DEU NO JORNAL

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

ZÉ VICENTE E ZÉ LIMEIRA

Zé Vicente da Paraíba (1922-2008), pai deste colunista

O poeta José Vicente da Paraíba chegava inesperadamente, quando Zé Limeira abria a primeira baionada, sob o pretexto de “molhar a goela”. Pontificando agora ao lado de Zé Vicente, o poeta do absurdo continua a ser aplaudido pela multidão que se avoluma, circulante, em torno da barraca.

O talento de Agnelo Amorim extrapola neste momento romântico com este mote:

São frios, são glaciais,
Os ventos da solidão.

E daí vem a inspiração de Zé Vicente, num relance:

Quando se sente saudade
Duma pessoa querida,
Dá-se um vazio na vida
E dói esta soledade…
Ninguém suporta a metade
Da dor do meu coração,
Lembrando o aceno de mão
Do amor que não voltou mais…
São frios, são glaciais,
Os ventos da solidão.

FONTE: Orlando Tejo, em Zé Limeira, poeta do absurdo.

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LÍNGUA FERINA

Língua Ferina era a coluna escrita por Adônis Oliveira no Jornal da Besta Fubana. Quando Cheguei ao JBF como colunista, Adônis já protestava de foram veemente contra as mazelas desse país criticando, desde a corrupção desacerbada à leniência do sistema judiciário. Sua opinião, sobre os temas que abordava, eram extremamente contundentes e, quando incomodado com algum texto publicado por outro colunista, Adônis não se fazia de rogado e contra argumentava, quase sempre, de forma ácida. Seu estilo ganhou trocas de “amabilidades” com dois colunistas: Altamir Pinheiro e Fernando Gonçalves, sendo este caso bem mais leve.

O debate com Altamir foi publicado na íntegra, sem cortes e sem censura como é o estilo do JBF. De certa forma, a gente se divertiu com aquilo. Eu digo a gente que estava fora da discussão, mas cada um atribuía à mãe do outro o exercício natural da prostituição. Tudo isso porque Adônis discordou de um texto de Altamir. Com Fernando, foi bem mais leve, mesmo porque Fernando não entrou no debate. Trago estes episódios ressalvando meu profundo respeito ao Altamir, de quem guardo profunda admiração e tenho a pretensão de visitá-lo em Garanhuns, e também a Fernando. Meu objetivo, aqui, é apenas externar o jeito natural de ser de Adônis Oliveira.

Aos domingos, a leitura da coluna Língua Ferina era algo obrigatório porque a lucidez, o conhecimento de Adônis sobre o que escrevia era notório. Um cara absolutamente plural que, com o rigor da formação acadêmica em engenharia mecânica, gostava de demonstrar suas teses, as quais eram baseadas em pesquisas. Poderiam acha-lo arrogante? Sim! Mas, na minha opinião, era apenas um cara realista.

Há pouco mais de seis meses, entrei no JBF para atualizar-me (faço aqui outra ressalva: o JBF, atualmente, é o único meio de divulgação que pinta os quadros com cores reais) e não encontrei a coluna de Adônis. Lógico que fiquei sem entender, mas seguindo as diretrizes democráticas do JBF, não busquei saber o que tinha acontecido, até mesmo porque Adônis continuava como participante do grupo de zap Cabaré do Berto. Confesso que não pensei se tratar de qualquer divergência com Chupicleide. Entendi que se tratava de um momento próprio no qual ele pretendia dar uma pausa. Já aconteceu isso com outros colunistas.

É bom dizer que o JBF é tem uma característica ímpar: tem um Papa, um cardeal e tem um Jesus e no Cabaré do Berto tem uma santa, Tereza. Eis que o Jesus serve de ponte para unir Adônis e santa Tereza numa nítida tentativa de “catequizar” aquela pedra bruta e foi através da santa Tereza que nós que participamos do Cabaré do Berto tomamos conhecimento que Adônis, o mestre, estava acometido de ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica. Essa doença, conhecida como doença de Lou Gehrig. Lou foi um jogador de beisebol americano nascido em 1903 e falecido em 1941. O físico inglês Stephen Hawking foi um dos casos mais conhecidos em datas recentes.

Essa doença é degenerativa. Ela quebra, progressivamente, as células nervosas. Dados da literatura médica indicam que 50% dos pacientes morrem em até 3 anos após os sintomas; 20% tem sobrevida de 5 anos; 10% sobrevivem por 10 anos e poucos, pouquíssimas pessoas chegam a viver por 30 anos. No fundo é uma condenação à morte lenta e sofrível.

