ALEXANDRE GARCIA

MINISTRAS NA CORDA BAMBA

Nísia Trindade, Saúde

A ministra da Saúde, Nísia Trindade

Parece que o governo Lula terá duas mulheres a menos. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, está saindo. E agora ficamos sabendo que a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, foi denunciada para a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Ela gravou muitas coisas, dizendo, por exemplo, que recebia telefonemas de Lula, da Janja, mas que enrolava o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e o secretário-geral da Presidência, Márcio Macedo. E ainda falou de emprego na COP30. Um rolo danado. Essa é uma mulher do governo Lula que corre risco de deixar o cargo. Já a outra ministra deve sair mesmo; Nísia Trindade sempre teve uma ação de esquerda na Fiocruz durante o governo passado, mas Jair Bolsonaro nunca a tirou de lá. Agora, parece que ela não está mostrando serviço.

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“Minuta do golpe” era estado de defesa, que está na Constituição

Estava revendo a delação de Mauro Cid e muita gente fala da tal “minuta de golpe”. Mas o que era isso? Era a sugestão de uma medida totalmente constitucional, de estado de defesa ou algo semelhante, para fazer a recontagem dos votos se houvesse dúvida – e há dúvida até hoje. Mas este é um protocolo que tem de ser aprovado pelo Conselho da República e, depois, pelo Congresso Nacional. Que golpe é esse que tem de ser aprovado pelo Congresso Nacional? Tanto que o então procurador-geral da República, Augusto Aras, achava que não havia nada de consistente ali que pudesse fortalecer o inquérito. Mas o próprio ministro Alexandre de Moraes, relator – nunca se viu um juiz passando a ser o instrutor de uma delação –, foi lá e assumiu a delação.

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Depoimento de Cid está cheio de absurdos de Moraes

E entre as coisas vimos está o ministro Moraes insistindo com Mauro Cid. “E aí? Vocês sabiam do 8 de janeiro?” Claro que não sabia; foi uma absoluta surpresa, surpreendeu todo mundo – só não surpreendeu aqueles que receberam os comunicados insistentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), prevendo que poderia haver manifestação e que poderia haver quebra-quebra, como já houve em outras ocasiões.

Cid ainda foi ameaçado: “Ou você muda essa versão e tal, ou seu pai vai ser investigado, sua esposa vai ser investigada, sua filha mais velha vai ser investigada e você vai ser preso de novo”. Ele ficou preso quatro meses. E aí percebemos por que Filipe Martins (também assessor de Bolsonaro) ficou preso seis meses, e inclusive consta que ficou dez dias em solitária. Qual era o objetivo? Ver se Filipe Martins também concordava em fazer uma delação. E todos sabiam que o motivo da prisão não existia. A justificativa é que ele teria desembarcado nos Estados Unidos, que planejava uma. Mas não: ele saiu de Brasília (DF), foi para Curitiba (PR) e depois para Ponta Grossa (PR).

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Registros manipulados para incriminar Filipe Martins e para inocentar Adélio Bispo

Agora estão investigando para saber como apareceu o nome de Filipe Martins lá nos registros de imigração dos EUA. Isso é importantíssimo, porque é um “fio de Ariadne”, que puxamos para saber quem estava na outra ponta do fio, quem botou o nome de Filipe Martins na alfândega de Miami. Assim como é preciso investigar quem botou o nome do Adélio Bispo entrando na Câmara dos Deputados. Quem foi o deputado que autorizou – porque só um gabinete de deputado pode autorizar – a entrada de Adélio no dia 6 de setembro de 2018, quase véspera de eleição, em plena campanha? Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio em Juiz de Fora (MG) enquanto o nome dele estava lá na Câmara dos Deputados, como se ele estivesse na Câmara. Era o álibi perfeito, se Adélio não tivesse sido preso em flagrante. São mistérios que precisam ser esclarecidos.

ALEXANDRE GARCIA

O POVO É QUEM DEVERIA DECIDIR SOBRE OS CANDIDATOS

O juiz Antonio Maria Patiño Zorz, de São Paulo, ainda na primeira instância da justiça eleitoral, tornou inelegível, por oito anos, Pablo Marçal. É uma ação movida pelos candidatos derrotados da eleição municipal de São Paulo, Tábata Amaral, do PSB, e Guilherme Boulos, do Psol.

Marçal foi condenado por abuso do poder político, abuso do poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, captação ilícita de recursos de campanha. Ainda cabe recurso para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).

Coisas assim não existem na justiça americana. Para começar, os Estados Unidos não têm justiça eleitoral e quem faz a eleição lá é um secretário do governador de cada estado. A justiça americana permitiu, por exemplo, que o presidente Donald Trump concorresse. O melhor julgamento é o povo.

