Podem acreditar: o jornalisteiro redigiu desse jeito mesmo que está aí em cima.
E prestem atenção no curioso detalhe que está escrito acima do título deste cagalhaço, “As Coxas de Lula”.
Tá lá a expressão LULA X BOLSONARO.
Merdal é colunista do Globosta.
Ao digitar esta nota, dizendo que as coxas do ex-presidiário “transformaram-se em objeto de desejo de homens” eu imagino como o furico de Merdal não ficou latejando, coçando, ardendo, ansioso pra ficar no lugar de Janja.
Merdal ficou com o rabo pegando fogo de desejo!!!!
Francamente, essa grande mídia merdífera e zisquerdóide da Republiqueta Banânica é pra lá de asquerosa.
E consegue afundar mais e mais a cada dia no esgoto fedorento em que se transformou a imprensa deste país.
Depois que li esse cagalhaço globostífero de Merdal, me deu uma ânsia de vômito da porra.
Um simples banho de mar pode mostrar mais verdades do que as pesquisas fakes! Enqto o ex-presidiário tem que fechar a praia para evitar o contato com o povo, nosso Presidente @jairbolsonaro pula no mar e vai de encontro ao povo!
Esta é a diferença! #BolsonaroAte2026pic.twitter.com/YiMFfjJvpW
Vamos fazer hoje mais uma volta ao passado, caminhando sempre na direção do futuro. Venha comigo. Se aprochegue. Se ajunte à nós.
Vá ao balcão da empresa aérea, faça seu “check-in”, despache sua bagagem e se prepare para o embarque. Se possível, escolha uma janela na fileira de três bancos. Ponha o cinto de segurança. Boa viagem.
Ir para a frente, nada mais é que caminhar para voltar ao barro, de onde saímos, no passado. E todos, meninos, meninas, homens e mulheres farão essa viagem – para onde não existem parques de diversões, jardins zoológicos ou áreas verdes para piqueniques. Não sei dizer mais nada. Afinal, nunca estive lá.
Às quatro horas da tarde, quando, para alguns, o sol está mais frio, nos reunimos na calçada daquela casa e escolhemos os times. Seis para cada lado – sem que o dono da bola aceite ser o goleiro, embora ele seja gordo, branquela e muito ruim de bola.
Mas, a bola é dele, ué! Fazer o que?
O jogo começa, e Ribinha, o mais habilidoso entre os peladeiros, logo marca dois gols. Num desses, driblou até o goleiro improvisado, que aceitou jogar ali apenas um tempo, e até quando o adversário marcasse cinco gols.
No campo havia um lado onde o piso era de barro. De um barro mais duro. Numa nova tentativa de driblar o marcador, Ribinha perdeu o controle da bola e chutou o chão. Arrancou metade da cabeça do dedão do pé.
Coisa horrível! Zulive!
Ninguém tinha coragem de olhar, mas o acidentado saiu de campo por alguns momentos, foi ao lado, pegou um pedaço de pano velho, do qual fez uma pequena tira e amarrou o ferimento. Voltou para o jogo.
Se fosse hoje, o acidentado teria que esperar o ambulância do SAMU – Eita que o Brasil de hoje só tem baitola!
Como o sangramento não estancava, Ribinha pegou uma mancheia de areia, jogou na cabeça do dedão e voltou a amarrar o pano velho. Mas a pelada continuou e ainda mais animada. Ribinha, jogando como se fora um saci, ainda marcou mais um gol.
Finalmente o placar atingiu 5 a 3. Favorável ao time onde Ribinha jogava. Intervalo. Hora de beber água. Não tinha substituição, pois ninguém queria sair do jogo. Nem o gordo dono da bola, que era apenas um reforço para o time adversário.
A poucos minutos do reinício do jogo, o goleiro caiu errado, tocou com a mão no chão e ficou com o dedo “dismintido” – hoje o menino vai direto para a Traumatologia do hospital.
Aquele, naquele dia, apenas saiu do jogo e foi para casa. Aproveitou para tomar banho.
Voltou para a rua com o dedo “dismintido” envolto num emprasto de mastruço que a avó dele fizera. Dois dias depois estava totalmente curado.
Mercúrio cromo para machucados
O dia seguinte era um domingo. Dia de almoço em família, quando as avós paparicam os netos e escondem algumas balas jujubas para presentear os preferidos.
Não conheço uma única avó que não tenha um(a) neto(a) preferido. Se for menina, essa será aquela que mais parece com ela. Em tudo. Até tem os peitos pequenos e a bunda grande e arrebitada.
