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VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A ANCESTRALIDADE

Os conceitos de ancestralidade e ancestrais indicam uma conexão geral com pessoas ou coisas do passado.

Num conceito genético, porém, eles têm um significado mais específico. Nossos ancestrais são as pessoas das quais descendemos biologicamente.

Tenho uma irmã, que, psicologicamente, é bem diferente de mim. Para ela, pesquisar o passado é delírio, coisa de gente doida, pois não adianta cultuar quem já morreu, se a morte é o fim de tudo. Quanto mais distante o passado, mais ela faz tudo para esquecer. Não quer saber de velharia, como móveis antigos e fotos emolduradas, postas nas paredes.

Bate de frente comigo, quando vem ao meu apartamento, pois uma das paredes da minha sala é repleta de fotos emolduradas, de entes queridos que já partiram e que eu faço questão de cultuar.

Sou, exatamente, o oposto dela. Vivo olhando o mundo pelo retrovisor do tempo. Adoro fotografias, principalmente as antigas, de meus familiares queridos, que não se encontram mais neste plano, e vivo pesquisando o passado.

Mas, reconheço que cada pessoa pensa de um jeito, mesmo tendo o mesmo sangue.

Mal me lembro do meu avô paterno, Manoel Ursulino Bezerra, pois ele se encantou quando eu era muito criança. Éramos vizinhos dele, minha avó Júlia e tios. Mas tive a graça de conhecer e conviver com meu avô materno, Professor Celestino Pimentel.

Desde criança, fui fã do meu avô Celestino Pimentel. Convivi com ele na minha juventude, da mesma forma que conviveram meus irmãos, um por um. Fomos hóspedes dele, da minha segunda avó materna e minha tia Carmen, quando viemos cursar o segundo grau em Natal, já que em Nova-Cruz só havia até o Curso Ginasial. Vim cursar a Escola Normal, para ser professora. Mas a roda-viva mudou o curso dos meus sonhos, pois terminei o curso pedagógico, me casei e deixei o magistério pra lá. Terminei cursando Direito, e dei outro rumo à minha vida, sentindo-me realizada.

Meu avô Celestino tinha o porte de um lorde inglês. Era alto, corado, forte, elegante, bonito e culto; muito sério, impunha respeito e simpatia.

Parecia o personagem de “O Professor Alsaciano”, poema de autoria do poeta português Acácio Antunes (1853 – 1927).

Pesquisando a ancestralidade do meu avô materno, Professor Celestino Pimentel, encontrei no Livro das Velhas Figuras, de Luís da Câmara Cascudo, volume II, Edição do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – 1976, a história do avô do Professor Celestino Pimentel, que também se chamava Celestino, e que aqui transcrevo, para o meu deleite e o de quem se interessar por História.

* * *

“O VELHO ARSÊNIO

O Coronel Celestino Pimentel, do exército português, tinha seu solar na Vila Nova de Portimão, castro velho com pedra d’armas ilustre, onde surge, lendário e fulvo, um leão na chapa do escudo.

O coronel casou em família de França. Dois filhos nasceram, alegrando a beleza da Quinta dos Três Bicos, casa solarenga dos Pimenteis, ramo fidalgo que se fixara no Algarves.

Começa a idade dos estudos. Bernardo Celestino, o primogênito, seguiu para a Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em Direito. O segundo, Sizenando Celestino, repetindo a viagem fraterna, voltou engenheiro.

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