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Um comentário em “PROCESSO

  1. Maurino Júnior, 03 de setembro de 2025 – O Inferno da República: A Prostituição Suprema e a Babilônia da Imprensa

    Há páginas da história que parecem saídas diretamente das visões mais sombrias de Dante Alighieri. O Brasil de hoje é uma delas. Se o poeta florentino descesse novamente aos círculos do Inferno, não encontraria apenas adúlteros e traidores, mas ministros de toga e jornalistas de microfone, todos condenados à pena eterna da infâmia. A cada fraude processual, a cada manchete omitida, a cada silêncio cúmplice, o país mergulha mais fundo no abismo da degradação institucional.

    O depoimento de Eduardo Tagliaferro — que deveria soar como trombeta apocalíptica — ecoou no Senado como denúncia explosiva: documentos forjados, retroação ilegal, manipulação do processo judicial. E o que fez a imprensa, suposta guardiã da democracia? Nada. Fez-se Babilônia prostituída, escrevendo apenas o que convém ao soberano de ocasião. O Globo, que já se ufanou de ser farol da verdade, apagou-se como um lampião sem óleo, reduzido a panfleto de um regime apodrecido.

    Em Ezequiel, lê-se sobre a prostituição de Jerusalém, que se entregava a falsos deuses e recebia sua paga em vergonha. Assim também se encontra o STF, entregue não à lei, mas à idolatria do poder, e a imprensa, prostituída em troca de migalhas do banquete estatal. Alexandre de Moraes, acusado de fraudes dignas de um inquisidor sem freios, não é mais juiz: é sumo sacerdote de um culto macabro onde a Constituição é a vítima sacrificada.

    André Marsiglia já listou os crimes possíveis: falsidade ideológica, falsificação de documento público, uso de documento falso, prevaricação, crime de responsabilidade. É um rosário de pecados que, no Inferno de Dante, mereceria não apenas um círculo, mas uma vala especial, reservada aos que traem a Justiça — a mais alta das virtudes civis.

    E William Bonner, com sua frase: “O senhor não deve mais nada à Justiça”, tornou-se símbolo dessa prostituição. Não foi apenas um jornalista falando; foi o arauto de uma Babilônia corrompida, que absolve sem julgamento, que santifica um condenado em nome da narrativa. Ele, e tantos outros, já têm seu lugar reservado no círculo dos bajuladores, mergulhados para sempre no lodo das próprias mentiras.

    O Apocalipse descreve a Grande Meretriz de púrpura e escarlate, que embriagava os reis da Terra com o vinho da fornicação. Hoje, essa figura é encarnada pelo consórcio que une STF, Executivo e imprensa: uma tríade prostituída que embriaga o Brasil com narrativas falsas, que persegue uns e absolve outros, que cala a verdade e vocifera a mentira.

    Mas toda Babilônia cai. Toda Sodoma arde. Toda meretriz termina devorada pelos próprios amantes. Assim também será com este consórcio: o STF que se fez Sodoma togada, a Globo que se fez Babilônia de papel, e o Executivo que se fez herdeiro da corrupção. O fogo da verdade, por mais abafado que esteja, um dia irromperá como o juízo final, consumindo o prostíbulo das instituições.

    O silêncio sobre Tagliaferro não é apenas um erro jornalístico; é o epitáfio de uma imprensa que já não existe. O abuso togado não é apenas um crime de responsabilidade; é o testamento de um Supremo que deixou de ser Corte e se tornou partido. E o Brasil, anestesiado, é como os espectadores de Sodoma: contemplando os fogos da perdição sem perceber que já estão dentro do incêndio.

    Escreve Camus em A Peste: “A forma mais desesperada de mentira é quando se cala o essencial.” Eis o retrato perfeito do jornalismo prostituído e da toga corrompida: ambos calam o essencial, ambos mentem pelo silêncio, ambos arrastam a República para o círculo mais profundo do Inferno.

    E quando a história abrir seus livros, não restará dúvida: viveram-se dias em que a Justiça se fez Sodoma, a Imprensa se fez Babilônia e o Brasil caminhou, cego, rumo ao abismo.

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