Isto posto, cabe dizer que soubemos de tudo isso graças a Terezinha, a santa deu a Adônis a oportunidade de viver bem por 4 meses. Infelizmente, esse cuidado não se estendeu por mais tempo porque Terezinha acabou sofrendo um AVC no final de outubro passado e não teve mais condições de cuidar de Adônis. De volta ao Recife, ficou num abrigo localizado no bairro de Candeias e no dia primeiro desse mês, eu eu Marcos André fomos visitá-lo.

Foi bom ver Adônis. Ver a pessoa de Adônis. Assim que entramos, vinho e tábua de frios à mão, ele olhou pra gente e nos saudou: “Professor….vocês aqui? Vocês são foda mesmo!” Claro que fiquei incomodado em ver aquela inteligência limitada pela doença. Conversamos, tomamos vinho, falamos dos quatros meses ao lado de Terezinha e colocamos Neto Feitosa na reunião através de uma ligação. Ao vê-lo, Adônis ergue a taça e disse “se fui pobre, não me lembro!”. Neto disse que faria um esforço para visitá-lo em janeiro e ele respondeu: “Traga o vinho!”

Pois é. Adônis não suportou e socorrida para uma unidade hospitalar, deu entrada na UTI, ficou entubado, respirando por aparelhos e, seguindo sua vontade … não era assim que ele queria viver. Se essa era a única alternativa, então que se desligassem os aparelhos e assim foi feito. Adônis partiu e, do meu ponto de vista, foi melhor assim. Não tem graça entrar nas estatísticas que falei acima apenas para prorrogar a batida de um coração.

Diante do que vi, não corro risco em dizer que Terezinha salvou Adônis de uma morte solitária. Não fosse por ela – parece até trocadilho – Adônis poderia morrer engasgado no seu apartamento e só ser descoberto o óbito dias depois. Foi uma relação curta, mas cheia de significados. Adônis precisava de alguém para socorrê-lo. Terezinha precisava demonstrar sua dedicação por causas humanas.

DEU NO JORNAL

A ECONOMIA QUE SE DANE

Com a visão distorcida de sempre sobre gastos públicos, sem compromisso com a economia, o presidente Lula (PT) voltou a defender a ampliação do número de ministérios.

Acha 38 “pouco”, já partiu para o 39º e planeja chegar aos 40, num encontro histórico com a piada que o compara a Ali Babá, o mercador que enriquece.

Para Lula, criar ministérios serve para “atender os pobres desse (sic) país” e “é barato”.

O presidente não faz ideia do que diz: ministérios têm estruturas caras.

Cada ministro custa os próprios privilégios do cargo e subordinados tipo secretário-executivo, chefe de gabinete e um exército de assessores.

Ao contrário de cuidar de pobres, os ministros de Lula garantem acesso a mordomias de rico, como mordomias, jatinhos da FAB e hotéis de luxo.

A lorota não para em pé: nem mesmo Lula respeita os próprios ministros, recusando-se a despachar com quase todos.

As ministras da Igualdade Racial e Meio Ambiente, por exemplo, não são recebidas.

Ana Mozer saiu do Esporte sem despachar com Lula.

* * *

Esta nota aí de cima tem um frase que resume tudo:

“O presidente não faz ideia do que diz”.

De fato, ele nunca faz ideia do fedor que é jogado nos ares pelos tolôtes que caga pela boca.

Sai excretando por todo canto e a toda hora.

Acha 38 ministérios pouco…

Puta que pariu!!!!

O mais impressionante é saber que tem gente que ainda aplaude esse sujeito desqualificado e descondenado.

É por isso mesmo que ele não não para e continua empesteando o país com suas declarações.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Tibiriça

Martim Afonso Tibiriçá, nome de batismo cristão dado pelo Padre Anchieta ao líder indígena tupiniquim, nasceu em fins do século XV em São Paulo, SP. O nome homenageia Martim Afonso de Souza, fundador da vila de São Vicente. É considerado na História como um dos fundadores da cidade de São Paulo, em 1554, devido a sua colaboração com os jesuítas Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e Manuel de Paiva.

Seu nome significa “vigilante da terra” na língua tupi, e sua aproximação com os portugueses ocorreu por volta de 1510, quando João Ramalho chegou ao planalto, vindo do litoral. O cacique ofereceu (em casamento) ao náufrago ou degredado sua filha Bartira, com quem viveu 40 anos e teve uma grande família, constituindo-se na primeira geração dos colonizadores paulistas. Além do casamento desta filha, o cacique manteve boas relações de parentesco com os portugueses, concedendo-lhes o casamento com outras duas filhas.

