DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GLOSAS DO POETA LIMINHA

Glosas do poeta Luiz Ferreira Lima, Liminha

Mote:

Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Fui a Marte num segundo
Dei uma volta na terra
Parei a segunda guerra
Deletei Hitler do mundo
Dei uns tapas no Edmundo
Quando o pênalti ele perdeu
Encontrei o “Caduceu”
Dei para “Hermes” de presente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Me aliei com Lampião
Larguei balas na Volante
Castiguei no mesmo instante
José Serra e Requião
Ganhei na sena o bolão
Comprei Roma e o Coliseu
Mergulhei no mar Egeu
Vi uma mulher-serpente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

O Aécio é um herói
Nunca roubou um real
Politico nunca fez mal
Uma dentada não dói
Fernando Collor dodói
Pois levaram o que era “seu”
Não existe fariseu
Fudendo a vida da gente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Vim descobrir o Brasil
Com Cabral nas caravelas
Namorei as Manuelas
Na porta de um mercantil
Sônia Braga quando viu
O mundo todo tremeu
Liminha logo correu
Quase fica sem um dente
Duvido ter um vivente…
Pra mentir mais do que eu…

Viajei numa carona
Num cangote de um urubu
Cheguei em Caruaru
Dancei forró com Madonna
Fiz um clássico co’a sanfona
Fui gravar no Coliseu
Bebi vinho com “Morfeu”
Tirei gosto com serpente
Duvido ter um vivente.
Pra mentir mais do que eu.

Subi as muralhas da China
De carona num dragão
Fiz num dia um caminhão
Pra transportar gasolina
Vi uma onça felina
Mastigar um fariseu
Vi escriba e filisteu
Perder pra um Sansão somente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Um dia eu dei um grito
Ficou negro o Ocidente
O rio deu uma enchente
Houve chuva de granito
Fiz de um bezerro um cabrito
Toda terra estremeceu
Toda fauna se escondeu
E eu gritei novamente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Fiz de uma hora um segundo
De uma porta um portão
Da uma milha um milhão
De um poeta um vagabundo
De um rei um sapo imundo
De Julieta o Romeu
Do crente eu fiz um ateu
De um charlatão um vidente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Me encontrei com Lampião
No “Raso da Catarina”
Apliquei nele a vacina
Contra covid e “sesão”
Eu vi o pássaro cancão
Cantando, “prenda o Tadeu”
Ensinei “solos” ao Pepeu
Tudo num dia somente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

Venci Pinto de Monteiro
E Louro do Pajeú
Na praça em Caruaru
Mostrei que sou o primeiro
Visitei o estrangeiro
Me encontrei com “Galileu”
Lhe ensinei e ele aprendeu
Fazer a “lupa” sem lente
Duvido ter um vivente
Pra mentir mais do que eu…

A PALAVRA DO EDITOR

SEXTAFEIROU E VAI FIM-DE-SEMANAR

Hoje cedo Chupicleide, a inxirida secretária de redação desta gazeta escrota, fez um vale de adiantamento do salário deste mês de maio.

Isso por conta das doações feitas nos últimos dias pelos fubânicos Joab M., Violante Pimentel, Reynaldo Nabuco, A.J.S, Júlio Sidarta, Mario do Couto, Maria de Fátima Pereira e José Inácio Cunha,

Grato a todos vocês que contribuem para cobrirmos as despesas com a hospedagem e a manutenção deste jornaleco, serviços prestado pela empresa Bartolomeu Silva.

Além, é claro, do salário de Chupicleide.

E, atendendo a um pedido dela, fecho a postagem com uma composição que ela adora e que tem o sugestivo título de “Só Gosto de Tudo Grande“.

Ô sujetinha safada!

Uma interpretação da saudosa artista pernambucana Marinês.

Um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!!!

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

1918, fim da I Guerra Mundial. Alagoas não foi à guerra, mas um filho seu, valoroso guerreiro, Firmino Vasconcelos, então prefeito de Maceió, comemorou com três dias de festas a Paz Mundial. O povo bebeu e dançou na Praia do Aterro, no centro da cidade. Maceió é talvez a única capital que tenha praia no centro da cidade.

Durante o discurso, emocionado, empolgado com as doses de cachaça, das boas, distribuídas ao povo, o alcaide prometeu, ali, naquela praia extensa de areia branca, faria uma urbanização com o nome de Avenida da Paz.

O prefeito era um cara decente, diferente desses de hoje em dia que fazem mil promessas e depois esquecem, logo cumpriu a jura.

Foram construídas duas calçadas paralelas, uma junto à pista de calçamento, outra ao lado da praia. Jardins gramados em desenhos arabescos, bancos de concreto, postes de ferro trabalhado, beleza de arte da Fundição Alagoana. No final dos anos 40 a Avenida da Paz era nosso paraíso, a criançada brincava com ximbra, pião, roubar bandeira, jogava futebol no coreto. Só havia um problema o guarda municipal que chegava em seu turno antes de anoitecer, muito cônscio de suas obrigações, não deixava as crianças pisarem na grama, ou colocarem os pés em cima dos bancos. Ele ficava vigiando nossos passos com um apito para chamar atenção quando alguma de nós colocava um pé no banco ou coisa parecida. Nós meninos criados livres logo o apelidamos de “Guarda Doido”.

Ele ficava irado quando alguém gritava “Guarda Doido”, juntava a molecada para saber quem foi que gritou, nós calados. Certa noite ao atravessar a Avenida na hora do jantar, escondi-me atrás de um poste, gritei alto, “Guarda Doido”, tive azar, ele me viu saiu em disparada em meu encalço. Corri, antes de ele me pegar entrei na de Seu Luiz Ramalho que estava na porta, contei para ele rapidamente o que se passava. Seu Luiz encarou o guarda que queria me levar preso, depois foi me deixar em casa onde recebi um belo carão de meu pai. Fiquei mais de uma semana sem pisar na Avenida ao anoitecer. O Guarda Doido todos os dias com uma vara ligava o interruptor das luminárias do Calçadão. Pela madrugada ao amanhecer o dia ele desligava a iluminação da Avenida.

Certa vez ao deparar-me com um livro de Jorge de Lima, poeta alagoano de União dos Palmares, considerado um dos três maiores poetas da língua portuguesa, junto com Camões e Fernando Pessoa. Ao ler um poema o “O Acendedor de Lampiões”, lembrei-me do Guarda Doido de minha infância que acendia a iluminação da Avenida Paz.

O Acendedor de Lampiões

Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!

COMENTÁRIO DO LEITOR

NÃO DÁ PRA ACREDITAR…

Comentário sobre a postagem TÁ DENTRO DOS CONFORMES BANÂNICOS

José Alves Ferreira:

Olá!

Interessante!

Agora o Rio Grande do Sul, ficou no norte e Rio Grande do Norte no Sul….

Será que o clima também vai mudar?

Ou vão inverter tudo para que possamos ler e observar de cabeça para baixo?

E depois fazemos piadas com português!

Como se diz na roça “perca” de tempo e vontade de nos causar vergonha alheia!

Como tem imbecil nesse governo….

E, como acreditar em qualquer índice apurado por esse órgão, como por exemplo desemprego e inflação?

inté!

DEU NO JORNAL

MALANDROS

Petistas malandros fogem de responsabilidade como o diabo da cruz.

O senador Jaques Wagner (PT-BA), velho contorcionista, é contra CPI do Roubo aos Aposentados porque o problema teria sido “resolvido” com as demissões do ministro da Previdência e do presidente do INSS.

* * *

Chamar petista de “malandro” é uma tremenda redundância.

É igual chamar esquerdista de descerebrado.

ALEXANDRE GARCIA

IRRESPONSABILIDADE POLÍTICA QUE CUSTOU CARO AOS APOSENTADOS

Nikolas Ferreira, mais uma vez, é um herói, não é? Ele fala, e o país treme. Não sei em quanto está o número de visualizações do que ele disse sobre o escândalo na Previdência. Em 24 horas, já havia ultrapassado 100 milhões. As televisões morrem de inveja. Em vez de criticarem a corrupção, criticam o Nikolas. É incrível. É aquela velha história: preferem atacar o mensageiro, não a mensagem. Inacreditável.

