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DEU NO JORNAL
ATA DO COPOM PÕE MAIS PESO NA IRRESPONSABILIDADE FISCAL QUE NA GUERRA
Editorial Gazeta do Povo

Gabriel Galípolo, presidente do BC, e todos os outros diretores atuais da autoridade monetária foram indicados por Lula
Após cada reunião do Copom, o mercado financeiro e os analistas aguardam a divulgação da ata da reunião, que ocorre sempre na terça-feira da semana seguinte. O documento aprofunda os motivos brevemente descritos nos comunicados publicados imediatamente após cada reunião, e que explicam a decisão relativa à taxa Selic. O comunicado da semana passada já antecipava que a crescente incerteza derivada da guerra em curso no Oriente Médio havia influenciado a redução de 0,25% na Selic, em vez do 0,50% esperado antes do início dos ataques ao Irã; mas a ata mostrou que há outros motivos tão relevantes quanto o conflito para que os juros tenham sofrido a redução mínima.
Que o ataque norte-americano e israelense ao Irã, com todos os seus efeitos sobre a cadeia de produção e distribuição de petróleo, foi um gatilho poderoso é algo incontestável. O comunicado o afirma, quando relata que “as expectativas de inflação (…), que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”. Ninguém sabe por quanto tempo a guerra durará, se o Estreito de Ormuz será desbloqueado (e se isso ocorrerá por negociação ou pela força), e por quanto tempo e com que intensidade os preços do petróleo continuarão oscilando; assim como é impossível prever se, uma vez encerrada a guerra, a commodity retornará aos valores antigos, ou se os patamares atuais serão o “novo normal”.
A ata, no entanto, dedica mais espaço a um outro problema, este bem brasileiro, que à guerra em si: a gastança desenfreada do governo petista. Os diretores do Banco Central introduzem o assunto dizendo que “a política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, e que “uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, ou seja, que responsabilidade fiscal ajuda a puxar os juros para baixo. Mas é o que tem ocorrido?
Nem de longe, respondem os membros do Copom. “O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, afirma o comunicado. Em outras palavras, se Lula não estivesse pressionando tanto as contas públicas e forçando um aquecimento da economia pelo estímulo ao consumo, talvez uma redução maior na Selic fosse possível mesmo em meio à guerra. Ou, melhor dizendo, com um governo fiscalmente responsável os juros nem sequer teriam subido até 15%; estariam em um patamar mais baixo e menos proibitivo para investimentos. E o Copom ainda diz que é preciso “calibrar e refinar os impactos da medida de ampliação da isenção do Imposto de Renda”.
Uma outra observação do Copom chama a atenção. Ao tratar do mercado de trabalho, o comitê afirmou na ata que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, e fala de uma “avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”. Este trecho evoca um episódio passado em que Lula distorceu uma fala do então presidente do BC Roberto Campos Neto.
Em abril de 2024, Campos Neto havia dito praticamente o mesmo que estão dizendo agora os membros do Copom – todos eles indicados por Lula –, mas foi um tanto mais direto: “quando as empresas não conseguem contratar e têm de começar a subir o salário para o mesmo nível de produção, significa que você está iniciando um processo inflacionário”. Na ocasião, Lula acusou Campos Neto de querer que o brasileiro não ganhasse mais, omitindo malandramente a condicional sobre o aumento de produtividade: se a demanda cresce (pois as pessoas estão recebendo mais e têm mais dinheiro para gastar), mas a oferta não (porque a produtividade não acompanha a elevação dos salários), os preços sobem; é lei básica da economia, que não é revogada só porque um presidente afirma que “os livros estão superados”.
