VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O CRISTIANISMO E OS DOZE MESES DO ANO

O Cristianismo surgiu no Império Romano, durante o reinado de Otávio Augusto, primeiro imperador romano.

A religião tem como base os ensinamentos de Jesus Cristo. Por isso, seu nascimento marca o início da doutrina cristã.

Com o aparecimento do Cristianismo, a crença em divindades pagãs desapareceu. Mas, apesar disso, a memória dos deuses e deusas ainda permanece viva em muitas tradições.

O calendário que usamos foi uma evolução do antigo calendário romano e os nomes utilizados vieram dos deuses.

Estando estreitamente ligados os seus nomes aos costumes e instituições romanas, o nosso calendário, para contagem do tempo, permanece o mesmo estabelecido pelo imperador romano Júlio César.

Escrevendo a história dos nomes dos doze meses do ano, é como se estivéssemos assistindo a um desfile dos meses romanos.

JANEIRO – Primeiro, aparece uma figura estranha, um deus com duas caras, um deus que olha para diante e para trás, e que segura na mão esquerda uma chave. É JANO.

Os romanos adoravam Jano, num templo que estava aberto durante as guerras e que se fechava quando havia paz. Era o deus dos princípios e dos fins. JANO era também considerado o porteiro do céu, e os romanos o tinham como protetor das suas portas e portões. Como o ano tem doze meses, o templo de JANO tinha 12 portas.

FEVEREIRO – Segue-se ao deus JANO, uma majestosa dama romana. Era FEBRUA, a deusa das purificações. Celebravam-se no segundo mês do ano, festas especiais em honra a Juno e Plutão, rei dos infernos e havia sítios especiais para aplacar as almas dos defuntos. Essas festas eram também de expiação para o povo, e chamavam-se “februais”. O termo vem da palavra februm, que significa purificar; neste mês acontecia um ritual de purificação romana.

Fevereiro é o mês mais curto do ano, pois tem 28 dias nos anos comuns, e 29 nos anos bissextos. Constando o ano, aproximadamente, de 365 dias e 6 horas, ao cabo de quatro anos essas 6 horas formam um dia, que se agrega a Fevereiro. Essa inovação é do tempo de Júlio César, o qual, vendo os inconvenientes que resultavam de não serem levadas em conta aquelas 6 horas, chamou a Roma o astrônomo Sosígenes, de Alexandria, o qual propôs que de quatro em quatro anos se acrescentasse um dia a Fevereiro; daí ficou o mês, a cada quatro anos, com mais um dia, passando a ser chamado de “bissexto”.

MARÇO – Nome originado de Marte, o deus da guerra. No desfile imaginário, ele passa num carro puxado por dois cavalos, cujos nomes eram Terror e Fuga. É uma figura de guerreiro ameaçador, manejando uma comprida lança, levantando para o céu um escudo luzidio e erguendo a sua cabeça altiva, sendo iluminado pelos raios e pelo capacete. Para os romanos, Marte era mais do que um guerreiro. Era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. Pediam-lhe chuva, consultavam-no sobre casos particulares, sacrificando no seu altar um cavalo, carneiro, pega ou abutre.

ABRIL – Depois de Marte (Março), aparece ABRIL. Não é nem deus nem deusa. É o Anjo da primavera. Gracioso, delicado, meigo e bom. Chega espalhando pela terra lindas flores e fazendo nascer nos sulcos feitos pelas rodas do carro do guerreiro, flores tão pequeninas, tão bonitas e tão delicadas, que comove vê-las. “Abril é o que abre.”

MAIO – Nome em homenagem à deusa MAIA, que desfila sentada num trono de luz. Seu pai chamava-se Atlas e sobre os seus ombros pesava o mundo inteiro. Ele tinha sete filhas, das quais a mais célebre foi Maia, cujo filho era Mercúrio, que levava as ordens dos deuses para a terra.

Júpiter, o pai de todos os deuses, levou Maia e as irmãs e colocou-as como estrelas no firmamento. Eram elas que formavam o grupo de estrelas chamadas plêiadas. A sétima estrela do grupo é invisível. Representa uma das irmãs que casou com um homem chamado Sisypho, e, desde então, como o pobre Sisypho foi condenado a rolar eternamente uma pedra por um monte acima, ela, envergonhada, escondeu a cara.

JUNHO- Seguem no cortejo duas figuras disputando o sexto lugar. Uma é a deusa Juno e a outra é um homem de nome JUNIO. Mas a deusa Juno deu nome ao mês de Junho. Juno era a rainha do céu e esposa de Júpiter. Seu trono de ouro estava junto de seu marido. Todos os deuses lhe prestavam homenagem, quando se apresentavam no palácio de Júpiter; tinha poderes superiores e exercia domínio sobre os fenômenos celestes; produzia o trovão nas alturas, desencadeava os ventos e mandava nos astros. Gostava de passear pelos bosques sagrados, num carro puxado por pavões.

JULHO – Em honra ao guerreiro e imperador Júlio César, surgiu o nome do mês de Julho. Júlio César não só conquistou nações, fez leis célebres e escreveu livros imortais, como também emendou o calendário, que estava em estado deplorável. O tempo e os meses já não se correspondiam como antigamente; a primavera vinha em janeiro e o inverno nos meses que deviam corresponder à primavera. O mês “quintilius’ foi eliminado em sua honra, tomando o seu nome Júlio.

AGOSTO – Nome derivado de Augusto, o primeiro imperador romano, última personagem da procissão pagã imaginária a que assistimos. A princípio, Augusto chamava-se Octávio e governou os romanos, com Marco Antônio e Lépido. Por fim, foi imperador, e fez muito pela glória e engrandecimento do seu magnífico império. O povo, na intenção de lhe agradar, mudou o seu nome de Octávio para Augusto, que significa “nobre”.

O oitavo mês foi escolhido para ter o nome de Agosto, porque era nessa ocasião que o imperador Augusto celebrava os principais acontecimentos da sua vida. Foi em Agosto que ele foi nomeado Cônsul, que acabaram as suas guerras e que conquistou o Egito. Augusto ficou na história como uma grande personagem. O seu reinado recebeu o nome de Idade de Ouro, porque ele não só trouxe paz ao mundo, farto e cansado de guerras, como também fez florescer a arte e a literatura.

