Raimundo de Farias Brito nasceu em São Benedito, CE, em 24/7/1862. Escritor e um dos mais destacados filósofos brasileiros. Autor de uma das maiores obras filosóficas produzidas no Brasil. Realizou os primeiros estudos em Sobral. Mas, devido a seca, a família teve que mudar-se para Fortaleza, onde concluiu o curso secundário no Liceu do Ceará.
Em seguida foi estudar no Recife, na Faculdade de Direito, tendo Tobias Barreto como professor. Foi diplomado bacharel em 1884, indo trabalhar como promotor e, por duas vezes, secretário no governo do Ceará. Em 1889, mudou-se para Belém do Pará e lecionou na Faculdade de Direito até 1909, além de exercer a advocacia. Em seguida foi morar no Rio de Janeiro e passou a ocupar a cátedra de lógica no Colégio Pedro II.
Na época, o Presidente da República escolhia o catedrático entre os dois primeiros colocados no concurso. O segundo colocado foi Euclides da Cunha, e foi nomeado devido a influência de amigos. Mas pouco depois foi assassinado, e Farias Brito assumiu o cargo e exerceu o magistério pelo resto da vida. Dotado de um espírito investigador e meditativo, tornou-se filósofo e espiritualista. Conforme Laudelino Freire “Nele, como em Platão havia duas feições primordiais: a investigação dos fenômenos do espírito e a inquirição das leis morais. Era o moralista antes de ser psicólogo, ou psicólogo para ser moralista”.
Seu pensamento poderia ser resumido no seguinte: “Há pois a luz. Há a natureza e há a consciência. A natureza é Deus representando, a luz é Deus em sua essência e a consciência é Deus percebido”. Como se vê, ele inicia tendo Deus como um princípio que explica a natureza e serve de base ao mecanismo da ordem moral na sociedade. Costumava dizer “Se não sei o que sou, nem para que vim ao mundo, não posso saber uma norma de conduta.” Sua filosofia tinha como objetivo uma norma moral.
Sua obra é composta de duas trilogias: Finalidade do mundo: A filosofia como atividade permanente do espírito humano (1895), A filosofia moderna (1899) e Evolução e relatividade (1905). Ensaios sobre a Filosofia do Espírito: A verdade como regra das ações (1905), A base física do espírito (1912) e O nundo interior (1914). Para ele, a filosofia não é apenas conhecimento abstrato; é também força social, força viva, capaz de exercer influência sobre a sociedade. E tal influência é real e decisiva, pois é da filosofia que nasce o sentimento moral.
Para homenageá-lo, em 1953, o município de Quixará passou a ser denominado Farias Brito. Em Fortaleza, o tradicional Colégio São João passou a denominar-se Colégio Farias Brito, na década de 1990. Hoje é a Organização Educacional Farias Brito de Ensino, uma grande rede de ensino particular, atuando nos ensinos fundamental, médio e superior e, seguindo os ideais de seu patrono, ensina filosofia a partir da 1ª série do ensino fundamental, quando seus alunos aprendem filosofia antes mesmo de aprenderem a ler. É o patrono da cadeira nº 31 da Academia Cearense de Letras e foi, também, maçom filiado a Loja Porangaba, fundadora da Grande Loja Maçônica do Ceará.
Sua vida e obra foi registrada em diversas obras: A formação filósofica de Farias Brito, por Laerte Ramos de Carvalho (Ed. Saraiva); A metafísica de Farias Brito, por Vitorino Félix Sanson (Edcus, 1984); Farias Brito ou uma aventura do espírito, por Sylvio Rabello (José Olympio, 1941); Farias Brito e as origens do existencialismo no Brasil, por Aquiles Côrtes Guimarães (Tempo Brasileiro, 1979); Farias Brito e a filosofia do espírito, por Alcantara Nogueira (Freitas Bastos, 1962 ); A ética e o direito em Farias Brito, por Paulo Condorcet (Liber Juris, 1995); A filosofia como atividade permanente em Farias Brito, por Thadeu Weber (La Salle, 1985); O pensamento de Farias Brito, por Carlos Lopes de Mattos (Herder, 1962). Faleceu 16/1/1917. Em 2017, no centenário de sua morte foi realizada uma série de comemorações em Fortaleza.