Vovó acordou cedo e foi pegar e matar duas galinhas caipiras para o almoço. As tripas, o mucuim e a moela eram separados para o guisado do Ely Neto, o neto preferido do avô Ely. E ninguém tascava. Pois sim!
Uma galinha precisava ser sangrada para a cabidela. Uma bacia de porcelana com vinagre e um pouco de sal, fora separada para aparar o sangue da penosa.
Ao fazer a sangria, a galinha “estrebuchou” e a avó acabou fazendo um pequeno corte num dos dedos da mão. Mas terminou o serviço. Largou tudo sobre a pia e foi cuidar de estancar o sangramento. Pegou o mercúrio cromo e “embebedou” num pouco de algodão. Pôs sobre o corte e amarrou o dedo com um pano velho. Dois dias depois estava com o dedo curado e já ajudando a lavar um tanque de roupas sujas.
Se fosse hoje, teria recorrido ao Plano de Saúde à procura de um médico que, com certeza (em conluio com os laboratórios – de onde recebe uma boa comissão de propina) pediria até eletro-encefalograma, exames de fezes, de urina e ainda requisitaria aquele exame que mede a pressão e o “doente” passa 24 horas com aquela merda colada ao corpo. Coisa de médico fdp e da geração Paulo Freire de uma universidade “pagou-passou”.
Merthiolate o santo curativo
Não esqueça que a próxima parada técnica para reabastecer é também o seu destino. Desembarque, e vá até o guichê da empresa e aproveite para marcar a sua volta à realidade e ao mundo atual.
Não precisa esperar a bagagem. Afinal, você embarcou apenas para matar a saudade e corrigir a caminhada na direção da volta ao barro. É para a volta que a gente anda tanto para a frente.
José Antonio Lutzenberger nasceu em 17/12/1926, em Porto Alegre, RS. Engenheiro agrônomo, cientista, escritor, filósofo, ambientalista e pioneiro na luta em defesa do meio ambiente. Trocou uma próspera carreira, como técnico e executivo de empresas multinacionais, pela organização do movimento ecológico na década de 1970, com a publicação do “Manifesto Ecológico Brasileiro”.
Filho do artista plástico Joseph Franz Seraph Lutzenberger e Emma Kroeff, imigrantes alemães, desde criança mantinha contato e encanto pela natureza. Estudou no Colégio Farroupilha e do Rosário, com interesse em química e física. Após o serviço militar, entrou na Faculdade de Agronomia, da UFRGS e demonstrava temperamento combativo. Era visto como excêntrico pelos colegas. Diplomado em 1950, passou 2 anos nos EUA fazendo pós-graduação na Universidade de Louisiana em agroquímica. De volta à Porto Alegre, empregou-se na Companhia Riograndense de Adubos, onde trabalhou por 4 anos e transferiu-se para a Sulpampa Agropastoril, no cargo de intérprete de línguas do diretor da Basf, empresa associada. Em 1957 foi convidado para trabalhar na Ciba-Geigy, na Alemanha, na área de agrotóxicos. Em seguida mudou-se para a Venezuela, atuando como técnico e executivo na área de adubos da Basf. Pouco depois, já casado e com 2 filhas, foi transferido para o Marrocos, em 1966. Na condição de executivo bem sucedido, conheceu diversos países.
Na Venezuela esteve em contato com o cientista Leon Croizat, aprofundando os estudos em biogeografia. O interesse nos problemas causados pelo agrotóxico foi despertado com a leitura do livro Silent Spring (1962), de Rachel Carson, com quem manteve contato. Discordava dos ataques que a cientista sofria dos empresários da indústria química e passou a se interessar pela ecologia. A “crise existencial” ou profissional iniciou quando a Basf passou a produzir agrotóxicos. O dilema foi resolvido com o pedido de demissão, em 1970. Ano seguinte fundou a AGAPAN-Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, a primeira “Ong” ecológica do País. Logo tornou-se líder do movimento com o lançamento do “Manifesto Ecológico Brasileiro: o fim de futuro?”, numa tiragem de 46 mil exemplares. Em seguida foi impresso em papel jornal e formato “pasquim” de 22 páginas e foi vendido em bancas de jornal. Assim o movimento ecológico tomou as ruas. Com o manifesto, tornou-se importante líder no movimento ambientalista internacional, recebendo cumprimentos do cientista Konrad Lorenz, Prêmio Nobel de Medicina.
