PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Nascera ali – no limo viridente
Dos muros da prisão – como uma esmola
Da natureza a um coração que estiola –
Aquela flor imaculada e olente…

E ele que fôra um bruto, e vil descrente,
Quanta vez, numa prece, ungido, cola
O lábio seco, na úmida corola
Daquela flor alvíssima e silente!…

E ele – que sofre e para a dor existe –
Quantas vezes no peito o pranto estanca!..
Quantas vezes na veia a febre acalma,

Fitando aquela flor tão pura e triste!…
– Aquela estrela perfumada e branca,
Que cintila na noite de sua alma…

Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha, Cantagalo-RJ (1866-1909)

2 pensou em “A FLOR DO CÁRCERE – Euclydes da Cunha

  1. Com o poema “A Flor do Cárcere”, Euclides da Cunha, criou uma obra-prima que explora com maestria o contraste entre a dureza de um ambiente prisional e a delicadeza regeneradora da natureza, fazendo uma feliz associação dos temas da pureza e do consolo em cenários de dor e escuridão, e celebrando assim o poder da poesia em encontrar beleza na adversidade.

    Por meio do recurso de abordar a beleza encontrável em cenários sombrios, como o nascimento de uma flor entre os muros de uma prisão, o poema sugere que a presença da flor tem o poder de transformar até mesmo um “bruto e vil descrente”, que passa a encontrar nela um motivo de prece e alívio para sua dor.

    Digno de destaque no texto é a metáfora da flor sendo comparada a uma “estrela perfumada e branca” que brilha na “noite de sua alma”, simbolizando a luz da esperança em meio ao sofrimento existencial.

  2. Pingback: O SIMBOLISMO DA FLOR | JORNAL DA BESTA FUBANA

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