O nome Tibiriça está na raiz de 16 gerações de mamelucos, muitos deles tornando-se paulistas quatrocentões, constituindo um novo povo. Mais tarde uma ala da ilustre família Almeida Prado trocou o nome pelo do cacique e um destacado membro – Jorge Tibiriça – foi governador do Estado em 2 ocasiões. Em 1554 colaborou com os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta no trabalho de fundação da vila de São Paulo e instalou-se com sua tribo próximo deles, no local onde hoje se encontra o Mosteiro de São Bento. Durante muito tempo, a rua São Bento foi chamada Rua Martim Afonso. Consta a História que o próprio cacique e seus índios ajudaram na construção do colégio ali instalado.

Assim naquele ponto da colina, onde de um lado temos o rio Tamanduateí e de outro tínhamos o riacho do Anhangabaú, formou-se a vila, que resultou na fundação da cidade (25/1/1554). Tudo começou com um colégio de padres rodeado de habitações indígenas sob o comando do cacique Tibiriça. Segundo Roberto Pompeu de Toledo, em seu livro A capital da solidão: uma história de São Paulo (Ed. Objetiva, 2003), o padre Anchieta declarou que o cacique “não mereceria apenas o título de benfeitor, mas ainda o de fundador e conservador da Casa de Piratininga”.

Graças ao cacique, os jesuítas puderam agrupar seus primeiros neófitos naquela redondeza, atual centro antigo de São Paulo. A maior prova de sua fidelidade aos jesuítas se deu em 9/7/1562, quando o cacique liderou o povoado na defesa do maior ataque de índios de outras tribos. Articulou o apoio de três aldeias; formou um exército e venceu os inimigos numa luta sangrenta. O episódio -quase ignorado nos livros de História- ficou conhecido como a “Guerra de Piratininga”

O curioso nessa história é que o grupo dos índios invasores era comandado pelo cacique Araraiga, irmão de Tibiriça. O plano de invadir a vila dos jesuítas foi comunicado previamente pelo sobrinho Jaguanharon, a fim de salvar família do tio. Tibiriça logo avisou os padres, que tiveram tempo de pedir reforços em Santos e salvar a vila do ataque. Vê-se que não havia consenso entre todos os índios sobre a presença dos jesuítas naquele território. Entre os revoltosos encontravam-se alguns índios que já viviam nas aldeias próximas, que tinham como chefe o próprio irmão de Tibiriça

Pouco depois desse combate, uma epidemia de peste negra infestou a vila de São Paulo e algumas aldeias do planalto paulista, vitimando o velho cacique em 25/12/1562. Os jesuítas providenciaram um honroso funeral e seu corpo foi sepultado na igreja. Hoje seu túmulo encontra-se na cripta da catedral da Sé, no mesmo local onde estão sepultadas outras importantes figuras da história paulista.

Foi homenageado com o nome dado a alguns logradouros da cidade e a rodovia estadual SP-031, ligando a região do ABC ao Alto Tietê. Consta também mais uma homenagem com um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados, que solicita a inscrição de seu nome no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade, ao lado da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

DEU NO JORNAL

O ANTI-JORNALISMO EM SEU ESTADO PURO NO BRASIL

Leandro Ruschel

Existem dois motivos pelos quais os militantes de redação negam a realidade de Flávio Dino ser um comunista, ou mesmo da existência de um movimento comunista no Brasil, mesmo depois do descondenado ter falado com todas as letras que colocou um comunista no Supremo, e o próprio ter demonstrado orgulho de ser comunista em inúmeras oportunidades.

No primeiro caso, há um autoengano, especialmente da ala mais tucana da militância de redação, formada por socialistas light, que não querem ser vistos como militantes de um movimento totalitário, que já causou tantas mortes e opressão. Quando eles falam que o comunismo “não existe mais”, ou que Lula, PT e Dino “não são comunistas”, isso é mais wishful thinking do que qualquer outra coisa.

Ou seja, são os idiotas úteis da esquerda radical, que acreditam na possibilidade de implementação do “socialismo democrático”.

O segundo caso é dos psicopatas que militam pela implementação de uma ditadura de partido único, com fim das liberdades individuais e perseguição de qualquer opositor. Esses sabem muito bem que o objetivo de Lula e da esquerda é transformar o Brasil numa ditadura chavista, mas negam a existência do plano para impedir que mais pessoas tomem consciência da ameaça, o que promoveria maior resistência e oposição ao movimento totalitário.

Eles são os desinformadores profissionais.