O terraplanismo econômico petista já demonstrou ser mais devastador que uma pandemia de dimensões planetárias – a recessão de 2015-2016, consequência da “Nova Matriz Econômica” lulodilmista, foi mais severa que a retração causada pelo “fecha tudo” da Covid-19. Ainda que os efeitos da guerra entre americanos, israelenses e iranianos sejam mais intensos neste momento, no médio e longo prazos a repetição da estratégia do passado, com estímulo ao consumo para sustentar um aquecimento da economia, trará prejuízos ainda maiores para o país e exige mais preocupação que o conflito. E desta vez Lula não pode culpar mensageiros “nomeados por Bolsonaro” para descartar o alerta.
PENINHA - DICA MUSICAL
PAUL MAURIAT & ORQUESTRA
MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS
A INÉPCIA DO DESGOVERNO BRASILEIRO: OURO EM PÓ E JUDICIÁRIO EM UÍSQUE
A República Federativa do Brasil, outrora celebrada como potência em formação e laboratório de futebol, samba e café, transformou-se num bordel das relações promíscuas entre poder, riqueza e privilégio. O escândalo do Banco Master — esse epicentro amarelo ouro de fraude bilionária e proximidade chocante com membros do mais alto tribunal da nação — escancara, como nunca antes no centro da cena pública, um país cujo governo e suprema corte caminham de mãos dadas pelo vale da ignomínia.
O que temos aqui não é uma trivial disputa sobre previsões econômicas ou sobre declive de juros — não. Trata se de um tsunami de corrupção ativa e passiva, um sistema financeiro clandestino com fachada de banco, um epicentro de negociatas que implicam juízes da mais alta Corte, execuções financeiras fraudulentas e relações pessoais que fariam corar qualquer república de bananas — se ao menos este país fosse uma bananicultura e não um gigante sul americano.
Enquanto alguns ministros do Supremo Tribunal Federal se limitam a negar que exista conflito de interesses, a fumaça que sobe dos corredores de Brasília cheira não a incenso de justiça, mas a incenso queimado para ocultar provas e reputações chamuscadas. Uma ministra aqui, um jantar caro ali; um contrato milionário que recompensa um escritório de advocacia familiar; mensagens trocadas entre banqueiros e magistrados, como se a toga fosse apenas um traje formal de gala.
É um teatro de absurdos em que o protagonista é o próprio desgoverno — esse monstro burocrático que engole bilhões com a ferocidade de um cão faminto e cospe migalhas para o povo. Temos um banqueiro, Daniel Vorcaro, cuja ascensão meteórica nas finanças chegou ao ápice da farsa: títulos e carteiras de crédito que não existiam, promessas de retorno que eram meras miragens “à la carte”, e um rombo de dezenas de bilhões que agora recai sobre os cofres públicos e o Fundo Garantidor de Crédito.
Ao mesmo tempo, ministros cuja função constitucional é preservar a imparcialidade e a integridade do Judiciário participam, direta ou indiretamente, de relações próximas demais com o suspeito central — como se o Supremo fosse um jantar privado, não a guarita suprema da lei. Um deles, pressionado por ligações reveladas em mensagens, deixa a relatoria do processo; outro, cuja família recebeu milhões em contratos, aparece em cafés e encontros com o banqueiro sobre os quais ainda não respondeu com convicção pública.
E assim, o que deveria ser um caso de investigação profunda da Polícia Federal e do Ministério Público transforma se numa celebração da blindagem institucional: sigilos inexplicáveis, redistribuições misteriosas de processos, encontros não documentados entre membros da mais alta Corte e autoridades financeiras. O clima que se vive não é de confiança, mas de um cinismo que se tornou política de Estado.
O Brasil assiste — atônito, estupefato — ao espetáculo de um Judiciário que deveria ser guardião da Constituição e que, em vez disso, parece cada vez mais um clube exclusivo de favorecimentos. Não é mais tolerável a narrativa asséptica de que “tudo está sendo investigado” quando carteiras de crédito fantasmas chegam à moldura de bilhões de reais, enquanto magistrados permanecem nas cadeiras como se nada tivesse acontecido.
O resultado dessa camarilha é simples:
📌 A credibilidade do STF está em frangalhos.
📌 A confiança na Justiça se desfaz como papel ao vento.
