Esses versos fazem parte de uma célebre peleja entre os poetas cantadores João Martins de Ataíde e Raimundo Pelado.
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João Martins de Ataíde
Entre o sétimo túnel da Russinha O trem da Serra descia em disparada. Com um tombo que eu dei na retaguarda, Rebolei todo o trem fora da linha, Atendendo aos amigos que ali vinham, Porque alguns não podiam ter demora, De um cabelo eu peguei fiz uma escora, Fiz alavanca de dois cabões de milho, Novamente eu botei o trem no trilho E o maquinista apitou e foi embora.
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Raimundo Pelado
Eu fui um dia no porto de Alagoas Encontrei tudo em belas condições, Tinha cento e cinquenta embarcações Entre navios, paquetes e canoas… Na presença de mais de cem pessoas Num paquete alemão eu me encostei, Quando ele quis sair, eu segurei, Desta vez o Pelado criou fama, O Oceano ficou da cor de lama E o navio só saiu quando eu soltei.
João Batista de Siqueira, Cancão, São José do Egito-PE (1912-1982), foi poeta
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MEU LUGAREJO
Meu recanto pequenino De planalto e de baixio Onde eu brincava em menino Pelos barrancos do rio Gigantescos braunais, Meus soberbos taquarais Cheios de viço e vigor Belas roseiras nevadas Diariamente abanadas Das asas do beija-flor
A terra da catingueira Criada na penedia Onde a ave prazenteira Canta a chegada do dia Planalto, ribeiro, prado Onde até o próprio gado Parece ter mais prazer Terreno das andorinhas Onde arrulham mil rolinhas Quando começa a chover
A borboleta ligeira Que desce do verde monte Passa voando maneira Roçando as águas da fonte As aragens dos campestres Pelas florzinhas silvestres Atravessam sem alarde Quando o sol se debruça A Natureza soluça Nas sombras do véu da tarde
Terreno em que os sabiás Cantam com mais queixumes Belas noites de cristais Cravadas de vaga-lumes Meus mangueirais magníficos Por onde os ventos pacíficos Atravessam mansamente Verdes matas perfumadas Nas lindas tardes toldadas Das cinzas do sol poente
Esvoaçam, preguiçosas, As abelhas pequeninas Tirando néctar das rosas Das regiões campesinas Os colibris multicores Pelos serenos verdores Perpassam com sutileza O orvalho cristalino Lembra o pranto divino Dos olhos da Natureza
Palmeiras que o rouxinol Canta ainda horas inteiras As auras do pôr-do-sol Soluçam nas laranjeiras A pelúcia aveludada De muitas flores bordada Desde o vale até o outeiro Lugar em que cada planta Soluça, sorri e canta Pelos trovões de janeiro
Severino Lourenço da Silva Pinto, Monteiro-PB (1895-1990). Um gênio da cantoria improvisada nordestina. Saiba mais sobre ele noWikipédia
Eu comparo esta vida à curva da letra S: tem uma ponta que sobe tem outra ponta que desce e a volta que dá no meio nem todo mundo conhece
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POR QUE DEIXEI DE CANTAR
Recebi mais de um poema Fazendo interrogação Por que eu da profissão Mudei de rumo e sistema Resolverei um problema De não poder tolerar Muita gente a perguntar Ansiosa pra saber Em verso vou responder Por que deixei de cantar.
Deixei porque a idade já está muito avançada A lembrança está cansada O som menos da metade Perdi a facilidade Que em moço possuía Acabou-se a energia Da máquina de fazer verso Hoje eu vivo submerso Num mar de melancolia.
Minha amiga e companheira Eu embrulhei de molambo Pego nela por um bambo Para tirar-lhe a poeira Hoje não tem mais quem queira Ir num canto me escutar Fazer verso e gaguejar Topar no meio e no fim Canto feio, pouco e ruim Será melhor não cantar.
