como diz o nosso grande editor Berto, aqui nesta Gazeta há de tudo e mais um pouco.
Todos são livres para expor suas ideias e convicções, desde os mais à esquerda, como o colunista Xico o fez no dia 15 com sua crônica; como também um “isentista” juramentado como o titular deste espaço.
Eles escrevem e eu venho ocupar os comentários para tentar explorar contradições de suas explanações.
Tento ser o mais respeitoso, dentro de minhas limitações.
É por isso que frequento a sei lá quantos anos esta Gazeta Escrota mais democrática da Internet.
Aprendi mais sobre a Inquisição, a portuguesa, em vossos textos do que havia aprendido em muitos anos lendo sobre o assunto. O que mais me espanta é ver como a história se repete.
Parece que as perseguições, abusos e injustiças são parte fundamentais dos poderosos destas bandas. Os investidos nos poderes dos Tribunais do Santo Ofício; Tribunais Supremos ou Serventias de comarcas só precisam de um pretexto para exercerem seus piores instintos.
O pior é com isso contamina a todos. Delações; colaboracionismo e locupletamento são largamente exercidos por aproveitadores, seja pelas migalhas que acabam recebendo seja pelo simples sentimento do pequeno poder que pensam possuir.
Basta postar uma simples crítica aos inquisidores modernos nas redes sociais para que uma matilha apareça te denunciando para os visitadores. Já aconteceu comigo, várias vezes.
Imagino o que aconteceria com Voltaire, se nos dias de hoje, fizesse com os visitadores do STF uma gozação do tipo que fez em ‘Cândido’, narrando o terremoto de Lisboa de 1755…
Já vivemos situação semelhante a dos judeus brasileiros que, em 1645, fugiram de Pernambuco para aquilo que viriam a ser os Estados Unidos. A história se repete. Só nos resta pedir a Deus vossa fé, inabalável, de que tudo passa, e um dia tenhamos nosso Marques do Pombal moderno.
Ah, e antes que me esqueça, para ficar no campo literário, Visitadores (as) só desejo aquelas do Pantaleão. (Vargas Llosa).
Assisti apenas uma parte do longo voto de Fux. Também vi um pequeno trecho da fala de Moraes. Não assisti Flavio Dino. Assim, falo apenas do que vi.
A grande diferença entre os votos de Mores e Fux, é que o primeiro baseou-se, fundamentalmente, em ilações pessoais acerca dos fatos. AM por diversas vezes repetia, à exaustão, trechos de mensagens e declarações dos acusados, tentando incutir nos ouvintes suas próprias teses vazias de provas. Ilações, Moraes baseou-se em ilações.
Quanto à Fux, seu voto foi construído com base em um cotejo entre os fatos – não o que ele acha dos fatos – e a legislação penal, processual penal e constitucional aplicável, além da jurisprudência da corte. Por outras palavras, ateve-se ao papel, único papel, do julgador: ater-se aos fatos, às provas e à lei.
Com seu voto, Fux, o único juiz de carreira desta turma (Dino há muito deixou de sê-lo) agiu como magistrado e não como político (Dino) ou promotor (Moraes), além de desagravar o próprio Tribunal, que vem sendo agredido pelo comportamento ilegal de vários de seus ministros, Moraes à frente.
Tomo emprestado as palavras finais da carta que João Gomes Martins enviou a Marcio José de Moraes, dois grandes ex-juízes federais que atuaram na ação que Clarisse Herzog moveu pelo reconhecimento da culpa do Estado pela morte de Wladimir, seu esposo:
“Enganaram-se os que assim pensaram porque, talvez mais forte, mais elegante e mais alta se elevou a voz de um (jovem) magistrado para deixar bem claro que ainda há juízes no Brasil”.
Para cada voto a favor, uma sanção da Lei Magnitsky.
Será que eles fazem ideia do que isso significa?
Não é apenas ficar sem cartão de crédito ou poder entrar nos EUA; é muito mais, é a morte financeira e social.
Nenhum banco, empresa, clube, associação, amigo irá poder fazer negócios ou mesmo ajudar o Juiz.
Isso se estende a parentes de primeiro grau ou mesmo de segundo, se houver transferência de bens imóveis.
– Ahn, mas os EUA não podem impedir que o Xandemar, p. ex., frequente o exclusivo Clube Pinheiro de SP, diriam alguns incrédulos.
Podem sim, pois se souberem disso, o Clube perderá suas contas e todos os acessos aos serviços de empresas americanas (internet, contas bancárias, Coca-Cola,…).
A pessoa fica tóxica, oligarcas russos (e parentes) perderam bilhões depois de sancionados.
– Ah, mas o sancionado pode levar seu dinheiro para paraísos fiscais em nome de offshore onde não será encontrado. Então, será sim.
Consta que a equipe de Trumpão trabalhou mais de ano pra conseguir agenda com mestre Berto, dada a diferença de boniteza, honramento e sabença entre ambos.