O ex-ministro da área social do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni — que mora aqui perto, mas também vive em Portugal, onde faz doutorado — me lembrou algo importante: assim que o governo Bolsonaro começou, foi editada a Medida Provisória 871, de 2019, com o objetivo de moralizar essa questão dos descontos na folha. Essa MP obrigava a CONTAG a fazer um recadastramento anual dos descontos. Na Câmara, alteraram para tri-anual — já dando uma “aliviada” —, mas a medida permaneceu.

Depois, veio um decreto de Bolsonaro que praticamente exigia a presença física do aposentado ou pensionista para autorizar qualquer desconto. Nada de assinatura que pudesse ser forjada. A validação deveria ser por ligação telefônica ou aplicativo. Mas, em 2023, a esquerda derrubou tudo isso. Boa intenção? Os fatos mostraram o contrário.

Logo de cara, os descontos multiplicaram por cinco. E continuaram a crescer, em progressão geométrica. Um verdadeiro escândalo.

Fica aqui o registro desse caso.

* * *

Prisão e censura

E mais: o advogado Luiz Felipe Pereira da Cunha me informou que sua cliente, Adalgisa Maria Dourado, finalmente foi para casa. Adalgisa estava em profunda depressão, com tendências suicidas, havia caído no corredor do presídio e mal conseguia caminhar. Idosa, nunca havia sido presa antes, e foi condenada a 16 anos e meio. Não matou ninguém.

Agora, está em casa, mas com tornozeleira eletrônica. Só pode receber visitas de parentes — que precisam estar cadastrados. Está proibida de usar redes sociais e de dar entrevistas. Não pode contar a ninguém o que viveu no presídio. Acompanhou um grupo que foi a Brasília no 8 de janeiro, com a intenção de participar de uma manifestação pacífica, que acabou virando um tumulto.

Imagens do Palácio do Planalto mostram que houve um “esquadrão precursor”, que entrou antes e foi bem recebido por ninguém menos que o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General G. Dias. Ele sequer foi investigado. Uma situação, no mínimo, estranha.

* * *

Privilégio que virou norma

Ontem entrou em vigor uma lei, publicada no Diário Oficial da União, que agrava as penas para quem agredir fisicamente juízes, promotores, oficiais de justiça e defensores públicos. As penas podem aumentar de um terço até dois terços. Por exemplo: se alguém for condenado a 21 anos, com o agravante pode chegar a 28 (com um terço) ou até 35 anos (com dois terços).

Além disso, a nova lei prevê segurança especial para esses profissionais: transporte blindado, colete à prova de balas, vaga garantida em escola pública para os filhos, possibilidade de trabalho remoto. E se a agressão causar lesão corporal grave ou resultar em morte, será enquadrada como crime hediondo.

Mas o que diz a Constituição, em seu artigo 5º, cláusula pétrea? Que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. E viva o Brasil!

* * *

O inchaço do Congresso às custas do contribuinte

E só para terminar: disseram que o aumento no número de deputados federais não traria despesa alguma. Pois bem: aumentaram 18 cadeiras. Não são mais 513, agora são 531 deputados federais. A consequência disso? Mais 30 deputados estaduais. E, claro, nenhuma despesa nova… porque os pagadores de impostos estão sempre aí para cobrir tudo.

E um pouco mais do Rio de Janeiro: agora, até o Flamengo é alvo de tiros. O time havia chegado de um jogo na Argentina, desembarcou no Galeão e os jogadores seguiram para suas casas. O goleiro, ao trafegar pela Linha Amarela, teve seu carro atingido por quatro disparos numa tentativa de assalto.

Enquanto isso, o prefeito Eduardo Paes continua promovendo grandes shows em Copacabana. Que beleza! Mas, com esse nível de insegurança, o Brasil jamais vai conseguir atrair investidores.