FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PITACOS SEM APAGÃO INTERNÉTICO

Alunos universitários, celularáticos, às vésperas dos múltiplos desafios pós-formatura, elaboraram um questionário criativo, lucidamente provocador. E coletaram as respostas através de alguns entrevistados sob critérios absolutamente não aleatórios, intencionais por excelência, por eles não revelados.

Tive conhecimento de algumas das respostas coletadas, na certeza plena de vê-las corretamente enxergadas neste JBF de fama galopante. Sem lenço nem documento, transcrevo-as abaixo, sem sequências nem conexões. Apenas com uma vontade danada de alertar mentes e corações, sem cavilações academicistas, potencializando novas pensações e militâncias.

a. O pior envelhecimento é o mental. Conheço jovens com cucas ultra velhas e idosos com ideários luzidios, sempre à disposição do mundo.

b. A pior praga do serviço público brasileiro é a burocracia. Para toda burocracia, genialidade é aberração. Todo burocrata acredita em algumas infalibilidades administrativas, entre as quais a de que quanto melhores os sistemas de controle melhor a qualidade da produção. O ideal de todo espírito burocrático é transformar todos em ninguém.

c. Numa linguagem hermética, identifica-se facilmente quase sempre uma sintomática insuficiência intelectual, o hermetismo servindo de férrea máscara diante de uma ocupação ou função exercida indevidamente.

d. O papel de todo intelectual deveria ser o de conquistar novas funções, muitas delas apenas parcialmente intelectivas. Para continuamente libertar a inteligência, tornando-a inventiva, apta para a denúncia, o combate e as propostas de reformatação do todo, desvencilhando-se dos mantos protetores, inserindo-se entre os que postulam uma outra ordem social, mais humana e mais justa, democrática por excelência.

e. Conscientização é um compromisso histórico, é tomar posse de uma realidade concreta, postulando uma utopia que exige sólidos conhecimentos analíticos críticos. Conscientizado é todo aquele que vai para o diálogo com o compromisso de ser parte, permanentemente percebendo-se inconcluso.

f. Costuma dividir-se a classe docente em três grandes categorias: a dos instrutores, a dos professores e a dos educadores. Ser educador é preparar, preparando-se também, para um juízo crítico das alternativas propostas através de um processo essencialmente interativo.

g. Todo ser humano alienado é nostálgico, descomprometido com o seu derredor. E o mais lamentável é que todo alienado, por não ter consciência disso, continua praticando os mesmos atos que o vitimou, sempre buscando outras pessoas para também vitimar.

h. Há uma necessidade urgente de se repensar o todo planetário, possibilitando a criação de um integrador projeto mundial, os esforços voltados para as diferenças e não para as semelhanças, para a criatividade e nunca para a mera repetição.

i. Uma Universidade somente sobreviverá, no atual século, se um nível de convivialidade entre os especialistas das áreas mais diversas for alcançado. Um docente que se preze não pode ser um especialista destituído de consistente cultura geral, como também não pode ser um generalista densamente superficial.

j. São apenas quatro os mandamentos da RT – Religião Tecnocrática: 1. Só é justo o poder exercido em nome do saber; 2. Saber, só o conhecimento técnico-científico; 3. O poder é exercido acima das paixões e das ilusões; 4. O saber técnico-científico é a única fonte capaz de fornecer os critérios e os métodos decisórios.

No mais é seguir sempre de olhos e mentes abertos, buscando sempre fazer a hora, sem esperar acontecer. Apesar dos lás e dos lôs.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

QUEM CAI É JOE BIDEN; DONALD TRUMP SOFREU UM ATENTADO

Nikolas Ferreira

O presidente dos EUA, Joe Biden, e o candidato presidencial, Donald Trump.

No último sábado (13) o candidato à presidência dos Estados Unidos da América, Donald Trump, foi vítima de uma tentativa de assassinato a tiros, cometida por Thomas Matthew Crooks durante um comício no Estado da Pensilvânia.

Apesar de ter escapado da morte com uma ‘’virada de cabeça’’ em fração de segundos, a velha mídia chegou a noticiar o acontecimento como uma simples queda do republicano – daquelas que costumam acontecer com Joe Biden.

Na mesma linha da CNN americana, alguns jornais como O Globo, destacaram que Trump havia caído do palco enquanto discursava. Todas foram extremamente criticadas e a postagem do jornal brasileiro chegou a ser excluída no X após a enorme repercussão.

Alguns até tentaram dar a justificativa de que o episódio havia acabado de acontecer e, por isso, não haviam informações suficientes. Mas, desde o início ficou totalmente perceptível que não se tratava apenas de um incidente. Se algumas mídias conseguiram transmitir a notícia de acordo com os fatos, era perfeitamente possível fazer o mesmo.

Para aumentar a vergonha, Amauri Chamorro, marqueteiro do PSOL, insinuou, durante a participação em um programa da GloboNews, que o atentado contra Donald Trump teria sido uma armação. Ele foi devidamente rebatido pelo analista político Brian Winter, que afirmou estar surpreso de ver isso acontecer em um veículo de renome. 