O colega colunista JR. Guzzo propôs que em 2026 Lula e Bolsonaro se enfrentem novamente nas eleições presidenciais. O povo julgaria e ponto final. O Brasil tem essa mania de tutela. Os burocratas que ocupam o Estado se sentem tutores do povo brasileiro. Como se estivéssemos no tempo do Império, do início da República.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, naquele discurso memorável discurso histórico em Munique, na Conferência de Segurança, disse: “Se vocês têm que prender e censurar opositores é porque a democracia de vocês está precisando virar democracia de verdade. Está muito fraquinha. Se ela tem medo disso, tem medo das palavras”.

Isso se aplica para o Brasil. Deixa que o povo decida.

Não estou defendendo o Pablo Marçal, porque eu discordo do estilo dele – mas isso é uma questão pessoal minha. O que eu acho é que deveriam deixar que o povo decida.

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Nísia Trindade sai do Ministério da Saúde

A ministra Nísia Trindade deve sair do Ministério da Saúde. Ela, que tinha uma célula esquerdista dentro da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz – e foi mantida lá por Jair Bolsonaro, embora discordasse totalmente do ex-presidente.

Aliás, agora a gente está vendo quem tinha razão na pandemia. Aqueles que eram chamados de “terraplanistas” tinham toda a razão sobre a vacina, a máscara, sobre fechamento do comércio, sobre o distanciamento. Só que agora ninguém é responsável. Não fazem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar quem provocou tanto prejuízo para o povo brasileiro.

Voltando ao assunto Nísia Trindade, quem deve entrar no lugar dela é Alexandre Padilha (mais do mesmo), que já foi ministro da Saúde, é médico e que está como ministro das Relações Institucionais de Lula. Pelo menos ele já tem experiência no Ministério da Saúde.

Sobra, então, a vaga do Ministério da Relações Institucionais. Será que Lula vai nomear alguém do PT ou será que ele vai nomear alguém do Centrão? Ainda não sei, mas acredito que o Centrão está com um pé atrás. O Titanic que é este governo já bateu no iceberg e não sei se o Centrão vai querer embarcar de vez.

ALEXANDRE GARCIA

CRIME SÓ PENSADO VAI PARAR NO STF; CRIME COMETIDO ACABA ESQUECIDO

Adélio Bispo, autor da facada contra Jair Bolsonaro, deixa a Polícia Federal, em Juiz de Fora (MG), após interrogatório em 6 de setembro de 2018

Qual é a diferença entre Adélio Bispo e o tal plano do golpe que não houve, que está na denúncia entregue ao Supremo pelo procurador-geral da República? A diferença é que o plano do golpe que não houve não passou da primeira fase. Quem estuda o “caminho do crime” sabe: primeiro a pessoa pensa, tem vontade de cometer o crime. Depois, começa a planejar, a reunir os meios. Quando sente que já tem os meios para cometer o crime, ela realiza o crime. Pensar no crime não é crime. A legislação penal não considera crime.

E o Adélio? Ele foi até o fim. Realizou o crime, enfiou a faca no abdômen do candidato que liderava as pesquisas para matá-lo, para tirá-lo da frente e abrir caminho para o candidato que estava atrás. Foi planejado, sim, porque no mesmo 6 de setembro em que ele estava em Juiz de Fora, enfiando a faca, alguém inseriu o nome dele como se estivesse presente no gabinete de um deputado do PSol na Câmara dos Deputados. Ninguém descobriu quem foi, que gabinete autorizou, ficou tudo de lado, resolveram que o Adélio é maluco e ponto final. Ninguém mais fala nisso. Mas foi a tentativa de matar um futuro presidente da República.

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Hugo Motta aparta briga na Câmara; bate-boca é costume bastante antigo

Nesta quinta houve um entrevero no plenário, entre deputados do PL e do PT, por causa da denúncia contra Bolsonaro. Quem estava presidindo a sessão interinamente era uma deputada, e alguém foi chamar o presidente da casa, Hugo Motta. Ele apareceu e disse umas verdades, que não ia mais permitir isso, e que o plenário não era jardim de infância. Eu algumas vezes comparo com a hora de recreio no grupo escolar, onde vão resolver as brigas. É falta de maturidade, falta de postura. Na Câmara se diz “falta de decoro”, mas é falta de educação mesmo. E, principalmente, falta de argumento. Quem parte para a gritaria, para a interjeição, para o adjetivo, faz isso porque não tem argumento substantivo para debater um assunto. E lá é o lugar de parlamentar, de fazer um debate civilizado, sobretudo um debate inteligente. O que houve lá não era um debate inteligente, nem sequer era um debate; era só uma gritaria burra. Motta acertou, e aproveitou para avisar que, lá dentro, “ninguém sem gravata e sem paletó”. Está absolutamente certo.

