Meu coração sofredor Já se acostumou no tédio Inquilinas do amor Abandonaram seu prédio E nas clínicas das paixões Não encontra um só remédio.
Francisco Evangelista
Meu coração sofre assédio Diário da solidão Quando quer se levantar Vem outra desilusão E bota pra beijar a lona De novo meu coração.
Jr. Adelino
O meu não tem jeito não Parece que por pirraça Se ilude com toda dama Tropeça em qualquer trapaça Se não surgir quem lhe salve Termina em banco de praça.
“Lava roupa todo dia, que agonia Na quebrada da soleira, que chovia Até, até sonhar de madrugada Uma moça sem mancada Uma mulher não deve vacilar”
Depois de caminhar alguns minutos pelas veredas na direção do açude, Zoraide de Juca – nos interiores do Ceará, ninguém é conhecido pelo sobrenome. Alguém sempre será “Zé de Miguel”, “Zoraide de Juca”, “Beatriz de Luciano”, “Domingo de Zenaide”, e daí em diante – carregando na cabeça uma bacia com roupas e uma rede cagada para lavar.
No bornal, uma barra de sabão em pedra, cachimbo, uma faca pequena, fumo de rolo, rapadura e farinha seca para a merenda. A água já tem no açude.
Mais com pouco chegam Damiana de Inácio, Domingas de Getúlio e Sandra de Zezim do Bode – assim conhecido por ser o único matador de caprinos nas redondezas.
Pronto. Está formado o mais antigo grupo de zap-zap. Tem até nome registrado no cartório do povoado: “Amigas do Açude e do Sabão”.
– A trouxa hoje tá muito grande, por isso vou cuidar comigo! Falou Domingas de Getúlio!
– Mermã, a minha também não tá pequena e o diacho é que é quase só roupa branca. Os meninos vão precisar pra ir à missa no domingo, disse Sandra de Zezim do Bode.
Eis que o conversê muda de tom:
– Muié, tão dizeno que a fia de Maria do Rosário tá de bucho! Tá prenha mesmo… e não quer dizê quem é o pai, prumode num dá confusão!
As muiés reunidas na lavação
Naqueles tempos passados, “embuchar” a fia de alguém conhecido, tinha que casar. E, se não casasse, o buraco era mais pro lado do que pro meio. O cabra ia se ver!
Domingas de Getúlio não parava de falar. Mas, também não parava de esfregar a roupa. Repentinamente, saiu de soslaio pras bandas do matagal. As outras pensavam que ela tinha “ido conversar com o sabugo de milho” – mas, não foi, porque não levou a vara prumode ispantá os poicos.
Quando menos as outras esperavam, Domingas tava de volta. Tava de volta com uma braçada de ramos de melão São Caetano, que, nas necessidades, dava pra substituir o sabão – só num dava quando a roupa a ser lavada era branca.
– Mulé de Deus (disse Damiana de Inácio), o teu sabão acabou-se foi? E por causo de que tu num falô, mulé?! O sabão que eu truxe vai dá que sobra!
Damiana de Inácio lavando uma rede
– Deixa assim, cumade! Eu num calculei dereito a quantidade de roupa – disse Domingas.
– Ora, bom basta! Retrucou Damiana de Inácio.
Era chegada a hora da merenda. O sinal era o afastamento das amigas para a sombra grande e confortável da ingazeira.
Bacias e cumbucas pra cá, latas vazias pra cá e a merenda começou a aparecer. Nisso, Damiana de Inácio olhou para as amigas e começou a sorrir, certamente lembrando de alguma coisa do passado.
A cobrança veio rápida. Conta Dami, conta. Pediram as outras.
– Se essa ingazeira tivesse boca e falasse!….. KKKKKKKKKK
– O que foi mulé? Perguntaram as outras.
– Afffmaria! O hôme era um jumento, vote! Começou Damiana.
As outras arregalaram os olhos em expectativa.
– Vocês são doidas, num posso dizê! Só digo (gargalhando alto) que o hôme era um jumento. Mas que foi bom, isso foi! Concluiu Damiana.
– Só pode ter sido Getúlio, descobriu Sandra de Zezim do Bode!
– E, como diabos tu sabes, que Getúlio é um jumento, mulé?! Perguntou Domingas, já exigindo explicações!
Foi nesse exato momento que a filha de Maria do Rosário, a grávida, aparece. Foi, também, quando aquele assunto acabou.
– Saliente que só, Damiana, que naquele ambiente de lavação de roupa na beirada do açude, sabia de tudo, vociferou:
– Eita, espia aí a buchuda! Será que vai nascê um “jumentinho”???!!!
