DEU NO JORNAL

TUDO BANCADO PELO PAGADOR DE IMPOSTOS

Segue sem freio a farra com cartões corporativos no governo Lula, que já ultrapassou os R$ 172,92 milhões este ano.

O cobiçado item foi distribuído para 3.762 servidores do executivo federal, que parecem não ter dó de esbanjar à vontade.

A Presidência da República de Lula não fica atrás na gastança, torrou mais de R$ 2,4 milhões em 2.770 pagamentos realizados com os cartões.

Ano passado, a gastança com os cartões deixou amarga fatura para o pagador de impostos, que banca tudo: R$ 434,48 milhões.

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Esta notícia está sendo lida por quem pagou esse desmantelo: nós, os contribuintes.

Coisa típica dessa republiqueta esculachada.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

A cachorra Xolinha, mascote desta gazeta escrota, de tabaca arrombada com a gastança federal fedorenta

PROMOÇÕES E EVENTOS

LIVRO DO COLUNISTA FUBÂNICO XICO BIZERRA

Dia desses andei relendo esse livrinho e me encantei, de novo. 30 conversas interessantes com gente do Nordeste, tipo Dom Hélder, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Jackson do Pandeiro, Sivuca, dentre outros.

Como se não bastasse tem prefácio e apresentações de Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, Maciel Melo, Luiz Berto e Paulo Rocha.

Gostei e recomendo.

É só pedir pelo imeio xicobizerra@gmail.com – que eu entrego em todo o Brasil.

E custa só R$ 46,00, frete incluso.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

COMENTÁRIO DO LEITOR

O PROBLEMA

Comentário sobre a postagem RUTH SIQUEIRA – CARUARU-PE

Monteiro:

O problema não é o palhaço que se propõe candidato.

O problema é que Banânia está infestada de imbecis.

Onde a vasta maioria é constituída de idiotas, obrigados a votar, quais serão as chances de algum paspalho que queira disputar uma eleição seja uma boa alma, ou ao menos minimamente inteligente e honesto?

Afinal o material sai das massas!

Nesse quarto de século Banânia foi, e está sendo, governada por material de décima quinta categoria, mas a merda foi posta lá pela vontade popular, o voto, não por força das armas…

Assumemos a culpa.

RODRIGO CONSTANTINO

O PAPAL DO COMENTARISTA INDEPENDENTE

Todos têm acompanhado, com estarrecimento, o que vem acontecendo nos debates políticos no Brasil. Entende-se o clima de desespero, quando o cidadão se sente impotente diante de um sistema podre e carcomido. No afã de promover uma mudança por meio das eleições, muitos colocam como única prioridade a derrota de Lula e seu PT, o que é, sem dúvida, o desejo de todo brasileiro decente. Não obstante, esse objetivo vem turvando a razão de muitos e impedindo qualquer tipo de diálogo construtivo.

Confunde-se o papel de cada um, com uma cobrança de que veículos independentes de comunicação se tornem somente máquinas de propaganda para determinado candidato. Não é papel da mídia o de defender político “até debaixo d’água”. Se houver qualquer tipo de questionamento acerca de um potencial escândalo “do lado de cá”, logo surge o rótulo de “traidor” ou “vendido”, quiçá “petista”. É como se jornalistas tivessem que abandonar qualquer senso crítico e virar apenas relações públicas de um candidato, fazendo vista grossa para todos os seus defeitos e malfeitos.

Não se pode ter político de estimação na mídia. Não há qualquer razoabilidade em tomar partido cegamente, pois o “partido” de jornalistas independentes é o Brasil. E jamais um jornalista sério pode transigir com corrupção. São valores básicos que vêm sendo esquecidos e ignorados por aqueles que exigem uma postura de militância em vez de opinião séria.

Os canais independentes não são a reunião de um grupo de militantes. Jornalistas de verdade não têm a pretensão de “tornar o mundo melhor”. Muito menos seguindo parâmetros equivocados, uma visão particular. Não somos seres superiores, supremos, iluminados. Não somos “consertadores” do mundo, educadores, tutores, que sabem o que é melhor para todas as pessoas, para o país, para o planeta.