Mas isso não é de agora, não. Eu era ainda adolescente quando Juca Chaves – que depois virou um amigo de vida inteira – tinha uma modinha que dizia “dramalhão, reunião de deputado, é palavrão que só sai para todo lado”. Isso nos anos 50. Ainda antes disso, eu também lembro, era menino, o deputado Barreto Pinto se deixou ser fotografado de fraque e cueca e foi cassado, perdeu o mandato. Foi um escândalo, em uma outra ocasião, quando um deputado do PMDB do Rio Grande do Sul foi de sandália franciscana, houve fotografia nos jornais. Aquele é um lugar de respeito. Eu me choco quando vejo um deputado ou senador de chapéu, por exemplo. Existe chapelaria na entrada da Câmara e do Senado, que é justamente para deixar os chapéus, os guarda-chuvas. Não se usa chapéu em ambiente fechado; descobrir a cabeça é um sinal de respeito ao local.

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Depois da picanha e do café, ovo também vai virar artigo de luxo

Lula disse que estava comendo ovo de ema, de pata, e vai comer de jabuti. Agora vejo no noticiário que o ovo já subiu 40%. Também está fora do alcance, assim como a picanha e o café. Um amigo me procurou dizendo “recebi um presente, um presentão aqui”: eram dois sacos de café, de uma produtora de café aqui de Brasília…

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Não há palavras para descrever tragédia do menino Salomão 

E, por fim, um registro do horror dos horrores: aquele caso do menino Salomão, 2 anos, numa creche lá em Nerópolis (GO). Eu não sei qual é a origem do nome da cidade, mas Nerópolis me faz lembrar Nero. E foi uma coisa de Nero mesmo: a dona da creche trouxe a criança, deixou no carro, esqueceu que tinha uma criança sentada no banco de trás, deixou o carro fechado, no sol. E o menino morreu. Não há palavras para descrever isso; eu só registro para descarregar um pouco com vocês.

ALEXANDRE GARCIA

O ATUAL É MENOR DO QUE O DO PASSADO

Nesses tempos de denúncia contra Bolsonaro e mais 33 pessoas, o Estadão divulga uma pesquisa feita na Câmara e no Senado sobre a receptividade da ideia de anistia, pois a anistia está ganhando tanto na Câmara quanto no Senado. Recém começou e vai ser impulsionada agora por essa denúncia.

Os números, na Câmara dos Deputados, 50% dos pesquisados são a favor da anistia, 42% contra, abstenções, 8%. Ainda não tomaram decisões. No Senado, 46% a favor e 38% contra, com 15% ainda indecisos.

Foi o Instituto Ranking dos Políticos, que ouviu 110 deputados e 26 senadores de 11 partidos políticos. É um número importante. Quanto a essa denúncia, vejam só, o ministro do Supremo, aposentado, que já presidiu o Supremo, já presidiu eleições, já presidiu o TSE, já foi o decano, Marco Aurélio Mello, disse que os ministros do Supremo perderam a cidadania, que não podem mais sair para a rua. E já passou a hora de fazerem autocrítica.

Eu já lembrei que desse Supremo de hoje não dá para se esperar nada, porque parece que já está no script. Assim como a Polícia Federal a serviço do relator Moraes, o procurador-geral, e agora foi lá para a primeira turma para aceitar ou não a denúncia, depois vai para o plenário dos 11 do Supremo. Não são mais os 11 de 1994, quando absolveram Collor, que tinha sido objeto de impeachment, renunciou antes, mas o impeachment ficou valendo, ao contrário do que aconteceu com Dilma, um caso bem diferente, no qual o impeachment não ficou valendo na punição, na pena. Absolveram Collor por falta de provas, porque só tinha declarações, notícias, blá, blá, blá, conversa entre pessoas, mas não tinha provas.

Agora mesmo, nesse relato todo, nessa denúncia toda, os jornais que costumavam dizer “declarou sem provas” e coisas semelhantes, agora não estão ressaltando o essencial, que é a falta de provas. Tem uma declaração e umas conversalhadas aí entre gente que, uma vez, ouviu o general Heleno chamando “uns malucos aí”.

Isso serviu para algo que não houve, não aconteceu, não mobilizou Forças Armadas, não mobilizou armas, não fez ameaça. A gente vê casos da justiça penal criminal situações em que o sujeito tentou entrar na casa, mas não conseguiu, e aí ele é solto porque não concluiu o roubo que ele estava tentando fazer. Mas aí está a explicação.

Lula disse que no governo dele, o que vale é a presunção da inocência, mas agora os denunciados vão ter que provar que são inocentes. É risível, não é? Quem tem que provar que a pessoa é culpada é o que está denunciando.

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2026

Bom, José Roberto Guzzo, num artigo publicado no Estadão, disse que a melhor coisa é submeter Lula e Bolsonaro ao julgamento do povo na eleição de 2026. O povo faz o julgamento e pronto, isso é o que há de mais democrático, é assim que age a justiça americana. O julgamento popular, já que todo o poder emana do povo, é o julgamento supremo, esse é o julgamento popular, uma boa ideia do Guzzo.