Qualquer que seja o caso, o que vemos é o anti-jornalismo em estado puro, ou seja, a inversão da realidade, prática sistemática da “imprensa” há muitos anos.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

TRAGÉDIA 21: OS ANALFABETANUMÉRICOS

Uma epidemia de funestas consequências, o mal intitulado pelos peritos educacionais de analfabetismo funcional. A pessoa sabe, mal ou bem, ler o que se encontra escrito, mas não compreende o que está no papel resenhado. As sequelas de tal fenômeno estão grassando por toda parte, até irritando ministro que classifica uma gestão da sua área de masturbação procrastinatória, que não sabe sequer atentar para os fatos e as circunstâncias descritos em documento elaborado. E tal pandemia cognitiva está sendo agravada por uma conjuntura potencialmente deseducativa, que vitima os mais diferenciados setores da sociedade brasileira, incluindo os esportes e as manifestações religiosas, tudo bem mais doloroso, nos últimos tempos, pelo veloz desenvolvimento tecnológico das comunicações. Com um princípio universal sobrepairando sobre mentes e corações – “Se a democracia não pode tolerar a presença dos mais altos padrões de aprendizagem, então a própria democracia se torna questionável” -, o ambiente social termina sendo dominado por pulhas dos mais variados calibres e fingimentos, ampliando a crise e potencializando consequências autofágicas.

Não muito recentemente, um PhD de mesmo, o matemático John Allen Paulos, colaborador do The New York Times e da Newsweek, e autor do aclamado Mathematics and Humor, publicou um trabalho, intitulado Innumeracy, divulgado pela Nova Fronteira sob título Analfabetismo em Matemática e suas Consequências. Nesse estudo, ele ressalta o custo social provocado pela inabilidade de inúmeros diante de dados quantitativos, gerando decisões confusas, políticas governamentais equivocadas e a aceitação piegas de raciocínios jumentálicos e pérfidos malabarismos pseudocientíficos. Destilando um humor refinado, Allen Paulos salienta algumas “cavilações” advindas dos analfabetanuméricos, alguns deles executivos de primeira linha, dirigentes públicos e pessoas dotadas de taludas poupanças e consideráveis patrimônios, muitos dos quais sugados de comunidades tidas e havidas como dóceis manadas.

Do instigante trabalho do professor Allen Paulos, dois pequenos trechos devem ser difundidos, favorecendo uma maior eficácia dos procedimentos desbabaquizadores promovidos nas empresas, nas instituições públicas, nos lares e nos sistemas educacionais dos mais diferenciados graus:

1) “O analfabetismo em matemática e a pseudociência estão frequentemente associados, em parte devido à facilidade com que a certeza matemática pode ser invocada para obrigar os ignorantes a uma aquiescência muda”;

2) “Equívocos românticos quanto à natureza da matemática levam a um ambiente intelectual que favorece uma instrução matemática falha e até a estimulam, quando não incitam, a aversão psicológica pelo assunto”.

No mais é refletir dois mil réis sobre um pensar famoso de William Cowper, cientista Prêmio Nobel: “Seguir precedentes tolos e piscar com os dois olhos é mais fácil do que pensar”.

No último relatório do PISA 2023, recentemente divulgado, o Brasil se encontra classificado, entre 81 países, na última quarta parte da lista, revelando uma desconfortável PP – Precariedade Pensante, que menospreza um pensar crítico desatento às evoluções de uma IA – Inteligência Artificial que muito mais distanciará os talentos dos analfabetanuméricos, estes sendo vistos como a maior pandemia da pós-modernidade.

Um estimado amigo capixaba, hoje docente de Ciências Exatas numa universidade de Campina Grande, Paraíba, acredita, segundo definição dele, que o NBN – Nível de Burricídade Nacional se agigantará nos próximos anos, salvo se forem efetivadas estratégicas políticas educacionais públicas. Que favoreçam a elevação da Educação Crítica em todos os níveis de ensino. E ele recomenda aos seus derredores discentes minimamente pensantes, com entusiasmo de quase aposentado sempre sementeiro, a leitura de um livro recentemente editado: OS FUTUROS DE DARCY RIBEIRO, Andrés Kozel & Fabrício Pereira da Silva (orgs), São Paulo, Elefante, 2022, 304 p. Textos de um pensante para lá de arretado de ótimo, fundador da Universidade de Brasília. Que até hoje, juntamente com Paulo Freire e outros não muitos talentos, está fazendo uma falta do carajo (expressão usada pelo presidente argentino Milei) no cenário cultural brasileiro, hoje mais rabolátrico que argumentativo.

Formemos bons pedagogos, formadores de aprendizes multiplicadores, a vacina única contra uma analfabetização brasileira de desagradáveis infelicidades.

PENINHA - DICA MUSICAL