📌 O povo brasileiro, que paga impostos e direitos fundamentais, vê a elite jurídica andar de mãos dadas com a falcatrua financializada.
E o desgoverno? Ah, esse continua em festa nos bastidores, embriagado de privilégios e decisões que cheiram menos a lei do que a moeda corroída pelo interesse e pelo poder — exatamente aquilo contra o que a justiça deveria lutar.
Brasil é um país de contradições: nós cultivamos árvores magníficas e, ao mesmo tempo, nutrimos um jardim de cobras entre quem deveria ser guardião da lei. O escândalo do Banco Master expõe o que sempre esteve lá: quando a autoridade se mistura com a impunidade, o desdobrar da nação é um espelho partido, refletindo uma corte menos de justiça e mais de aristocracia moral falida.
E que tremam as bases dessa corja empavonada que chama de toga o que, para o povo, significa apenas o símbolo de uma República que insiste em se afogar na própria corrupção.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
SCHIRLEY – CURITIBA-PR
DEU NO X
VAI DOER É MUITO…
Petistas gritando sem anestesia.. vai ser complicado nos hospitais e consultórios dentários.. 😂😂😂 pic.twitter.com/DzEittaYhq
— 🇧🇷 ENFIA O L NO SEU KÚ 🇧🇷 (@Gardenalpequen3) March 24, 2026
RODRIGO CONSTANTINO
MISOGINIA: TIRO NO PÉ DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Alcolumbre e as senadoras Ana Paula Lobato e Soraya Thronicke durante a votação da proposta que criminaliza a misoginia
O Senado aprovou, por unanimidade, um projeto de lei terrível que criminaliza a “misoginia”. O diabo está sempre nos detalhes, e o inferno está cheio de boas intenções. A aparência de nobreza da causa, em ano eleitoral, colocou os conservadores numa sinuca de bico. Preferiram votar pela censura, de olho no eleitorado feminista (que jamais vai votar na direita), do que preservar os valores da liberdade. O advogado André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão, comentou:
A criminalização da misoginia, aprovada ontem no Senado, nasce sob pretexto nobre, mas em um país acostumado a punir ideias em vez de ações concretas. Um país no qual já não se consegue sequer debater o que é “mulher” sem o risco de ser processado e silenciado por pessoas e grupos autoritários. Na prática, a “misoginia” tende a se tornar mais um instrumento subjetivo de silenciamento e censura, inclusive de mulheres, do que uma forma de proteção. Vale dizer que a lei pune palavras e que agressões físicas já são punidas por leis anteriores.
Agora dependemos da Câmara para rejeitar essa aberração. Alguns deputados corajosos se manifestaram contra. Foi o caso de Bia Kicis:
O Senado aprovou hoje a equiparação da misoginia ao crime de racismo. O projeto define misoginia como: “conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”. Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com sucesso. E a direita cai na armadilha da esquerda. Primeira pergunta a ser respondida pela esquerda: mas afinal, o que é uma mulher? Nem isso vocês sabem dizer. Na Câmara trabalharemos para derrotar esse projeto.
Nikolas Ferreira também prometeu lutar para derrubar o projeto na Câmara: “Inacreditável é a palavra…Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado”. Que os senadores do Novo e PL tenham sucumbido a esse troço é algo realmente lastimável e preocupante. Acenar para feministas nunca é boa estratégia para conservadores, e é preciso ignorar os marqueteiros tucanos que dominam o mercado eleitoral no país. O eleitor quer convicções morais firmes, honestidade, e soa falso um conservador tentando acender vela para movimento feminista. Se você tem medo de ser acusado de misógino pelo Psol e pela Globo, então vá fazer qualquer coisa da vida, menos ser um senador da República!
O economista Marcelo Pessoa questionou: “Quantos anos de cadeia para quem divulgar a Carta de São Paulo aos Efésios?” Eis um trecho: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos”. (Efésios 5, 22-24). Podemos debater a interpretação desse conceito de submissão, lembrando que o homem precisa também ser submisso a Cristo, mas eis o ponto: se essa lei for sancionada, sequer poderá haver o debate. A Bíblia será criminosa!