Neste ponto em específico discordo de Winter. Na verdade, é algo perfeitamente normal, infelizmente. Vale lembrar que Chamorro já acusou Elon Musk de financiar um ‘’golpe’’ contra Evo Morales na Bolívia em 2019.

Todos os que eles odeiam são tachados de fascistas, nazistas, antidemocráticos e por aí vai. No discurso de ódio, que disseminam por anos, é permitido até a exibição da cabeça de seus adversários simulando uma decapitação, como fez a humorista Kathy Griffin nos EUA e o coletivo Indecline no Brasil.

O cenário muda quando acontece algum ato extremo, pois culpam a própria direita. E quando convém, as armas de fogo, mesmo que você faça uso delas para sua proteção, como o ministro de Lula, Ricardo Lewandowski.

Trump, por exemplo, foi comparado a Hitler pelos democratas e, ao mesmo tempo, alguns deles, como Biden, disseram estar gratos pelo concorrente estar bem após ser alvejado. Não faz muito sentido comemorarem o fato de alguém que seria uma nova versão do ditador da Alemanha estar vivo. Seria tudo mentira ou não estudaram história? A resposta já sabemos. 

Aliás, demorou mais de uma hora e meia para o atual presidente americano condenar o ataque contra seu adversário. Mas, para criticar o candidato a vice-presidente pelo partido republicano, J.D. Vance, bastaram cerca de 20 minutos após a oficialização. Prioridades.

Além do ferimento na orelha de Donald, o ataque covarde de Crooks feriu David Dutch e James Copenhaver. E, lamentavelmente, dizimou a vida de Corey Comperatore, um bombeiro que foi baleado na cabeça enquanto protegia sua família durante o ataque. Para imbecis como Kyle Gass, músico da banda de Jack Black, é mais útil lamentar que Trump não morreu do que prestar solidariedade à família de Comperatore. 

A propósito, Gass não é o único nome na lista de idiotas úteis. Dentre vários posts virais semelhantes, podemos incluir mais alguns, como o da professora universitária Karen Pinder e da também educadora Shoshanna Jacobs. 

Como se não bastasse, o bombeiro Tony Bendele não pensou duas vezes quando desejou publicamente a morte de um desafeto. Posteriormente, ele disse sofrer ameaças e que estava arrependido. Agora, está desempregado. Mas, você consegue imaginar ter que contar com pessoas assim para instruir um filho seu ou para salvar a sua vida?

Tudo isso reforça ainda mais a importância da Internet e de lutarmos pela liberdade. Sem isso, jamais teríamos acesso à verdade dos fatos e ao show de hipocrisia de especialistas em acusar os outros do que eles são.

Linda Yaccarino, CEO do X, destacou novamente a importância da plataforma nos últimos dias, onde várias mentiras foram derrubadas. Recentemente, Elon Musk também reafirmou que a esquerda continuará tendo espaço no microblog, afinal isto sim é a democracia – que alguns tiranos não respeitam.

Independentemente da ideologia, atos como o que ocorreu contra Donald Trump e vários outros políticos jamais podem ser normalizados. Apesar de não ser tão otimista a respeito, desejo que seja o último caso parecido no mundo. Se você deseja matar alguém democraticamente escolhido, porque foi doutrinado a achar que ele é uma ameaça à democracia, você é a ameaça à democracia. 

Que Deus conforte os amigos e familiares de Corey Comperatore neste momento difícil. Não há prova maior de amor que dar a vida por sua família.

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO JORNAL

POR QUE A ESQUERDA ODEIA TRUMP?

Luciano Trigo

O candidato presidencial republicano e ex-presidente Donald Trump durante a abertura da Convenção Nacional Republicana (RNC) em Milwaukee

O candidato presidencial republicano e ex-presidente Donald Trump durante a abertura da Convenção Nacional Republicana (RNC) em Milwaukee

O recente atentado a Donald Trump serviu para demonstrar, entre outras coisas, o suicídio do jornalismo. Desnecessário recapitular o comportamento vergonhoso da velha mídia ao noticiar o episódio, tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

“Trump cai do palco durante comício” foi apenas uma das manchetes que atestaram a falta de caráter dessa gente. Não que ainda houvesse alguma dúvida sobre a parcialidade da mídia; só não se imaginava que chegariam a esse ponto, perdendo a noção do ridículo.

Mas o atentado serviu, principalmente, para demonstrar o ódio irracional que a esquerda sente por Trump, ódio cultivado diariamente – e metodicamente – ao longo dos últimos oito anos. Ódio materializado em uma perseguição jurídica implacável e na satanização inclemente fomentada por jornalistas, artistas, professores universitários e outros formadores de opinião. Os quais hoje se fazem de surpresos com a consequência da campanha que eles próprios promoveram.

Pior: ainda tentam se esconder atrás de manifestações de vaga rejeição à polarização na política, como se houvesse equivalência moral entre a vítima e o agressor, que seriam igualmente responsáveis. Ou usar a quase-tragédia como pretexto para desarmar a população, como se o problema estivesse nas armas, e não nos criminosos. Em todo caso, por uma questão de coerência, deveriam defender igualmente a proibição da venda de facas, já que elas também são usadas em atentados políticos.  