Mas falei de Lula, ele disse isso numa entrevista que deu ontem e perguntaram se o Brasil ia mandar tropas em missão de paz se houver um cessar fogo entre Rússia e Ucrânia. Ele disse que não, que não manda tropas. Agora o fato de The Economist, a revista inglesa que tem muito prestígio mundial, lembrar do Brasil já é algo. Por que lembrou do Brasil? Em primeiro lugar, porque está separando a potencialidade do país Brasil e os problemas do governo atual. Está separando toda aquela história de corrupção, de mediocridade, olhando separadamente da grandeza do Brasil. Lembrou da tropa brasileira.

Aliás, eu vi uma citação do Hélio Gasperi no Globo de ontem, citando uma pessoa dizendo Lula não sabe governar com pouco dinheiro. Isso me lembrou Margaret Thatcher, que disse: o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros.

ALEXANDRE GARCIA

MARCO TEMPORAL

Eu falei dos compromissos do novo presidente da Câmara, e muita gente postou nas redes sociais que gostaria de ver a prática. O discurso está ótimo, maravilhoso, muito bom, cheio de boas intenções, sabe as necessidades para botar o Brasil nos trilhos, mas e a prática? Pois a prática já começou.

Vocês se lembram que entraram no STF para contestar o marco temporal das terras indígenas estabelecido na Constituição. É algo que interessa praticamente a todos os estados brasileiros, a todos que têm terra no meio rural. Os estados mais afetados são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, talvez o Pará. Os problemas fundiários com relação a demandas indígenas já se espalham por aí, já aconteceu na Bahia, por exemplo.

Onde Hugo Motta entra nisso? Existe uma comissão de conciliação no Supremo, e a Câmara dos Deputados faz parte dela; Motta tirou uma deputada do PSol, chamada Célia Xakriabá, que era suplente de um deputado do MDB de Rondônia. Como ela era suplente, era preciso botar alguém que não fosse suplente, e Motta escolheu Sílvia Waiãpi, do PL do Amapá. Isso faz diferença, porque o PSol quer mudar o que está no artigo 231 da Constituição, mas Sílvia Waiãpi não, ela quer manter a Constituição. E Hugo Motta, ao assumir a presidência da Câmara, disse que temos de lutar pela Constituição.

Só quem não sabe ler é que interpreta de outra forma o que está na Constituição. O artigo 231, falando sobre os indígenas, usa um português muito claro; até tentam inventar outras coisas, mas não tem como. “São reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, diz o texto. “Ocupam” é presente do indicativo do verbo “ocupar”, na terceira pessoa do plural. Não está escrito “que ocuparam”, nem “que ocuparão”, nem “que vierem a ocupar”. Está escrito “ocupam”, quer dizer, ocupam agora, presente do indicativo. E qual é o presente do indicativo da Constituição? É o dia em que ela foi promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte: 5 de outubro de 1988. Então, as terras indígenas são aquelas que os índios ocupavam tradicionalmente em 5 de outubro de 1988; não aquelas que ocuparam em 1500, quando eles ocupavam todo o Brasil. Se levarem essa nova interpretação ao pé da letra, vamos retornar à situação antebellum, não é? Antes da descoberta, antes do Cabral. Então, está na hora de fazer vigorar a Constituição.

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Venezuelanos disparam contra militares da Guiana 

Seis militares da Guiana foram feridos a tiros por uma gangue, que na verdade é um grupo paramilitar chamado Tren de Aragua, que dizem estar a serviço do governo da Venezuela. Essa gangue atirou, da margem venezuelana, numa embarcação militar da Guiana que navegava pelo rio que divide os dois países. Dos seis feridos, dois ficaram em estado grave e foram levados para Georgetown. Claro que é tudo para manter a tensão na região. O que o Brasil tem feito para garantir nossa fronteira norte em relação a esse vizinho perigoso, que pretende invadir um outro vizinho nosso?

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Forças brasileiras para garantir a paz entre Rússia e Ucrânia?

A revista The Economist levantou a hipótese – que eu acho meio fantasiosa – de que os americanos gostariam que Brasil e China mandassem forças de paz para garantir a paz entre Rússia e Ucrânia, depois de assinado um acordo de cessar-fogo. Eu duvido que estejam pensando na China, porque ela é companheira, aliada da Rússia. O natural seria Brasil e Índia, por exemplo. Eu acho que o Brasil aprenderia muito, se atualizaria muito atuando em uma guerra contemporânea. Interessante que um analista militar disse que havia um problema, que a força de paz iria correr perigo. Aí é piada, não?

ALEXANDRE GARCIA

AGORA É HORA DE HUGO MOTTA CUMPRIR AS PROMESSAS DA POSSE

Hugo Motta ergue Constituição ao assumir presidência da Câmara dos Deputados.

