XICO COM X, BIZERRA COM I

UM SER TÃO SERTÃO

Em cada feira, há o verso bonito de um violeiro. Nas esquinas, o resfolego amoroso de uma sanfona lembrando seu Luiz. No céu, uma lua branca e serena enfeitando o chão e enchendo de luz o rio. É este o meu Sertão, único, múltiplo, plural e singular. Não apenas bonito, mas sobretudo belo.

Sertão da macambira, do xique-xique, do mandacaru, plantas espinho/flor que acariciam o coração grande do sertanejo. Também sertão das flores e dos Poetas, que, tal qual pássaros, cantam suas loas e embelezam o dia-a-dia matuto. Aldeia do vaqueiro, do embolador, do aboio e das artes. Das carrancas, do couro e dos grandes Rios, o Santo Chico, o Pajeú…

Sertão que não se deixa por outro lugar, ainda que as asas da ribançã permaneçam enxutas. É este o meu Sertão, arrodeado de Paz e Fé por todos os lados. Abençoado pelo meu Padim Ciço e por Frei Damião. O Sertão que me faz gritar um Graças a Deus, todos os dias, pela consciência e ventura de estar aqui, de ser um ser tão sertão.

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O DOCE NOME DE MINHA MULHER – (il suo nome è dolce …)

teu doce nome poderia ser qualquer nome,
monosilábico ou com dezenas de sílabas,
plural ou singular, simples ou composto.
qualquer nome poderia ser teu nome …

Escrito em neon ou em preto e branco,
em letras imensas com as cores do arco-íris
ou apenas esboçado com tinta nanquim.
será doce teu nome qualquer que seja a forma …

Em letra bastão, manuscrita, ou cursiva,
escrever teu nome é bom e relevante.
Mas mais que escrevê-lo, importante é que me ames,
no mínimo, o máximo que puderes;
no máximo, por não poder ser maior,
do mesmo tanto que te amo …

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Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

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O AMARGO DOCE DE UM CHÃO DE AÇÚCAR

O doce deleite de um doce de leite após o almoço, como o que Izabel Virgínia fazia no Cratinho de açúcar de minha infância e que cuja receita secreta jamais revelou, era uma das alegrias maiores de meu paladar de criança. Resta a doce saudade. Deleitava-me com grandes porções sem preocupação com colesterol ou coisas que tais. E a aguazinha fria, servida da quartinha em uma caneca de alumínio, tornava o prazer sublime, quase divinal. Pois bem: sobre açúcar e agarrado, mentes e íris, relendo As Veias Abertas Da América Latina, 7a. Edição, Fls 89 e seguintes, obra de Galeano, deparo-me com uma análise histórica, lúcida e criteriosa sobre nossa economia baseada no cultivo da cana ao longo do tempo. Claro que não vou contestar o que ali está escrito – não teria tamanha pretensão, senão pelo respeito à obra do autor, que não merece reparo, muito mais pela minha incapacidade intelectual de fazê-lo.

A intenção é apenas, além de recomendar a leitura do livro, chamar a atenção para quando Galeano diz que pouco mudou na nossa estrutura econômica dos séculos pretéritos. Na verdade, pouca alteração além das nuvens do céu. O hoje, como ele diz, é um outro nome do ontem. Resta-nos esperar, torcer e trabalhar por ações no sentido de que o amanhã não venha a ser o outro nome do hoje. Enquanto isso, a doce saudade do doce deleite do doce de leite de Izabel Virgínia.

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A PRIMEIRA SAUDADE

A saudade distante é a que mais dói, talvez pela questão temporal. Não importa se boa ou má, é uma saudade das que lancinam, seja da professora do maternal, Dona Silvina – nem sempre amorosa ante minhas traquinagens infantis, seja da casa em que morava ou do berço em que embalava meu sono. Como esquecer o primeiro beijo, o primeiro desejo? E a primeira vontade que deu de roubar uma estrela para a ela oferecer? As saudades recentes, não sei explicar, são mais fugazes: acho que por conta do monte de informações que se recebe no dia-a-dia, por falta de espaço no HD da cabeça ocupada por coisas às vezes sem utilidade de tão fúteis que são. As histórias que minha vó contava, no balançar da cadeira ou o passeio àquela praia distante, num lugarzinho escondido do Ceará chamado Praia do Mucuripe, meninice a banhar-se no mar, não consigo esquecer. Hoje bateu-me uma saudade, nem sei ao certo do quê. Talvez de ter motivos para ter saudades, das boas e daquelas imensas e devastadoras que eu acho que ninguém merecia sentir nunca. Mas talvez seja melhor sentir saudades do que não tê-las para sentir. Certo é que, sem ter saudade, nunca devemos esquecer um tempo passado que deve ser lembrado até para que não volte a ocorrer. Ainda bem que existe o uísque e as pílulas para curar as insônias que a má saudade produz.

