PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A FLOR DO CÁRCERE – Euclydes da Cunha

Nascera ali – no limo viridente
Dos muros da prisão – como uma esmola
Da natureza a um coração que estiola –
Aquela flor imaculada e olente…

E ele que fôra um bruto, e vil descrente,
Quanta vez, numa prece, ungido, cola
O lábio seco, na úmida corola
Daquela flor alvíssima e silente!…

E ele – que sofre e para a dor existe –
Quantas vezes no peito o pranto estanca!..
Quantas vezes na veia a febre acalma,

Fitando aquela flor tão pura e triste!…
– Aquela estrela perfumada e branca,
Que cintila na noite de sua alma…

Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha, Cantagalo-RJ (1866-1909)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

É UM TERROR

Persiste em Brasília a discussão sobre a classificação, pelos EUA, de facções criminosas do Brasil como grupos terroristas.

Para Lula e cia., não seriam terroristas pois supostamente não enfrentam o Estado.

Mas, para eles, nem o Hamas é terrorista.

Dez deputados do PT, incluindo ministros de Lula, assinaram nota oficial há cinco anos para se opor à classificação pelo Reino Unido do Hamas como terroristas, já que não promoveria terror, nem antissemitismo e sim “resistência”.

Assinaram a nota Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde de Lula e Paulo Pimenta, que foi porta-voz do governo por dois anos.

Outros petistas proeminentes como Zeca Dirceu (PR), Érika Kokay (DF), Nilto Tatto (SP) e Enio Verri (PR) também assinaram a nota pró-Hamas.

Rosa Neide (MT), Helder Salomão (ES), Paulão (AL) e Padre João (MG) fecham a lista de deputados do PT que defenderam o Hamas.

* * *

É isso mesmo.

Esse aterrorizante bando petralha adora terroristas.

Normal, normal.

Tudo dentro dos conformes.

Terror e horror são coisas típicas do bando luloso.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O MARAVILHOSO TEMPO DO RÁDIO

O céu tá ficano vremeio. Com certeza, é coisa de Deus. Só pode!

É o que minha vista tá alcançando. Daqui mais com pouco, o dia tá amanhecido.

Era assim!

Sempre foi assim na visão do povo que produz para dar o dicumê que quem num planta e ainda reclama o preço!

E o dia tá chegano. Clarim, clarim com um sol maravilhoso.

O rádio portátil ou não, dá a direção de tudo

Seu Messias, antes mesmo de tomar o café com beiju, babata doce cozinhada e amassada num prato de barro onde vai botar leite de cabra fervido, tá sentado no batente da porta da cozinha escutando o rádio. O programa matinal do rádio diz tudo. Dá tudo que muitos precisam ouvir antes de pegar o matulão e partir pra roça.

De repente, a característica sonora do Repórter Esso invade os tímpanos de Messias:

– Atenção, muita atenção!

Em cadeia nacional, o seu Repórter Esso informa: “Morreu o Presidente Getúlio Vargas! Dentro de instantes, diretamente do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, mais detalhes desse fatídico acontecimento”!

Assustado, Messias nem conseguiu levantar do batente da porta.

Rádio Philco antigo

Era assim. Foi assim durante muito tempo.

O programa de rádio era o GPS de quem morava na roça. Informava desde chá para combater gripe, ensinava como assar uma carne na panela de pressão, ensinava como tomar medicamentos alopáticos. Tipo: “Melhoral, melhoral! É melhor e não faz mal. Ou, ainda: “Vick vaporub, o descongestionante das crianças!

Ícones desconhecidos entravam pelas portas da frente das casas, deitavam nas redes e nas camarinhas sem pedir licença. Sempre através do rádio.

Heron Domingues, Narcélio Limaverde, Gontijo Theodoro, Ivan Lima e até Valdir Amaral, o “indivíduo competente – dez é a camisa dele.”

Atualmente os programas radiofônicos só tocam música. Não sei se em obediência à legislação, mas o rádio AM está sendo substituído pelo rádio FM. Tremendo desserviço para os “Seu Messias” da roça e da vida.

A noite chegando e trazendo chuva

Durante anos, nas emissoras PRE-9 e Assunção Cearense, OLIVEIRA RAMOS, meu irmão que chegou (e foi embora) primeiro, se transformou no GPS dos Messias da vida, comandando um programa sertanejo, no entardecer de cada dia: “Segura o bode”!

Era ao mesmo tempo o nome e o chavão do programa sertanejo, que Ele misturava com histórias e estórias vividas no sertão, nas Queimadas, na Guaíúba e na Pacatuba – mas tinha alcance estadual, e, provavelmente, nacional.

Mudou o rádio, ou, mudamos nós?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Muito bom domingo a todos nós !

Ontem assisti o jogo da Alemanha com a Costa do Marfim pela copa 2026. Torci (e torci muito) pela Costa do Marfim.

