DEU NO JORNAL

ALÍVIO

Carlos Bolsonaro diz que está sim aliviado com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.

Mas cobra que isso não seja visto como justiça e diz que é um “processo repleto de ilegalidades” contra o pai.

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De fato, é uma alívio pra família.

E pra banda decente deste país surrealista.

Mas…

A expressão “processo repleto de ilegalidades” é um resumo perfeito.

Aguardemos.

Ainda tem muita coisa pela frente.

ALEXANDRE GARCIA

PRISÃO DOMICILIAR NÃO QUER DIZER QUE O ABUSO ACABOU

Jair Bolsonaro

O mesmo juiz que era vítima da tentativa de golpe, que relatou o inquérito e que julgou, é agora o executor da sentença e fez a bondade de dizer que Jair Bolsonaro pode ir para casa quando o hospital decidir que ele já pode ter alta. Ele saiu da UTI há pouco mais de 24 horas, está no quarto e vai para casa. Ficará sob observação por 90 dias, com visitas proibidas. Os filhos, se quiserem visitá-lo, têm de marcar dia e hora, não podem aparecer a qualquer momento, quando sentirem saudade do pai. Um dos filhos, Eduardo, nem recebeu autorização. Só poderão estar com Bolsonaro a mulher, Michelle; a filha do casal, Laura; e a enteada, Letícia. Os advogados também precisam de hora marcada, terão de passar pelo 19.º Batalhão e marcar a visita. Bolsonaro ainda terá de usar tornozeleira em casa. Continuam o exagero, o arbítrio e o ineditismo dos tratamentos dados a Bolsonaro, a Filipe Martins e ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres, alguns dos “prisioneiros favoritos” de Moraes.

Enquanto isso, o povo espera de Moraes os esclarecimentos sobre aquele contrato de R$ 129 milhões, agora que a polícia está investigando mais celulares de Daniel Vorcaro, e agora que o ministro André Mendonça mandou – o prazo termina nesta quarta-feira – Davi Alcolumbre ler no Congresso a prorrogação, por mais quatro meses, das investigações do roubo dos velhinhos da Previdência.

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Para governo, facções não são terroristas, e STF finge preocupação enquanto esquece a segurança jurídica

Lula assinou a Lei Antifacção. Estamos em um país onde bandidos tocam fogo em ônibus e automóveis, dominam municípios na Amazônia e áreas do Rio de Janeiro. O governo brasileiro se recusa a reconhecer que isso é narcoterrorismo, como quer o governo dos Estados Unidos. No fim, o governo dos Estados Unidos vai mesmo considerar as facções brasileiras como narcoterroristas.

Falando em facções, o presidente do Supremo, Edson Fachin, chamou no seu gabinete o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para uma reunião sobre como combater o crime. Como se Fachin fosse ministro da Justiça e da Segurança Pública… Isso é muito estranho, soa como uma tentativa pueril, inocente e ingênua, de tentar dividir as atenções. Como se estivessem dizendo “a principal preocupação do brasileiro é a segurança, e o Supremo está se preocupando com a segurança”.

Sim, nós nos preocupamos com segurança, mas nós também queremos ter segurança jurídica. É disso que o Supremo tinha de tratar: segurança jurídica, seguindo ao pé da letra a Constituição da qual o Supremo é guardião. Então teríamos segurança: o direito de ir e vir, o direito à ampla defesa, a não existência de tribunal de exceção, o respeito ao juiz natural e ao devido processo legal, a proteção da liberdade de expressão… tudo isso está na Constituição e queremos ver cumprido, mas não foi. O inquérito do fim do mundo começou um período de sete anos de arbítrio.