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Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

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JOÃO, POETA IMENSO

Um amor parecido com o que comeu as aspirinas e as receitas médicas de João Cabral me avistou ao longe e, tal qual fez com os remédios e exames de urina do Poeta, se achegou a mim com fome voraz, devorando os passos de minhas caminhadas, o suor das febres que tive, as tomografias e ressonâncias. Comeu minha pré diabetes, os Forxigas e Glifages do dia-a-dia … Saboreou, como se doce fosse, meus cartões Visa e Mastercard e o último par de sapatos que restou depois da aposentadoria. Minhas não saudosas gravatas só não foram por ele engolidas porque não mais as tenho: corteia-as (uma delas, presenteei o amigo Zelito, que ainda hoje a guarda), como que em comemoração, ao abandonar a vida burocrática. Fora isso, o amor deixou nada escapar. Empanturrou-se de minhas coisas, de quase tudo. Complacente, porém, o amor deixou intacta minh’alma. Ainda bem que não se engraçou do suspiro do beijo não dado e da saudade do que não houve … Menos mal. O amor seria tudo não tivesse tanto apetite…

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MIGUEL E SEU PÉ DE AMIZADE

PEQUENINAS HISTÓRIAS PARA GENTE PEQUENINA - CEPE Editora

Esta é uma das PEQUENINAS HISTÓRIAS PARA GENTE PEQUENINA, Livro de minha autoria editado pela CEPE – Companhia Editora de Pernambuco, 2018.

Pode ser adquirido no página www.cepe.com.br OU diretamente com o autor através do e-mail xicobizerra@gmail.com

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Miguel e Seu Pé de Amizade

Se o ódio for plantado
Não há como nascer flor
Só se pode colher paz
Com sementes de amor

Miguel gostava de maçã, mas no pomar de sua casa só havia pés de laranja.

Um dia Miguel separou a semente de uma laranja e plantou-a, pedindo a Papai do Céu que ali nascesse um pé de maçã e que ele pudesse colher sua fruta preferida.

A esperança de Miguel durou até o dia em que a semente se transformou num pé de laranja, bonito e frondoso. E as laranjas tinham gosto de maçã.

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SINOPSES DA EDITORA E DE LIVRARIAS SOBRE O LIVRO:

“Neste livro, o compositor e escritor Xico Bizerra divaga entre poesia e prosa, sempre de fácil leitura, para atrair as crianças iniciantes, mas sem menosprezar a sabedoria dos pequenos. Ao falar da natureza, dos animais, da alegria, da paz, da amizade e do respeito, um afago no coração infantil, que pode ser de adulto ou de criança, não importa. “Quando um dia cresci e voltei a ser menino escrevi este livro. Com os pés descalços, pisando a areia, brincando de tudo … Vou guardar a minha pipa para quando, outra vez, eu voltar a ser criança. Tomara que não demore”, escreve o autor.”

“As historinhas escritas por Xico Bizerra encerram, sempre, um conceito do bem, da alegria, da amizade, da paz, do respeito aos animais, da natureza … O autor recomenda que sejam lidas com olhos infantis e curtidas por corações de criança. E promete que os luares serão mais belos. Sentindo-se criança, ele quer ver do alto sua aldeia, que certamente estará ainda maior e mais bela, e compartilhar esse sentimento com todas as pessoas que sabem se conservar crianças.”

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BREVE BILHETE AO BARDO BELCHIOR

Num tempo em que havia lua e as estrelas ouviam serenatas, quando a minha boca doida e nua passeava por todas as calçadas, vez em quando se escutava, além de tiros, uma ou outra canção de amor. Era quando a pureza vinha e se deleitava bem distante do inferno da solidão. Meu olhar lacrimoso era adoçado no bagaço de cana do engenho …

Você existia. Sua voz era ouvida.

Hoje soube de sua viagem e desacordei com a noite escura. O canto alucinado não existe mais: é só uma foto num caderno de cultura, um Purgatório numa banca de jornais. Resta o doloroso bardo do se ir, o bardo luminoso da realidade última. Eu, triste, como um bicho triste, um bando de pardais tristes, sem galos, noites e quintais.