Na mesma linha foi a conta MaverickJocker, que tem denunciado uma ala infiltrada dentro da direita: “Nem Nero que incendiou Roma e crucificou cristãos de cabeça pra baixo, nem Robespierre que guilhotinou padres por rezar missa, nenhum tirano da história da civilização ocidental conseguiu a proeza que sessenta e sete senadores brasileiros alcançaram numa terça-feira qualquer: criar as condições jurídicas para que a leitura da Bíblia possa ser enquadrada como crime inafiançável e imprescritível. Equipararam misoginia a racismo, até cinco anos de cadeia, e nenhum desses sessenta e sete parou um segundo pra perguntar o que Aristóteles perguntaria em meio: como se tipifica algo que não tem definição objetiva?”
Ele concluiu: “Não faltava lei no Brasil, já existem Maria da Penha, feminicídio, lesão corporal, ameaça, injúria, stalking e uma dezena de dispositivos contra violência real. O que faltava era uma mordaça jurídica para calar quem pensa diferente do feminismo radical e sessenta e sete senadores a entregaram por unanimidade porque no Brasil de 2026 é mais fácil votar pela manchete do dia seguinte do que defender a civilização que te elegeu”.
A juíza Ludmila Lins Grilo chamou a atenção para os conceitos vagos do texto: “Quase todos os senadores votaram a favor do mais novo instrumento de perseguição estatal a desafetos: a tal lei da criminalização da misoginia. Acabei de ler o substitutivo aprovado. Como sempre, tipo penal aberto, permitindo ali a inclusão de absolutamente qualquer coisa. Qualquer ‘constrangimento’ a uma mulher poderá ser considerado misoginia. Vou repetir: constrangimento. Se você cobrar uma deputada mulher com severidade, por exemplo, ela poderá alegar constrangimento. Se você fizer um meme com um deputado travesti, também”. Ludmila pergunta: “Se essa lei aberrante for aprovada, quem vai querer correr o risco de contratar mulheres?”
Em suma, que baita tiro no pé da direita no Senado! Espera-se, agora, que os deputados conservadores tenham mais clareza e coragem para enfrentar essa bizarrice sem medo da patrulha esquerdista…
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PAGUE SE RINDO-SE
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FORMAÇÃO
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OITO PRESENTES DO PT PARA A DITADURA DE CUBA (PAGOS COM O SEU DINHEIRO)
Omar Godoy

Lula e o ditador Miguel Díaz-Canel: Cuba nunca quitou suas dívidas com o Brasil, mas continua recebendo favores dos governos petistas
Cuba está no chão — e mais do que nunca. Apagões de mais de 11 horas por dia, filas de dois quilômetros para abastecer carros, cirurgias canceladas por falta de energia, lixo acumulado nas ruas.
A crise, agravada com o fim da ajuda venezuelana e o endurecimento das sanções de Donald Trump, transformou a ilha num caso humanitário grave — e trouxe de volta à tona um debate que o PT prefere manter na encolha.
Os chamados “movimentos sociais” pressionam o governo por mais apoio. Grupos como o MST, a Frente Brasil Popular, o Povo Sem Medo e a Aliança Bolivariana assinaram uma declaração conjunta em fevereiro cobrando que Lula “assuma um papel ativo” no socorro a Havana.
A Federação Única dos Petroleiros foi além: mobilizou sindicatos e partidos de esquerda na campanha “Petróleo para Cuba”. Foi uma tentativa de pressionar a Petrobras a furar o bloqueio americano.
Em um discurso para os militantes, em fevereiro, Lula fez o que sempre faz diante da torcida: culpou os Estados Unidos. “O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos EUA contra eles”, disse.
