A crescente frustração em torno do desempenho do presidente Lula (PT) nas redes sociais fez o Palácio do Planalto reforçar a atuação da comunicação na internet, para tentar combater o “banho” que o petista leva, especialmente quando tenta reproduzir o modelo do ex-presidente Jair Bolsonaro com “lives” no Youtube.
O petista acumula pouco mais de 29 milhões de seguidores nas quatro principais redes sociais (Instagram, X, Facebook e YouTube); Bolsonaro tem mais que o dobro, 60 milhões.
As contas apuradas são apenas as redes pessoais de cada figura e não incluem, partidos ou grupos no Whatsapp e Telegram, por exemplo.
O último vídeo publicado por Lula no seu canal oficial do Youtube obteve 2,2 mil visualizações em 8 horas. O de Bolsonaro, 36 mil em 5 horas.
No ‘X’, postagem de Lula obteve mil likes em quatro horas nesta sexta (15). No mesmo período, no mesmo dia, Bolsonaro obteve 6 mil.
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Contra fatos, não há argumentos.
E contra números muito menos.
O Ladrão Descondenado está com o furico completamente arrombado nas redes sociais.
Só consegue mesmo vencer num certo dispositivo eletrônico…
Accioly Neto foi veranear em outro plano exatamente no ano em que me inseri na música: 2000. É possível sentir saudades de alguém que você não conheceu pessoalmente e senti-lo, de alguma forma, próximo de você? Respondo que sim. Sinto saudades de um Accioly Neto a quem não tive acesso, embora seja ele meu parceiro por uma generosidade de sua viúva, Tereza, que me presenteou com uma bela melodia inédita dele para que eu colocasse letra (Beijo, Dengo e Cafuné, gravada por Santanna, dentre outros). E assim foi.
PARCEIRO AFETIVO
Para Tereza, teríamos sido amigos, talvez parceiros em vida, tivéssemos nos conhecido pessoalmente. Também acho que sim. A verdade é que é um privilégio grande ter um parceiro da estirpe de Accioly, ainda que de forma póstuma, à titre posthume (como dizem os literatos) nesses tempos tão escassos de música boa e tão povoados de mediocridades e bundas musicais, estas, bonitas, reconheço, mas apenas sob o ponto de vista anatômico. Os xotes que ele fez são de sentar no meio fio e chorar de inveja da boa, como diria outro imenso, Aldir Blanc, sobre os sambas de Wilson das Neves.
ME AVEXO, NÃO
Por isso, não me avexo, pois sei que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada. Um dia, talvez, a lagarta crie asas e a música popular brasileira volte a ter o vigor que um dia já teve. A porta vai estar sempre aberta e nossos ouvidos vão dar uma festa quando isso acontecer. Por enquanto resta a saudade invadindo o coração da gente pegando de jeito a veia onde corre um grande amor. Segurar o chororô fica difícil, embora a saudade seja da boa e nos faça voltar a voar nas asas da ilusão. Até qualquer dia, Parceiro. Qualquer hora a gente troca um abraço e, quem sabe, faz nova parceria?
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Fiz meu rancho na beira do rio Meu amor foi comigo morar E na rede nas noites de frio Meu bem me abraçava pra me agasalhar Mas agora, meu bem, vou me embora Vou me embora e nem sei se vou voltar A saudade nas noites de frio Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena A saudade mata a gente, morena A saudade é dor pungente, morena A saudade mata a gente”
Os dias correm ligeiros. Provavelmente açoitados pelos ventos produzidos pelos moinhos que Don Quixote tanto procurou. Passam rápidos. Tão rápidos que, às vezes, nem percebemos. Mas sabemos que estão passando.
Pois, pelos idos e levados pelos ventos, dias dos anos 50 e 60 passaram tão rápido que, hoje, tendo vivido pela graça de Deus e, quase sendo levado por ventos mais fortes, minhas raízes, tão profundas quanto as raízes dos ipês, resistiram às ventanias. Quase ciclones.
Zé é o meu nome. Zé, filho de um homem e de uma mulher, nascido de parto normal, “aparado” por parteira sem nenhum preparo (minha Avó), que mereceu o privilégio divino de ainda estar vivo.