Abominamos a arrogância, a soberba, a prepotência. Uma pessoa inteligente é, necessariamente, uma pessoa humilde. Quem não é humilde vai sempre distorcer a realidade, já que ignora as referências corretas, já que enxerga tudo como deseja, já que adota “verdades próprias”. A função do jornalista não é bancar Deus. Portanto, um jornalista vaidoso, que não tem humildade, ele deixa de ser jornalista, ele se anula, ele se destrói.

Como explica Lacombe, um jornalista que tem, de antemão, a resposta para tudo, sem precisar perguntar, sem precisar promover o debate, abrindo mão da curiosidade e da desconfiança, não é jornalista. Aquele que se opõe ao mundo real, às experiências já vividas não é um jornalista. Aquele que se entrega a ilusões, a mentiras, a utopias é alguém que aceita ser enganado e, para piorar, que aceita enganar os outros.

Os jornalistas independentes não se acham mais importantes do que as informações, do que o conteúdo que entregam. A notícia será sempre a estrela. Temos a humildade necessária para questionar, questionar muito, nos entregar avidamente aos fatos, não nos deixar pautar por nada que não seja a busca pela verdade. Jornalista que se deixa pautar não pelos critérios profissionais, mas por interesses políticos, corporativistas, mercadológicos ou financeiros deixou de fazer jornalismo.

Lacombe lembrou bem, no Programa 4por4 de domingo, o caso envolvendo o laptop de Hunter Biden, filho do ex-presidente Joe Biden. A mídia tentou abafar o caso pois considerava o objetivo de derrotar Donald Trump mais importante. Não só fracassou em seu intuito, como matou o jornalismo no processo. Não se manipula informações dessa forma impunemente, e não se muda a realidade metendo a cara na areia como um avestruz.

Daí a importância desses veículos rejeitarem qualquer verba pública ou partidária. São os assinantes, o público, a audiência quem paga a conta, em busca de informação verdadeira e análise honesta. Defendemos a liberdade de expressão, de manifestação, de imprensa. Defendemos, principalmente, as liberdades individuais. Sabemos o que é crítica, o que é opinião e queremos sempre defender o debate. Não somos infalíveis, é claro. Entendemos a nossa responsabilidade e, se erramos, devemos de alguma forma fazer as correções necessárias e nos retratar.

Um jornalismo que tem uma causa, que é militante, é refém de si mesmo. O interesse de um jornalista deve ser sempre divulgar fatos, contar histórias reais, da forma mais clara, mais objetiva e mais atraente e cativante possível. Se isso for substituído pelo objetivo de eleger um candidato X ou Y, deixamos de fazer jornalismo para virar cabo eleitoral de político, o que é simplesmente absurdo e imoral. Cada jornalista pode ter sua preferência, claro, e inclusive externá-la ao público, mas sempre com o compromisso de analisar os fatos, doa a quem doer. Jornalista não “passa pano”.

Os veículos sérios e independentes, como a Gazeta do Povo, fazem e farão sempre jornalismo profissional, num ambiente de liberdade, com respeito aos fatos, às leis, a princípios éticos e morais, com responsabilidade, transparência e honestidade intelectual. É isso que cada um de vocês pode esperar e cobrar de nós, sempre. Sem esse esforço constante de buscar a verdade, e não um mero resultado eleitoral, troca-se o foco no longo prazo por uma visão míope e prejudicial ao verdadeiro jornalismo. Não contem conosco para fazer mera militância partidária ou defender político até embaixo d’água. Contem conosco para sempre dizermos o que realmente pensamos, pois esse é nosso compromisso com nosso público qualificado, que merece nosso respeito.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

PL QUE AVALIAR O ESTRAGO DOS ÁUDIOS

O PL certamente vai avaliar as próximas pesquisas de opinião para saber como tratar da candidatura de Flávio Bolsonaro, que teve uma queda. Mas foi polêmica a coleta de dados da AtlasIntel. Seria muito mais fácil o instituto, ao abordar a pessoa, perguntar se a pessoa sabia das mensagens de Flávio para Daniel Vorcaro; se o entrevistado dissesse que não, então não interessaria. Seria mais fácil medir o efeito falando apenas com os que sabiam das mensagens e perguntando que decisão tomaram em relação a Flávio, caso estivessem pensando em votar nele. Faltou maturidade, faltou sensatez, faltou pensar dez vezes antes de fazer isso.

