CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

PALESTRA DE PLACA

Na guerra e entre bombas e brincadeiras: As memórias de Marina Colasanti da vida na Itália - Estadão

Marina Colasanti

Em 2009, o Prefeito de Marechal Deodoro, Christiano Matheus, convido-me a assumir a Secretaria de Cultura do município, topei e permaneci oito anos Secretario. Primeiro projeto, a “Festa Literária de Marechal Deodoro – FLIMAR”, realizada todos os anos com o entusiasmo. Os melhores escritores do Brasil passaram pela FLIMAR em palestras, mesas de debates e oficinas.

Certa vez a escritora Marina Colasanti deu uma palestra tão envolvente, tão emocionante, tão bonita que o auditório lotado bateu palma em pé durante cinco minutos. Empolgado, eu cumprimentei Marina, lembrei que Pelé fez um golaço no Maracanã contra o Fluminense e colocaram uma placa perpetuando o gol. Ficou célebre o Gol de Placa. E que aquela palestra divina merecia uma placa em homenagem. Dia seguinte mandei fazer a placa e fixei na parede no auditório.

O escritor Ignácio Loyola Brandão, testemunha do fato, (havia participado pela manhã de uma excelente mesa de debates com o escritor pernambucano Luiz Berto, editor deste JBF), escreveu em sua coluna no Estadão:

Palestra de Placa

Nenhum voto meu foi dado com tanta certeza e alegria como o que acabei de dar a Marina Colasanti, que acabou de ganhar o Prêmio Machado de Assis. Não sei o tanto de votos que dei na vida. De concursos literários a miss, melhor filme, fantasia de carnaval, receita culinária, canção e jogador em campo, etc. Mas nenhum voto meu foi dado com tanta certeza e alegria como o que acabei de dar a Marina Colasanti, que acabou de ganhar o Prêmio Machado de Assis 2023, da Academia Brasileira de Letras. Desci das estantes todos os livros que tenho dela. De Esse Amor de Todos Nós a A Morada do Ser. De Minha Guerra Alheia a Contos de Amor Rasgados. De Zooilógico, pincei esse trecho: “Nasceu fauno ao contrário. Da cintura para cima cabra, da cintura para baixo homem. Estavam perdidos os melhores atributos”. De Hora de Alimentar Serpentes – e como não invejar um título desses? – a Do Seu Coração Partido. De Como Uma Carta de Amor a O Nome da Manhã. E de todo o restante, chegando a Mais de 100 Histórias Maravilhosas, aquele que leio e releio desde 2014.

Marina, escritora e mulher que amo desmesuradamente. Companheira de não sei quantas viagens por este Brasil e fora, junto a Affonso Romano de Sant’Anna e com Marcia, minha mulher. De Israel a Frankfurt, Paris ou Lisboa. Em auditórios, tavernas, tascas. E a tarde que passei na casa dela, ouvindo histórias de sua vida, para um perfil da revista Vogue, 20 anos atrás? Lembrando que Marina e sua amiga Ira Etz foram as primeiras do Rio de Janeiro a costurar seus biquínis e usá-los em Ipanema. A jornalista mais linda e brilhante de sua época. A Marina que nasceu na Etiópia, e cresceu no Parque Lage, no Rio de Janeiro.

Devo a Marina um momento fundamental. Escrevi e reescrevi meu livro Os Olhos Cegos dos Cavalos Loucos ao longo de 60 anos. E a história não fechava. Certa vez, a falar, percorri com Marina cidades do interior do Paraná, a convite do Sesc. Em Guarapuava, ao encerrar, nos pediram que cada um contasse uma história. Marina se levantou, gelei. Ela hipnotizava plateias. Foi quando, depois de mais de 20 versões frustradas, ao longo de décadas, dentro de mim senti a história de meu avô se costurando. Contei. Ao terminar, quatro mulheres choravam na primeira fila. A história, real, tinha se fechado. Passei a noite no hotel a colocá-la em um caderno. Prêmio Jabuti.

