MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Durante as revelações bombásticas da Lava Jato, nomes e mais nomes sendo envolvidos nos desvios da Petrobras, o, então, senador Romero Jucá perguntou “quando iam estancar essa sangria”. Acredito que chegou a hora de convocar esse teorema de Jucá, mas ao contrário do que ele defendia, imagino que estanca a sangria seria colocar um ponto final nesse lamaçal.

A uma das fases da Operação Compliance, da Polícia Federal, mirou no senador Jaques Wagner tornando-o um dos principais alvos políticos das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao chamado caso Banco Master, pelo fato de ser líder do governo no senado. Entre os elementos divulgados pelas autoridades estão suspeitas envolvendo a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador e a apreensão de valores em espécie em endereço relacionado ao parlamentar que, segundo as reportagens e as autoridades seriam algo como US$ 49 mil, € 33 mil e 13 relógios e, segundo a opinião de especialistas, pode valer muito mais que o dinheiro apreendido. Além de tudo isso, também tinha ingressos para um show, mas o que é mais intenso é Vorcaro ter dito – conforme os jornais – que se tratava de propina, nos mesmos moldes do imóvel comprado para um dirigente do BRB.

O senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e até chego a dizer que dinheiro apreendido era fruto de diárias pagas pelo governo em viagens internacionais, ou seja, o dinheiro apreendido teria origem lícita, porque seriam saldo de diárias não utilizadas e o apartamento que foi citado não pertence a ele.

Davi Alcolumbre esbravejou que no Brasil há presunção de inocência – ninguém é culpado até que se prove em contrário – e, para Randolfe Rodrigues, o senador Jaques Wagner pode comprovar, perfeitamente, seus gastos, diferente de “quem pega R$ 141 milhões para fazer um filme”.

Num país sério, uma situação dessa natureza não aconteceria e, principalmente, haveria punição, mas no Brasil, a coisa não tem esse impacto mesmo quando envolve o líder do governo no senado e diga-se que o governo já veio a público quase dizendo que nunca viu Jaques Wagner. O interessante é que o Ministério da Justiça acaba de convocar de volta os delegados que estão investigando o caso Master e o caso do INSS, ou seja, o governo criou um complicador para a apuração desse problema e o Alcolumbre, agraciado com R$ 155 milhões, não está nem aí para uma CPMI.

Alguns partidários já esbravejaram que ele não tem condições de continuar como líder do governo. Alguns entendem que, politicamente, o caso é particularmente sensível porque Wagner é um dos históricos do PT, líder sindical na Bahia onde foi governador por dois mandatos, foi ministro do governo e agora senador, candidato à reeleição. O receio é que tudo isso atinja a campanha do presidente. Um fato é importante: independente de envolvidos é preciso que se haja uma investigação, um processo formal etc. O problema é que isso no Brasil não avança ou só avança em direção de alguns selecionados.

Particularmente, acredito que em termos eleitorais existem uma leniência muito grande por parte da população e as regras eleitorais não deveriam ser mais rígidas. Uma pessoa que deixa de pagar a prestação de uma geladeira comprado no crediário corre o risco de ser inserido nos cadastros de restrição de crédito, mas um político que desvia dinheiro da saúde, da educação ou da segurança, não é sequer incomodado.

Ao longo do tempo, nós estamos nos acostumando muito a conviver com escândalos e não reagir. De algo relativamente pequeno a coisas absurdamente grandes, nós somos tocados diariamente pelas notícias e ninguém aprende, ou seja, a ganância realmente é ilimitada. Essa história de que nós devemos aprender com o erros dos outros é, como dizia Otto von Bismark, “pessoas inteligentes aprendem com a experiência e os erros dos outros” e sob este prisma, nós estamos longe do que se considera inteligência, porque todos os políticos, funcionários públicos, empreiteiros veem os escândalos brotando, mas não se incomodam absolutamente. Quando chega a vez deles, eles aproveitam e se locupletam.

Que venha, urgentemente, o teorema de Jucá: estanquem essa sangria, mas com a conotação de que devemos estancar os focos de corrupção e de impunidade que assolam esse país.

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