Não foi por uma pensão Que o governo me deu Por que o eu do meu eu Não me dá mais produção Cantor sem inspiração Tem vontade e nada faz Eu hoje sou um dos tais Que ninguém quer assistir Nem o povo quer ouvir Nem eu também posso mais.
Se o poeta marinheiro Canta as belezas do mar, Como poeta roceiro Quero o meu sertão cantar Com respeito e com carinho. Meu abrigo, meu cantinho, Onde viveram meus pais. O mais puro amor dedico Ao meu sertão caro e rico De belezas naturais.
Meu sertão das vaquejadas, Das festas de apartação, Das alegres luaradas, Das debulhas de feijão, Das danças de São Gonçalo, Das corridas de cavalo Das caçadas de tatu, Onde o caboclo desperta Conhecendo a hora certa Pelo canto do nambu.
É diferente da praça A vida no meu sertão; Tem graça, tem muita graça Uma noite de São João. No clarão de uma fogueira, Tudo dança a noite inteira No mais alegre pagode , E um caboclo bronzeado Num tamborete sentado Tocando no pé de bode.
Os que não querem dançar Divertem com adivinha, Outros brincam a soltar Foguete traque e chuvinha. A mulher quer ser comadre E o homem quer ser compadre, Um ao outro dando a mão. Assim, o festejo cresce E o sertão todo estremece Dando viva a São João.
Se por capricho da sorte, Eu sertanejo nasci, Até chegar minha sorte Eu hei de viver aqui, Sempre humilde e paciente Vendo, do meu sol ardente E da lua prateada, Os belos encantos seus E escutando a voz de Deus No canto da passarada.
Poema de Rogaciano Leite sobre o lançamento do seu livro “Carne e Alma”
AOS CRÍTICOS
Senhores críticos, basta! Deixa-me passar sem pejo, Que o trovador sertanejo Vai seu “pinho” dedilhar… Eu sou da terra onde as almas São todas de cantadores: — Sou do Pajeú das Flores — Tenho razão de cantar!
Não sou um Manuel Bandeira, Drummond, nem Jorge de Lima; Não espereis obra-prima Deste matuto plebeu!… Eles cantam suas praias, Palácios de porcelana, Eu canto a roça, a cabana, Canto o sertão… que ele é meu!
Pede, ó lira inexpressiva, (Antes que o tempo te empoeire) Piedade a Gilberto Freyre, Lins do Rêgo e Álvaro Lins! Carpeaux! Rachel! Milliet! Ó donos de suplementos! Tolerai, por uns momentos, Cem folhas de versos ruins!
Bem sei que até vos afronta Esta minha pena rude Sem talento e sem virtude, Sem beleza de expressão, Que devia estar no mato Entre garranchos e espinhos Esquecida nos caminhos Que dormem brancos — no chão!
Contudo, peço licença Ao majestoso recinto Para dizer o que sinto, Para expor o que escrevi… São retalhos diferentes, Bordados de várias cores, Linhas de risos e dores Do que eu gozei… e sofri!
Rabisquei de pena solta, Ora inquieto, ora tranquilo, Sem fazer questão de estilo, Sem polir, sem burilar Que preconceito de escolas!!! Arre, com tanta exigência!!! O que me veio à cadência Deixei correr, transbordar…
O saudoso cantador Valdir Teles (1956-2020) um dos maiores nomes da poesia nordestina
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Valdir Teles glosando o mote:
Quando chega o inverno Deus coloca Mais fartura na mesa do roceiro.
A matuta faz fogo de graveto Ferve o leite que tem no caldeirão Bota sal na panela do feijão E assa um taco de bode num espeto Onde a música do sapo é um soneto Mais bonito da beira de um barreiro Não precisa zabumba nem pandeiro Que o compasso da música é Deus que toca. Quando chega o inverno Deus coloca Mais fartura na mesa do roceiro.
