Comentário sobre a ostagem SONETO DOS DEDOS QUE FALAM – Orlando Tejo
João Francisco:
Lindo poema, provavelmente feito na década de 60, onde só se falava de foguetes e bombas.
Ah, os dedos.
Agora me dei conta que para quem se ama, é a parte do corpo que mais entram em contato e que mais conhecemos.
Um movimento dos dedos, por mais sutil, diz muito.
* * *
Que importa que foguetes cruzem Marte
E bombas de hidrogênio acabem tudo,
Se aos meus dedos, teus dedos de veludo
Ensinam que o amor é também arte?
Não desejo mais nada além de amar-te
E em êxtase viver, absorto e mudo,
Sorvendo da ternura o conteúdo
Que antes te buscava em toda parte!
Esses dedos que afago entre meus dedos,
Que acaricio a desvendar segredos
De amor nestes momentos que nos prendem,
Têm qualquer coisa que escraviza e doma,
Porque teus dedos falam num idioma
Que só mesmo meus dedos compreendem!