Hugo Motta ergue Constituição ao assumir presidência da Câmara dos Deputados

Vou falar de novo de Hugo Motta, novo presidente da Câmara. Muita gente nas redes sociais diz que estou elogiando Hugo Motta. Não, muito ao contrário: eu estou cobrando. Vou lembrar as promessas e compromissos importantes que ele assumiu no discurso de posse, quando ergueu a Constituição imitando o Doutor Ulysses. Eu revi o discurso algumas vezes e anotei aqui algumas coisas que os jornais não deram, que a televisão não deu, a rádio não deu, e de que eu ainda não havia falado

Citando Ulysses, Motta disse: “São governo o Executivo e o Legislativo. Repito o que disse Ulysses: ‘São governo o Executivo e o Legislativo’”. Ele não está citando o Supremo, porque o STF não tem a representatividade do povo. É um órgão técnico, ao contrário do que tem dito o presidente do Supremo. Luís Roberto Barroso já disse que o STF é um órgão político, que se transformou… não sei como se transformou, porque a Constituição não foi alterada. Outra frase dele, também citando Ulysses: “Muitos têm maior probabilidade de acertar que um só”. Quem é o “um só”? O presidente da República. Quem são os muitos? Os 594 congressistas, 81 senadores e 513 deputados. Isso é parlamentarismo, é aquela proposta do paranaense Luiz Carlos Hauly, que chamaram de “semipresidencialismo”, mas na verdade é parlamentarismo.

Mais uma frase do discurso: “O primeiro sinal de todas as ditaduras é minar e solapar todos os parlamentos”. O que ele está dizendo? Que quem está tentando tirar força do parlamento quer ditadura. Motta disse também que “não há democracia sem imprensa livre e independente” – no caso, “imprensa” não é a imprensa que imprime jornal, é um sinônimo de jornalismo, comunicação, informação. O jornalismo precisa ser livre e independente, ou isso não é democracia: é censura, que está proibida na Constituição.

“Todo poder emana do povo”, está escrito na Constituição. Motta leu essa frase e disse: “‘Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido’. Não se disse ‘quase todo poder’, ‘algum poder’, ‘uma parte’”. Não, a Constituição disse “todo poder emana do povo”. É uma fala profunda, a dele. E depois menciona a cooptação do parlamento pelo toma-lá-da-cá. Um “arrendamento”, ele chama, do Legislativo pelo Executivo. E vi um vídeo do Gustavo Gayer dizendo também isso, que o governo está comprando os votos do Congresso com emendas, liberação de emendas.

“Fazemos parte, todos nós, todas as senhoras e todos os senhores fazem parte da solução e não do problema”, ele ainda disse. Está sacudindo todo mundo lá dentro. “Sou o primeiro na fila da transparência” em todos os poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Transparência… isso é necessário em todos os poderes, transparência na apuração da eleição, transparência nos processos, nos inquéritos sigilosos, ou nos dados de gente do Palácio do Planalto, que estão cobertos de proteção por 100 anos.

“Vamos lutar pela Constituição.” Uau! “Estamos no ponto de partida onde nos colocaram os constituintes.” Começar tudo de novo para impor a Constituição a esse país. Isso é importantíssimo, porque estão rasgando a Constituição. Passou o tempo do dedo na cara, é hora de olho no olho. O nome disso é respeito. É uma rebelião comandada pelo presidente da Câmara. “Ninguém é dono da Constituição. Todos somos seus devotos defensores e todos, sem exceção, devemos a ela obediência. A Constituição está acima de todos, e nada ou ninguém, acima dela”, ele disse. Esse discurso é um compromisso gigantesco de democracia, de Constituição, de devido processo legal, mas sobretudo de democracia. Para voltarmos aos quadros constitucionais vigentes, temos de resgatar a Constituição. E Motta pegou essa bandeira, a bandeira da Constituição.

ALEXANDRE GARCIA

MINISTÉRIO DOS DIREITOS HUMANOS GASTA ENERGIA COM ACIDENTE DE EX-PRESIDENTE

Palácio Iguaçu foi visitado pelo então governador de MG, Juscelino Kubitschek.

Ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

Existe no Brasil o Ministério dos Direitos Humanos. Esse ministério está tratando de investigar de novo o acidente que matou o ex-presidente, criador de Brasília, Juscelino Kubitschek de Oliveira. Ele não quis ir de avião, estava de carro, voltando de São Paulo, e sofreu um choque com um caminhão na Via Dutra.

Criaram mil invenções. Eu lembro, eu estava em Brasília. Teve missa na Catedral, foi construído um memorial em homenagem ao criador da cidade (graças ao presidente João Figueiredo, no melhor ponto de Brasília).

E com tanta gente no presídio, preso político, o Ministério dos Direitos Humanos fica gastando energia com isso, e com a história de aborto para menores. Eu fico pensando, será que se dão conta de que se trata?

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Liberdade de expressão é o primeiro dos direitos humanos

Aí vem o Comitê Interamericano de Direitos Humanos mostrar para o Ministério dos Direitos Humanos aqui que o primeiro dos direitos humanos é a liberdade de expressão. Direito à vida é clássico. Mas eles tratam de aborto, como é que vão tratar de direito à vida?

A gente paga tudo que funciona dentro do ministério, que gasta dinheiro público. O dinheiro dos impostos, assim como é o dinheiro da Lei Rouanet – que patrocina a produção de filmes, de peças de teatro. O governo não cria riqueza. Quem cria riqueza é o nosso trabalho, que é dividido.

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Comitê prepara relatório sobre o Brasil

O Comitê Interamericano de Direitos Humanos recebeu a Revista Oeste, a Gazeta do Povo, a Revista Cruzoé, a Jovem Pan, o Brasil Paralelo, que contaram e levaram tudo, eles levaram os depoimentos e vai haver um relatório. O deputado Marcel Van Hattem acompanhou tudo e foi registrando. Ele certamente vai mandar para parlamentares, senadores e representantes do povo americano lá no Congresso dos Estados Unidos.

Então, está difícil de omitir alguma coisa. Eu tenho dito que tem duas coisinhas básicas que são suficientes. Uma é aquela declaração do presidente do Supremo, “nós derrotamos o bolsonarismo”. Isso é impossível na cabeça de qualquer europeu ou americano.

A outra é o inquérito do fim do mundo, que foi criado sem Ministério Público. Ali o juiz é o suposto ofendido, o investigador, o que apresenta a denúncia e o que julga. Basta isso. Mas tem os depoimentos das pessoas, não tem do Daniel Silveira, por exemplo, não tem do Felipe Martins, mas tem de uma ONG de crianças trans. Não dá para entender.

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Justiça vem com a graça

Sobre Daniel Silveira, Bolsonaro fez uma manifestação. No tempo do Cesare Batistti – que matou três ou quatro, confessou e está cumprindo pena na Itália –, ele estava aqui e foi concedido o asilo político. O Supremo confirmou com todos os dados enviados pela justiça italiana. E o presidente da República, usando de uma prerrogativa exclusiva dele, deu a graça.

A justiça vem com a graça, não tem como se quiser pacificar. E, no entanto, derrubaram o indulto que Jair Bolsonaro deu para o Daniel Silveira, que continua cumprindo pena agora em uma colônia penal.

ALEXANDRE GARCIA

ÍNDIOS TAMBÉM MERECEM O PROGRESSO, MAS A LEI NÃO DEIXA

índios paresí agricultura

Cultivo de alimentos com maquinário agrícola ocorre há duas décadas entre os índios Paresí

O artigo 5.º da Constituição é cláusula pétrea, mas nós o desrespeitamos toda hora, inclusive no Congresso Nacional. O artigo 5.º diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Ou seja, não podemos fazer nenhuma distinção pela cor da pele, pelo sexo, pela etnia, por coisa nenhuma. Mas fazemos leis com base em distinções. Digo isso porque, neste momento, duas etnias de brasileiros, os paresís de Mato Grosso e os caingangues dos estados do Sul – em 1971, eu entrei no Jornal do Brasil exatamente graças a uma reportagem que fiz sobre os caingangues –, estão reclamando, dizendo que são discriminados pela lei brasileira.

Por serem de etnia indígena, nem os paresís nem os caingangues podem entrar no Plano Safra. Eles não podem receber juros subsidiados, têm restrições ao plantio de soja, não podem plantar soja transgênica porque é proibido plantar qualquer transgênico em terra indígena. Eles não conseguem vender, porque não se pode vender soja de terra indígena. Eles são grandes plantadores, tão modernos quanto os demais agricultores brasileiros, com máquinas agrícolas modernas, exportadores. Os paresís têm pista de pouso, filhos na universidade, hotel, hospital. Mas têm esse monte de proibições.

Deixem-nos serem brasileiros! O artigo 5.º da Constituição proíbe fazer diferença, mas eles são prejudicados pela diferença. Não são protegidos, são prejudicados. Assim como na Amazônia, onde o café robusta de Rondônia está conquistando os Estados Unidos, onde os indígenas também produzem cacau. E são brasileiros, como todos nós. Que país de doidos, de masoquistas!

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Trump está trabalhando para acabar com a guerra na Ucrânia 

Donald Trump já conseguiu enquadrar o México e o Canadá, que agora estão fechando as fronteiras; não entram mais droga nos Estados Unidos, nem imigrantes latinos pelo México. Agora, está chegando a paz: Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky estão dispostos a conversar para fazer a paz e acabar com aquela guerra. Trump ainda falou com o rei Abdullah II, da Jordânia, sobre abrigar os palestinos. Em 1982, quando cobri uma guerra lá, todo mundo me dizia que o verdadeiro território palestino era ali, na Jordânia. Mas os ingleses fizeram a divisão com os franceses na base da régua e não na ocupação real, e a Jordânia não quis receber os palestinos.

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Senador americano questiona PGR sobre democracia no Brasil

Um senador americano está reclamando do Brasil o cumprimento de questões básicas de tratados internacionais que o Brasil assinou sobre temas como liberdade de expressão, direitos humanos, abuso do poder, prisões arbitrárias e censura. O Brasil tem o dever de seguir esses tratados; a liberdade de expressão está na Constituição, a vedação à censura está na Constituição, mas não adianta o governo brasileiro dizer que está tudo na Constituição; é preciso aplicar.

Agora, o senador Shane David Jett está cobrando do procurador-geral da República o que ele tem feito para preservar a democracia. Ele já tinha feito o mesmo questionamento ao Conselho Federal da OAB. É uma vergonha, não? As notícias chegam lá e os norte-americanos ficam preocupados com a democracia no continente porque, se perdermos a democracia, isso afeta o continente todo, e também a segurança dos Estados Unidos. Tudo isso em meio a essa história da Usaid e seu envolvimento no Brasil. Nós também estamos querendo saber detalhes do que está acontecendo.

ALEXANDRE GARCIA

A HIPOCRISIA DO PRESIDENTE, QUE PEDE AOS PREFEITOS O QUE ELE MESMO NÃO FAZ

Lula prefeitos escola pública

Lula discursa no Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília

O governo federal organizou um Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas em Brasília. Consta que vieram quase 4 mil prefeitos, provavelmente à custa dos nossos impostos. Mas o total, dizem, era de 20 mil pessoas, porque vieram também funcionários, representantes, secretários etc. O encontro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, fechou o Eixo Monumental, que é uma das principais vias de Brasília. Foi uma catástrofe no trânsito brasiliense. E aí os eleitores brasilienses, que já são majoritariamente contra o PT, ficaram mais furiosos ainda.

O marqueteiro Sidônio Palmeira diz que Lula tem de se expor mais, falar mais. Não sei se isso é vantagem. Vocês viram o que o presidente fez um dia antes? Passou pito nos prefeitos! Criticou os prefeitos cujos filhos estão na escola particular e não na escola pública, dizendo que assim nunca vão resolver o país. É um absurdo, disse ele. Na cabeça de Lula, os prefeitos são subordinados ao presidente da República. Não são; os prefeitos são subordinados aos eleitores dos seus municípios. O presidente da República é chefe do Poder Executivo da União Federal. Não tem nada a ver com os municípios. Nós estamos em uma república federativa. Eu sei que é mambembe, mas ainda vamos defender a federação.

E Lula critica os prefeitos que põem os filhos nas escolas particulares e não nas escolas públicas, mas eu mesmo já ouvi o ministro da Educação de Lula, Camilo Santana, dizendo que “meus filhos estudam em escola particular porque eu pago, eu posso pagar”. O próprio Lula, quando tem problema na cabeça, vai ao SUS? Não, ele vai ao Sírio-Libanês, que é o hospital mais caro do país. Então, como é que ele diz isso para os prefeitos?

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O ato falho de Lula, tratando oposição como crime e pedindo voto

Lula ainda quis dizer que não discrimina prefeitos e não conseguiu. Eu anotei aqui, mas está registrado se vocês quiserem conferir: “Nenhum prefeito será descriminalizado por não ser do meu partido”. E repetiu: “nenhum prefeito será descriminalizado por não votar em mim. Nenhum prefeito será descriminalizado por ter falado mal de um ministro meu”. Isso pressupõe que na cabeça dele é crime não ter votado nele, falar mal do ministro dele, não ser do partido dele? É o tal “ato falho”.

Sem falar que, no dia anterior, ele disse para os prefeitos que “quando terminar o meu terceiro mandato, vocês vão pedir ‘Lulinha fica’”. Isso não é pedir voto fora de época? Segundo a legislação eleitoral, fazer campanha, pedir voto, é só depois de 5 de julho de 2026. Antes disso é ilegal. Eu imagino que a oposição vai mexer com isso.

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Governo atual desfez tudo de bom que veio dos anteriores, diz governador de São Paulo

O Adalberto Piotto, na Oeste, entrevistou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O governador lembrou que no governo Jair Bolsonaro o endividamento era de R$ 700 milhões por dia. Agora está em R$ 3 bilhões por dia. Ou seja, está num ponto em que a dívida não fica administrável. Já lembrei aqui que, pelo cálculo do FMI, o Brasil está com quase 87% do PIB de dívida. Pelo cálculo do Banco Central, é só 76%. E Tarcísio ainda disse que tudo aquilo que foi feito de bom nos governos Temer e Bolsonaro, o teto de gastos, as reformas, foi desfeito. Era bom e funcionava, mas agora o que fizeram é ruim e não funciona, ele afirmou. Como é que vai dar certo?