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Dedé de Dedeca glosando o mote:
Não existe nada eterno Nesta vida de ilusão.
Mesmo o pior sofrimento Um dia vai se acabar Não vá se desesperar Pois tudo tem seu momento Um dia esse tormento Acaba de supetão O rico e o pobretão O antiquado e o moderno Não existe nada eterno Nesta vida de ilusão.
“Não há mal que sempre dure,” “Nem bem que nunca se acabe” Todo mundo hoje sabe Não há mal que Deus não cure Esse vírus não procure Pois mata qualquer cristão O juiz e o ladrão, O patrão e o subalterno Não existe nada eterno Nesta vida de ilusão.
Chico Xavier dizia Eu bem sei que “tudo passa” Orando, o bem ultrapassa Não vá pensar heresia A oração é poesia Que salva qualquer nação Deus quer nossa salvação Para nós Ele é fraterno Não existe nada eterno Nesta vida de ilusão.
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Antônio de Catarina glosando o mote:
O carão que cantava em meu baixio, teve medo da seca e foi embora.
O carão, esta ave tão profeta, habitante das matas do sertão, sentiu falta da chuva no rincão, ficou triste a sofrer como um poeta, sem cantar sua vida é incompleta, o fantasma da seca lhe apavora, pesaroso partiu fora de hora, antevendo um futuro tão sombrio; O carão que cantava em meu baixio, teve medo da seca e foi embora.
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Mariana Teles glosando o mote:
Um café com pão quente às cinco e meia Deixa a casa cheirando a poesia.
Quando o sol se despede da campina E a textura da nuvem muda a cor O alpendre recebe o morador Regressando da luta campesina Entre os ecos da casa sem cortina Corre um grito chamando por Maria… E da cozinha pra sala a boca esfria O mormaço da xícara quase cheia Um café com pão quente às cinco e meia Deixa a casa cheirando a poesia.
Meia hora antecede a hora santa Às seis horas da virgem concebida E o cálice que serve de bebida Desce quente nas veias da garganta Já o trigo depois que sai da planta Faz o pão quando a massa fica fria E o tempero da cor do fim do dia Tem mistura de terço, fé e ceia Um café com pão quente às cinco e meia Deixa a casa cheirando a poesia.
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Zezo Patriota glosando o mote:
Paguei mais do que devia, devo mais do que paguei.
Meu espírito não sossega, com dívidas eu me espanto, pago conta em todo canto e devo em toda bodega, quem deve conta e não nega topa com que me topei, tudo que tinha gastei, com bodega e padaria. Paguei mais do que devia, devo mais do que paguei.
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Júnior Adelino glosando o mote:
Sobre os trabalhos da obra Tudo eu sei ninguém me ensina.
No ramo da construção Faço ponte, creche e praça Com tijolo, cal e massa Eu ergo qualquer mansão Levanto em cima do chão Parede bem grossa ou fina Torre que não se inclina Que não se quebra nem dobra Sobre os trabalhos da obra Tudo eu sei ninguém me ensina.
Com o prumo e a colher Lápis, régua, espátula e rolo Cimento, areia e tijolo Faço o que o dono quiser Sobrado, muro ou chalé Do tamanho de uma colina Ser pedreiro é minha sina Tenho talento de sobra Sobre os trabalhos da obra Tudo eu sei ninguém me ensina.
Nasci com a vocação E aprendi de longa data Que o alicerce e a sapata São partes da fundação Numa grande construção As ferragens predomina Que a faculdade divina Me dá aula e nada cobra Sobre os trabalhos da obra Tudo eu sei ninguém me ensina.
Eu sei dizer que o concreto É quem garante o sustento Com pedra, areia e cimento Começo qualquer projeto Nunca fui um arquiteto Nada disso me domina Construo com disciplina Qualquer coisa com manobra Sobre os trabalhos da obra Tudo eu sei ninguém me ensina.