Foi no reinado desse imperador poderoso que, longe, na Síria, nasceu a Criança, cujo reinado ainda não acabou e cujo nascimento criou uma época. Nunca o imperador orgulhoso pensou, quando se gabava no seu palácio, de ter encontrado Roma feita de tijolo e tê-la deixado de mármore, que existia já uma Criança que dividiria as épocas da terra e poria uma Cruz entre o reinado de Augusto e o começo de uma nova religião.

Os poetas imortais, Horácio e Virgílio, viveram nessa época. Fundaram-se, então, livrarias e construíram-se templos por toda a parte.

SETEMBRO – Os outros meses aparecem disfarçados, com nomes enigmáticos. Para compreendermos o nome do mês de setembro é necessário recordar que o primitivo calendário romano constava de dez meses e que começava em Março, sendo, portanto, Setembro, o sétimo mês. Por isso, é representado pelo número sete, em algarismos romanos, VII. Este número lia-se em latim “septen”, de onde se derivou Setembro.

OUTUBRO – Para os romanos, como hoje é para os povos que lhes sucederam no continente europeu, Outubro era o mês das colheitas e vindimas. O nome provém de “octos”, que em latim é oito. Com efeito, era o oitavo mês do antigo calendário romano, passando a ser o décimo, quando Nuna, rei de Roma, fixou o princípio do ano no dia primeiro de Janeiro.

Celebravam neste mês, tanto os romanos como os gregos, muitas festividades. Em uma dessas festas era costume atirar aos poços e fontes coroas tecidas de flores e ervas, como tributo às ninfas, a quem tais festas eram consagradas. Era também o mês da colheita das frutas, cujas primícias se ofereciam às divindades.

NOVEMBRO – Era o nono mês, no primeiro calendário romano, e por isso lhe chamavam “November”. Contava-se que, entre as festividades e ritos religiosos mais importantes, estava o consagrado a Diana, deusa das montanhas e dos bosques. Começava com um banquete dedicado a Júpiter e com os jogos circenses, chamados assim, porque se realizavam no circo. No mesmo mês se celebravam os jogos “plebeus”, instituídos para comemorar a reconciliação de patrícios, nobres e plebeus. Eram oferecidos sacrifícios a Netuno, deus dos mares; e se faziam as festas abrumais ou do inverno, por começar na Itália o tempo chuvoso, nevoento e frio.

DEZEMBRO – do latim “December” de “decem”, dez – o décimo e último mês do antigo calendário romano. É representado hoje por um velho de barbas brancas, que traz brinquedos para dar às crianças no dia de Natal, 25 de dezembro

Para algumas pessoas, esse velho representa São Nicolau, que viveu no século IV e é considerado o patrono das crianças. Essa ideia teve origem numa lenda, segundo a qual São Nicolau teria feito ressuscitar três crianças que haviam sido assassinadas por um carniceiro. Dezembro é um mês característico do frio inverno nos países da Europa, e por isso o representam numa paisagem desolada, com os caminhos cobertos de neve.

Quando se inicia um novo ano, a humanidade se enche de esperança de que venha um bom tempo. Que reine a Paz entre as Nações e entre as pessoas.

* * *

Em 1968, a música “Bom Tempo“, de Chico Buarque de Holanda, foi classificada em segundo lugar na I Bienal do Samba, realizada em São Paulo. A partir desse ano, passou a ser sempre indicado para receber o Golfinho de Ouro do MIS. O Conselho de Música Popular do museu resolveu declará-lo “Hors concours”. A seguir, a interpretação e a letra de “Bom Tempo”:

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Dou duro toda semana
Senão pergunte à Joana
Que não me deixa mentir
Mas, finalmente é domingo
Naturalmente, me vingo
Eu vou me espalhar por aí

No compasso do samba
Eu disfarço o cansaço
Joana debaixo do braço
Carregadinha de amor
Vou que vou
Pela estrada que dá numa praia dourada
Que dá num tal de fazer nada
Como a natureza mandou
Vou
Satisfeito, a alegria batendo no peito
O radinho contando direito
A vitória do meu tricolor
Vou que vou
Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor…

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida, surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus

“As canções de Chico Buarque fazem uma combinação rara entre a atemporalidade de sua beleza lírica, às vezes quase metafísica (quando o tempo em si é seu grande personagem), e a emergência de cada momento histórico”.

José Miguel Wisnik (Músico e compositor brasileiro)

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ANO NOVO EM NOVA-CRUZ (RN)

Entre as recordações da minha adolescência, que guardo de Nova Cruz (RN), sempre me vem à memória a passagem de ano de 1959/1960, quando a cidade entrou em polvorosa, diante de previsões radiofônicas de que o Novo Ano raiaria com uma enxurrada de macacos invadindo as ruas.

No final de 1959, surgiu um boato em todo o Brasil, de que um profeta havia preconizado que em 1960 os negros iriam virar macacos (sic). Os compositores imediatamente aproveitaram a dica e fizeram o frevo-canção “Operação Macaco” da autoria de Sebastião Lopes e Nelson Ferreira, interpretado por Nerize Paiva.

No interior nordestino, principalmente em Nova Cruz-RN, antiga Anta Esfolada, o boato se transformou em praga. As pessoas mais ingênuas tomaram isso ao pé da letra, e a notícia, de tão repetida, virou verdade, tal qual a atual fake news.

A festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, pela primeira vez foi tensa, pois havia quem acreditasse nessa propagada profecia.

A barraca, armada em frente à Matriz estava repleta de pessoas que aguardavam a chegada do Ano Novo. Notavam-se nas fisionomias de todos, tensão e medo, diante da perspectiva do cumprimento da profecia divulgada pela cidade. Havia pessoas nervosas, que acreditavam nos boatos negativos. Mesmo assim, a cidade estava repleta de nova-cruzenses, tanto da zona rural como da zona urbana. Essas pessoas invadiam a cidade, na véspera de Ano Novo, em busca de diversão, como passeios no Parque São Luiz, compras de iguarias regionais, incluindo cestinhas com alfenins e doces secos. Tudo isso era vendido em barraquinhas armadas ao longo da Rua Grande, principal rua da cidade.

