DEU NO JORNAL

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

CHARLES ATLAS DEPOIS DA GRIPE

Ângelo Siciliano, (Charles Atlas) e Gabriel Ganley, ambos falecidos

Aos 10 anos, na década de 1940, magro que só uma “vara de bater pecados”, preocupando meus pais por minhas “canelas finas”, porque, segundo um médico, eu era um menino predisposto à uma doença grave, dei de cara com com um anúncio sobre fisiculturismo.

Grudei-me à ideia de me tornar um Charles Atlas (Ângelo Siciliano), atleta italiano que havia se tornado um famoso fisiculturista e empresário, conhecido principalmente por popularizar programas de exercícios físicos, no início do século XX.

Ele nasceu na Itália mas se mandou com os pais para os Estados Unidos, quando ainda jovem. Era raquítico e na escola sofria descriminação. Logo começou a desenvolver um método de treinamento físico pessoal e rapidamente se tornou empresário.

Seria um dos precursores do fitness. A pesquisa de jornais nos informa que a modalidade tem origens remotas.

A história do fitness evoluiu da busca pela sobrevivência e estética na Antiguidade para um estilo de vida global e acessível. Passou pelos ideais gregos de corpo e mente, pela musculação no século XIX, pela febre da aeróbica nos anos 80 até as modernas redes de academias e ferramentas digitais.

Na Grécia Antiga, o culto ao corpo buscava estética, saúde e preparação militar. Na época, criaram-se os primeiros ginásios. Na Índia, a Yoga já unia movimento, respiração e bem-estar.

No século IX o alemão Eugen Sandow desbrava novos caminhos, sendo o primeiro a explorar uma uma ideia inovadora. Foi o influenciador do fitness, abrindo academias e vendendo os primeiros Suplementos.

Os exercícios físicos passaram a ser vistos como formas de higiene e prevenção de doenças oriundas do sedentarismo.

A partir dos anos 70 e 80 explodiu a “Febre Aeróbica”, marcando a popularização das academias de ginástica, com o fisiculturismo ganhando força nas praias da Califórnia, com o sucesso de propagandas com celebridades como Jane Fonda, popularizando a aeróbica.

Jane Fonda, consagrada pelo cinema americano, promoveu o fisiculturismo

Clique aqui e veja vídeo com Jane Fonda no instagram

Todavia, o maior incentivador da modalidade foi, realmente, o italianinho, então raquítico, que adotou o nome comercial de Charles Atlas, criando, inclusive, programas de treino por correspondência, modelo pelo qual se tornou afortunado empresário.

Jovem e inteligente, criou o exercício que se tornou conhecido como “Tensão Dinâmica”, que consistia em se usar apenas a força do corpo, sem necessidade de frequentar academias.

Tornou-se conhecido por artigos e publicações em revistas de quadrinhos e jornais, inclusive a historieta de um garoto franzino que se tornou um homem forte.

E sabendo dessa história, fui na mosca!

José Maria Cordeiro de França, meu saudoso primo que era padre salesiano e dominava bem o inglês, costumava se atualizar, com a assinatura de jornais e revistas americanas. E sabendo do meu desejo de me tornar um jovem musculoso, admitiu que minha ânsia tinha lógica.

Era natural um garoto esquelético querer se tornar um John Weissmuller, o famoso Tarzan dos filmes da década de 40.

Certa feita, me transmitiu sua ideia de patrocinar a compra de um curso de Charles Atlas, por correspondência, porém, em dias mais para a frente, quando eu tivesse o corpo melhor formado e, isto, depois de falar com mamãe para obter sua concordância.

Lá vem a estrepolia! Mamãe não concordou, naquela fase em que eu contava uns 12 anos, receosa de danos ao meu corpo.

Jamais tirei o assunto da cabeça. Aos 15 anos, já como “Office-boy” do City Bank, tendo recebido o primeiro ordenado, fui correndo à Casa Esporte, especializada em artigos da espécie e comprei um par de marombas.

A ideia era me tornar um “Carlos Atlas”!

Mas, sem seguir, “no capricho”, o método técnico daquele que havia sido “O homem mais bem desenvolvido do mundo”, empenhei-me em transformar minha fraqueza em “musculosidade explícita,” a fim de desfilar pela praia de Boa Viagem e chamar a atenção da moçada.

Todavia, logo no início do “marombamento”; ou seja, levantando aquelas duas bolas de ferro, passei vários dias seguintes com dores na munheca e nos braços. Acabei desistindo.

Mas permaneci com o pensamento de algum dia vir a ser, pelo menos, um “Charles Atlas depois da gripe”.

DEU NO X

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