Neste mês, o governo começou a organizar, em silêncio, uma doação de 21 mil toneladas de alimentos e medicamentos para Havana — o maior carregamento humanitário que o Brasil enviará a um único país no período recente, segundo uma apuração da BBC News Brasil.
O assunto é tratado com discrição. Afinal, é ano eleitoral, e uma conta que o PT preferia não mostrar certamente vai aparecer durante a campanha: ao longo de mais de duas décadas no poder, os governos petistas destinaram bilhões de reais a Havana em financiamentos, repasses e acordos.
A conta ficou com o contribuinte brasileiro, pois Cuba nunca pagou. Veja a seguir como esse rombo foi construído, favor a favor.
1. O porto da Odebrecht
Em janeiro de 2014, Dilma Rousseff viajou até Cuba para inaugurar, ao lado do ditador Raúl Castro, o Porto de Mariel, a 40 quilômetros de Havana. Lula também esteve lá.
“Estou muito orgulhoso por viver até o dia de poder presenciar a construção de um porto desta magnitude, e mais feliz porque o Brasil colaborou com este novo momento que Cuba vive”, disse o petista.
O custo total das obras chegou a US$ 957 milhões. O BNDES entrou com US$ 682 milhões — dinheiro público, emprestado com prazo de 25 anos para pagamento, o mais longo já concedido pelo banco em toda a sua história. A obra foi executada pela Odebrecht.
Mas o principal nunca voltou: a grana.
2. A garantia em charutos
Para liberar centenas de milhões de dólares para as obras do Porto de Mariel, o governo petista aceitou uma contrapartida que se tornou um dos maiores símbolos dessa relação. Segundo documentos da época, o Brasil aceitou como garantia o dinheiro que Cuba ganha com a venda de seus famosos charutos.
O problema é que esse montante fica guardado num banco em Havana, sob a tutela da ditadura, sem que o Brasil tivesse qualquer noção real sobre os valores. Resumindo: se Cuba não pagasse, o governo brasileiro teria direito de penhorar a venda de charutos — mas dentro de Cuba, numa conta controlada pelo próprio devedor.
O Tribunal de Contas da União (TCU) criticou duramente o acordo e classificou as garantias como de “baixa qualidade”. Apesar dos avisos, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou: “Nossos empréstimos são lucrativos para nós e têm baixíssimas taxas de inadimplência”.
3. Quantos aeroportos cabem numa ilha?
O Porto de Mariel não foi a única grande obra que o Brasil ofereceu de bandeja para a ditadura cubana.
O BNDES e o Proex (Programa de Financiamento de Exportações) também financiaram a modernização do Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, e de aeroportos regionais em Santa Clara, Holguín, Cayo Coco e Cayo Largo.
O governo do PT ainda bancou a construção de uma fábrica de soros e equipamentos de hemodiálise em Cuba. “Não há nenhum partidarismo na liberação dos recursos. Os critérios são baseados apenas na demanda das empresas e na capacidade de pagamento delas”, disse o então ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Em todos os projetos, o modelo era idêntico: as construtoras brasileiras recebiam à vista via BNDES, enquanto a dívida (a perder de vista) ficava com o regime cubano — e o risco, claro, era todo do contribuinte.
4. Médicos como moeda de troca
Em 2013, o governo Dilma lançou o Mais Médicos para levar atendimento a regiões carentes do país. O programa foi apresentado como solução para esse problema, mas também criou um mecanismo pouco transparente de repasse de recursos à ditadura de Havana.
Em vez de contratar os profissionais diretamente, o Brasil pagava à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que repassava os valores a Cuba. O regime ficava com a maior parte do dinheiro, enquanto os médicos recebiam apenas uma fração.
Vários cubanos desertaram do programa e processaram a Opas nos Estados Unidos, acusando a organização de participar de um esquema de trabalho análogo à escravidão. Em 2025, o Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos de ex-funcionários do Ministério da Saúde da gestão Dilma, acusados de serem “cúmplices de um esquema de exportação de mão de obra forçada do regime cubano”.