Quanto a Marina, quero acrescentar que na cidade de Marechal Deodoro, em Alagoas (o nome primitivo era Vila Santa Madalena da Lagoa do Sul), todos os anos, havia a FLIMAR, deliciosa festa literária. Certa manhã, depois de essa admirável Colasanti terminar sua fala sobre os livros que a encantaram, Carlito Lima, que promovia tudo, declarou: “Já criaram o gol de placa no Brasil. Nesta manhã, a FLIMAR institui a Palestra de Placa”. E a placa de Marina está na fachada do auditório da cidade histórica.

DEU NO JORNAL

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE GARCIA

FARRA DAS EMENDAS PARA GARANTIR A REFORMA TRIBUTÁRIA

Votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados.

Votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados

Acabou, ou quase acabou, a fritura da ministra do Turismo, Daniela Carneiro ou Daniela do Waguinho, mulher do prefeito de Belford Roxo. Ele próprio anunciou – são palavras dele – que ela “colocou” o cargo à disposição. Eu digo “palavras dele” porque o certo nem é “colocar”, mas “pôr” o cargo à disposição, já que colocar é pôr alguma coisa em determinado lugar. E de qualquer forma estaria errado, porque ministro sempre tem o cargo à disposição do presidente da República, ministro não precisa “colocar o cargo à disposição”, como disse o Waguinho. Ministro é demissível, como dizem em latim, ad nutum: na hora que der na veneta do presidente, ele manda embora. Mas a pobre Daniela está sendo fritada faz um mês e ainda vai ficar até a semana que vem; é uma coisa incrível esse apego a não sei o quê, ao protocolo, às honrarias, à celebridade… Deus do céu, que falta de amor-próprio, que hoje também chamam de “autoestima”, pobre do amor que virou estima.

Para o lugar dela estão falando – há um mês, também – de um deputado do União Brasil: Celso Sabino, do Pará. Não sei se ele é um grande pós-graduado, se tem doutorado em Turismo, se já viajou pelo mundo inteiro, se já subiu a Torre Eiffel, a Torre de Pisa, se já escalou o Duomo de Milão, se já passou por Florença, se já foi ao Japão, à China… não sei se ele já fez isso para saber como é o turismo nesses lugares, saber como os americanos ganham tanto dinheiro com Pato Donald, com Mickey. Porque aqui no Brasil há muita coisa a ser feita para atrair turistas estrangeiros acostumados com segurança, com limpeza, com organização, com bom atendimento. Temos as nossas belezas naturais, esperando por visitantes.

Enfim, Daniela fica até a semana que vem e o União Brasil ainda está discutindo quem vai, porque o União Brasil quer mandar nos ministérios, e aí existe um choquezinho com Lula.

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Para conseguir reforma tributária, vale distribuir dinheiro até para a direita

Por falar em Lula, saiu a liberação de mais R$ 5,3 bilhões em emendas para deputados votarem na reforma tributária. Sabem quem mais recebeu emenda nesta quinta? O PL! O mesmo PL que estava lá discutindo com Tarcísio de Freitas, e com Jair Bolsonaro ao seu lado. Tarcísio argumentava que era preciso aprovar a reforma tributária, outros gritavam com ele, e o presidente Bolsonaro ali do lado, não sei se incomodado ou se queria se manter isento, pois Tarcísio não é do PL, mas é da mesma direita. O fato é que os deputados receberam um total de R$ 7,4 bilhões de emendas graças a essa votação difícil.

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Jean Wyllys voltou e foi recebido por Lula

O presidente Lula, também fica aqui o registro, recebeu Jean Wyllys, o homem que, reeleito em 2018, renunciou em favor do suplente e sumiu. Foi para a Europa, ficou todo o governo Bolsonaro fora, e agora voltou e foi visitar Lula.

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Vacina contra a dengue está testada e aprovada, mas governo não quer comprar 

Nesta quinta tivemos um aniversário importante. Em 6 de julho de 1885 Louis Pasteur aplicou a vacina contra a raiva, inventada por ele, num menino que havia sido mordido por um cachorro louco; isso salvou a vida do menino. Faço esse registro porque não entendo que o governo brasileiro não tenha comprado uma vacina contra a dengue que está aprovada pela Anvisa. É uma vacina com dez anos de testes, aplicável em pessoas de 4 a 60 anos, e que imuniza contra a dengue por quatro a cinco anos. Está nas farmácias, está nos laboratórios, mas não está na rede pública, porque o governo não quer comprar. Diz que nós estamos desenvolvendo uma vacina, mas isso vai levar quanto tempo? Cinco anos, no mínimo? A vacina mais rápida que já saiu foi a do sarampo, que levou cinco anos (as outras são experiências, nós sabemos). Fizeram tanto barulho sobre uma vacina que não estava testada, que era experimental, emergencial, mas agora a rede pública não compra uma vacina que está supertestada. Muito estranho.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

CHIFRES, RABO E TRIDENTE NA MÃO

Luís Ernesto Lacombe

Detalhe de “O Juízo Final”, de Fra Angelico.

Detalhe de “O Juízo Final”, de Fra Angelico

Ele tem a voz do diabo, a mesma cor vermelha, os olhos injetados. Ele vocifera, ele é colérico, é ódio puro, raiva, desejo de vingança. E dá vazão a toda sua ira. Ele é incendiário, é infernal. Ele é comunista, e isso é bem mais importante do que ser democrata… No incêndio destruidor de tudo, ainda há quem afirme que ele é “sabidamente democrata e que vem arriscando de forma consciente a própria reputação”. Nas enormes labaredas, ainda há quem propague, disfarçadamente ou não, que ele deveria ser um “ditador benigno do Brasil”. Para ele tudo é meio relativo. Ele é a mentira. Tudo o que diz e faz deixa claro que tem parte com o demônio, mas ele se considera Deus.

Ele é contra a família, os costumes, o patriotismo. É contra as leis naturais, a lei moral, contra as leis dos homens, contra os direitos humanos, as liberdades fundamentais. Suas leis são todos os males reunidos. Ele abraça um coletivo diabólico que acha normal o expurgo de opositores, de qualquer um que queira combater o fogo em que ardem o alento e a esperança. Venezuela, Nicarágua, Cuba, ele não condena as ditaduras porque deseja para o Brasil algo parecido… E atiça, a todo momento, o fogo do inferno.

O capiroto é atrevido, ardiloso, enganador. Ele finge que nazismo e comunismo são antagônicos. Fala mal de Israel, dos Estados Unidos, se indispõe com a Europa, com o Ocidente. O que deseja são as diabruras da China, da Rússia, do Irã. Ele é contra a liberdade econômica, o agronegócio, o mundo real, contra o que sempre deu certo. Defende diabolicamente o desastre. Ele é como Mussolini, quer que tudo seja pelo, para e no Estado, mas fascistas são os outros. E, nesse inferno, não há parlamento que não possa ser comprado. Ele tem bilhões e bilhões para distribuir.

Ele diz que foi golpe o que não foi golpe. Diz que foi tentativa de golpe o que não foi tentativa de golpe… Ele é viciado em golpes, é milionário. Seus filhos são milionários. A pobreza é para os outros. Sua vontade é que pelo menos metade da população brasileira continue sem saneamento básico, sem rede de esgoto ou sem água tratada, ou sem os dois. E não sente culpa. A culpa, toda ela, é de governos anteriores, de cúmplices que o abandonaram e que, agora, ele amaldiçoa. A culpa também pode ser da sua mulher morta… O fogo queima tudo.