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Pedro Ernesto Filho glosando o mote:
Cada um tem seu valor, Precisa é ser descoberto.
O pequeno sanfoneiro Com arte desafinada Que de calçada em calçada Vive a ganhar seu dinheiro, Não é Alcimar Monteiro Nem Gonzagão, nem Roberto, Porém deixou boquiaberto O povo do interior. Cada um tem seu valor, Precisa é ser descoberto.
O sertanejo frustrado Vítima da sociedade, Somente vai à cidade Quando se vê obrigado, Falando pouco e errado Porque vive no deserto, Mas se houvesse escola perto Talvez que fosse um doutor. Cada um tem seu valor, Precisa é ser descoberto.
A prostituta de bar Tem na consciência um farne, Negocia a própria carne A fim de se alimentar, O bom conceito de um lar Foi pela sorte encoberto, Talvez que até desse certo Se tivesse havido amor. Cada um tem seu valor, Precisa é ser descoberto.
O bom vaqueiro voraz No mato faz reboliço, Desenvolvendo um serviço Que acadêmico não faz; Coveiro é útil demais Quando um túmulo está aberto Rico não se torna esperto Para fazer o favor. Cada um tem seu valor, Precisa é ser descoberto.
O nosso canto vem de longas trajetórias Das caminhadas que antepassados fizeram. Existe um eco de tudo que compuseram Qu’inda ressoa enquanto evoco estas histórias. Constrói-se ao longo de derrotas e de glórias Tantas conquistas perdas e perseguições. E desde sempre são presentes as canções De amor, de guerra, de esperança e de amizade; Pois era em versos que falavam da saudade Do que deixaram, a desbravar este rincões.
É desta saga de poetas viajantes, De longas terras, que chegaram no sertão E já traziam, inserida à tradição, A poesia improvisada em tons cantantes. Eles já vinham com a cultura de bem antes, De ver, no simples, a inspiração e o tema. Matéria prima de compor tanto poema. Dessa maneira iam nascendo os versos seus Dentre esses povos, vêm, da costa, alguns judeus Que adotaram como mãe a Borborema.
Vem junto a isso muita força cultural Que a região a Borborema faz brotar. É bem comum vários poetas encontrar, Que a poesia flui de forma natural. O nosso Alto Pajeú tem esse astral Por ser começo da subida dessa serra. Sugere um tema até um bode quando berra Que até seu berro soa mais metrificado. De um simples fato pode um verso ser glosado. Só sabe disto que é filho desta terra.
Nesta ascendência, desde João Nunes da Costa, Um bom judeu que se amparou lá em Teixeira, Dá nova fase a essa saga verdadeira E sustentáculo a toda história que hoje é posta. Poder saber da nossa gente a gente gosta. D’antes de nós, tantos artistas violeiros, Que eram, na arte do improviso, os mais ligeiros Como Nicandro, Nicodemos e Agostinho. Jorravam versos nos abraços com o pinho, Como só fazem repentistas verdadeiros.
Desta maneira, há uma leva de artista que faz Que faz do verso sua guia pro destino. Leandro Gomes de Barros e Ugolino Do Sabuji, Francisco das Chagas Batista Que consagrou-se grandioso cordelista E desde cedo já sabia a sua sina Achando pouco se casou com Ugolina Pra reforçarem-se os laços com esses dois. Alguns encontros dos quais viemos depois. Desde esse antes, a poesia nos destina.
Depois daquela geração de violeiros Viram outros menestréis, mestres das rimas. A geração de Otacílio, Louro e Dimas Sequenciou Marinho e Pinto do Monteiro. Toda semente se plantou nesse terreiro De terra fértil, ainda mais, bem adubada. Teria, então, que ser assim a nossa estrada, Feita de um canto, pra chegar a toda parte, Este caminho e objetivo que é a arte, A mais constante companheira da jornada.
