Tesouro Nacional e, também, R$ 8 bilhões de dividendos pagos ao governo pela Petrobras.

A nova equipe não se preocupou muito com a origem das fontes. A primeira providência foi esculhambar o teto de gastos adotados como emenda constitucional no governo Temer. O que se tinha uma limitação dos gastos públicos por um período de 20 anos, mas o governo propôs um tal arcabouço fiscal que, dentre outras coisas, unificava impostos reduzindo a zona tributária que temos hoje. (A título de esclarecimento, a palavra zona aqui não é região geográfica). A ideia era que o tal arcabouço fosse implantado até agosto do primeiro ano de governo. Ficou a gosto de Deus.

Ao longo do tempo, o governo não moveu uma palha para controlar despesas e a opção foi aumentar arrecadação. Primeiro, veio a chamada taxa das blusinhas. Os ganhos obtidos com isso são tão irrisórios que não vale a pena falar, exceto, pelo impacto negativo provocado na receita dos Correios, posto que a receita com a importação desse tipo de produto representava, aproximadamente, 35% da receita dos Correios.

As contas públicas foram se deteriorando e tudo que o governo fez foi contingenciar despesas principalmente das instituições de ensino superior que tiveram seu orçamento diluído em três parcelas. O resultado disso foi um desastre na IFES, mas não houve protesto público. O fato que é surgiu a necessidade de R$ 20 bilhões para pagar o bolsa família e a ideia é elementar. Aumenta o IOF.

IOF – Imposto sobre Operação Financeira (também chamado de IOC – Imposto sobre Operação de Crédito) é uma taxa aplicada sobre o valor principal de empréstimos/financiamentos e operações financeiras. Cabe lembrar que a alíquota desse imposto era 0,0041% ao dia e esse imposto é proporcional ao prazo e ao valor da operação. Assim, um empréstimo de R$ 10.000,00 num prazo de 47 dias, pagava-se R$ 19,27 de IOC. Quando no final do segundo governo Lula, o o congresso não aprovou a prorrogação da CPMF, Guido Mantega criou uma taxa de 0,38% a ser cobrada sobre as operações de crédito.

O governo atual resolveu mudar isso e propôs a mudança da alíquota para 0,0082% ao dia, mais 0,95%, ou seja, no exemplo dado o custo passaria para R$ 133,54. Além disso, tome taxa sobre investimentos em LCI e LCA que hoje são isentas de imposto de renda. A proposta era cobrar 5% de imposto e a MP do governo mexendo com esse “arcabouço fiscal” caducou. Portanto, o governo teve uma derrota vergonhosa, mas nenhuma sinalização de que vamos conter gastos.

Alguns otimistas apressaram o afundamento desse Titanic para 2027, mas a gente deveria antecipara para primeiro trimestre do 2026, afinal, daqui a um ano teremos eleições gerais, teremos novamente uma disputa na qual os salvadores da soberania e do estado de direito democrático vão convencer os incautos de que esse rombo é pura fantasia e que eles precisam continuar no governo para tirar o povo da miséria, tirar o Brasil do mapa da fome.

Para algumas pessoas não importa se a taxa de juros é 15% ao ano sem previsão para reduzir. Em contrapartida, o IBGE mostra todos os meses o nível recorde de desemprego. Em outras palavras, o Brasil está a pleno emprego e o número de empresas que estão entrando em regime judicial cresceu 61% entre 2023 e 2024. Há uma estimativa de crescimento para esse ano, um pouco abaixo das previsões iniciais, mas todos trabalham com um crescimento da economia e os defeitos da economia são culpa do governo passado. Pelo menos foi isso que o ministro da fazenda disse recentemente. São 3 anos do governo atual, culpando o governo passado.

O pior do Brasil continua sendo o aparelhamento do poder judiciário e a fraqueza moral da câmara de deputados e do senado. A saída de Barroso do STF vai permitir que o presidente atual indique alguém da sua confiança, como ele fez com o seu advogado de defesa. No senado, enquanto a maioria não enfrentar o STF, nada acontece. Os senadores de rabo preso não apresentam a menor capacidade de reverter esse cenário. E na câmara? Hugo Motta? Outro corrupto pendurado com processos em abertos, mas devidamente aquietados.

