DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Meu caríssimo Berto

Lendo suas recordações de encontros, que devem ter sido memoráveis, com o Orlando Tejo e sua verve, encontro citações várias de suas pelejas com o vate, em torno de um tabuleiro de gamão, menções estas que me fazem recordar um acontecido por cá, nesta véia e combalida Paraíba de guerra, envolvendo uma alta autoridade policialesca conterrânea, alguns estudantes sem-vergonha nas caras e um “investigadô” de polícia, recém transferido para, talvez, mais importante delegacia de polícia que tínhamos em nossa Capital, naqueles tempos – a Delegacia de Investigações e Capturas.

Situada em uma das mais importantes ruas da cidade, naqueles tempos – a rua Duque de Caxias, era próxima da sede social do Esporte Clube Cabo Branco, onde, como era prática naqueles tempos, reunia-se a “jeunesse dorèe” e as nem tanto, médicos, procuradores e ocupantes de boas posições nas repartições públicas sediadas nas cercanias para, fugindo das suas obrigações “trabalhistas” conviver um dolcefarniente permissivo, que ia do cafezinho ao jogo de sinuca ou gamão, este tendo como uma de suas estrelas o delegado titular da unidade policial já mencionada, Dr. Ivan Pereira de Oliveira, conhecido nas rodas pagãs por Ivan Palé.

Era sua prática, passar na especializada logo no início do expediente – só à tarde, pois afinal ninguém é de ferro para trabalhar tanto, como dizia Ascenso, onde no seu longo afazer assinava a documentação de praxe – ofícios, relatórios, laudos e outros mais, que dois diligentes acadêmicos de Direito, contratados como Escreventes, preparavam e logo se dirigia ao seu salão imperial, onde pontificava no gamão.

Certo dia, aproveitando a chegada desse novo investigado, transferido do alto sertão para a Capital, graças à sua eficiência investigatória servindo a um político de peso, esses gaiatos prepararam um mandado de prisão contra o Advogado Ivan Pereira de Oliveira, vulgo “Ivan Palé”, acusado de lenocínio e proxetenismo e enfiaram esse documento no meio do expediente a ser assinado, o que foi feito, sem dúvidas algumas.

Cumprida a missão escrevinhatória, o Dr. Ivan dirigiu-se ao seu escritório social, para cumprir o agradável desiderato de massacrar seus oponentes em um tabuleiro, como era seu fazer.

Os eficientes escrivães, deixaram passar algum tempo e chamaram então o “sêo” Biu e o mandaram então cumprir o mandado. Como ele era novo na cidade, foram-lhe dadas as instruções adequadas de como agir, inclusive quanto o momento, que segundo os escrivães, seria adequado ali naquele clube, onde o criminoso passava as tardes exibindo seu desdém e poder, que lhes permitiam fazer pouco da polícia.

Dada a ordem, lá sai o “sêo” Biu, com o tresoitão na cintura, para cumpri-la.

Lá chegando, foi logo perguntando ao porteiro se o tal de Dr. Ivan estava por ali.

Suspeitando de alguma trêta, pois já conhecia o rebanho, o porteiro apontou para o indicado e autorizou o cumprimento da missão, subrepticiamente, avisando aos muitos outros da galera que estava em curso uma mutreta, coisa muito comum naquele ambiente..

Com toda a empáfia de sua autoridade, “sêo” Biu aproximou-se do criminoso, bateu em seu ombro e bradou: “O sinhô é o doutô Ivan Pereira de Oliveira?”

Sim, respondeu Ivan.

“Sêo” Biu retruca, exibindo o mandado: “o sinhô está preso. Me acompanhe”.

Ivan pegando o documento, lê, e brada, em tom que todo o salão do clube ouviu:

“Oxente, eu não assinei isto não!”

Segundo os presentes, “sêo” Biu, mesmo com o indigitado se identificando como o signatário daquela ordem, exigiu e o levou até à Delegacia, para desmanchar o “imbróglio”.

E, Ivan entrou na história do Esporte Clube Cabo Branco e em alguns anais da imprensa policial como o delegado que mandou prender a si mesmo.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

IMPASSE – Orlando Tejo

Se ficar onde estou não faço nada,
Se sair por aí corro perigo,
Se me calo minh’alma é sufocada,
Se disser o que sei faço inimigo…

Se pensar vou trair a madrugada
E se sonho de mais vem o castigo,
Se quiser subo até o fim de escada,
Mas precisar brigar, e eu não brigo!

