
Boa tarde, Luiz Berto!
Segue o comprovante da doação.
Grande abraço.
R. Brigadíssimo, minha querida amiga e colunista fubânica.
Seu depósito já está na conta desta gazeta escrota.
Chupicleide já fez um vale de adiantamento de salário!
É hoje que essa inxirida vai encher a cara junto com Bosticler, o faxineiro da redação.
Grato também aos leitores Humberto e Emília Maria por suas generosas doações.
Vai voltar tudo em dobro pra vocês na forma de paz, saúde, tranquilidade e longa vida!!!

“Obrigada e um beijo para todos!!!”

A poderosa equipe do São Domingos
Existem personalidades, tipos inesquecíveis, de uma cidade que deixam lembranças com suas histórias. Quem conheceu e desfrutou a amizade de Arlindo Chagas não esquecerá essa figura marcante de nossa cidade. Suas histórias certamente serão contadas por muitos anos, e pesquisadas como parte de nossos costumes na época de ouro dos anos 70.
Éramos frequentadores assíduos do Clube Fênix na Avenida da Paz. Aos domingos ficávamos em uma roda de uísque à beira da piscina ouvindo o conjunto “Sambrasa” do cantor Paulo Sá. As histórias irreverentes de Arlindo Chagas davam o sabor bem humorado à conversa.
Notívago, Arlindo iniciava seus trabalhos à tarde; dizia ter melhor poder de convencimento quando os outros já estavam cansados. Era excelente ousado negociador. Não vendia qualquer produto, acreditava em seus argumentos. Passou parte da vida como publicitário na Gazeta de Alagoas, benquisto por todos. Em seu enterro fiquei ao lado do seu amigo, triste, o presidente Fernando Collor. Em todos os lugares, nas rodas de papo de botequim, shopping, alguém conta alguma história de Arlindo Chagas. Deixou seu nome nos anais, na memória da cidade.
Arlindo Chagas além de publicitário era um esportista, gostava de futebol, acompanhou a construção do Estádio Rei Pelé que foi inaugurado pelo governador Lamenha Filho, com uma série de jogos maravilhosos, no ano da copa 1970. O estádio vivia lotado até com a disputa do campeonato local, a luta tradicional entre CRB x CSA.
Um grupo de esportista, incluindo Arlindo Chagas, resolveu investir no Clube de Futebol São Domingos para acabar com a hegemonia de CRB e CSA. O São Domingos tornou-se um time competitivo, com bons jogadores: Gabriel, China, Beijoca. Disputava na cabeça, pau-a-pau, com os dois times tradicionais, era a terceira força do futebol alagoano. Se o jogo era SÃO DOMINGOS x CSA, os regatianos torciam pelo São Domingos. No jogo SÃO DOMINGOS X CRB, os azulinos torciam pelo DOMINGÃO.
Certa vez o SÃO DOMINGOS foi jogar em Aracaju um amistoso contra o CONFIANÇA, campeão estadual. O time viajou num ônibus velho, enquanto dois carros de luxo levaram a diretoria: Miguel Spinelli, Severino Rabelo, Walter Mendes , Arlindo Chagas e o jornalista Bernardino Souto Maior. Domingo à tarde o estádio estava cheio, jogo da entrega de faixas ao campeão, o CONFIANÇA. Os torcedores sergipanos preparados para a grande festa esportiva davam como certa a vitória do CONFIANÇA. O SÃO DOMINGOS mostrou um bom futebol e ganhou de 2 x 0 acabando com a festa sergipana.
Os alagoanos fizeram um carnaval no vestiário já pensando em uma noitada na simpática na zona de Aracaju. Nesse momento entra um radialista do programa mais ouvido da região, fez algumas entrevistas com aquelas respostas previsíveis de jogadores. Entrevistou também Arlindo Chagas. O dirigente alagoano com sua pose de vencedor, não teve dúvida, nem freio na língua:
“O SÃO DOMINGOS É HOJE O MELHOR TIME DO NORDESTE BRASILEIRO. VENCEMOS PORQUE SOMOS BONS. AQUI EM SERGIPE NÃO TEM UM TIME QUE SE COMPARE COM O SÃO DOMINGOS. PODE JUNTAR TODOS OS TIMES, FAÇAM A SELEÇÃO SERGIPANA QUE AINDA DOU DOIS GOLS DE LAMBUJA E SÓ VALE GOL DO GABRIEL!!!!”