Havia também o serviço de alto-falante, onde os casais apaixonados pagavam para oferecer músicas significativas, verdadeiras declarações de amor aos parceiros.

As senhoras católicas da cidade prestavam sua colaboração à Igreja, preparando iguarias, como perus assados, pasteis e outros salgados, e as garçonetes e garçons eram pessoas conhecidas, que também prestavam sua ajuda gratuita à paróquia.

Quando se aproximava a hora da passagem do ano, a banda de música da cidade, comandada pelo exímio maestro Tenente Freitas, de saudosa memória, executava emocionantes dobrados, e na passagem do ano tocava o Hino Nacional. Nessa hora, ouvia-se o pipocar de foguetões, o sino da Igreja repicava por alguns minutos, e as emoções explodiam entre pessoas amigas e até inimigas eventuais. Em seguida, o Padre Pedro Moura dava a Benção do Santíssimo da janela da Igreja, o que completava o clima de emoção. Era uma verdadeira apoteose!!!

Na passagem do ano de 1959 para 1960, notavam-se crianças em pânico, agarradas às saias de suas mães, apavoradas com a profecia de que negro iria virar macaco, na passagem de ano.

Dona Lia, minha saudosa mãe, atendia na barraca da Igreja, juntamente com outras senhoras da sociedade, despachando fatias de peru assado e salgadinhos variados, solicitados pelos ocupantes das mesas. De repente, ela percebeu que o filho caçula, Bernardo, de quatro anos, não se desgrudava de sua saia, e chegava a tremer de medo, observando a fisionomia de cada pessoa morena ou negra da cidade. Apavorado, o menino temia que na passagem do ano, a barraca fosse invadida por gorilas, como nos filmes de Tarzan. Esperava que os negros da cidade se transformassem em macacos. Foi uma expectativa de terror. Não só as crianças, como também alguns adultos supersticiosos, temiam a anunciada previsão, amplamente divulgada pelas emissoras de rádio.

Os passeios em redor da barraca principal eram contínuos, por pessoas mais simples, que não podiam gastar dinheiro na barraca da Igreja. Havia leilão de prendas ofertadas pelas pessoas da cidade, que variavam de coisas simples, como frango assado, até animais vivos, bovinos e caprinos, ofertados por fazendeiros ricos da região, e que davam muito lucro à Paróquia.

A bem da verdade, as pessoas, principalmente as crianças, só se tranquilizaram no final da festa, já ao amanhecer o dia, quando constataram que nenhum negro tinha virado macaco. Nem tampouco tinha havido invasão de gorilas na festa da Padroeira de Nova Cruz, Nossa Senhora da Conceição.

A crendice popular tem o condão de impressionar as pessoas, e essa passagem de ano marcou época em Nova Cruz.

A fake new deu origem a um grande sucesso carnavalesco, a música Operação Macaco, da autoria de Sebastião Lopes e Nelson Ferreira, interpretada pela cantora pernambucana Nerize Paiva. 

Isso aconteceu antes da época do politicamente correto. Hoje seria humanamente impossível, tamanha gozação.

Se fosse hoje, a “profecia” seria fake new, e os autores da música Operação Macaco teriam sido punidos.

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O CABO DA CAÇAROLA

A história da humanidade se repete, como se o mundo fosse um carrossel que não para de girar, e os cavalinhos fossem sempre os mesmos. Apenas as cores são trocadas a cada gestão pública.

Pois bem. Durante o reinado de Henrique IV, da França, quando o Ministro da Fazenda era Sully, certo dia o Rei percebeu que o mesmo estava com o semblante preocupado e perguntou-lhe a causa.

– Senhor – respondeu Sully: As necessidades do Estado são prementes e vamos ser obrigados a criar novos impostos. É isto o que me preocupa.

– Oh! Novos impostos! – Exclamou o Rei, perdendo, de repente, todo o ar de brincadeira. Não me fale nisto! Meu povo já está muito sobrecarregado de impostos, para que lhe imponhamos outros! É impossível!

– Senhor, continuou Sully – acho-me diante de sérios compromissos: as despesas aumentam dia a dia, e as rendas diminuem, não dando para cobri-las. Preciso fazer grandes pagamentos e me encontro sem recursos. Já sabeis, Majestade, que aquele que segura o cabo da caçarola é o que em pior situação se encontra.

– Quem lhe disse isto? – Perguntou o Rei.

– A sabedoria popular, Majestade. É voz corrente. E a voz do povo é a voz de Deus!

E o Rei contestou, rindo:

– Pois você está redondamente enganado!

– Não é quem segura o cabo da caçarola quem corre perigo. Quem se encontra em situação de perigo é quem está sendo cozinhado na caçarola. No caso, quem está correndo perigo sou eu, o Rei.

O Ministro Sully se acalmou.

Quem somente segura o cabo da caçarola, assiste de camarote à derrocada do Rei.

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A NOITE DE NATAL

O NATAL é a grande festa da cristandade. Há uma Luz nessa festa, e não são luzes artificiais.

A Noite de Natal é sagrada. Noite de encanto, mistério e ternura, para crianças e adultos, principalmente aqueles que tem boas condições financeiras. Para os pobres, é mais uma noite, onde as diferenças sociais são gritantes e eles sabem que a solidariedade, típica da época natalina, é passageira.

É também uma noite de saudade dos nossos entes queridos, que já não se encontram entre nós.

O meu Pai, Francisco Bezerra Souto, se encantou na véspera de Natal (24.12.1984). A partir de então, apesar dos anos decorridos, essa data, para mim, permanece marcada e eu sofro de “uma alegria triste. Por isso, a celebração natalina me traz melancolia. Tento disfarçar a minha dor, mas a saudade e as lembranças são mais fortes.

Entretanto, na noite de Natal, o brilho das estrelas é mais intenso. Entre elas, há o brilho dos olhos dos entes queridos que nos deixaram e que, lá do Céu onde se encontram, estão a nos iluminar.

A representação mais verdadeira dessa noite é o Presépio, que revive o cenário em que Jesus nasceu. O primeiro presépio que existiu foi montado por São Francisco de Assis, no século XIII. Ele quis mostrar ao povo como aconteceu o nascimento do Menino Jesus. Depois, o presépio tornou-se uma tradição e passou a ser montado nas casas, nas igrejas e em diversos locais, durante o ciclo natalino.