ALEXANDRE GARCIA

SE BRASIL FOR HÁBIL, CONSEGUIRÁ REVERTER SOBRETAXA DO AÇO E DO ALUMÍNIO

Trump sobretaxa do aço e do alumínio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante assinatura de atos oficiais na Casa Branca em 10 de fevereiro

Eu vou falar de Donald Trump, porque tudo que ele faz lá na Casa Branca tem reflexos aqui. É como o Big Bang, a explosão que deu origem ao universo: há uma explosão nos Estados Unidos e as ondas de choque chegam aqui. A primeira delas é essa sobretaxa no aço e no alumínio que os americanos importam, e que teoricamente afeta o Brasil.

Mas o Brasil tem chances de mudar isso, porque não temos superávit comercial sobre os Estados Unidos; é o contrário. Não é como a China. O aço brasileiro vai para a indústria de eletrodomésticos, a indústria automobilística, e os produtos vão ficar mais caros. Eles mesmos vão pressionar o governo norte-americano para fazer um acordo com o Brasil.

Além disso, há uma siderúrgica genuinamente brasileira, a Gerdau, que está produzindo aço nos Estados Unidos. Se o aço se valorizar por lá, se o preço subir por causa da lei da oferta e da procura, essa empresa brasileira vai ganhar, terá mais demanda para fornecer aço para os Estados Unidos. Por outro lado, aqui temos a Companhia Siderúrgica Nacional, a ArcelorMittal, que vão sofrer. Metade da nossa exportação de aço vai para os Estados Unidos.

O Brasil não precisa bater em Trump, como tem feito o presidente Lula. É melhor ficar quieto. O Itamaraty está quieto porque sabe que pode fazer um acordo. O Canadá e o México já prometeram proteger a fronteira. O México disse que não entrarão nem imigrantes ilegais nem drogas nos Estados Unidos; o Canadá também garantiu que não haverá mais droga entrando nos EUA. Os americanos, então, deram um mês para os dois países demonstrarem isso.

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Terras raras, que causam guerra na África, podem ser chave para paz na Ucrânia

Acabei de mencionar que Canadá e México já concordaram com os pedidos de Trump. Pois até Vladimir Putin está falando de paz com Trump toda hora, assim como o presidente da Ucrânia. Volodymyr Zelensky lembrou que os americanos botaram tanto dinheiro para ajudar a Ucrânia a se defender, e disse que o país tem as chamadas “terras raras”, minerais raros; então, vamos conversar, fazer um acordo e conseguir a paz.

A respeito de terras raras, há uma grande e terrível guerra matando gente na África, e ninguém dá bola. Grupos guerrilheiros ligados ao exército de Ruanda invadiram regiões do Congo, atrás de minerais. Há certos minerais que Ruanda exporta, mas que não é ela quem produz; quem produz é o Congo. E esses interesses de mineração se aproveitam da rivalidade secular entre etnias como hutus e tutsis, por exemplo, que se matam por lá.

Enfim, estão todos correndo atrás desses minerais por causa de baterias de carros elétricos, de celulares, de computadores. O coltan, por exemplo, é um mineral usado em computadores e celulares. Tântalo, lítio, nióbio, tudo isso temos aqui. O Brasil tem 18% desses minerais raros do mundo, mas nós não nos mexemos. Parece que sai só 1% só. Poderíamos estar ganhando com isso.

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Trump não quer dinheiro americano bancando segurança da Europa ou grupos terroristas

O presidente francês, Emmanuel Macron, está dizendo que vai aumentar a verba para defesa, porque Trump criticou o fato de os EUA estarem gastando o dinheiro do contribuinte americano para garantir a segurança da Europa. Agora estão descobrindo que recursos da Usaid foram até para grupos terroristas, para o Hamas, por exemplo. Bilhões de dólares dos pagadores de impostos dos Estados Unidos vão para inimigos dos Estados Unidos. É isso que Trump está interrompendo.

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Hugo Motta fez “exoneraço” na Câmara
 
O novo presidente da Câmara está mostrando serviço mesmo, não são apenas palavras ao vento. Ele já exonerou 465 funcionários que estavam recebendo o dinheiro dos nossos impostos e certamente eram dispensáveis, não tinham nenhuma utilidade para a Câmara, estavam lá pendurados num cabide de emprego.

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Ministro da Defesa volta a dizer que 8 de janeiro não foi golpe e critica condenações

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi ao Roda Viva e confirmou o que já havia dito: que o que aconteceu no 8 de janeiro não tem os ingredientes de um golpe. Falou em senhoras que não jogaram uma pedra sequer sendo condenadas a 17 anos de prisão. Ou seja, ele deu força para o movimento de anistia que está circulando no Congresso. Ao mesmo tempo, o ministro reforçou a teoria de que houve bagunça, sim. Eu gostaria muito de ver condenados aqueles que estavam no destacamento precursor, que abriu as portas do Palácio do Planalto e começou o quebra-quebra lá dentro, e não aqueles que entraram depois, fugindo da fumaça das bombas de gás lacrimogêneo.