Durante as revelações bombásticas da Lava Jato, nomes e mais nomes sendo envolvidos nos desvios da Petrobras, o, então, senador Romero Jucá perguntou “quando iam estancar essa sangria”. Acredito que chegou a hora de convocar esse teorema de Jucá, mas ao contrário do que ele defendia, imagino que estanca a sangria seria colocar um ponto final nesse lamaçal.
A uma das fases da Operação Compliance, da Polícia Federal, mirou no senador Jaques Wagner tornando-o um dos principais alvos políticos das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao chamado caso Banco Master, pelo fato de ser líder do governo no senado. Entre os elementos divulgados pelas autoridades estão suspeitas envolvendo a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador e a apreensão de valores em espécie em endereço relacionado ao parlamentar que, segundo as reportagens e as autoridades seriam algo como US$ 49 mil, € 33 mil e 13 relógios e, segundo a opinião de especialistas, pode valer muito mais que o dinheiro apreendido. Além de tudo isso, também tinha ingressos para um show, mas o que é mais intenso é Vorcaro ter dito – conforme os jornais – que se tratava de propina, nos mesmos moldes do imóvel comprado para um dirigente do BRB.
O senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e até chego a dizer que dinheiro apreendido era fruto de diárias pagas pelo governo em viagens internacionais, ou seja, o dinheiro apreendido teria origem lícita, porque seriam saldo de diárias não utilizadas e o apartamento que foi citado não pertence a ele.
Davi Alcolumbre esbravejou que no Brasil há presunção de inocência – ninguém é culpado até que se prove em contrário – e, para Randolfe Rodrigues, o senador Jaques Wagner pode comprovar, perfeitamente, seus gastos, diferente de “quem pega R$ 141 milhões para fazer um filme”.
Num país sério, uma situação dessa natureza não aconteceria e, principalmente, haveria punição, mas no Brasil, a coisa não tem esse impacto mesmo quando envolve o líder do governo no senado e diga-se que o governo já veio a público quase dizendo que nunca viu Jaques Wagner. O interessante é que o Ministério da Justiça acaba de convocar de volta os delegados que estão investigando o caso Master e o caso do INSS, ou seja, o governo criou um complicador para a apuração desse problema e o Alcolumbre, agraciado com R$ 155 milhões, não está nem aí para uma CPMI.
Alguns partidários já esbravejaram que ele não tem condições de continuar como líder do governo. Alguns entendem que, politicamente, o caso é particularmente sensível porque Wagner é um dos históricos do PT, líder sindical na Bahia onde foi governador por dois mandatos, foi ministro do governo e agora senador, candidato à reeleição. O receio é que tudo isso atinja a campanha do presidente. Um fato é importante: independente de envolvidos é preciso que se haja uma investigação, um processo formal etc. O problema é que isso no Brasil não avança ou só avança em direção de alguns selecionados.
Particularmente, acredito que em termos eleitorais existem uma leniência muito grande por parte da população e as regras eleitorais não deveriam ser mais rígidas. Uma pessoa que deixa de pagar a prestação de uma geladeira comprado no crediário corre o risco de ser inserido nos cadastros de restrição de crédito, mas um político que desvia dinheiro da saúde, da educação ou da segurança, não é sequer incomodado.
Ao longo do tempo, nós estamos nos acostumando muito a conviver com escândalos e não reagir. De algo relativamente pequeno a coisas absurdamente grandes, nós somos tocados diariamente pelas notícias e ninguém aprende, ou seja, a ganância realmente é ilimitada. Essa história de que nós devemos aprender com o erros dos outros é, como dizia Otto von Bismark, “pessoas inteligentes aprendem com a experiência e os erros dos outros” e sob este prisma, nós estamos longe do que se considera inteligência, porque todos os políticos, funcionários públicos, empreiteiros veem os escândalos brotando, mas não se incomodam absolutamente. Quando chega a vez deles, eles aproveitam e se locupletam.
Que venha, urgentemente, o teorema de Jucá: estanquem essa sangria, mas com a conotação de que devemos estancar os focos de corrupção e de impunidade que assolam esse país.
Mais um final de semana com nosso caro Assuero e seus textos arretados. A Bahia é surreal, à mola propulsora (segundo à mídia) do banco Master, foi quando a EBAL foi vendida pelo governo baiano. Conheço a história da criação desse monstrengo pois foi uma briga de um governo da época com um grande empresário do ramo de supermercado, a EBAL foi criada para concorrer com a rede que dominava toda Bahia. O que começa errado, é igual a pau que nasce torto, não tem jeito. Penso eu que não dará em nada, mas torço que pelo ao menos, tenhamos os nomes dos artistas com marca de batom na cueca. Abraços!
Bom dia, amigo Xavier. Realmente, os baianos são intensos. Você deve lembrar do episódio em que partidários do PT (depois migraram para o PDT) espalharam vassoura de bruxa no cacau, gerando um prejuízo de R$ 1 bi na economia, apenas para acabar com a hegemonia de ACM.