Fernando Schüler foi brilhante em sua coluna no Estadão. Ele escreveu que a direita perdeu a oportunidade de ter uma chapa com Tarcísio de Freitas; Bolsonaro indicou o filho, e agora a situação está assim. Eu fico imaginando uma chapa com Tarcísio presidente e Michelle Bolsonaro vice; era a chapa perfeita. Mas agora não é mais possível; Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo, e disse que não é candidato à Presidência da República – agora ele nem poderia mudar de ideia, porque não se desincompatibilizou dentro do prazo; Michelle é candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

O PL tem de avaliar, porque o partido está muito bem; é a legenda mais bem colocada nas candidaturas ao governo de nove estados. Depois vem o PSD, que lidera em seis; o Republicanos, em quatro; União Brasil e PP estão melhor em três estados; o PT, apenas em dois; o PSDB, também em dois; por fim, Podemos, PDT e PSB estão melhor em apenas um estado cada. É uma boa situação para o PL, que tem o maior orçamento para a campanha eleitoral.

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Lula assina decretos para facilitar censura nas redes sociais

O presidente Lula baixou decretos para fazer censura nas redes sociais durante o ano eleitoral. O Congresso Nacional vai deixar? Esse é assunto do Poder Legislativo, não do Poder Executivo. Lula tem motivos para querer controlar a internet. Em 20 de maio de 2025, foi vaiado na Marcha dos Prefeitos, em Brasília; este ano ele não foi, preferiu mandar o vice Geraldo Alckmin, que também foi vaiado na abertura, na terça-feira. Os prefeitos são valiosíssimos em ano eleitoral, são o principal cabo eleitoral em cada município, muito mais importantes que o governador para puxar votos.

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Culpa da pobreza em Cuba é dos comunistas, não dos americanos

Marco Rubio, o secretário de Estado (ou seja, o ministro de relações exteriores) dos Estados Unidos, é filho de cubanos. Em espanhol perfeito, avisou que os Estados Unidos ajudaram os cubanos, mandando US$ 100 milhões para serem entregues pela Igreja Católica cubana, para ajudar o povo. Mas não é culpa dos EUA que falte petróleo em Cuba. Os cubanos recebiam petróleo de graça de Hugo Chávez, e não recebem mais; recebiam da Rússia, e não recebem mais. Botaram todos os recursos na Gaesa, uma empresa que trata de tudo e é comandada por militares, que são a oligarquia de Cuba hoje. Imaginem só, um regime comunista com uma oligarquia capitalista. Pois estão todos assustados por causa do porta-aviões no Mar do Caribe. Nem era preciso, porque Cuba está pertinho das Keys da Flórida. Dava para ver as luzes de Havana, quando havia eletricidade suficiente.

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China quer reafirmar posição de liderança mundial recebendo líderes

Xi Jinping está recebendo agora Vladimir Putin; ele acabou de receber Donald Trump, faz quatro dias. Só isso já é um indício. Os chineses chamam a China de Zhōngguó. Sabem o que significa? “Império do Meio”, ou seja, o centro do mundo.

Dados da pesquisa AtlasIntel mencionada na coluna: A AtlasIntel ouviu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto porcentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.

PENINHA - DICA MUSICAL

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A REPÚBLICA BANÂNICA DOS PULHAS

Há países que naufragam por guerras. Outros, por terremotos, fome, invasões ou catástrofes históricas incontornáveis. Há nações cuja ruína vem de fora, esmagadas por impérios, atravessadas por exércitos ou mutiladas pela própria geografia. Mas existem aquelas cujo colapso é artesanal, lento, meticuloso, produzido diariamente pelas mãos de seus próprios habitantes mais influentes — homens e mulheres que descobriram, há muito tempo, que a degradação também pode ser um projeto político. A República Banânica dos Pulhas não foi destruída por inimigos externos. Foi carcomida internamente por uma aristocracia moralmente anêmica, por burocratas adiposos de privilégios, por mercadores da virtude, por sacerdotes da conveniência, por intelectuais de aluguel e por uma fauna inteira de oportunistas profissionais que aprenderam a transformar o caos em método de enriquecimento. Ali, o absurdo não é exceção: é sistema. Os pulhas da República Banânica não usam necessariamente máscaras. Muitos vestem ternos impecáveis, gravatas austeras e discursos adornados por palavras como “democracia”, “justiça social”, “responsabilidade institucional”, “compromisso republicano” e “defesa do povo”. São especialistas em vocabulário moral. Possuem uma habilidade extraordinária para transformar slogans em anestesia coletiva: Falam em ética enquanto contam dinheiro; falam em transparência atrás de cortinas de fumaça; falam em liberdade enquanto negociam censuras discretas; falam em igualdade viajando em carros blindados, cercados por seguranças pagos por aqueles mesmos miseráveis aos quais juram representar.