Você ainda existe. Sua Poesia resiste.

E a vida segue, a canção insiste, feito avião brabo lá no céu sem rédea, fazendo um Paraíso cada vez mais triste, a mais profana e desumana comédia… Hoje, eu canto muito mais, sem medo. De avião e de nada. Sonha teu sonho que ele é vida.

Você permanece. Seu canto não calou.

Até qualquer dia, Poeta.

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Nota:

Conheci Belchior em 1976, em Fortaleza, no Bar do Anísio, na Praia de Iracema, onde se encontravam os músicos e poetas de Fortaleza. Por ali andavam ele, Ednardo, Fagner… Belchior, admirador de Dante e de sua teológica Divina Comédia Humana, era presença constante naquele ambiente onde, meio por enxerimento, meio por não ter o que fazer, eu frequentava com regular habitualidade. Cordial e simpático, não se negava a um bom papo, quando o tempo permitia. No dia em que o cantor foi ‘visitar outro plano’ eu escrevi–lhe um bilhete, e, a seguir e com algumas adaptações, uma letra que virou canção na bela voz de Tonfil – Profana Comédia Desumana. Está no meu disco CHAMA INFINITA, e pode ser encontrada em todas as plataformas virtuais.

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DESCULPA PELA AUSÊNCIA

Esta semana, cansado,
De não pegar nem no tranco,
Só sei que me deu um branco,
Terá sido mal olhado?
Aí, pelejei um bocado
E nada da ‘croniqueta’
Vasculhei minha maleta
O meu saco de poesia
E nada, vixe Maria!
Fico devendo à Gazeta …

Pra semana, a Deus querer
Encho o saco de vocês
Vão ser quatro todo mês
Na segunda, ‘cês’ vão ver
Capricho no escrever
Com a letra bem bonita
Pra quem ler a minha escrita
Gostar e ficar contente
Vou voltar ao meu batente.
Na minha ‘Folha’ favorita …

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ANO NOVO

A cada ano que se finda – e vez por outra eu falo sobre isso – a soma do querer bem adquirida no passar do tempo multiplica a vontade de viver. No percurso são adicionadas coisas boas e a parte que se subtrai, por não prestar, entra no vale do esquecimento e se irriga de perdões. O bom é sentir-se grande, do tamanho de uma criança que sorri ao desembrulhar um brinquedo qualquer na noite de Natal.

Ter gente que a gente ama por perto é sempre muito bom. Estando próximo de quem se ama estaremos bem junto de Deus. Haverá melhor vizinhança? Por isso, começo de ano é tempo de desejar Feliz todos os dias no ano menino que nasce e nos outros todos que estão por vir, com abraços bons para os do bem e com perdões concedidos aos que não merecem um abraço. Mas, ainda assim, se pudermos, até a estes abracemos, lembrando-lhes que na vida há o abraço, o amor e o perdão, segundo a sabedoria Franciscana.

Que o novo sol chegue e nos encontre com a consciência tranquila do dever cumprido, com a alma lavada pelo bem que fizemos. Feliz Ano Novo! PAZ E BEM!

XICO COM X, BIZERRA COM I

PEQUENÍSSIMA CRONIQUETA DE NATAL

Esta ‘croniqueta’ é curtinha, menor ainda que as que costumo escrever, mas nem por isso menos sincera. Aos que gostam de nós, um FELIZ NATAL; Aos que não gostam, o sonho de um NATAL FELIZ.

Que seria do mundo se não existissem sonhadores Poetas e Anjos serenos que fazem desenhos das sombras e, dos sonhos, azulejos coloridos? Os ‘normais’ jamais agem assim. E o mundo precisa de Anjos e Poetas que enxerguem um pouco além do que se vê. Que estes, sonhadores e serenos, sadios e sãos, belos e sorridentes, estejam sempre presentes em nossas vidas neste Natal e nos outros que estão por vir. É o que desejamos a todos: que sejamos felizes.

Xico Bizerra, Dulce Maria, Mariana, Clécio, João Paulo, Renata, Bernardo, Vinícius e Leonardo.

NATAL MATUTO

Nos galhos perto do chão
Vou pendurar mil carinhos
Pra iluminar os caminhos
Do povo do meu sertão
Acima, ao alcance da mão
Mais um verso especial
Sem nada artificial
Ao lixo, a hipocrisia
Que as luzes da poesia
Acendam o nosso Natal