Se cantar atropelo o contracanto,
Se não canto maltrato o coração,
Se me faço sofrer me desencanto,

Se reprimo o ideal perco a razão,
Se perder a razão, resta-me o pranto
E meu pranto não faz uma canção.

Orlando Tejo, Campina Grande-PB (1935-2018)

A PALAVRA DO EDITOR

TOCANTE, COMOVENTE

* * *

Encontrei hoje pela manhã esta postagem feita pelo presidente Bolsonaro no Twitter.

E vendo esta comovente imagem, um ex-combatente brasileiro, que lutou na Segunda Guerra, cantando a “Canção do Expedicionário”, me lembrei de um texto que escrevi há algum tempo.

Um texto que foi publicado no JBF em 2019.

Para acessar, basta clicar aqui.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CRISTINA ALENCAR DE SOUSA – CAMPINA GRANDE-PE

Sr. Editor,

Hoje é dia de aniversário do meu amado esposo.

Neste 13 de abril de 2022 ele completa 47 anos.

Por coincidência, o nome dele é Jair.

Peço a gentileza de que publique este vídeo em anexo.

Vou fazer uma surpresa para ele que também é leitor diário do nosso querido jornal.

Minha homenagem a esta criatura que tanto amo!

Desde já fico agradecida.

R. Aqui o leitor não pede, minha cara.

Aqui vocês dão as ordens: mandou, a gente publica.

Transmita ao seu amado Jair os parabéns deste editor e de toda a comunidade fubânica!!!

Feliz aniversário, saúde, felicidade, paz, prosperidade e muitos anos de vida.

Disponha sempre deste espaço.

Um abraço para todos dessa querida Campina Grande, terra de nascença dos meus queridos amigos Jessier Quirino e Orlando Tejo.

E vamos ao vídeo que você nos mandou.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

COMENTÁRIO DO LEITOR

DESMANTELOS TEJIANOS

Comentário sobre a postagem CONCEIÇÃO 63 – Orlando Tejo

Schirley:

Orlando Tejo.

Ouvi de um amigo uma frase que Orlando Tejo costumava dizer.

A frase ficou martelando na minha cabeça:

“Desmantelo só presta grande”.

Vou procurar saber mais sobre Orlando Tejo.

* * *

Nota do Editor:

Minha cara:

Você disse que ouviu de “um amigo” a frase de Orlando Tejo.

Só não disse que esse amigo era eu.

Sim. Fui eu que citei esta frase do meu querido e saudoso amigo Orlando Tejo pra você.

“Desmantelo só presta grande”.

Baseada nela é que o talentoso Poeta Jessier Quirino, colunista desta gazeta escrota, também criou o seu provérbio:

“Desmantelo só presta bem desmantelado.”

Você disse que vai “procurar saber mais” sobre Orlando Tejo.

Recomendo que comece lendo a obra-prima dele, o livro “Zé Limeira, O Poeta de Absurdo”, um trabalho que colocou Tejo definitivamente entre os ícones da cultura popular nordestina.

E, se não me falha a memória, já vai na 9ª edição.

Clique aqui e dê um olhada no quem tem sobre Orlando Tejo no Google.

Vou fechar a postagem com dois itens:

O primeiro é um vídeo que foi gravado nos anos 80, na minha casa, quando eu morava em Brasília.

É um trecho de documentário do cineasta paraibano Vladirmir Carvalho sobre Orlando Tejo e sua obra.

E, logo em seguida, uma crônica que escrevi no século passado, na qual conto uma das mais geniais presepadas de Tejo.

* * *

O CASO DOS SONETOS PSICOGRAFADOS

Eram umas reuniões que nós fazíamos lá em casa e que costumavam varar as noites. Em geral, as noites de sábado para o domingo. A vastidão do mundo era o nosso pequeno território de domínio e sobre ele discursávamos com a segurança de viventes calejados e experimentados no ofício de esquadrinhar a vida. Teve uma noite em que meu compadre Tira-Teima, cantador de ofício e rudemente alfabetizado nas letras da vida, fez uma conferência sobre a enormidade de incestos, traições, concubinatos, amasiamentos e mais um sem-número de sem-vergonhices contidas no Velho Testamento que deixou boquiaberto o Prof. Salim Sidhartta, este doutor formado e com mestrado em Lingüística. E fez sua palestra, conforme afirmou então, escudado na sua condição de ex-crente Batista e, principalmente, na sua autoridade de cantador obrigado, por dever de ofício, a ser conhecedor do texto sagrado.

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