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Assessor é preso sacando R$ 2,7 milhões

Um assessor do deputado Vinícius Carvalho (PL-SP) foi preso na sexta-feira. O deputado diz que não tem nada a ver com isso e que demitiu o sujeito quando soube da prisão; mas Fernando José Palma Sampaio, advogado, ainda era assessor do deputado quando foi de São Paulo a Recife para sacar a bagatela de R$ 2,7 milhões. Procurem sacar R$ 10 mil e vocês verão a quantidade de notas. Pois o tal assessor sacou muito mais que isso; deve ter levado tudo num carrinho. Ele disse que havia ido a Recife para almoçar com um amigo – três amigos, aliás, foram presos também. Depois veio a audiência de custódia e foram todos soltos mundo foi solto.

É incrível como ainda viceja a corrupção, igual a anos atrás. Os políticos, pelo jeito, consideram que isso faz parte da natureza humana. Talvez seja até um direito humano. Enquanto isso, o Brasil tem um Ministério de Direitos Humanos que não mexeu uma palha sobre as injustiças cometidas contra os manifestantes do 8 de janeiro. Aqueles que quebraram e estragaram o patrimônio público têm de pagar, com isso todos concordam. Agora, dar 14 anos de prisão para quem pintou uma estátua com batom? Aí entram a raiva, o arbítrio, o ódio, a vingança, com o objetivo claro de impor o temor às pessoas. A pandemia foi a primeira experiência; como funcionou, passaram a aplicar para tudo, mas agora parece que os deuses mandaram Vorcaro para separar o joio do trigo.

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MIGALHA

Sobre a prisão domiciliar temporária de Jair Bolsonaro, o vice-líder do PL na Câmara, Rodolfo Nogueira, celebra “a migalha do estado totalitário”, mas avalia que “a verdadeira comemoração seria a absolvição total”.

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O parlamentar acertou em cheio ao falar em “migalha do estado totalitário”.

Isso é cagado e cuspido o retrato da republiqueta banânica nos dias atuais.

Que os céus se apiedem deste nosso sofrido país.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PROFESSORINHA DO INTERIOR

Esta é minha homenagem a minha tia Isa Catunda professora que lecionou durante muitos anos na cidade de Ipueiras. Ela teve em vida, o carinho e o reconhecimento de muitos que passaram por sua sala de aula. Hoje ela já não vive fisicamente entre nós, mas continua a ser um espírito de luz a nos iluminar.

Renegou a palmatória.
Sabia contar história.
Tinha a meiguice da flor.
Tinha o dom de encantar,
Gostava de lecionar
A Mestra do interior.

Não teve filhos na vida,
Mas era a tia querida,
Que a criançada adotou.
Irradiava magia,
Era Filha de Maria,
Catecismo me ensinou.

Era fina e elegante,
Joia rara, um diamante,
Com todo seu esplendor.
Um ser de luz e beleza
Pro céu levou sua pureza,
E aqui deixou muito amor.

Esse anjo de quem falo,
Rasgo meu peito e não calo,
Habita o meu coração.
É tia Isa querida,
Que já deixou essa vida,
Vive em outra dimensão.

Isa Catunda de Pinho,
Teve um bonito caminho,
Enquanto pode ensinou.
Essa doce criatura
Que viveu para a cultura
Seu legado me deixou.

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TRUMP E OS PRÓXIMOS PASSOS DA GUERRA CONTRA O IRÃ

Editorial Gazeta do Povo

editorial trump guerra irã

Donald Trump deu 48 horas para o Irã desbloquear o Estreito de Ormuz, mas depois desistiu de realizar os ataques prometidos

No sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu que, se o Irã não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em 48 horas, “os Estados Unidos irão atacar e aniquilar suas [do Irã] várias usinas de energia, começando pela maior delas”. O prazo passou e o estreito continua bloqueado pelos iranianos, que controlam quem pode transitar por ele, mas na manhã de segunda-feira Trump anunciou que suspenderia por cinco dias os ataques à infraestrutura energética do Irã após “conversas muito boas e produtivas” com Teerã – o que o regime iraniano nega enfaticamente. Recuo ou estratégia?