Como se não bastasse vem aí uma questão que pode lascar as pessoas que possuem plano de saúde no Brasil. Como vocês sabem, o presidente da ANS é Wadih Damous que foi deputado pelo PT e um dos três que consegui um alvará de soltura – num final de semana – do, então, presidiário presidente. Esse cidadão tem simpatia pelo lobby que as empresas de planos de saúde fazem e há 20 anos tramita no congresso uma Projeto de Lei que permite as operadoras de planos de saúde CANCELAREM, unilateralmente, os contratos.

O presidente da câmara, Hugo Motta, tirou um deputado, que não defende essa questão, da relatoria do projeto e colocou um que é aliado de Wadih Damous e bastante simpático às operadoras de planos de saúde.

Se você acredita que esse pessoal está trabalhando para o teu bem, sinto muito dizer, mas você é só idiota.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PRECES

Que a semana que começa
Seja coberta de Luz
Elevemos nossas preces
Glorificando a Jesus,
Com gratidão pela vida…
Ao Senhor que nos conduz.

José Severino Damasceno

Hoje mesmo me dispus
Assim que raiou o dia
Botar os joelhos no chão
E rezar para Maria
Pedindo a intercessão
Para o País que ela guia.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Vicente Celestino

Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu em 12/9/1894, no Rio de Janeiro. Compositor, ator e um dos cantores mais famosos do século XX. Inaugurou o sistema elétrico de gravação na década de 1920. Porém, sua voz era potente demais para os equipamentos da época. Teve que gravar a 20 metros dos microfones e de costas para eles, causando um “eco” dificultando a compreensão da letra. O problema foi resolvido quando passou a cantar com a boca no microfone.

Filho de Giuseppe Celestino e Serafina Gammano, imigrantes italianos, da Calábria. De origem humilde, trabalhou em diversas atividades e ainda criança decidiu que queria ser cantor ao participar de um recital do cantor Baiano, pioneiro ao gravar “Pelo telefone”, o primeiro samba. Passou a cantar em clubes recreativos, recebendo 10 mil-réis por dia, cedido aos pais para aliviar os perrengues da família. Numa das apresentações, o diretor da Companhia de Teatro São José convidou-o para integrar o coral.

Em 1903, participou do coral infantil da ópera Carmen, de Bizet, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro. Na plateia encontrava-se o grande tenor italiano Enrico Caruso, em visita ao Brasil. Ele percebeu a voz já poderosa daquele menino de 9 anos destacando-se no coral. Ao fim da apresentação, dirigiu-se ao garoto na língua em que Vicente estava acostumado a ouvir em casa, convidando-o a ir estudar na Itália. Esteve na casa de seus pais e propôs levá-lo à Itália. Seus pais não toparam a ideia e Vicente jamais esqueceu essa história em sua vida.

Em 1915, foi contratado pela Companhia de Leopoldo Fróes, trocou a gravadora Edson pela Odeon e gravou mais 3 modinhas. Em 1919, começou a participar de operetas como “Amor de Bandido” e “Juriti” ao lado de atrizes-cantoras, vido a cantar em óperas como Tosca, Aida e Carmen. Não se sentindo bem na Odeon, mudou-se para a Columbia onde ficou poucos anos, pois não ficou satisfeito com a gravação da música “Cabocla Serrana”. Em 1933, ao atuar na ópera “A Canção Brasileira”, conhece a cantora e atriz Gilda Abreu e se casam no mesmo ano. Gilda conduziu artística e comercialmente a carreira do casal, levando-o ao cinema e também à composição.

Gravou cerca de 137 discos em 78 RPM, com 265 canções, mais dez compactos e 31 LPs. Tocava violão e piano e foi o compositor de muitas das suas criações. Duas delas foram temas para 2 filmes de grande sucesso: O Ébrio (1946), peça teatral transformada em filme por sua esposa, e Coração Materno (1951), ambos dirigidos pela esposa. cantora, escritora, atriz e cineasta. Em 1999 foi criado, em Conservatória, no distrito de Valença, RJ. O Museu Vicente Celestino e Gilda Abreu, com acervo doado pela família, onde os visitantes podem apreciar vídeos e gravações dos artistas.