Na República Banânica dos Pulhas, a corrupção não é um acidente de percurso; ela constitui o próprio cimento invisível das relações de poder. Ela não habita apenas cofres clandestinos ou contratos fraudulentos. Não. A corrupção ali é mais profunda e sofisticada: é filosófica. Corromperam a linguagem; corromperam o mérito; corromperam a educação; corromperam a noção de vergonha e criaram uma civilização onde o escândalo dura quarenta e oito horas e o esquecimento tornou-se política pública informal. Os pulhas compreenderam algo essencial sobre a psicologia coletiva: um povo exausto não reage. Um povo cansado apenas sobrevive. Portanto, mantiveram a população permanentemente ocupada com a inflação, o medo, a insegurança, a burocracia, a humilhação cotidiana e a sobrevivência econômica. Enquanto o cidadão comum enfrenta filas, impostos obscenos, hospitais decadentes e escolas moribundas, os arquitetos da decadência organizam banquetes sem fim nos salões refrigerados do poder. A República Banânica é pródiga em ironias; os defensores da austeridade vivem na opulência; os autoproclamados revolucionários transformaram-se em oligarcas; os inimigos dos privilégios acumulam privilégios hereditários; os paladinos do povo desprezam o próprio povo em jantares privados; e os supostos guardiões da ordem jurídica aprenderam a dobrar a lei como quem dobra guardanapos.

Tudo ali é seletivo. A indignação é seletiva. A justiça é seletiva. A memória é seletiva. O moralismo é seletivo. O escândalo depende do sobrenome. A culpa depende da conveniência. O perdão depende da utilidade política. Há, na República Banânica dos Pulhas, uma classe particularmente perigosa: os farsantes ilustrados. São indivíduos que substituíram inteligência por esperteza retórica. Citam filósofos que jamais compreenderam. Invocam conceitos que jamais praticaram. Ornamentam mediocridades com terminologia acadêmica para conferir aparência de profundidade àquilo que não passa de propaganda sofisticada. Esses pulhas intelectuais produzem uma névoa verbal permanente. Não esclarecem: confundem. Não debatem: intimidam. Não argumentam: rotulam. Sua missão é transformar o óbvio em tabu e o disparate em virtude. Enquanto isso, a população assiste ao espetáculo como quem observa um cassino pegando fogo.

E talvez o traço mais perverso da República Banânica seja justamente a normalização do grotesco. Escândalos monumentais tornaram-se ruído de fundo. O inacreditável virou rotina. A mentira perdeu o peso. O cinismo tornou-se elegância. Os pulhas descobriram que a repetição constante do absurdo produz anestesia moral. Depois do décimo escândalo, o cidadão já não reage com indignação; reage com fadiga. E é nesse ponto que os pulhas vencem. Porque nada favorece mais a mediocridade autoritária do que uma sociedade emocionalmente exaurida. Mas seria simplista imaginar que a República Banânica dos Pulhas é composta apenas por políticos profissionais. Não. Os pulhas espalham-se como fungos institucionais. Habitam setores empresariais, tribunais, redações, sindicatos, universidades, repartições públicas e até movimentos que nasceram proclamando pureza moral. Toda estrutura de poder ali parece desenvolver, mais cedo ou mais tarde, uma camada de parasitas especializados em transformar causas legítimas em negócios privados.Há os pulhas patrióticos, há os pulhas revolucionários, há os pulhas religiosos, há os pulhas tecnocráticos, há até os pulhas anticorrupção. Cada um utiliza a bandeira que melhor lhe convém. Todos possuem o mesmo apetite, porque na República Banânica, a verdadeira tragédia não é apenas econômica ou institucional. É espiritual. O país sofre de erosão simbólica, as pessoas já não acreditam nas palavras, já não acreditam nas instituições, já não acreditam nos discursos oficiais e a confiança coletiva foi saqueada.