Entre 2013 e 2017, o programa custou cerca de R$ 13 bilhões aos cofres públicos — mais da metade enviada ao exterior para o convênio com Havana.
5. O calote e quem pagou a conta
Em junho de 2018, Cuba pagou US$ 4 milhões de uma parcela de US$ 10 milhões devida ao BNDES. Depois disso, parou.
Com o calote formalizado, o banco acionou o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), mecanismo público bancado pelo Tesouro Nacional. O BNDES foi ressarcido e o prejuízo (como previsto) passou para o contribuinte.
Não por acaso, a inadimplência coincidiu com a eleição de Bolsonaro: foi o regime cubano que encerrou o Mais Médicos e, na mesma tacada, deixou de pagar as parcelas do BNDES, após o novo presidente exigir que os médicos recebessem salário integral e fizessem o Revalida.
Lula, de volta ao poder em 2023, tentou colocar panos quentes: “Cuba vai acertar e todos vão acertar porque todos são bons pagadores e nunca deveram ao Brasil”, afirmou.
Cuba foi mais honesta. Em reunião com o Ministério da Fazenda, em fevereiro de 2024, a ditadura reconheceu a dívida, citou “choques externos diversos” (pandemia, embargos americanos, mudanças climáticas) e disse não ter condições de pagar.
Ao fim de 2023, a dívida vencida era de US$ 671,7 milhões. Somando as parcelas a vencer, o total chegava a US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 5,7 bilhões).
6. Os documentos secretos
Em junho de 2012, apenas um mês após a Lei de Acesso à Informação entrar em vigor, o governo foi na contramão da transparência que anunciava. O então ministro petista Fernando Pimentel (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) assinou um ato colocando sob sigilo os documentos dos financiamentos brasileiros a Cuba e Angola.
A justificativa oficial era técnica: proteger “informações estratégicas” e cláusulas comerciais. Na prática, isso significava que contratos pagos com dinheiro público ficariam fora do alcance da sociedade por até 15 anos. O prazo vai até 2027.
O sigilo não valia para todo mundo. Órgãos como o Tribunal de Contas da União e comissões do Congresso podiam acessar os dados, desde que seguissem regras de confidencialidade. Ainda assim, o público em geral ficava no escuro.
Entre todos os países que receberam crédito do BNDES naquele período, apenas Cuba e Angola tiveram esse nível de proteção — não por coincidência, regimes autoritários e alinhados ideologicamente ao PT.
7. Devendo, mas sempre recebendo
Em setembro de 2023, já de volta ao poder, Lula viajou a Cuba para a Cúpula do G77+China e se reuniu com o ditador Miguel Díaz-Canel. Novos acordos de cooperação em saúde e agricultura foram anunciados.
Nísia Trindade, então ministra da Saúde, comemorou: “O Brasil se beneficia de um conhecimento de ponta que Cuba desenvolveu”.
Fora da pauta oficial, Lula e Díaz-Canel discutiram a dívida bilionária que Cuba reconheceu não ter condições de pagar. O petista, então, veio com outra solução generosa: propôs um escalonamento.
A oposição no Congresso resistiu — qualquer renegociação depende de aprovação legislativa, e ela não veio. A dívida segue em aberto.
8. Arroz e feijão
Em fevereiro deste ano, o governo enviou a Cuba duas toneladas de medicamentos contra tuberculose e Doença de Chagas. Agora, segundo a BBC News Brasil, a gestão de Lula prepara um carregamento muito maior.
Serão 21 mil toneladas de alimentos e remédios — mais do que o Brasil doou para todos os outros 22 países que ajudou no segundo semestre de 2025.
O petróleo está fora de cogitação, mas não por falta de vontade do PT. É que a Petrobras tem ações negociadas em bolsas americanas e poderia ser punida pelo governo dos EUA.
Em 2014, Lula disse que o Porto de Mariel provaria que Cuba poderia “atrair investimentos e produzir produtos de alta tecnologia”. Em 2026, o Brasil manda arroz e feijão.