O sucesso alcançado pelo filme O Ébrio, levou-o à televisão numa novela exibida pela TV Paulista (atual Rede Globo), em 1965. Vicente premiado e homenageado com seu nome dado a diversos logradouros. Recebeu o título de Cidadão Paulistano, em 1965 e no mesmo ano recebeu a Medalha de Honra ao Mérito, da Presidência da República. Em 1967, recebeu o diploma “A Expressão Máxima da Canção”, outorgado pelo júri do Festival Internacional da Canção. Na condição de tenor, era reconhecido como “a voz orgulho do Brasil”.

Em agosto de 1968, quando se preparava para gravar um programa na TV Record, onde seria homenageado pelo Movimento Tropicalista, sofreu ataque cardíaco no quarto do hotel e faleceu em 23/8/1968. Não contamos ainda com uma biografia para se chamar de sua, mas temos a biografia Minha vida com Vicente Celestino, de Gilda Abreu, mais focada na vida do marido, publicada em 2003 pela editora Butterfly.
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DEU NO X

DEU NO JORNAL

MAIS IMPOSTOS, MAIS GOVERNO E MENOS LIBERDADE

Editorial Gazeta do Povo

O governo perdeu a batalha pela “MP da Taxação”, mas já prometeu a retaliação: contra os deputados, na forma de corte de emendas parlamentares; e, especialmente, contra a sociedade, com a ameaça de outras elevações de impostos – inclusive com novo aumento de alíquotas no IOF, agora que o ministro Alexandre de Moraes permitiu que Lula use um imposto regulatório com finalidades arrecadatórias. A prática, a bem da verdade, não surpreende, pois o Brasil, neste terceiro mandato de Lula, tem vivido um ciclo negativo e maléfico do qual tem sido impossível escapar: mais impostos; mais intervenção governamental na vida das pessoas e das empresas; e menos liberdades políticas, econômicas e individuais. O conjunto de leis, medidas normativas e ações administrativas impostas sobre o país desde o início de 2023 faz jus a uma receita nitidamente socialista, digna das teses publicadas e defendidas por um dos mais destacados entre os ideólogos do comunismo mundial, o italiano Antonio Gramsci.

O avanço sistemático sobre o patrimônio, a renda e as propriedades de pessoas e empresas, principalmente por meio de aumento da tributação e redução da liberdade econômica de trabalhadores e empresas, é um processo destinado a aumentar o confisco de propriedade e renda em suas várias formas. A história dos programas e da ação política do PT e seus líderes denota que os atores dessa linha de ação nunca conseguiram entender que a proteção da propriedade privada não existe por amor aos proprietários, mas para preservar um dos principais direitos individuais das sociedades livres: o direito da pessoa de apropriar-se livremente dos frutos de seu trabalho.

A propriedade privada não se justifica apenas pelo direito de apropriação dos resultados do próprio trabalho, mas também porque a história tem demonstrado, sobretudo nos últimos 400 anos, que o sistema produtivo baseado no direito de propriedade se revelou o mais eficiente e mais criativo sistema entre todos os que foram experimentados em todos os tempos. A liberdade econômica, o direito de propriedade privada e as liberdades individuais formam o trio de realidades que viabilizaram o progresso material, o aumento do conhecimento, a espantosa revolução tecnológica e sua enorme gama de inovações, e foi essa configuração que conseguiu garantir a sobrevivência dos 8,2 bilhões de habitantes de um mundo que, há menos de 200 anos, tinha apenas 1 bilhão de pessoas.

Foi no regime de ampla garantia do direito de propriedade privada, liberdade econômica e mercado livre e competitivo de preços que a população mundial pôde aumentar a produção por habitante a taxas tão crescentes que a expectativa média de vida passou de apenas 35 anos em 1700 para em torno de 70 anos em 2022. Conquanto ainda haja sensíveis desigualdades de renda, o capitalismo, somado às liberdades políticas e individuais, deu causa a uma explosão de invenções e inovações tecnológicas, descobertas científicas, criação de medicamentos e soluções para as doenças sem as quais a média de vida da população mundial jamais teria chegado aos altos níveis mencionados.

Os esquerdistas brasileiros, principalmente os petistas e membros dos partidos-satélites do PT, geralmente ignorantes em matéria de assuntos econômicos, nunca conseguiram entender que a propriedade acumulada representa o estoque de capital físico do país que se expressa em investimento, produto, emprego, renda e impostos. Da mesma forma, nunca entenderam que as posses representadas por ativos financeiros resultam de renda poupada que, depositada nos bancos, financia a agricultura, a indústria, o comércio, os setores de serviços, os consumidores, enfim, todos os setores econômicos e, principalmente, o governo (União, estados e municípios).