E uma sociedade sem confiança transforma-se lentamente numa selva burocrática onde cada indivíduo tenta sobreviver sozinho, desconfiando de todos.Os pulhas compreenderam que o povo dividido é mais fácil de administrar. Por isso alimentam antagonismos incessantes. Transformam qualquer debate em guerra tribal. Reduzem questões complexas a slogans infantis. Incentivam histerias coletivas porque multidões emocionalmente inflamadas raramente fazem perguntas profundas: A superficialidade é estratégica, o barulho é estratégico e a polarização é estratégica. Enquanto a população se destrói em discussões intermináveis, os verdadeiros operadores da República Banânica seguem blindados, acumulando patrimônio, influência e poder. E há algo quase teatral em tudo isso. Os pulhas adoram cerimônias. Gostam de solenidades, tapetes vermelhos, discursos pomposos, notas oficiais e fotografias cuidadosamente calculadas. Precisam encenar grandeza porque, intimamente, sabem da própria pequenez.

O excesso de liturgia frequentemente esconde a miséria ética pois a República Banânica dos Pulhas é também o reino da inversão moral. Ali, o homem honesto frequentemente parece ingênuo. O trabalhador produtivo é tratado como animal tributável. O empreendedor é visto simultaneamente como fonte inesgotável de arrecadação e suspeito em potencial. O cidadão comum sustenta uma máquina que o despreza. E os pulhas, confortavelmente instalados em seus palácios administrativos, discutem “o povo” como entomólogos discutem insetos. Contudo, talvez o aspecto mais fascinante da República Banânica seja sua extraordinária capacidade de sobreviver ao próprio ridículo. Qualquer observador racional imaginaria que um sistema tão grotesco implodiria rapidamente sob o peso das próprias contradições. Mas não. A República Banânica persiste: Persiste porque há riqueza natural, persiste porque há gente trabalhadora, persiste porque há criatividade popular, persiste porque milhões de cidadãos honestos continuam acordando cedo, pagando impostos, sustentando famílias e impedindo o colapso absoluto.

Em outras palavras: a República Banânica sobrevive apesar dos pulhas, não por causa deles. E talvez seja justamente isso que mais enfureça os arquitetos da decadência. O fato de que o país real — aquele das padarias, oficinas, escolas simples, feiras livres, agricultores, caminhoneiros, professores honestos, pequenos comerciantes e trabalhadores anônimos — continue existindo independentemente do teatro grotesco do poder. Porque os pulhas necessitam da máquina. Já o povo, frequentemente, sobrevive apesar dela. No fim, toda República Banânica produz inevitavelmente duas nações paralelas: A primeira é a nação oficial: pomposa, burocrática, discursiva, inflada de propaganda e sustentada por uma elite especializada em transformar privilégios em virtudes cívicas; a segunda é a nação real: silenciosa, cansada, trabalhadora e frequentemente humilhada. Os pulhas governam a primeira. A segunda apenas paga a conta.

Mas a História possui um senso de humor cruel. Impérios caíram. Monarquias ruíram. Tiranias aparentemente eternas dissolveram-se como fumaça. E toda aristocracia de pulhas acaba, cedo ou tarde, esmagada pela própria arrogância. Porque existe algo que os manipuladores profissionais raramente compreendem: nenhuma engenharia de propaganda consegue abolir indefinidamente a realidade. A realidade cobra. Cobra nas ruas. Cobra na economia. Cobra na cultura. Cobra na confiança destruída. Cobra nas gerações futuras. E quando a conta finalmente chega, os pulhas fazem aquilo que sempre fizeram ao longo da História: procuram culpados externos, inventam narrativas heroicas sobre si mesmos e tentam escapar pelos corredores da própria irresponsabilidade. Mas há momentos em que até o verniz institucional já não consegue ocultar o cheiro da decadência. E talvez seja exatamente nesse instante — quando o grotesco deixa de parecer normal — que a República Banânica dos Pulhas começa finalmente a confrontar o espelho. Um espelho cruel. Sem slogans. Sem propaganda. Sem maquiagem retórica. Apenas o reflexo nu de uma nação exausta de sustentar parasitas vestidos de estadistas.

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