🇧🇷 🇯🇵 “Se o Brasil ganhar (do Japão), ótimo, porque sou brasileiro. Mas se perder, eu não vou ficar triste, não, porque no futebol japonês tem um pezinho da família Coimbra lá.”
Começo dizendo que me graduei duas vezes, sendo uma delas em Economia. Por ser bancário, senti necessidade de aprofundar mais os conhecimentos na área de modo transitar bem no mercado no qual trabalhava. Digo isso, apenas para resgatar que na minha época de graduação havia um interesse maior das empresas por pessoas com cursos superior. Aparentemente, não havia uma dissociação tão intensa quanto a que vemos hoje.
Esta semana li que a China acabou com cursos de Economia, Contábeis, Administração, dentre outras, para incentivar engenharia vinculada a IA. Também vi um vídeo de Lito Souza, um ex-mecânico de aviação que tem um canal bem interessante sobre o assunto, comentar que no ano passado 175 voos experimentais, em naves comerciais, foram realizados sem pilotos. O sistema do avião, ligou a nave, pediu autorização à torre, taxiou, alinhou o avião na pista, decolou, voo e depois voltou para aterrissar, seguindo todos os protocolos necessários para isso.
Quando comparo determinados avanços com o Brasil, a angústia fala mais alto. Nossos alunos ocupam, frequentemente, as últimas posições no exame promovido pelo OCDE (PISA) onde leitura, ciências e matemática, são testados. De 72 países que mandaram alunos, o Brasil ficou em 69º lugar e quando você compara quem foi pior, a tristeza aumenta. Nós estamos equiparados ao nível mais baixo. O mais estranho é o governo alardear a infinidade de recursos que são destinados à educação. Não adiante construir escolas e o problema, também, não é a remuneração do professor que não incentiva. Claro, que como professor eu queria ter um salário mais digno, mas o que eu observo é que há comportamentos diferentes dos mestres. Por exemplo: um professor de escola pública que também ensina em escola particular, não tem um comportamento homogêneo. Na escola particular ele exige do aluno, dá aula com qualidade, está disponível para reforçar conhecimentos. Na escola pública, ele apenas cumpre seu horário. Há exceções? Claro!
Quando a gente avança no ensino superior, objeto desse texto, parece que estamos a anos-luz da civilização. Não falo apenas de graduação, falo da pós-graduação também, porque, até antes da pandemia, os programas de pós-graduação lançavam seus editais e a disputa era acirrada. Pedia-se uma prova de conhecimento, produção acadêmica com artigos publicados em revistas de impacto, tudo isso era convertido numa nota que tinha uma ponderação para aprovar ou não o candidato. Geralmente, 15 vagas para mestrado e 6 para doutorado. Parece brincadeira, mas há casos nos quais temos mais vagas do que candidatos.
O que mudou? A pandemia? Não creio que possamos ser taxativos com isso. A pandemia incentivou as aulas remotas e muitos alunos que se deslocavam de outros estados para cursar mestrado em outro centro, já atuavam com professores de faculdades privadas ou, até mesmo, tinham suas atividades profissionais bem definidas. O custo de sair de Campo Grande para estudar em Recife, por exemplo, tornou-se expressivo.
Depois de tudo isso, vem a qualidade dos trabalhos e aqui falo de dissertações, teses, artigos produzidos que passaram a atender demandas ideológicas, não demandas científicas, ou dito de outra forma, a minha impressão é que o produto de um mestrado ou doutorado não paga o custo da bolsa de estudos que o aluno recebeu. São produtos específicos para fortalecimentos de ideologias políticas. A tese do Jorge Messias, por exemplo, com todo respeito ao seu trabalho, fala do “golpe” sofrido por Dilma. Isso tem uma orientação e além do orientador há mais quatro membros para avaliar o trabalho. E eles aprovaram a tese.
Vi coisas estapafúrdias. Uma delas foi a abertura de um curso de pós-graduação em Etnoafromatemática. Honestamente, o que isso pode contribuir para que nosso aluno, no futuro, saiba resolver um problema de trigonometria, de análise combinatória ou de limites de funções? Essa semana li um texto que falava de um pesquisador que fará um pós-doc discutido, pasmem, o “cristofascimo bolsonarista”. Eu não abordo isso pela referência ao nome de Bolsonaro, mas pela inutilidade da aplicação de uma pesquisa dessa natureza. Confesso que tive dificuldade em entender o que porra significava cristofascimo (voltei ao meu tempo adolescente quando tentei entender o quer era o nirvana).