Ainda há muitas coisas a esclarecer sobre o atentado. Mas, qualquer pessoa dotada de um mínimo de honestidade moral precisa reconhecer: o jovem inexpressivo que apertou o gatilho do fuzil AR-15 – que quase explodiu a cabeça do provável próximo presidente da maior democracia do mundo – não foi o único responsável pelo crime.

O atentado foi encomendado, ao longo dos anos, por todos os falsos democratas que pintaram um alvo na cabeça de Donald Trump. Com reiteradas mentiras e mensagens de ódio vendidas como virtude, eles são tão responsáveis quanto Thomas Matthew Crooks. São os autores morais do crime.

Mas de onde vem tanto ódio? Para responder de forma honesta, é preciso examinar quais são as propostas de Trump como candidato a presidente. O que ele fará, se for eleito? A sua plataforma eleitoral, um documento de 16 páginas, é muito clara e objetiva.

O documento começa com um preâmbulo que prega um retorno ao senso comum:

“Em 2016, o presidente Donald J. Trump (…) reacendeu o Espírito Americano e nos convocou a renovar nosso Orgulho Nacional. Suas políticas estimularam um histórico crescimento econômico, a criação de empregos e o ressurgimento da indústria. O presidente Trump e o Partido Republicano tiraram a América do pessimismo produzido por décadas de liderança fracassada. No entanto, depois de quase quatro anos da administração Biden, a América está agora abalada por uma inflação violenta, fronteiras abertas, crime desenfreado, ataques às nossas crianças, conflito global, caos e instabilidade. Tal como os heróis que construíram e defenderam esta Nação antes de nós, nunca desistiremos. (…) Seremos uma nação baseada na verdade, na justiça e no senso comum.”

Resumindo o documento:

Na economia, no plano doméstico, Trump propõe a redução de impostos para pessoas físicas e jurídicas a fim de estimular o crescimento econômico. Defende, também, a redução de regulamentações, para aumentar a competitividade entre as empresas e eliminar barreiras de entrada a novos empreendedores.

Em função das políticas públicas adotadas por Joe Biden, os Estados Unidos vivem hoje um caos migratório, que também afeta a economia. Trump propõe aumentar a segurança das fronteiras e reduzir a imigração ilegal (frise-se, ilegal). Além da adoção de controles mais rigorosos, incluindo deportações de criminosos e restrições de asilo.

Na saúde, Trump pretende revogar e substituir o chamado “Obamacare” por um sistema mais eficaz, transparente e acessível, com menos complexidade e burocracia, acompanhado de uma política de redução de preços de medicamentos. Trump é contra políticas de saúde afirmativas de gênero para menores e propõe a proibição do uso de fundos federais para esses serviços.

Na política externa, como explicita o slogan “America First”, Trump prioriza os interesses americanos nas relações internacionais. Na OTAN, cobra dos aliados uma participação maior nos gastos militares. Ele também defende uma abordagem mais dura em relação às práticas comerciais da China e a questões de propriedade intelectual.

Na Justiça, Trump prega uma reforma do sistema judicial e, naturalmente, pretende nomear juízes conservadores para a Suprema Corte e outros tribunais federais. Na segurança pública, apoia o fortalecimento das forças de segurança e a adoção de medidas mais severas contra o crime.

No meio-ambiente, Trump defende a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, desfavorável à economia americana, e a flexibilização de restrições à exploração de combustíveis fósseis, incluindo petróleo, gás e carvão.

Ora, qualquer um tem o direito de discordar de algumas ou de todas essas propostas de Trump e do Partido Republicano. Mas não são, de forma alguma, propostas absurdas, muito menos fascistas ou antidemocráticas. Elas refletem uma visão de mundo legítima, com direito à existência tanto quanto a visão de mundo da esquerda e do Partido Democrata.

O sujeito pode preferir pagar mais impostos e abrir às fronteiras de seu país à imigração desenfreada. Pode defender o aborto e a ideologia de gênero; é um direito seu.

Mas ninguém tem o direito de pregar o extermínio e o aniquilamento de quem pensa de forma diferente. Porque, ainda que simbólica, a mensagem de extermínio e aniquilamento dos adversários – mensagem que também vem sendo disseminada no Brasil de forma preocupante – pode levar a consequências bastante concretas, como o atentado do sábado passado. Mais um dia da infâmia na história dos Estados Unidos.

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VÁCUO – Adelino Fontoura

Não sei se pode haver padecimento
Mais profundo, mais íntimo e que tanto
Nos ponha na alma a dor que gera o pranto,
Do que um longo e tristonho isolamento.

Não ter um bem sequer no pensamento,
Nem o calor de um lar, nem o encanto
De um amor de mulher suave e santo,
É viver sem nenhum contentamento.

Bem sei que é bom sofrer, e me parece
Que esta vida sem dor nada seria,
E que é por isso até que se padece.

Mas esta solidão contínua e fria
Chega a ser tão cruel, que a não merece
Um coração que a dor mereceria.

Adelino Fontoura | Academia Brasileira de Letras

Adelino Fontoura Chaves, Axixá-MA (1859-1884 – 25 anos)

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA