Triste e espantado, sem sorriso algum, Diz, frente ao espelho (velho amigo seu): – Não, não me diga, de jeito nenhum, Que tudo passa e que esse aí sou eu…
Quem foi que disse que esse vulto é meu? Que eu virei “isso”… e que nós somos um? Por que meu riso, que era tão comum, Do seu semblante desapareceu?
Será um sonho, um pesadelo, enfim… Ou foi a idade que passou por mim?… Responde o espelho: – Disse muito bem!
Por que o tempo, esse carrasco mudo, Que a todos muda e que transforma tudo, Não passaria por você também?
José Rufino da Costa Neto, o Dedé Monteiro, pernamucano de Tabira
A nova integrante da Comissão Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), Rosa María Payá, indicada por Trump
Ontem eu falei sobre a ameaça da administração Trump de cortar a contribuição à Organização dos Estados Americanos se a entidade continuasse a propagar a ideologia de Lula, como disse o vice-secretário de Estado Christopher Landau. Um resultado dessa ameaça foi a eleição de Rosa María Payá para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA. Ela é filha de Oswaldo Payá, um ativista anti-Castro, pacifista, que quase recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho contra a ditadura cubana, e morreu em 2012. Com Rosa María na CIDH, a comissão será capaz de reagir com mais vontade às queixas dos perseguidos políticos aqui do Brasil.
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Os motores vão aguentar mais álcool na gasolina?
Já falei aqui sobre os 30% do álcool na gasolina. Fiz uma pesquisa e o Brasil é campeão mundial em compra de gasolina, mas o combustível das bombas aqui terá apenas 70% de gasolina, o resto é álcool. Eu estava preocupado com o meu carro, fabricado no Japão, onde colocam no máximo 5% de álcool na gasolina; consta que o mesmo modelo é feito também no Canadá, para o público norte-americano, e os EUA aceitam no máximo 10% de álcool na gasolina. Suponho, então, que o motor do meu carro tenha sido planejado para um máximo de 10% de álcool, mas aqui a dose é três vezes maior. Talvez isso explique o rendimento e a quilometragem por litro abaixo do esperado.
A Confederação Nacional dos Transportes está reclamando, dizendo que mais álcool no combustível dos caminhões e dos ônibus vai resultar em veículos enguiçados na estrada, por causa da tal “borra” que se forma. O transportador não terá vantagem financeira nenhuma, ao contrário. Nada compensa o desgaste de um ônibus encrencado na estrada ou de um caminhão transportando uma carga perecível, que não pode ficar no sol, parado na beira da rodovia. Mas a elevação da quantidade de álcool está autorizada, e o consumidor que pague esse custo.
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Vem aí mais um “Gilmarpalooza”
Começa nesta quinta-feira, em Lisboa, mais um evento anual organizado pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Estão indo para lá senadores e deputados, e nós pagaremos a viagem de muitos deles: Irajá e Eduardo Gomes, de Tocantins; Daniela Ribeiro, da Paraíba; Márcio Bittar, do Acre; Angelo Coronel, da Bahia; e Laércio Oliveira, do Sergipe – todos do Centrão. São esperados lá Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Rodrigo Pacheco, e muita gente do Judiciário brasileiro, de tribunais superiores, desembargadores da segunda instância. Oficialmente, o evento pretende tratar de transformações no mundo, tanto na política quanto na economia e no Judiciário.
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Cúpula dos Brics está esvaziada, e tudo indica que COP vai pelo mesmo caminho
Muita gente se pergunta por que Gilmar Mendes não organiza seu evento no Brasil. O que vai de fato ocorrer aqui, no Rio de Janeiro, é a reunião dos Brics, neste fim de semana. O chinês Xi Jinping deu uma desculpa para não vir, mas sabe-se lá se o motivo real não tem a ver com segurança: bala perdida, territórios que não têm a soberania nacional, mas soberania do crime… E muita gente já diz que a COP de Belém também não terá muito sucesso.
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Cristina Kirchner visitou Lula na prisão; ele vai retribuir o favor?
Lula está indo para a Argentina, para a reunião do Mercosul. Será que ele vai retribuir a visita que Cristina Kirchner lhe fez na prisão em Curitiba, quando ele estava lá condenado em três instâncias? Agora é Cristina Kirchner quem está em prisão domiciliar – e com relativa liberdade, porque ela dá entrevista, fala ao telefone, vai para a sacada cumprimentar os seus seguidores, e está nas redes sociais.