No presépio, figuram a Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José; os três Reis Magos (Belchior, Gaspar e Baltasar), o Anjo que anunciou a Maria que ela iria ser a Mãe de Jesus, e a Estrela-guia, que iluminou o caminho para que os Reis Magos encontrassem a manjedoura.

No sentido religioso, os anjos usados na decoração do Natal remetem a São Gabriel, o anjo que teria anunciado à Maria que ela seria a mãe de Jesus.

Os três Reis Magos foram à procura do Menino Jesus, para adorá-lo e levar-lhe de presente, incenso, ouro e mirra.

Jesus nasceu em Belém, a menor cidade da Judéia, na simplicidade, humildade e pobreza.

A festa do Natal tem como figura principal o Menino Jesus, que nasceu numa manjedoura, dentro de uma gruta despojada e pobre.

Naquele momento, a gruta abrigou toda a riqueza do Céu e da terra. O Menino estava envolto em panos e deitado na manjedoura, sob o aconchego de Maria e José, seus pais, porque não havia lugar para eles na casa dos homens.

José era um homem justo e santo, carpinteiro, que acolheu o mistério da encarnação do Filho de Deus no ventre de sua esposa. Maria, a jovem mãe judia, deu à luz o Filho gerado em seu ventre, pela ação do Espírito Santo.

Nas lautas ceias de Natal, em casas de pessoas ricas e poderosas, muitas vezes, a figura do Menino Jesus é esquecida. Nessas ocasiões, o espírito cristão, simplesmente, não existe. Comemora-se o Natal como se fosse uma festa profana, e a preocupação são a comida, a bebida, os presentes trocados e a decoração.

O Menino Jesus, Maria e José são lembrados, superficialmente, salvo em ambientes religiosos.

Para os Cristãos, os presentes de Natal remetem à lembrança dos presentes que os Reis Magos levaram para o Menino Jesus: O ouro, o incenso e a mirra.

Os anjos e estrelas, usados nas decorações natalinas, remetem ao Anjo Gabriel, que anunciou à Virgem Maria, que ela daria à luz o Filho de Deus, e à Estrela-guia, que iluminou o caminho de Belchior, Gaspar e Baltasar até à manjedoura.

Pois bem. Numa noite de Natal, dois mendigos caminhavam pela escuridão. De repente, tropeçaram num cachorro vira-lata, que parecia estar faminto e abandonado. Sentiram dó do animal e viram que ele era tão pobre quanto eles. Os pobres são bons para os pobres e ajudam-se uns aos outros, dividindo entre si o pouco que conseguem para comer.

Os dois mendigos, solidários ao vira-lata, levaram-no com eles, e lhe deram para comer um pouco do pão que haviam recebido de esmola. O cachorro, depois de comer, ficou mais forte e saiu caminhando à frente deles, latindo e olhando para trás, como se os estivesse guiando, através da escuridão, até uma cabana abandonada. Na cabana, havia dois bancos e uma lareira apagada, visíveis através do clarão da lua. Os dois mendigos sentaram- se em frente à lareira.

De repente, o cachorro desapareceu. Como por milagre, as duas brasas se acenderam e tornaram-se enormes. A claridade tomou conta da cabana, e os dois mendigos sentiram seus corpos aquecidos. Ficaram certos de que tinham sido agraciados com um milagre, pois, somente o Menino Jesus teria sido capaz de se lembrar deles, naquela hora de tanto frio e sofrimento. Acreditavam, piamente, que o Menino Jesus os estava protegendo daquele frio, enviando duas brasas para acender a velha lareira. Adormeceram profundamente. As brasas brilharam até o amanhecer do dia.

Os dois mendigos acordaram, como se estivessem despertando de um lindo sonho. Tinham recebido, de presente de Natal, um verdadeiro tesouro. Mesmo por uma única noite, dormiram sob o teto de uma cabana abandonada, aquecidos por uma misteriosa lareira. Olharam em sua volta e viram o cachorro dormindo. Pobre igual a eles, o vira-lata lhes retribuiu o pão que eles lhe haviam dado, levando-os até aquela cabana encantada.

Pelo menos, naquela noite de Natal, eles dormiram sob um teto, abrigados contra o frio e o vento.

Está provado que o grande tesouro dos pobres é o sonho.

Nesta Noite de Natal, elevemos uma prece a Deus:

“Senhor, dai pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão!”

A escuridão dos nossos dias decorre da fome, da impunidade e da corrupção.

Que a Noite de Natal ilumine os corações do povo brasileiro!

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A INTELIGÊNCIA DOS ANIMAIS

Quem diz que os animais não pensam, na minha opinião, está redondamente enganado. Eles tem faro, e por isso, tanto pensam quanto raciocinam.

Segundo os estudiosos do assunto, os gatos tem um olfato muito potente, que é até 20 vezes mais potente do que o do ser humano.

O faro do gato é importante para sua comunicação com outros felinos e com o mundo.

Graças ao seu privilegiado sentido auditivo, os felinos são capazes de perceber vários estímulos sonoros que passam despercebidos ao ouvido humano.

Há sons distantes que somente os gatos ouvem.

Sons a longas distâncias, frequências ultrassônicas e ruídos de presas são alguns dos sons que apenas os gatos conseguem ouvir.

Os humanos pensam, mas nem sempre raciocinam. Há pessoas que tem o raciocínio curto.

Há animais muito mais inteligentes do que certos humanos. Assim são os cachorros e gastos.

Sou testemunha de que Koruga, o gato preto angorá, da minha tia Carmen, tanto pensava, como raciocinava. Conhecia que ela estava se aproximando de casa, pela zoada do motor do carro.

Por volta das cinco horas da tarde, o gato ficava pulando junto à janela, querendo subir para vê-la chegar do trabalho, no seu primeiro fusquinha.

Abriam-lhe a janela da casa da Praça Padre João Maria, para que subisse no patamar, onde ficava todo faceiro, com o olhar fixo na esquina da Igreja Matriz, por onde o carro viria. Parecia estar querendo dar-lhe as “boas vindas”, depois do trabalho. Era uma cena linda.