Sabe-se que, em resposta ao ultimato de Trump, o Irã havia prometido fechar totalmente a passagem pelo estreito e responder na mesma moeda, atacando instalações de energia de países árabes aliados norte-americanos, o que agravaria ainda mais o que já se pode considerar uma crise energética. Se o presidente norte-americano fez os cálculos e achou que os custos de cumprir a ameaça seriam muito maiores que os benefícios, pode-se afirmar que foi prudente ao evitar uma ação que poderia ter consequências sérias. A decisão, no entanto, tem os seus ônus, pois cada promessa não cumprida reduz o poder de dissuasão dos Estados Unidos, tornando mais difícil acreditar que Trump de fato fará aquilo que ameaça fazer. É o que tem ocorrido na guerra entre Rússia e Ucrânia: em várias ocasiões Trump prometeu sanções severas à Rússia caso não houvesse um cessar-fogo, mas Vladimir Putin seguiu adiante e nem por isso acabou punido da forma anunciada pelo norte-americano.

O grande problema na atual guerra é que, assim como ocorre na Venezuela, não se sabe o que exatamente os Estados Unidos pretendem, porque as manifestações públicas do governo assumem direções distintas a cada dia. O fim do programa nuclear iraniano é um objetivo razoável: os aiatolás estavam próximos de enriquecer urânio nos níveis necessários para uma bomba, e estariam mais propensos a usá-la em comparação com outras potências nucleares que temem a “destruição mútua assegurada”. Mas é este o objetivo real? Há outros? Enfraquecer militarmente o Irã? Acabar com o financiamento ao terrorismo do Hamas e do Hezbollah? Derrubar de vez o regime dos aiatolás e substituí-lo por outra coisa? E quanto a Israel e os aliados árabes dos Estados Unidos, os que sofrem mais diretamente as consequências da guerra: os seus objetivos serão os mesmos dos norte-americanos?

Clareza quanto aos objetivos evitaria sinais contraditórios. Na última sexta-feira, por exemplo, Trump chegou a dizer que a vitória já tinha sido atingida, afirmando que havia destruído a Marinha, a Força Aérea e os mísseis iranianos – que, no entanto, continuam a ser lançados contra Israel. Nesta terça-feira, no entanto, autoridades norte-americanas confirmaram planos para enviar de 3 mil a 4 mil militares de uma divisão aerotransportadas ao Oriente Médio. De fato, não há vitória possível com o Estreito de Ormuz bloqueado, e superar este impasse, seja pela negociação ou pelo uso da força, se necessário, é tarefa que cabe primordialmente aos Estados Unidos. Na sexta-feira, Trump afirmou que “o Estreito de Ormuz terá de ser guardado e policiado, conforme necessário, por outras nações que o utilizam – os EUA não!”. O ataque, no entanto, foi iniciativa dos norte-americanos, que deveriam ter previsto o cenário em que os aiatolás responderiam travando o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico, e preparado uma resposta. Jogar essa responsabilidade sobre os ombros de outros países, agora, só serviria para fragilizar a aliança entre norte-americanos e europeus.

Na Venezuela, a ditadura chavista aceitou fazer algumas concessões a Trump, recebendo em troca o reconhecimento da ditadora interina Delcy Rodríguez. O Irã, no entanto, é diferente: sua liderança não teme a morte – pelo contrário, glorifica o que considera um “martírio” no enfrentamento ao “Grande Satã” – e tem no Estreito de Ormuz uma ferramenta eficaz de retaliação. Há quem considere a postura de Trump como uma estratégia para arrancar algo da teocracia islâmica em Teerã, mas a experiência recente e passada mostra que a ambiguidade e o vaivém são prejudiciais: enfraquecem a posição norte-americana diante do inimigo, além de confundir e afastar aliados. Nada disso tornará a região mais segura; no máximo, conseguirá uma simples trégua que, no médio e longo prazo, aumentará a instabilidade no Oriente Médio.

PENINHA - DICA MUSICAL