O pronunciamento debochado de Arlindo feriu o brilho dos sergipanos. Durante a saída, os jogadores receberam uma calorosa vaia do povo revoltado com a irreverência irritante, provocadora, de Arlindo.
Os atletas estavam prontos para um passeio na zona, quando se deu um imprevisto. Os dirigentes do SERGIPE, feridos com as declarações da diretoria alagoana, desafiavam o SÃO DOMINGOS para um jogo na quarta-feira. Miguel Spinelli, o presidente, ouviu a proposta, não aceitou; teria que voltar no outro dia. Eles insistiram, estavam magoados. Spinelli nesse momento chamou Arlindo, deu-lhe carta branca: “Você que fez a confusão, resolva o problema”.
Arlindo nunca foi de amolecer, aceitou e marcou outro jogo na quarta-feira, com a renda para o vencedor. Spinelli quase tem um infarto, mas segurou a decisão do dirigente. Reuniram os jogadores, esclareceram os detalhes do outro jogo. Liberaram os jogadores para farrear na zona durante uma noite. Concentração a partir de segunda-feira no hotel, com treino na praia.
Os jornais de Sergipe noticiaram com alarde o “Jogo da Vingança”, para atrair público. Foram dois dias de expectativa. Na quarta-feira o estádio estava superlotado. Torcedores do CONFIANÇA, do SERGIPE, de todos os times, com bandeiras incentivando, a honra sergipana estava no gramado.
O SÃO DOMINGOS era bom em qualquer lugar, jogadores experientes, cheios de malícias. Como foi prometido, a metade da renda seria dos jogadores. Eles deram tudo pensando na grana. Resultado: 1 x 0 para o DOMINGÃO.
Ao ser entrevistado Arlindo fez tanta gozação e irreverência, que os outros dirigentes, com receio, pediram para ele calar. Dessa vez o ônibus foi apedrejado. No hotel, a renda foi dividida entre os jogadores. O que restou ao clube foi gasto com despesas e uma farra homérica na zona de Aracaju.
Os sergipanos não se conformaram, pediram outra revanche. Nessa altura, os familiares da delegação, só sabiam notícias através de jornais, o telefone era péssimo naquela época. E para o cúmulo do deboche, Arlindo Chagas acertou outra partida no domingo contra o CONFIANÇA. Dessa vez não puderam segurar os jogadores que se concentraram, dormiram dois dias na zona.
Afinal o domingo, depois de dois dias hospedados nos cabarés, os jogadores do SÃO DOMINGOS ainda fizeram o impossível, com um pouco de sorte, conseguiram empatar o jogo 1 x 1 aos 46 minutos do segundo tempo.
Foi assim que o futebol alagoano teve uma semana de glória nos gramados e na zona de Aracaju, graças à capacidade de negociação e a ousadia e irreverência de nosso inesquecível, Arlindo Chagas.

Em 1965: Romildo, Edson de Almeida, Almy e Isaltino
O programa de Rádio mais conhecido nos anos 50 foi o “Repórter Esso”, que cobrindo boa parte do Brasil dava prestígio aos prefixos das emissoras que o transmitiram por mais de 27 anos.
Quando eu tinha uns 10 anos, (1946), era seduzido pelos programas da PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco. O único meio de comunicação sonora de massa que havia no Recife. Por isso me empolgava.
Era um alumbramento ouvir aquelas vozes límpidas e sem erros de gramática, nos noticiários, nas radionovelas, nas crônicas e anunciando as músicas.
Naquele tempo se destacavam em Pernambuco as vozes de José Renato, Abílio de Castro, Aluízio Pimentel e Fernando Castelão.
Se acaso sintonizássemos as Ondas Curtas, a fim de localizar as emissoras do exterior, era maior a vibração, porque se ouvia os locutores brasileiros que atuavam no exterior, dentre eles Aymberê e Luiz Jatobá, ambos da BBC de Londres.
Passei a ter o desejo de ser locutor de Rádio. Vivia anunciando os programas da época como se ao microfone estivesse. Parecia um “peãozinho doido” andando por dentro de casa, com a boca próxima a uma lata de leite, para ter a impressão que era um microfone.
Várias vezes mamãe me ouviu falando no banheiro, local em que havia boa ressonância: “E agora vamos ouvir a “Crônica do Meio Dia”, escrita por Xavier Maranhão, na voz de Abílio de Castro.”