Certo dia, minha tia cismou que o gato estava sendo maltratado por uma serviçal da casa, pois quando ele dormia numa cadeira de balanço, na sala de jantar e a moça se aproximou, bruscamente ele despertou e saiu correndo em disparada, como se estivesse apavorado. Seu instinto animal o avisou de que estava em perigo, e ele se defendeu.

Minha tia botou na cabeça quer iria descobrir o porquê desse pavor. Não deu outra. Poucos dias depois, ela flagrou a moça enxotando Koruga da cozinha, às vassouradas.

Deu-lhe um show de “carões” e deu-lhe as contas, dizendo o porquê: Não admitia que ninguém maltratasse seu gato, nem o enxotasse da cozinha debaixo de vassouradas. Não houve pedido de desculpas que a comovesse. A moça pediu-lhe mil desculpas e prometeu que não faria mais isso.

Não houve jeito dela voltar a confiar na moça. Sabia que a maldade humana não tem jeito. Tinha certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o gato voltaria a ser maltratado pela serviçal.

Koruga tinha bom gosto. Era louco por sardinhas enlatadas, e minha tia o acostumou a esse alimento, que estava presente em qualquer refeição que ele fizesse.

Era um bichano fino e muito bem tratado.

Uma vez por outra, o veterinário o consultava em casa, receitando-lhe o que havia de melhor, para mantê-lo saudável, com saúde perfeita. E Koruga viveu muitos anos.

Encontrei, pesquisando no site “Perito Animal”: “O gato Angorá é uma raça de “personalidade” forte e, por isso, precisa de donos dispostos a lidar com as suas manias. É uma raça de gato bem sociável, que gosta de estar em contato com humanos o tempo todo. Mas, apesar de gostar de carinho, também é arisco e se cansa com muito agrado, se afastando de repente.”

Ao se pegar um Angorá no colo, ele, provavelmente, vai pedir para descer. O angorá gosta de atenção e de tomar conta do espaço doméstico. Esperto e ágil, o Angorá também “adora” uma brincadeira, principalmente as que envolvem escalar móveis e objetos altos pela casa. Por isso, telar janelas da casa ou apartamento é uma boa saída para evitar que esse gato agitado fuja.

Ninguém consegue desafiar a inteligência de um gato Angorá. Eles são muito espertos e capazes de aprender muitas coisas com os humanos. Isso pode ser percebido através de sua extrema curiosidade, sempre explorando os ambientes. Além disso, se adaptam facilmente a qualquer local, apesar de não serem fãs de mudanças.

Eles se dão muito bem com crianças e idosos.

Minha saudosa tia Carmen tinha grande afeição por esse tipo de gato.

Aprendi com ela, a também gostar.

Os humanos pensam, mas nem sempre raciocinam. Há pessoas que pensam, mas tem o raciocínio curto.

Há animais inteligentes, como os cachorros e os gatos.

Sou testemunha de que Koruga, o gato preto, angorá, da minha tia Carmen, conhecia que ela estava se aproximando de casa, pela zoada do motor do carro. Por volta das cinco horas da tarde, o gato ficava pulando junto à janela, querendo subir para vê-la chegar do trabalho, no seu primeiro fusquinha. Abriam a janela para o gato subir, e ele ficava todo faceiro, com o olhar fixo na esquina da Igreja Matriz, por onde o carro viria. Parecia estar querendo dar-lhe as “boas vindas”, depois do trabalho. Era uma cena linda.

Certo dia, minha tia cismou que o gato estava sendo maltratado por uma serviçal da casa, pois quando ele dormia numa cadeira de balanço, na sala de jantar e a moça se aproximou, bruscamente ele despertou e saiu correndo em disparada, como se estivesse apavorado. Seu instinto animal o avisou que estava em perigo e ele se defendeu.

Minha tia botou na cabeça quer iria descobrir o porquê desse pavor. Não deu outra. Poucos dias depois, ela flagrou a moça enxotando Koruga da cozinha, às vassouradas.

Deu-lhe um show de “carões” e deu-lhe as contas, dizendo o porquê: Não admitia que ninguém maltratasse seu gato, nem o enxotasse da cozinha debaixo de vassouradas. Não houve pedido de desculpas que a comovesse. A moça pediu-lhe mil desculpas e prometeu que não faria mais isso.

Não houve jeito dela voltar a confiar na moça. Sabia que a maldade humana não tem jeito. Tinha certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o gato voltaria a ser maltratado pela serviçal.

Koruga tinha bom gosto. Era louco por sardinhas enlatadas, e minha tia o acostumou a esse alimento, que estava presente em qualquer refeição que ele fizesse.

Era um bichano fino e muito bem tratado.

Uma vez por outra, o veterinário o consultava em casa, receitando-lhe o que havia de melhor, para mantê-lo saudável, com saúde perfeita.

E Koruga viveu muitos anos.

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O PEDIDO DE CASAMENTO

Nossa vida é um livro repleto de histórias, nossas ou que vivenciamos ao longo dos anos. Às vezes, dependendo do destino de cada um de nós, o livro da vida pode ter vários volumes, e daí os super inteligentes extraem deles suas histórias, filmes, peças de teatro, composições musicais e poesias

A inspiração é um dom divino, que ilumina a pessoa a só fazer o bem. Às vezes o espírito do mal é mais forte, e é ele que prevalece.

Parafraseando o compositor Gonzaguinha, de saudosa memória, “eu fico com a pureza das respostas das crianças…É a vida, e é bonita e é bonita…”

De repente, me vem à mente histórias antigas.

Contava minha querida e saudosa mãe, Dona Lia, que, quando era jovem, começou a namorar com Francisco, parente da sua madrasta, e o namoro resultou num pedido de casamento dele, cuja aceitação foi por ela condicionada à inclusão de uma privada com aparelho sanitário de louça, igual aos da capital.

A preocupação da noiva era que o seu pedido não fosse atendido.

Apesar de muito apaixonada, ela não suportaria se mudar da capital para o interior, indo morar numa cidade atrasada, sem energia elétrica, água encanada e sem, ao menos, poder desfrutar de um banheiro digno.