“Cai de boca no meu bucetão”, “Cuz prolapsados” são alguns temas de defesa de dissertações que estão aprovadas por aí. Tem outras esquisitas também, basta procurar. Também gostaria de deixar claro que não tenho contra as pessoas que buscam a área de humanas para estudar. Eu acho que a gente precisa entender o Homem que tudo não é, apenas, máquina. Mas, não deixa de me entristecer essa loucura.
Se continuar assim, estaremos fadados a ser meros pigmeus. Nenhum avanço, nenhuma métrica coerente, nem candidato a Nobel. Como dizia Roger de ultraje a Rigor, “inúteis, a gente somos inúteis” e a IA vai mostrar isso, dentro em breve.
Curioso o Rio de Janeiro: é o único estado com mais pré-candidatos confirmados ao governo (11) do que ao Senado (7).
Também é a única unidade da federação onde todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos acabaram presos… incluindo alguns dos atuais pré-candidatos.
* * *
De fato, o Rio de Janeiro é um recanto brasileiro curioso.
Muito curioso mesmo.
Esse informação sobre as prisões de governadores é interessante.
Gentile Maria Marchioro Della Costa Polloni nasceu em 1/1/1926, em Flores da Cunha, RS. Atriz e produtora teatral, foi uma das mais relevantes protagonistas da renovação do teatro brasileiro em meados da década de 1950, com a criação do Teatro Maria Della Costa.
Filha de Hermelinda Della Costa e Amadeo Marchioro, estreia na companhia de Bibi Ferreira, com a peça A Moreninha (1944), de Joaquim Manuel de Macedo. Muito bonita, trabalhou também como “show-girl” no Cassino Copacabana e desfiles de moda. No ano seguinte foi para Portugal estudar arte dramática com a atriz Palmira Bastos, no Conservatório Dramático de Lisboa.
Logo de volta ao Brasil, ingressou no grupo “Os Comediantes”, participando de peças como Rainha Morta, de Henry de Montherlant e direção de Ziembinski (1946). Na peça, conheceu Sandro Polloni, que se torna seu marido e administrador de sua carreira. Na sequência, encenou Terras do Sem-fim (1947), uma adaptação do livro de Jorge Amado; Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1947) e Lua de Sangue, de Georg Buchner (1948).
Neste ano, fundou com seu marido o TPA-Teatro Popular de Arte, e estreou a peça Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, no Teatro Fênix e outras peças, obtendo sucesso de público e crítica. Em 1951, teve uma passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), para apenas um espetáculo, Ralé, de Máximo Gorki, com direção de Flaminio Bollini. Nessa época, o casal passa a se dedicar à construção da sua sede própria, o Teatro Maria Della Costa, inaugurado em 1954, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Seu repertório é considerado um dos melhores do teatro brasileiro. Para a produção inaugural, trouxe da Itália o diretor e cenógrafo Gianni Ratto, que montou O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh, onde ela no papel de Joana D’Arc, alcança um dos pontos altos de sua carreira.
A companhia empreende uma excursão pela Europa, EUA e Buenos Aires, onde lotam as salas de teatro por 45 dias. Ao visitar Nova Iorque conheceu o autor Arthur Miller e dele traz, para comemorar os 10 anos de seu teatro, a peça Depois da Queda, dirigida por Flávio Rangel, que dirigiu também as peças Homens de Papel, de Plínio Marcos (1967), Tudo no Jardim, de Edward Albee (1968), entre outras. No cinema atuou em diversos filmes: O Cavalo 13 (1947), O Malandro e a Grã-fina (1948), Inocência (1949), Caminhos do Sul (1949) e Moral em Concordata (1959). No premiado filme Areião (1952), foi dirigida por italiano Camillo Mastrocinque. Na televisão teve pouca participação: a telenovela Beto Rockfeller, na TV Tupi (1968) e na TV Globo, Estúpido Cupido (1976) e Te Contei (1978).
Em 1956, volta a encenar 3 espetáculos criados por Flaminio Bollini: A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca; Rosa Tatuada, de Tennessee Williams; e Moral em Concordata, de Abílio Pereira de Almeida. Segue-se uma longa visita a Lisboa, com parte do repertório montado pela companhia. Em 1958, Bollini é trazido mais uma vez para dirigir a primeira montagem profissional brasileira de uma peça de Bertolt Brecht: A Alma Boa de Set-Suan. Em 1959, decidiu confiar a um jovem e desconhecido diretor, Flávio Rangel, a peça Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri. Foi o primeiro espetáculo brasileiro convidado a apresentar-se no Festival do Teatro das Nações, em Paris, e ganhou o prêmio de melhor trabalho folclórico.