Zé nunca foi diferente dos meninos daqueles anos. Entretanto, muito diferente dos meninos dos dias atuais.
Foi criado, desde cedo, a aprender que pai e mãe, quando menos a gente espera, voltam ao barro – lugar de onde vieram. Diferente de como os pais/mães atuais criam os filhos. Facilitam tudo, dizendo que é para o (a) filho(a) não passar as provações que eles, pais, passaram. Roubam dos filhos o direito às conquistas. Não aprendem o valor da vitória, e vivem pensando que viver é algo que o smartphone ensina nos aplicativos.
Eis que, aos 12 anos, Zé não era diferente dos daqueles anos. Também lia gibis, ia aos cinemas, e, colecionava figurinhas de artistas e jogadores de futebol.
O pai de Zé, Alfredo, entendia que não tinha o direito de roubar do filho o direito de ganhar seus mil réis, comprar suas revistas e figurinhas com o dinheiro ganho com o suor do rosto. Com o trabalho, mesmo que formal. Só assim daria valor às suas coisas.
Foi quando Zé, alertado pelo dono da bodega da esquina, passou a fabricar sacos de papel com folhas da revista O Cruzeiro – separava apenas a página da charge do O amigo da onça, de Péricles. A princípio Zé fabricava os sacos onde o bodegueiro colocava arroz, feijão, café em grãos, milho.
Eis que um anjo chamou a atenção de Zé com o bater das asas, dizendo:
– “Zé, melhore a qualidade dos sacos. Use um material melhor e vá vende-los na praia, na chegada das jangadas. A recompensa será melhor”.
O anjo nem precisou repetir. Nas férias escolares, Zé acordava cedo, saía procurando construções de casas, edifícios que usassem cimento. Cimento “Portland”. Às vezes, na ânsia de ficar com o saco, Zé até se propunha a ajudar o Servente de Pedreiro. Não queria ajudar. Queria mesmo era os sacos.
O cimento era envolto em três camadas de papel. Papel bom. Resistente. Zé separava tudo e levava para casa a parte que usaria para fabricar os sacos.
Saco de papel de cimento para acondicionar peixes
Feitos os sacos, sempre numa boa quantidade, Zé, às vezes “pegava bochecha” nos ônibus e, na hora que imaginava que as jangadas estavam retornando ao Mucuripe, fazia esforço hercúleo para estar presente. Com o passar dos dias, Zé foi aprendendo mais e mais. Passou a levar, além dos sacos de papel de cimento, molhes de coentro e cebolinha. Passou a levar também tomates.
As jangadas estão voltando da pescaria
Zé fez isso por muito tempo – sempre nas férias escolares. Tinha clientes que entendiam sua necessidade. Faziam tudo para ajudá-lo. Até passaram a procura-lo pela alcunha de “Zé do Saco”, ou, “Menino do saco e do cheiro verde”.
Quando a claridade do dia estava indo embora com a promessa de voltar no dia seguinte, Zé caminhava cerca de 15 Km, da Praia do Mucuripe até a Rua São Paulo, na Praça José de Alencar, no Centro; ou na Praça dos Voluntários. Ali, durante anos funcionou também a venda de peixes frescos.
Nos dias atuais, pessoas continuam comprando peixes na praia
Zé, nos dias atuais, gosta de comer peixes. No tempo da venda de sacos, era um sonho quase impossível. Sonhar em comer biquara, cavala, pargo, xaréu – e dávamos graças, quando Alfredo levava pirarucu salgado ou camurupim para casa. A farofa com baião-de-dois era garantida. A gente acabava de encher a barriga com água de pote.
Eis que, hoje, quase tudo mudou. Fortaleza que, naqueles idos tinha apenas as praias de Iracema, Náutico, Meireles e Mucuripe – onde alguns ganhavam dinheiro alugando calções de banho e o próprio banho com água “da boa” – hoje ostenta e oferece aos turistas uma bela Avenida Beira-Mar, com hotéis e bares de luxo e da moda. Para 2024 já tem a garantia de sediar a COP24. Antes, a própria Praia do Futuro nada mais era que uma praia, no futuro.