Em Nova-Cruz (RN), não havia o mínimo conforto material. A cidade não tinha energia elétrica nem água encanada. Água doce, somente para beber e cozinhar. O banho era com água salobra (salgada), levada do Rio Piquiri , aos sábados pela manhã, de trem. Era o chamado “trem da água”.

Nesse dia, as casas se abasteciam de água doce, mediante pagamento aos carregadores, que usavam seus galões, feitos com latas vazias de querosene “jacaré”.

Nos domingos, minha mãe controlava a lavagem de cabeça da meninada, com água doce do Piquiri e raspa de Juá, para evitar caspa.

Na cidade, ainda não existia aparelho sanitário de louça, e sim um quadrado feito com cimento e tijolo, chamado sentina ou latrina, onde o usuário tinha de se acocorar para fazer suas necessidades fisiológicas.

Embaixo, ficava a fossa.

A outra opção eram os penicos.

Por mais amor que existisse entre um casal, era preciso um esforço sobre-humano, para se trocar o conforto da capital, pelo desconforto de uma cidade do interior, sem energia elétrica, água encanada, assistência médica, e com banheiros precários.

Mas os grandes amores existem. Foi o caso do meu pai e minha mãe.

A exigência da noiva foi atendida, e seu sonho foi realizado. A casa ficou perfeita.

Era estilo “bangalô”, e tinha privada de capital, com sanitário de louça.

Ali, os noivos iniciaram a vida de casados, constituindo família, com uma prole de seis filhos, sendo três homens e três mulheres.

A nossa casinha era um lindo “bangalô”, o primeiro de Nova-Cruz.

Ali nasceram os seis filhos de Francisco e Lia, numa união que durou mais de cinquenta anos.

Essas reminiscências, ouvi diversas vezes minha mãe contar, sob protestos e risos do meu pai, que dizia que essa exigência dela tinha sido desnecessária, pois a casinha tinha sido projetada com “banheiro de capital”.

– Deixe de conversa, Lia! Nunca houve isso. Você era louca por mim, e dizia sempre que queria casar comigo, mesmo que fosse para morar debaixo de um pé de pitomba.

Resposta da minha mãe:

– Isto mesmo não!!!

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O ENXOVAL

Antigamente, era comum pessoas de Nova – Cruz irem, de trem, às compras em Guarabira – PB, onde o comércio primava pela excelente qualidade de produtos de cama, mesa e banho, com preços módicos. Era o comércio ideal para se comprar enxoval de noivas, coisa fora de moda nos dias de hoje, quando se encontra tudo do bom e do melhor em grandes lojas e armazéns da capital e até em cidades do interior, com a facilidade dos cartões de crédito.

No final da década de 60, quando chegou minha vez de comprar o meu enxoval de noiva, fomos eu e minha mãe a Guarabira (PB), no trem das dez horas, que vinha de Natal, para passarmos o dia fazendo compras, e regressarmos à noite, no trem de Recife.

Quando o trem chegou a Guarabira, minha mãe, de braço comigo, certa de que conhecia bem a cidade, pisou firme no chão à procura da rua do comércio, onde ficavam as lojas principais. Andamos a pé mais de uma hora, e nada de chegarmos ao comércio de Guarabira. Mamãe desconfiou de que estávamos perdidas, sem acertar andar naquela progressiva cidade, onde ela já tinha ido anos atrás, comigo mesma e a amiga Alzira Carneiro. Quando se convenceu de que tínhamos nos perdido, minha mãe pediu informações a um transeunte, que respondeu:

– Senhora, aqui é a zona do “baixo meretrício”. O comércio a que a senhora se refere é bem longe daqui, exatamente no lugar oposto a este. Vocês fizeram o caminho ao contrário. O comércio fica bem pra lá da Estação Ferroviária, voltando. E o ambiente aqui é “carregado.” É o comércio da prostituição.

Minha mãe, desapontada e com vergonha, agradeceu a informação e nós duas, apressadamente, iniciamos o caminho de volta. Demoramos quase uma hora para chegarmos à tão falada rua do comércio de Guarabira, onde se podia comprar enxovais de noivas por preços módicos.

Se arrependimento desse febre, naquela hora, estaríamos, minha mãe e eu, com mais de 40 graus.

Ao chegarmos ao bairro onde ficava o comércio, nossos ânimos serenaram aliviados, e imaginamos a cara aborrecida do meu pai, quando soubesse que a sua esposa e a filha de 17 anos foram “passear” na “zona” de Guarabira. Não paramos de rir.

Em Nova-Cruz (RN), a zona do baixo meretrício se chama “Rua do Sapo”, cujo acesso é um beco estreito, que fica na rua principal. Meu pai não permitia que passássemos nem pela calçada que dá acesso ao tal beco. I

Imaginei o semblante contrariado dele, quando soubesse que a esposa e a filha noiva, perdidas em Guarabira, foram bater na “zona do baixo meretrício”.

Minha mãe, muito católica, desabafou:

– Misericórdia, meu Deus! Que ideia infeliz a minha, de vir comprar o enxoval da minha filha aqui em Guarabira, podendo ter ido comprar em Natal!!!

A compra foi maravilhosa: Colchas de cama requintadas, guarnições completas de cama, mesa e banho, lençóis avulsos, além do tecido de cetim branco e brocado, para o meu vestido de noiva, que foi confeccionado por minha mãe. Juntando-se todas as compras, daria para se montar uma lojinha em Nova-Cruz… rsrs. Foi coisa demais.

Realmente, o comércio de Guarabira (PB), naquela época, era de dar gosto. O comércio de Nova – Cruz “não amarrava a chuteira”. Se bem que, hoje, as duas cidades se equivalem no que se refere ao progresso.

Nova – Cruz (RN) faz fronteira com a Paraíba, e há uma rua depois do Catolé (Bairro), onde a metade é RN e a outra é Paraíba. Dá gosto de ver.

Nessa viagem, para fazer compras em Guarabira, o estresse tirou nosso apetite. Não almoçamos e somente depois das compras, tomamos um sorvete.

Foi um alívio, ao chegarmos à Estação Ferroviária, para aguardar o trem de Recife para voltarmos a Nova -Cruz, onde só chegamos às nove horas da noite.