A roubalheira, a corrupção, a incompetência, a maldade, é dele tudo isso. Em sua democracia particular cabe um bocado de ditadura, um governo mundial, com chifres, rabo e tridente na mão. Ele não tem alma, muito menos a mais honesta de todas. Ele não é o benfeitor dos benfeitores, o democrata conciliador, o redentor dos brasileiros, o redentor do planeta. Ele é insano, asqueroso, ordinário, imundo. E quem insiste em não enxergar tudo isso certamente vai arder ao lado dele no inferno.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A ANCESTRALIDADE

Os conceitos de ancestralidade e ancestrais indicam uma conexão geral com pessoas ou coisas do passado.

Num conceito genético, porém, eles têm um significado mais específico. Nossos ancestrais são as pessoas das quais descendemos biologicamente.

Tenho uma irmã, que, psicologicamente, é bem diferente de mim. Para ela, pesquisar o passado é delírio, coisa de gente doida, pois não adianta cultuar quem já morreu, se a morte é o fim de tudo. Quanto mais distante o passado, mais ela faz tudo para esquecer. Não quer saber de velharia, como móveis antigos e fotos emolduradas, postas nas paredes.

Bate de frente comigo, quando vem ao meu apartamento, pois uma das paredes da minha sala é repleta de fotos emolduradas, de entes queridos que já partiram e que eu faço questão de cultuar.

Sou, exatamente, o oposto dela. Vivo olhando o mundo pelo retrovisor do tempo. Adoro fotografias, principalmente as antigas, de meus familiares queridos, que não se encontram mais neste plano, e vivo pesquisando o passado.

Mas, reconheço que cada pessoa pensa de um jeito, mesmo tendo o mesmo sangue.

Mal me lembro do meu avô paterno, Manoel Ursulino Bezerra, pois ele se encantou quando eu era muito criança. Éramos vizinhos dele, minha avó Júlia e tios. Mas tive a graça de conhecer e conviver com meu avô materno, Professor Celestino Pimentel.

Desde criança, fui fã do meu avô Celestino Pimentel. Convivi com ele na minha juventude, da mesma forma que conviveram meus irmãos, um por um. Fomos hóspedes dele, da minha segunda avó materna e minha tia Carmen, quando viemos cursar o segundo grau em Natal, já que em Nova-Cruz só havia até o Curso Ginasial. Vim cursar a Escola Normal, para ser professora. Mas a roda-viva mudou o curso dos meus sonhos, pois terminei o curso pedagógico, me casei e deixei o magistério pra lá. Terminei cursando Direito, e dei outro rumo à minha vida, sentindo-me realizada.

Meu avô Celestino tinha o porte de um lorde inglês. Era alto, corado, forte, elegante, bonito e culto; muito sério, impunha respeito e simpatia.

Parecia o personagem de “O Professor Alsaciano”, poema de autoria do poeta português Acácio Antunes (1853 – 1927).

Pesquisando a ancestralidade do meu avô materno, Professor Celestino Pimentel, encontrei no Livro das Velhas Figuras, de Luís da Câmara Cascudo, volume II, Edição do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – 1976, a história do avô do Professor Celestino Pimentel, que também se chamava Celestino, e que aqui transcrevo, para o meu deleite e o de quem se interessar por História.

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“O VELHO ARSÊNIO

O Coronel Celestino Pimentel, do exército português, tinha seu solar na Vila Nova de Portimão, castro velho com pedra d’armas ilustre, onde surge, lendário e fulvo, um leão na chapa do escudo.

O coronel casou em família de França. Dois filhos nasceram, alegrando a beleza da Quinta dos Três Bicos, casa solarenga dos Pimenteis, ramo fidalgo que se fixara no Algarves.

Começa a idade dos estudos. Bernardo Celestino, o primogênito, seguiu para a Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em Direito. O segundo, Sizenando Celestino, repetindo a viagem fraterna, voltou engenheiro.

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