Outro aspecto do sistema econômico ignorado por políticos e autoridades governamentais é que, toda vez em que o governo toma parcelas adicionais da propriedade e da renda das pessoas e empresas para gastar com a inchada máquina estatal e sua vocação para triturar dinheiro em atividades que não beneficiam a população, os valores arrecadados deixam de ser investidos pelo setor privado, pessoas e empresas, em negócios e atividades produtivas. Com isso, menos negócios são criados e menos produto é feito pelo país no futuro, resultando em menos impostos pagos. E aí agrava-se um dos males dos tempos modernos: não tendo vocação para austeridade e redução de gastos, o setor público segue aumentando sistematicamente a carga tributária e a dívida pública, tornando-se assim a força motriz que puxa a nação para trás e inibe o crescimento econômico e o desenvolvimento social.

Não existe tributação neutra em relação ao crescimento da economia. Após a promulgação da atual Constituição Federal, o setor estatal brasileiro, reforçado em seu ímpeto de crescer sem medida e sem aumentar sua eficiência e a produtividade dos gastos públicos, passou a tomar, em forma de tributação, mais 12 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto: em 1988, a carga tributária arrecadada era de 22% do PIB; hoje, está em 34%, com viés de alta. Ou seja, em menos de 40 anos houve brutal aumento do tamanho do Estado e dramática elevação da parcela da renda e da propriedade do setor privado, pessoas e empresas, transferida para o governo. Eis aqui uma causa clara da realidade nacional caracterizada por mais impostos, mais governo e menos liberdade… e menos progresso.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

BALIZAMENTOS EXISTENCIAIS

Quando Castro Alves – o mais belo espetáculo de juventude e de gênio que os céus da América presenciaram, no testemunho de Jorge Amado – escreveu A Cruz da Estrada, em 1865, no Recife, ele buscava reverenciar um escravo morto pela estupidez autoritária de então, encarecendo aos passantes que deixassem a marca da sepultura em paz dormir na solidão. Sua poesia bem que poderia, hoje, ser uma excelente bússola para os profissionais de todas as idades e especialidades. Estes, atônitos, ainda não perceberam a chegada de uma era fascinante e cruel, conforme definição de Henrique Iglesias, presidente do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. E ainda não prestaram a devida atenção aos balizamentos que necessitam ser apreendidos pelos que desejam preservar suas trabalhabilidades por longo tempo. Ei-los:

1. Nunca critique à toa, sempre busque colaborar. Toda colaboração resulta na ampliação da profissionalidade do colaborador, posto que quem ajuda também aprende, inúmeras vezes apreendendo mais que o lado beneficiado.

2. Nunca se omita, sempre participe. Não se solidarize com as posturas dos três macaquinhos chineses, percebendo que a parábola dos talentos, transmitida pelo Homão da Galileia, tem uma descomunal força reestruturadora.

3. Mantenha suas relações no melhor nível possível. Nunca feche definitivamente uma porta, nem jamais apregoe desta água não beberei, pois o amanhã pode nos reservar surpresas nunca dantes imaginadas. Cervantes já dizia, pela boca do Dom Quixote, que quem perde sua coragem, perde tudo. Acautele-se contra os azedumes, distanciando-se dos azedos, que contaminam com muita facilidade. Mantenha-se sempre vivo, situado e datado.

4. Resolva os seus problemas e os do seu trabalho com serenidade comportamental. Cuidado com os PLs (porras-loucas) e os PTs (picas-tontas), que oferecem soluções doidivanas, que terminam por asfixiar tudo e todos, nada resolvendo.

5. Nunca haja como PC (piolho de cu). Afaste-se dos que enxergam defeitos mil em tudo. Busque ser moralizador, jamais moralista, nunca esquecendo o que proclamava Dom Hélder Câmara, o sempre amado e jamais esquecido arcebispo de Olinda e Recife: Até um relógio parado tem razão duas vezes ao dia.

6. Nunca abandone seu barco. Amplie culturalmente sua consciência, preservando sempre a sua individualidade, sem descambar para os individualismos pernósticos, frequentemente autofágicos, jamais empreendedores.

E sempre se perceba de modo evolucionário, sem perder a ternura jamais.

PENINHA - DICA MUSICAL