Antes do “manifesto” já havia publicado muitos artigos denunciando o desastre ecológico e viajou pelo mundo dando palestras e conquistando adeptos. Se em alguns setores da sociedade era tratado como gênio e pioneiro, noutros era tido como louco e fanático. Denunciava a poluição do lago Guaíba, a perseguição aos morcegos de Porto Alegre, o desmatamento e a redução das áreas verdes urbanas, o uso de agrotóxicos e da energia nuclear etc. Com o empenho e as lutas da AGAPAN, obteve conquistas como a criação do Parque Delta do Jacuí, do Parque Estadual de Itapuã e da Reserva Biológica do Lami. Mas a luta mais notória que enfrentou foi contra a produtora de celulose “Borregaard”, que poluía o ar e as águas do rio Guaíba. Para muitos foi “uma das mais importantes lutas ecológicas da história”, inaugurando um inédito processo de revisão de métodos produtivos. Em fins de 1973, a fábrica foi interditada.
O movimento ecológico torna-se mais expressivo em termos políticos com a criação dos “partidos verdes” em todo o mundo. A entrada de novos atores na AGAPAN, afastou-o da entidade em 1987. “Aconteceu que surgiu um grupo de guris que não sabia nada de nada e que transformou a Agapan em política partidária. E aí eles perderam, inclusive, a penetração nos meios de comunicação. Eles não tinham nada a dizer”. Ao deixar a AGAPAN, criou a Fundação Gaia, dedicada a promoção de um modelo de vida sustentável. A fundação atua na área de educação ambiental e na promoção de tecnologias socialmente compatíveis, tais como a agricultura regenerativa, o manejo sustentável dos recursos naturais, a medicina natural, a produção descentralizada de energia e o saneamento alternativo. Presta, também, consultoria ambiental para auxiliar municípios e estados a implantar o desenvolvimento sustentável. Seu envolvimento com a questão ambiental rendeu-lhe o prestigioso “The Right Livelihood Award 1988”, conhecido como o Prêmio Nobel Alternativo na área de ecologia, em Estocolmo.
Além de manter a Fundação, conduzia uma empresa de reciclarem de resíduos industriais. Em 1990, o presidente Fernando Collor, interessado em melhorar a imagem do Brasil no exterior e tendo em vista a realização da CNUMAD-Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento ou “Rio-92”, convidou-o para assumir a pasta do Meio Ambiente e comandar os preparativos para a grande conferência. Sua ideia era que o Brasil deveria encaminhar uma proposta em que os países possuidores de florestas de grande porte fossem recompensados, através de um fundo internacional, pelo prejuízo de não explorá-las. Defendia ainda que a diplomacia brasileira deveria adotar uma legislação internacional sobre florestas e no estabelecimento de metas precisas para evitar o desmatamento. Em termos políticos p.p. dito, dizia: “Li Marx de ponta a ponta no original, em alemão. Ele é tão tecnocrata quanto os capitalistas; Hitler e Mussolini também diziam ser socialistas, como Fidel. Essa palavra e ser de esquerda não significam mais nada”.
Sua permanência no governo durou mais que o previsto (março/1990-março/1992), tendo em vista o temperamento direto e pouco dado às conveniências políticas. Foi demitido antes mesmo da Rio-92, logo após denunciar a corrupção no IBAMA, que ele acusava de ser uma “sucursal de madeireiros”. Nos 2 anos como ministro realizou algumas conquistas, como a demarcação de terras indígenas, em especial a dos Ianomâmis, em Roraima; a definição do conceito de Área de Proteção Ambiental na nova legislação; a decisão do Brasil de abandonar o projeto da bomba atômica e a assinatura do Tratado da Antártida e da Convenção sobre a Diversidade Biológica. Já fora do governo, fez um importante pronunciamento na Rio-92, quando foi homenageado e recebeu convite de Dalai Lama para uma conversa privada. No mesmo ano participou do “Simpósio Internacional sobre questão da Ética na Política”, organizado pelo Instituto Goethe.
Seu último trabalho no governo foi de consultor ambiental no estado do Amazonas, em 1997. Faleceu em 14/5/2002 e foi sepultado no bosque da Fundação Gaia do modo como pediu: nu envolto num lençol e sem caixão para não deixar marcas. Suas ideias e legado ficaram registrados em centenas de artigos e livros, dos quais vale destacar: Pesadelo atômico (1980), Ecologia: do jardim ao poder (1985) e Gaia, o planeta vivo (1989). Em termos biográficos, temos Sinfonia inacabada: a vida de José Lutzenberger (2005), de Lilian Dreyer e Lutz – A história da vida de José Lutzenberger, o grande ambientalista do Brasil (2019), de Amauri Antonio Confortin e outros autores. Recebeu títulos de “Doutor honoris causa” de diversas universidades no Brasil e no exterior e foi agraciado com uns 80 prêmios, homenagens e condecorações.