Um gramado bem cuidado Uma trave bem pintada Uma equipe bem montada Um futebol bem jogado. Fico à beira do gramado Porque essa é minha sina Pela vontade divina Ninguém quer os chutes meus Mas só digo benzadeus Pra Maria da Argentina.
Eu só conto minha história Porque tenho o que dizer E se você quer saber Tenho tudo na memória Agitada trajetória Foi a minha e bem vivida Sempre fui muito atrevida Não deixei nada escapar Quem não tem o que contar Que sentido tem a vida?
Viraliza nas redes sociais vídeo produzido por inteligência artificial com imagem da primeira-dama Janja segurando sacolas de lojas de grife ao lado de um jatinho:
“Acabei de chegar de Paris e já pedi o Uber FAB”.
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A fama da Primeira Cuidadora está ofuscando a fama do marido.
E aumenta mais um tanto a cada dia que passa.
O surrealismo da republiqueta banânica é destaque no mundo todo.
Perdeu toda a noção do cargo que ocupa, chega a ser ridículo.
Está na hora de pedir o boné e ir morar naquele lindo sítio em Atibaia.
Andar de pedalinho, convidar os amigos (inclusive o Macron), para um churrasco de aza de pavão, picanha (Friboi) e ser feliz com sua espevitada esposa.
Chega a ser engraçado, mas a resposta para essa pergunta – estranha num país que insiste em se chamar de “democracia” – está na ponta da língua de uma ministra suprema. Segundo sua sapientíssima excelência, eu sou uma “tirana” do Brasil. Isso mesmo. E você também, aliás. E ainda aquele seu vizinho chato, junto com o vendedor de pipocas da esquina, o padeiro, todos os assalariados, as donas de casa – enfim, todo brasileiro. Com exceção, óbvio, da casta dos iluminados que assumiram por conta própria a tarefa de nos conduzir pelo caminho que o Supremo Poder considera o mais correto.
Somos todos “pequenos tiranos”, segundo Cármen Lúcia: insignificantes seres convencidos de que possuem alguns direitos fundamentais, como o de pensar livremente e expor a própria opinião – inclusive sobre a sociedade, o país, seus políticos, seus juízes, as eleições. Não, nada disso: tiranos não podem ter direitos. São seres abjetos que precisam ser contidos com camisa de força, mordaça na boca e venda nos olhos – senão, são um perigo para a “democracia”.
Veja a que ponto chegamos: antes era só a “extrema-direita” (ou seja, qualquer um que não fosse esquerda); agora, toda a população brasileira é considerada inimiga do país. No entendimento supremo, somos todos tiranos dispostos a usar as redes sociais para implodir a suposta (há dúvidas sobre a real existência da dita cuja) democracia brasileira – e é esse o real motivo para instaurar a censura nas redes sociais. Usaram argumentos legítimos, como a “proteção às nossas crianças”, mas isso é o de menos. O real intuito é evitar que critiquemos o Estado e os Poderes cada vez mais carcomidos pelo autoritarismo – e cobremos mudanças.
Melhor que as redes sociais filtrem nossas palavras e pensamentos e só deixem ser publicado aquilo que o Supremo Poder considera “civilizado”. Criticar, por exemplo, o salário e penduricalhos dos membros do Judiciário é um ato evidente de tentativa de desestabilização dos Poderes e da democracia – então, não pode. Igualmente, debater sobre o sistema eleitoral ou, pior ainda, questionar como ministros supremos podem simplesmente deixar de lado o que as leis e os códigos jurídicos estabelecem e fazer o que quiserem, são casos evidentes de tiranices populares que precisam ser limados das redes sociais.
Democracias, por definição rasteira, são regimes em que o povo – eu, você, todo mundo – teria o poder de decidir os rumos do país, seja de forma direta ou, como é mais comum, elegendo aqueles que serão nossos governantes e legisladores. E o povo erra – e como erra! Volta e meia, elege estrupícios para os governos, se deixa levar por promessas falsas, acredita uma, duas, três vezes nos mesmos políticos ladrões. Faz parte. E também faz parte das democracias a liberdade para criticar, opinar, pensar – mesmo que de forma capenga, mesmo estando errado.
Se eu elimino ou limito significativamente a liberdade do povo de dizer, pensar, criticar – será que ainda posso falar em democracia? Como defender que existe democracia – que precisa de povo e da liberdade para existir – tratando cada brasileiro como um “pequeno tirano” e limitando de forma grave sua liberdade? Não somos “pequenos tiranos”, ministra. Nem somos a verdadeira ameaça à democracia. Somos apenas o povo diante de grandes tiranos que não cansam de nos espezinhar e que, estes sim, colocam a pobre democracia brasileira em risco.