Um dos sucessos de sua companhia foi a encenação da peça Bodas de Sangue, de Frederico Garcia Lorca, em 1973, com encenação de Antunes Filho. A partir daí foi reduzindo sua atuação no teatro e passa a dividir o tempo com a administração do hotel em Paraty. Junto com o marido, fundam o “Hotel Coxixo”, atualmente “Pousada Literária”. Suas últimas encenações foram Motel Paradiso (1982), de Juca de Oliveira; Alice que Delícia (1987), de Antônio Bivar e Temos que Desfazer a Casa (1989), de Sebastián Juvent.
Em 2002 foi homenageada pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural e faleceu em 24/1/2015.
Duas biografias apresentam amplo levantamento da vida da atriz que impulsionou o teatro brasileiro: Maria Della Costa: Seu teatro, sua vida, de Warde Marx, publicada pela Imprensa Oficial do Estado e Fundação Padre Anchieta, em 2004, bem como sua trajetória empresarial: Uma empresa e seus segredos: Companhia Maria Della Costa, de Tânia Brandão, publicada pela Editora Perspectiva, em 2009.
A grande maioria dos cristãos nunca ouviu falar no Evangelho de Tomé, com 114 sentenças proferidas pelo Homão da Galileia, devidamente anotadas por quem também era chamado de Dídimo, o Gêmeo.
Segundo dados por mim coletados, o Evangelho de Tomé, ou melhor, Evangelho de Tomás, ou ainda Evangelho Cóptico de Tomás, preservado em versão completa num manuscrito copta em Nag Hammadi, é uma lista de 114 ditos atribuídos a Jesus. Quase dois terços desses ditos se assemelham aos encontrados nos evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João[1], os demais sendo desconhecidos até a descoberta do manuscrito, em dezembro de 1945, não muito longe de Nag Hammadi, do Egito..
Tomé não explora, como os demais, a forma narrativa, apenas cita — de forma não estruturada — as frases, os ditos ou diálogos breves de Jesus a seus discípulos, contados a Tomé, dito Dídimo (“gêmeo” em grego), sem incluí-los em qualquer narrativa, nem apresentá-los em contexto filosófico ou retórico.
Segundo a sugestão do Prof. Helmut Koester, que leciona na Universidade Harvard, o Evangelho de Tomé foi recompilado por volta do ano 140, mas talvez contenha textos de algumas tradições ainda mais antigas que os evangelhos canônicos, possivelmente da segunda metade do século primeiro (50−100), em Síria, Palestina ou Mesopotâmia. Da mesma época ou anterior aos evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. O Dr. Koester também disse que este evangelho lembra a fonte hipotética denominada Quelle, com ditos que teriam sido usados pelos evangelhos de Lucas e Mateus. Também segundo ele, o texto em copta é uma tradução do grego.
No Evangelho, a identidade de Jesus entra em questão a partir do dito 13. Jesus pergunta aos discípulos a quem Ele se assemelharia. Pedro dá-lhe uma dimensão sobrenatural, enquanto Mateus, o coloca entre os filósofos. Tomé afirma que Jesus é inefável. A filiação divina é assegurada no dito 44, ao Jesus se referir a Deus como Pai. O designativo principal para Jesus é o Vivente (dito 52).
Três ditos do Nazareno a título de uma amostra do Evangelho:
103. Disse Jesus: “Feliz do homem que sabe por onde penetram os ladrões! Assim pode erguer-se, reunir forças e estar alerta e pronto antes que eles venham.”
36. Jesus disse: “Não andeis preocupado, da manhã até a noite, e da noite até a manhã, sobre o que haveis de vestir.”
7. Jesus disse: “Abençoado é o leão que se torna homem quando consumido pelo homem; e amaldiçoado é o homem o qual o leão consome, e o leão se torna homem.”
Uma leitura que muito agigantará o saber dos cristãos sobre o assunto: ALÉM DE TODA CRENÇA: O EVANGELHO DESCONHECIDO DE TOMÉ, Elaine Pagels, Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2004, 245 p. A autora, PhD pela Universidade de Harvard em 1970, recebeu o Prêmio da Congregação MacArthur em1981. Segundo um informativo científico: ”Leitura eletrizante, um modelo de erudição equilibrada e profunda e uma prosa viva e excitante.”
Saibamos identificar melhor a metodologia utilizada pelo Nazareno para fortalecer comunidades, tornando-as mais igualitárias!