Como assim?, dirão alguns. E eu respondo:

Pela garra, seriedade e ótimo desempenho. Não foi fácil para a Alemanha vencer o jogo.

É, mas o Brasil ganhou de 3 contra o Haiti. Ganhou mas não apresentou um futebol que convença. Não mesmo.

Para aqueles que ainda acreditam que a seleção brasileira alcançará o famigerado Hexa deixo o vídeo abaixo:

Estou prestando atenção nas chamadas seleções “sem chance”.

Eu, pelo menos, estou tendo agradáveis surpresas.

Aos que ainda sonham com o Hexa desejo “boa sorte” pois irão precisar, hehe.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

TEOREMA DE JUCÁ

Durante as revelações bombásticas da Lava Jato, nomes e mais nomes sendo envolvidos nos desvios da Petrobras, o, então, senador Romero Jucá perguntou “quando iam estancar essa sangria”. Acredito que chegou a hora de convocar esse teorema de Jucá, mas ao contrário do que ele defendia, imagino que estanca a sangria seria colocar um ponto final nesse lamaçal.

A uma das fases da Operação Compliance, da Polícia Federal, mirou no senador Jaques Wagner tornando-o um dos principais alvos políticos das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao chamado caso Banco Master, pelo fato de ser líder do governo no senado. Entre os elementos divulgados pelas autoridades estão suspeitas envolvendo a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador e a apreensão de valores em espécie em endereço relacionado ao parlamentar que, segundo as reportagens e as autoridades seriam algo como US$ 49 mil, € 33 mil e 13 relógios e, segundo a opinião de especialistas, pode valer muito mais que o dinheiro apreendido. Além de tudo isso, também tinha ingressos para um show, mas o que é mais intenso é Vorcaro ter dito – conforme os jornais – que se tratava de propina, nos mesmos moldes do imóvel comprado para um dirigente do BRB.

O senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e até chego a dizer que dinheiro apreendido era fruto de diárias pagas pelo governo em viagens internacionais, ou seja, o dinheiro apreendido teria origem lícita, porque seriam saldo de diárias não utilizadas e o apartamento que foi citado não pertence a ele.

Davi Alcolumbre esbravejou que no Brasil há presunção de inocência – ninguém é culpado até que se prove em contrário – e, para Randolfe Rodrigues, o senador Jaques Wagner pode comprovar, perfeitamente, seus gastos, diferente de “quem pega R$ 141 milhões para fazer um filme”.

Num país sério, uma situação dessa natureza não aconteceria e, principalmente, haveria punição, mas no Brasil, a coisa não tem esse impacto mesmo quando envolve o líder do governo no senado e diga-se que o governo já veio a público quase dizendo que nunca viu Jaques Wagner. O interessante é que o Ministério da Justiça acaba de convocar de volta os delegados que estão investigando o caso Master e o caso do INSS, ou seja, o governo criou um complicador para a apuração desse problema e o Alcolumbre, agraciado com R$ 155 milhões, não está nem aí para uma CPMI.

Alguns partidários já esbravejaram que ele não tem condições de continuar como líder do governo. Alguns entendem que, politicamente, o caso é particularmente sensível porque Wagner é um dos históricos do PT, líder sindical na Bahia onde foi governador por dois mandatos, foi ministro do governo e agora senador, candidato à reeleição. O receio é que tudo isso atinja a campanha do presidente. Um fato é importante: independente de envolvidos é preciso que se haja uma investigação, um processo formal etc. O problema é que isso no Brasil não avança ou só avança em direção de alguns selecionados.

Particularmente, acredito que em termos eleitorais existem uma leniência muito grande por parte da população e as regras eleitorais não deveriam ser mais rígidas. Uma pessoa que deixa de pagar a prestação de uma geladeira comprado no crediário corre o risco de ser inserido nos cadastros de restrição de crédito, mas um político que desvia dinheiro da saúde, da educação ou da segurança, não é sequer incomodado.

Ao longo do tempo, nós estamos nos acostumando muito a conviver com escândalos e não reagir. De algo relativamente pequeno a coisas absurdamente grandes, nós somos tocados diariamente pelas notícias e ninguém aprende, ou seja, a ganância realmente é ilimitada. Essa história de que nós devemos aprender com o erros dos outros é, como dizia Otto von Bismark, “pessoas inteligentes aprendem com a experiência e os erros dos outros” e sob este prisma, nós estamos longe do que se considera inteligência, porque todos os políticos, funcionários públicos, empreiteiros veem os escândalos brotando, mas não se incomodam absolutamente. Quando chega a vez deles, eles aproveitam e se locupletam.

Que venha, urgentemente, o teorema de Jucá: estanquem essa sangria, mas com a conotação de que devemos estancar os focos de corrupção e de impunidade que assolam esse país.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SUPERAÇÃO

Ela pensou que eu iria
Rastejar por causa dela.

Mote deste colunista

Fui seu amante exclusivo
Lhe dei carinho, dei flores
Ela só me causou dores
Mas hoje, sem dores vivo,
Outra botou curativo
Com Band-Aid de donzela,
Sem cicatriz, nem sequela
Sendo feliz, quem diria,
Ela pensou que eu iria
Rastejar por causa dela.

Pedro Fernandes

Deixou de ser dama honrada,
Bem prendada e exemplar
Para ser um “avatar”
Dos bares da madrugada.
Eu segui por nova estrada
Ao conhecer Antonela.
Ela vive na favela
No ramo da putaria.
Ela pensou que eu iria
Rastejar por causa dela.

Wellington Vicente

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Farias Brito

Raimundo de Farias Brito nasceu em São Benedito, CE, em 24/7/1862. Escritor e um dos mais destacados filósofos brasileiros. Autor de uma das maiores obras filosóficas produzidas no Brasil. Realizou os primeiros estudos em Sobral. Mas, devido a seca, a família teve que mudar-se para Fortaleza, onde concluiu o curso secundário no Liceu do Ceará.

Em seguida foi estudar no Recife, na Faculdade de Direito, tendo Tobias Barreto como professor. Foi diplomado bacharel em 1884, indo trabalhar como promotor e, por duas vezes, secretário no governo do Ceará. Em 1889, mudou-se para Belém do Pará e lecionou na Faculdade de Direito até 1909, além de exercer a advocacia. Em seguida foi morar no Rio de Janeiro e passou a ocupar a cátedra de lógica no Colégio Pedro II.

Na época, o Presidente da República escolhia o catedrático entre os dois primeiros colocados no concurso. O segundo colocado foi Euclides da Cunha, e foi nomeado devido a influência de amigos. Mas pouco depois foi assassinado, e Farias Brito assumiu o cargo e exerceu o magistério pelo resto da vida. Dotado de um espírito investigador e meditativo, tornou-se filósofo e espiritualista. Conforme Laudelino Freire “Nele, como em Platão havia duas feições primordiais: a investigação dos fenômenos do espírito e a inquirição das leis morais. Era o moralista antes de ser psicólogo, ou psicólogo para ser moralista”.

Seu pensamento poderia ser resumido no seguinte: “Há pois a luz. Há a natureza e há a consciência. A natureza é Deus representando, a luz é Deus em sua essência e a consciência é Deus percebido”. Como se vê, ele inicia tendo Deus como um princípio que explica a natureza e serve de base ao mecanismo da ordem moral na sociedade. Costumava dizer “Se não sei o que sou, nem para que vim ao mundo, não posso saber uma norma de conduta.” Sua filosofia tinha como objetivo uma norma moral.

Sua obra é composta de duas trilogias: Finalidade do mundo: A filosofia como atividade permanente do espírito humano (1895), A filosofia moderna (1899) e Evolução e relatividade (1905). Ensaios sobre a Filosofia do Espírito: A verdade como regra das ações (1905), A base física do espírito (1912) e O nundo interior (1914). Para ele, a filosofia não é apenas conhecimento abstrato; é também força social, força viva, capaz de exercer influência sobre a sociedade. E tal influência é real e decisiva, pois é da filosofia que nasce o sentimento moral.

Para homenageá-lo, em 1953, o município de Quixará passou a ser denominado Farias Brito. Em Fortaleza, o tradicional Colégio São João passou a denominar-se Colégio Farias Brito, na década de 1990. Hoje é a Organização Educacional Farias Brito de Ensino, uma grande rede de ensino particular, atuando nos ensinos fundamental, médio e superior e, seguindo os ideais de seu patrono, ensina filosofia a partir da 1ª série do ensino fundamental, quando seus alunos aprendem filosofia antes mesmo de aprenderem a ler. É o patrono da cadeira nº 31 da Academia Cearense de Letras e foi, também, maçom filiado a Loja Porangaba, fundadora da Grande Loja Maçônica do Ceará.

Sua vida e obra foi registrada em diversas obras: A formação filósofica de Farias Brito, por Laerte Ramos de Carvalho (Ed. Saraiva); A metafísica de Farias Brito, por Vitorino Félix Sanson (Edcus, 1984); Farias Brito ou uma aventura do espírito, por Sylvio Rabello (José Olympio, 1941); Farias Brito e as origens do existencialismo no Brasil, por Aquiles Côrtes Guimarães (Tempo Brasileiro, 1979); Farias Brito e a filosofia do espírito, por Alcantara Nogueira (Freitas Bastos, 1962 ); A ética e o direito em Farias Brito, por Paulo Condorcet (Liber Juris, 1995); A filosofia como atividade permanente em Farias Brito, por Thadeu Weber (La Salle, 1985); O pensamento de Farias Brito, por Carlos Lopes de Mattos (Herder, 1962). Faleceu 16/1/1917. Em 2017, no centenário de sua morte foi realizada uma série de comemorações em Fortaleza.