Em 1948 meus tios Moacir e Floriza, permitiam que eu ligasse o enorme rádio “Murphy”, na casa deles, próxima à nossa, deixando-o sintonizado nas Ondas Médias e Curtas, através das quais se localizavam as emissoras do Rio de Janeiro, Meca do Rádio, na época.
O que me empolgava muito era a forma como os locutores ditavam os prefixos.
Outra de minhas doidices infantis, exercitada para ser um locutor carioca: “Rádio Nacional, Rio de Janeiro, Brasil, falando diretamente de seus estúdios, no Edf. “A Noite. E agora passamos a apresentar o Programa César Ladeira.”
E do lado de cá, no Recife, utilizando o rádio de nossa casa, um “Philco”, eu vibrava com o único prefixo de radio-broadcasting que se dispunha: “PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco, Brasil, falando diretamente do Palácio do Rádio Oscar Moreira Pinto.” Era um barato!…
Amadurecendo, entendi que para ser um locutor primoroso era preciso dominar bem o vernáculo, pronunciar com perfeição todos os “S” e “R”, além de ter a arcada dentária perfeita. Mas eu era bastante dentuço, além disso, fanhoso. Adeus locução!
Por imposição do destino me dediquei à escrita em jornais, porém nunca deixei de admirar a locução dos grandes noticiaristas que passaram pelo Rádio pernambucano.
Lembro-me bem das programações esportivas onde se apresentavam dois locutores ao mesmo tempo, falando da Cabine de Imprensa do Sport Clube do Recife, criada sob a inspiração do Diretor Pedro Bezerra Cavalcanti, a primeira do Norte-Nordeste.
Fernando Ramos e Fernando Castelão. Cada um transmitia um lado no jogo. Em campo, Jota Soares e Haroldo Praça faziam os comentários técnicos.
Era interessantíssima a coordenação entre eles. Castelão estava falando ao microfone e quando a bola ultrapassava a linha divisória do campo, definindo o local das duas equipes, quem tomava a palavra era Fernando Ramos. Um espetáculo de coordenação!
Recordo, para conhecimento das gerações atuais, os grandes locutores, apresentadores e atores das novelas do nosso Rádio: Abílio de Castro, Geraldo Liberal, Dantas de Mesquita, Fernando Castelão, Fernando Ramos, José Renato, Barbosa Filho, Aldemar Paiva, Ziul Matos, Samir Habou Hana, Paulo Duarte, Paulo Fernando Távora, Tavares Maciel, Geraldo Freyre e Edson de Almeida, este, que durante 12 anos foi o responsável pela apresentação do “Repórter Esso”, o noticioso de maior audiência em todo o País.
Com o advento da Televisão no Recife, no início dos anos 60, parte da força e dos talentos do rádio se dividiu ou migrou para esse novo e poderoso canal de comunicação. Em consequência, os grandes apresentadores do Rádio foram saindo para a Televisão, dentre eles Fernando Castelão que batia todos os ibopes com o seu “Você Faz o Show”, no horário nobre dos domingos.
A partir dos anos 80 as emissoras do Recife passaram oferecer mais jornalismo, esportes e prestação de serviços, ficando com as Televisões os espetáculos de auditório.
Pouco antes, no final dos anos 70, apareceram as FM’s, e assim as emissoras de broadcasting tiveram que ser totalmente reformuladas.
Não realizei meu desejo de criança que seria me tornar locutor de Rádio, porém, aprendi a escrever notícias breves e hoje administro um grupo de comunicação, via WhatsApp, que denominei “Correspondentes Unidos”, interligando pessoas de vários lugares do País e até do estrangeiro.
Recordo proveitoso estágio de Jornalismo na PRL-6 – Rádio Jornal do Commercio, onde aprendi a escrever no padrão exclusivo exigido para o “Repórter Esso”, o mais famoso noticiário de todos aqueles tempos no Brasil. Meus orientadores foram Isaltino Bezerra e Romildo Cavalcanti, aqui homenageados na foto principal destas notas.
Assim os prefixos de rádiojornalismo que eu vivia falando na casa de meus pais, feito um peãozinho doido, tiveram grande influência em minha trajetória através das notícias escritas.

Na foto acima, os locutores Fernando Castelão, Tavares Maciel, Ziul Matos e Abílio de Castro e os artistas: Ary Santa Cruz, Rildo Uchoa Cavalcanti, Oswaldo Silva, Hélio Peixoto, Dorinha Peixoto e Mercedes del Prado, todos do “cast” da PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco. Foto no “Palácio do Rádio”, em 1946.