Seu Francisco, meu pai, estava a nos esperar na estação. Chegando em casa, minha mãe contou-lhe a nossa “odisseia” em Guarabira, onde nos vimos perdidas, sem saber andar na cidade. Minha mãe contou ao meu pai, que tínhamos nos perdido em Guarabira, indo parar na “zona do baixo meretrício”.

Meu pai, muito sisudo, disse: Muito bonito pra minha cara, Lia. Minha mulher e minha filha noiva, serem vistas na “zona” de Guarabira!!! E minha mãe, rindo, respondeu:

– Mas, Chico, foi sem querer… A gente se distraiu. Nem imaginava que aquilo fosse a zona. Não tinha nenhuma placa avisando! Eu não podia imaginar uma coisa dessa!

Só pode ter sido obra de Satanás!!!

Mas, graças a Deus, estamos aqui, sãs e salvas. Maior do que Deus, ninguém!

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A SUPERSTIÇÃO

A superstição sempre esteve presente na cabeça das pessoas, e chega a atrapalhar decisões que devem ser tomadas, como datas de viagem ou de mudanças de imóvel.

Sempre se ouviu falar que gato preto dá azar. Entretanto, minha querida tia Carmen era louca por gato preto, e na casa dela sempre havia um, cujo nome era Koruga.

Existem várias superstições, carregadas de crenças passadas por gerações.

O conceito de superstição está ligado à crença em algo sem fundamento lógico. Ou seja, é passada oralmente entre gerações, como se fosse parte da cultura popular.

Superstição também é chamada de crendice popular, e sempre influencia o comportamento das pessoas .

As superstições podem ter características pessoais, religiosas ou culturais.

Na religião, por exemplo, acredita-se que ao abrir a página da Bíblia ao acaso irá se receber uma resposta, ou mensagem que diz respeito a algum problema pessoal pelo qual alguém está passando.

As superstições acompanham a humanidade desde a antiguidade. Estiveram sempre presentes na história e associadas a rituais pagãos.

O termo superstição vem do latim “superstitio, sendo associado ao conhecimento popular. Desde a antiguidade, os povos associavam as crenças aos aspectos mágicos, determinando o que seria sorte ou não. Muitas superstições da antiguidade se perderam no tempo e deixaram de impressionar as pessoas.

Há pessoas que detestam gato preto, borboleta preta ou qualquer outro animal preto. A visão de um gato preto ou borboleta preta, para essas pessoas, significa aviso de futura contrariedade, premonição de algum acontecimento trágico, ou qualquer outra ocorrência maléfica, que afaste a alegria.

Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), Machado de Assis fixa a superstição:

“Digo lá dentro, porque cá fora o que esvoaçou foi uma borboleta preta, que subtamente penetrou na varanda, e começou a bater as asas em derredor de D, Eusébia. D. Eusébia deu um grito, levantou-se, praguejou umas palavras soltas;- T’esconjuro! Sai, diabo… Virgem Nossa Senhora!…- Não tenha medo, disse eu, e, tirando o lenço, expeli a borboleta” (capítulo XXX) No capítulo XXXI, “”A borboleta preta”, há toda uma cena. Brás Cubas não pode suportar a companhia da borboleta negra. Afugenta-a de todos os modos. Acaba matando-a. Depois, arrepende-se, concluindo na velha técnica machadiana: “Também por que diabo não era ela azul?”

Se fosse azul, não anunciava tristeza. borboleta preta, pode ser a representação, figuração, encarnação de uma feiticeira, de um espírito mau, trazendo desgostos, espalhando misérias. A borboleta preta, comumente é chamada de bruxa.

Há pessoas tão supersticiosas, que se descontrolam diante de um animal preto, seja ele qual for, inclusive uma inofensiva borboleta.

Nos dias atuais, a superstição exagerada é algo muito difícil de se ver. Quando muito, admite-se preferências de cor nas vestimentas ou adornos. Nada que tenha a ver com pessoas ou animais.

As superstições estão presentes em várias culturas e países. Em alguns países, sobretudo, essas crenças foram criadas na Idade Média, acerca de bruxas e gatos pretos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, tem-se receio do número 13. Aliás, algumas linhas áreas não tem assentos com esse número. E alguns prédios são construídos sem o 13º andar.

Na Itália, o número 13 também é visto como número de azar. Além disso, o número 17 também causa receio nos italianos, principalmente, se for sexta-feira.

Há artistas brasileiros tão supersticiosos, como Roberto Carlos, que só fazem show de azul, ou azul e branco.

Esse tipo de superstição é comum e não prejudica ninguém.

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MY FAIR LADY

Não sei porque, hoje, acordei com minhas lembranças agitadas, buscando coisas de um passado remoto, sonhos e fantasias, numa miscelânia com ridículas ocorrências atuais, que não me dizem respeito. Sonhos, bastam os meus. Sonhos perdidos e decepções, também.

Quando me casei, fui morar na casa da minha sogra, viúva, com quem meu marido morava. Tivemos uma convivência maravilhosa e ainda hoje sinto saudade daquele tempo, onde a maldade não existia. Depois de dois anos, nos mudamos para o nosso apartamento.

Minha saudosa sogra preservava a memória viva do falecido marido, livros e discos.

Nunca esqueci de um LP, do meu sogro, o musical “MY FAIR LADY,” que minha sogra gostava muito de ouvir. E por conta dela, me apaixonei pelo disco.

My Fair Lady conta a história de Eliza Doolittle, uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres em busca de uns trocados. Em uma dessas rotineiras noites, Eliza conhece um culto professor de fonética, Henry Higgins, e sua incrível capacidade de descobrir muito sobre as pessoas, apenas através de seus sotaques. Quando o professor ouve o péssimo sotaque de Eliza, aposta com o amigo Hugh Pickering, que é capaz de transformar uma simples vendedora de flores, inculta, numa dama da alta sociedade, no espaço máximo de seis meses.

My Fair Lady (Brasil: Minha Bela Dama ou Minha Querida Dama/ Portugal: Minha Linda Lady ou Minha Linda Senhora) é um filme estadunidense de 1964, do gênero comédia musical, dirigido por George Cukor, baseado na peça teatral Pigmaleão, de George Bernard Shaw.)