É deste curso que toda essa história vem. De além mar vieram nossos ancestrais. E misturaram-se, aqui, com outros mais, Dando-se os traços que essa nossa gente tem. Os descendentes desses povos vêm também Como envolvidos numa espécie de magia. Por gerações o cantador perduraria A fazer versos com a mais forte verve sua. Nesta sequência é que a gente continua Levando a vida sempre Em Canto e Poesia.
Frondoso e bonito, o velho umbuzeiro Que brotou das fendas abertas da terra. Cresceu num aceiro do pé de uma serra Passando agruras o tempo inteiro. Foi ficando forte a cada janeiro, Mudando a paisagem que tem no lugar. Felizes daqueles que vem contemplar, Seu verde, a sombra e sua doçura O doce da fruta na forma mais pura Que o puro da brisa que sobra do mar.
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Diniz Vitorino
Qualquer dia do ano se eu puder para o céu eu farei uma jornada como a lua já está desvirginada até posso tomá-la por mulher; e se acaso São Jorge não quiser eu tomo-lhe o cavalo que ele tem e se a lua quiser me amar também dou-lhe um beijo nas tranças do cabelo deixo o santo com dor de cotovelo sem cavalo, sem lua e sem ninguém.
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Expedito de Mocinha
Eu nasci e me criei Aqui nesse pé de serra Sou filho nato da terra Daqui nunca me ausentei Estudei não me formei Porque meu pai não podia Jesus filho de Maria De mim se compadeceu E como presente me deu Um crânio com poesia.
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Firmo Batista
Um dia eu estava olhando a serra Jabitacá conheci que nela está a natureza sonhando o vento passa embalando o corpo robusto dela a nuvem cobrindo ela pingos de orvalho descendo e o Paraíba dizendo a minha mãe é aquela.
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Marcos Passos
Aos primeiros sinais da invernada, Logo após longo tempo de estiagem, Lá da serra, do vale e da barragem Escutamos os sons da trovoada. Vislumbrando a campina esverdeada, Sertanejo se anima igual criança. Logo mais, quando o mato se balança E um corisco atravessa o céu nublado, Cai a chuva no colo do roçado, Germinando o pendão da esperança.
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Jó Patriota
Na madrugada esquisita O pescador se aproveita Vendo a praia como se enfeita Vendo o mar como se agita Hora calmo, hora se irrita Como panteras ou pumas Depois se desfaz em brumas Por sobre as duras quebranças Frágeis, fragílimas danças De leves flocos de espumas.
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PELEJA DE SEVERINO PINTO COM SEVERINO MILANÊS
Um cordel da autoria de Severino Milanês da Silva
Milanês estava cantando em Vitória de Santo Antão chegou Severino Pinto nessa mesma ocasião em casa de um marchante travaram uma discussão.
Milanês
– Pinto, você veio aqui se acabar no desespero eu quero cortar-lhe a crista desmantelar seu poleiro aonde tem galo velho pinto não canta em terreiro
Pinto
– Mas comigo é diferente eu sou um pinto graúdo arranco esporão de galo ele corre e fica mudo deixa as galinhas sem dono eu tomo conta de tudo
Milanês
– Para um pinto é bastante um banho de água quente um gavião na cabeça uma raposa na frente um maracajá atrás não há pinto que aguente
Pinto
– Da raposa eu tiro o couro de mim não se aproxima o maracajá se esconde o gavião desanima do dono faço poleiro durmo, canto e choco em cima.
Milanês
– Pinto, cantador de fora aqui não terá partido tem que ser obediente cortês e bem resumido ou rende-me obediência ou então é destruído
Pinto
– Meu passeio nesta terra foi acabar sua fama derribar a sua casa quebrar-lhe as varas da cama deixar os cacos na rua você dormindo na lama
Milanês
– Quando vier se confessar deixe em casa uma quantia encomende o ataúde e avise a freguesia que é para ouvir a sua missa do sétimo dia