No Brasil, a primeira encenação de My Fair Lady, intitulada Minha Querida Lady, foi realizada em 1962 pelo produtor Victor Berbara. Além de Bibi Ferreira e Paulo Autran nos papéis principais, a montagem contava ainda com a jovem atriz Marília Pêra, em início de carreira.

Esse LP, jamais esqueci. E o musical romântico tratava de uma bela história de amor.

Para o meu contentamento, encontrei no YouTube o Musical e o Filme My Fair Lady.

Maravilhosos!!!

MY FAIR LADY | Official Trailer | Paramount Movies

Bibi Ferreira – My Fair Lady (Eu Dançaria Assim)

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ERRO DE COR

Seu João Pedro, pequeno vendedor de caibros e linhas, em Nova-Cruz (RN), era um homem solitário, que residia no mesmo local onde trabalhava. Sem família, todas as manhãs, ia à bodega de Dona Lindalva, que ficava vizinha à sua casa, e lá tomava alguns goles de cachaça.

Certo dia, no “Mercadão das Tintas” de Nova-Cruz, uma das melhores lojas da cidade, Seu João Pedro comprou um galão de tinta “amarelo-ocre”, para pintar a frente da sua pequena casa, para esperar a chegada do natal e Ano Novo. Como de costume, ele mesmo faria a pintura.

No dia seguinte, eufórico, logo cedo começou a pintura.

Quando parou para apreciar o trabalho, percebeu que a tinta não correspondia àquela que ele havia escolhido, “amarelo-ocre”.

A entrega feita pela loja viera trocada. A tinta “vermelho -terra”, nunca fora do seu agrado e ele jamais compraria. Foi a que lhe mandaram, e ele abriu a lata, e foi logo usando, sem conferir.

Quando notou o erro, já tinha pintado a parede quase toda e não tinha mais como trocar a lata de tinta. Contrariado, ficou esbravejando, achando a cor da tinta horrorosa.

Sua vontade era voltar à loja e “quebrar a cara” do vendedor irresponsável, que lhe entregou a tinta errada. Mas, reconhecia que também tinha errado, quando não conferiu a compra recebida.

Muito triste, ele começou a desabafar com todas as pessoas que por sua casa passavam. Elas, sem qualquer sensibilidade, foram unânimes em concordar com ele, dizendo que, de fato, a tinta era muito feia. Bonita mesmo era a “amarelo-ocre”. Sua tristeza aumentava ainda mais.

Seu João Pedro, antes de começar a pintura da frente da casa, já tinha tomado a primeira chamada de cachaça do dia. E quando percebeu que a tinta comprada não era aquela, já tinha usado uma boa parte do galão. Ficou contrariado, até a medula óssea.

Quase caiu da escada.

Convencido do engano da loja, viu que já era tarde, para devolver a tinta, pois já estava pintando a frente da casa. A lata de tinta já estava quase pela metade. Desceu da escada e foi à bodega tomar outra bicada de cachaça. Voltou ao serviço, completamente embriagado.

Nessas alturas, vinha passando a professora Dona Lia Pimentel, minha saudosa mãe, que, ao vê-lo, o cumprimentou e parabenizou pela bonita cor da tinta escolhida para a pintura da casa. Disse-lhe que ele teve bom gosto!

Seu João Pedro não acreditou no que estava ouvindo. Dona Lia achando a cor da tinta bonita, enquanto ele estava contrariado e se maldizendo pelo equívoco da loja.

Teve que se conformar, pois já tinha pintado a parede quase toda e não tinha mais como trocar a lata de tinta. Contrariado, ficou esbravejando, achando a cor da parede horrorosa.

A tinta “amarelo-ocre” que ele escolhera, por equívoco do vendedor veio trocada, e em seu lugar veio uma “vermelho-terra”, que ele jamais compraria. Como já estava usando a tinta, o caso estava sem jeito.

Muito triste, Seu João Pedro começou a desabafar com todas as pessoas que por sua casa passavam. Elas foram unânimes em concordar com ele, dizendo que, de fato, a tinta era muito feia.

Seu João Pedro, antes de começar a pintura da frente da casa, já tinha tomado a primeira chamada de cachaça do dia.

Quando percebeu a troca da tinta, já tinha usado uma boa parte do galão. Ficou contrariado, até a medula óssea.

De repente, mudou o cenário. Pela frente da sua casa, vinha passando a professora Dona Lia Pimentel, que era incapaz de um comentário depreciativo, que contrariasse alguém. E a bondosa senhora cumprimentou o homem, delicadamente:

– Bom dia, Seu João Pedro! Como está ficando linda sua casa! Que cor bonita e diferente! Está formidável!

Contrariado, Seu João Pedro respondeu:

– Bom dia, Dona Lia! Veja que moleza a minha: Comprei uma tinta “amarelo-ocre”, linda, e me mandaram esta cor horrível! Estou com vontade de voltar na loja e quebrar a cara do vendedor. Mas se eu fizer isso, vai sobrar pra mim: vou ser preso e mofar na cadeia.

Muito inteligente, Dona Lia, vendo o estado de nervos do homem, procurou acalmá-lo:

– Seu João Pedro, a cor da tinta está linda! Um amarelo diferente! Está formidável! Pode acreditar! Da próxima vez que eu mandar pintar minha casa, vai ser da cor da sua!

Seu João Pedro ficou mais calmo e Dona Lia seguiu para o Colégio Nossa Senhora do Carmo, onde ensinava Inglês.

Mais calmo e conformado com a cor da tinta, Seu João Pedro foi completar a tarde com outros goles de cachaça na bodega de Dona Lindalva. Tomou mais três bicadas, uma atrás da outra.

Muito embriagado, o homem fez um verdadeiro discurso. Mesmo revoltado com a cor da tinta, teceu grandes elogios à Dona Lia:

– Dona Lia é uma santa! Não faz mal a ninguém. Achou linda a tinta que veio trocada. Disse até que vai mandar pintar a casa dela da mesma cor da minha! Disse que a cor da tinta é linda e a pintura está formidável.

E o homem continuou discursando:

“Dona Lia é uma mulher de fibra! Disse que a minha casa está formidável! Eu já me conformei e estou gostando da cor. Está mesmo formidável!!!.