WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SÚPLICA DE SERESTEIRO

Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Mote de Melchior SEZEFREDO Machado

Ele transmite alegria
Nas mãos de quem tem talento
Acaba com sofrimento
Manda embora a nostalgia.
É sinônimo de magia
Num acorde dedilhado,
Sozinho ou acompanhado
Conduz a voz do cantor!
Um violão, seu Doutor
Não pode ser confiscado.

José Severino Damasceno

Classes nobres e plebeus
O som vem acalentar
Só faltava ele falar
Nas mãos de Vitor Mateus*
Seus acordes louvam a Deus
Que tá no Trono sentado
Serve pro apaixonado
Se declarar pro amor
Um violão, seu Doutor
Não pode ser confiscado.

Severino Ramos

Em nome da boemia,
Da serenata em janela,
Dos versos que eu fiz pra ela
E que botei melodia,
Eu juro que eu não sabia,
Do horário tão avançado!
Perdoe, seu Delegado,
Se transgredi por amor,
Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Melchior SEZEFREDO Machado

Não me leve a companhia
Que tenho a todo momento
Até mesmo o meu lamento
Com ele, tem poesia.
Uma aura de magia
Sai dele, quando tocado.
Durmo com ele abraçado
Retribuindo o amor.
Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Wellington Vicente

*Vitor Mateus Teixeira, o lendário cantor Teixeirinha.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Amélia Beviláqua

Amélia Carolina de Freitas Beviláqua nasceu em 7/8/1860, na fazenda Formosa em Jerumenha, PI. Advogada, jornalista, crítica literária, contista, ensaísta e pioneira na luta pelos direitos da mulher. Foi a primeira mulher a se candidatar a uma cadeira na ABL-Academia Brasileira de Letras, em 1930, e ocupou a cadeira nº 23 da Academia Piauiense de Letras.

Filha de Teresa Carolina da Silva Freitas e do Desembargador José Manuel de Freitas, concluiu os primeiros estudos em Recife, onde conheceu e casou-se, em 1883, com o jurista Clóvis Beviláqua, um dos fundadores da ABL Sua vida literária iniciou ainda cedo, quando era estudante em São Luís, MA, colaborando com o jornal da escola, publicando contos e poesias. Em 1889, publicou artigos nos jornais de Recife e na Revista do Brasil, de São Paulo. Foi, também, redatora oficial do periódico O Lyrio, de Recife, em 1902, uma publicação integrada só por mulheres..

Em 1930, com o falecimento do acadêmico Alfredo Pujol, o marido sugeriu-lhe que se candidatasse à vaga então aberta na ABL-Academia Brasileira de Letras. Essa destemida candidatura feminina, causou agitação entre os “imortais”. O regulamento da Casa previa que todos os brasileiros poderiam participar daquela confraria. No entanto, a expressão não incluía as mulheres, e baseado em tal argumento o pedido foi negado. O marido sustentou que o termo “brasileiros” incluía as mulheres e seu argumento estava fundado em dicionários e na literatura, esclarecendo que “hominis appellatione tam foeminam quam masculum contineri non dubitatur”.

Em seguida, Clóvis manifestou seu protesto junto a ABL: “Fecharam, rudemente, as portas da Academia, para Amélia, a quem se não pode recusar o título de fina artista da palavra escrita, à vista de numerosos trabalhos publicados, nos quais o sentimento e a ideia se exprimem por forma correta e límpida. Ainda quando lhe recusem uma cadeira no recinto acadêmico, por não quebrarem a norma rotineira, devia merecer a atenção, e o tratamento delicado, a quem tem direito, como escritora e como mulher da sociedade”. Conta a história que a partir deste dia ele deixou de frequentar a ABL.

Na década de 1920, ela já era um nome reconhecido por críticos como Sílvio Romero e Araripe Júnior, tendo várias obras publicadas por Bernard de Fréres, importante editora da época. Sua projeção literária inspirou outras mulheres, especialmente as que viviam no Piauí, a publicar seus escritos. Nesse contexto, dá-se a superação de uma lacuna no período da escrita feminina piauiense, que se seguiu após o fim do primeiro jornal de redação exclusivamente feminina do Piauí, Borboleta (1904-1906); e o surgimento da revista Alvorada (1909-1912).

Assim, a escrita feminina ressurgia com as mulheres e seus nomes e pseudônimos, importante recurso literário que foi utilizado por várias escritoras, como Charlotte Brontë ou Nísia Floresta. Entre suas obras encontram-se a poesia e contos, bem como polêmica e ensaios: Alcyone (1902), Instrução e Educação da Infância (1906), Literatura e Direito (1907), Vesta (1908), Angústia (1913), Açucena (1921), Impressões (1929), Flor do Orfanato (1931), Divagações (1931), Recordação do dia 7 de Agosto (1933), Alma Universal (1935) entre outros.

Faleceu em 17/11/1946 e teve sua memória registrada no artigo “Amélia Beviláqua que era mulher de verdade: a memória construída da esposa de Clóvis Beviláqua”, publicado por Wilton Carlos Lima da Silva na revista INTER thesis, vol, 11, nº 2, jul-dez. 2014, da UFSC. No artigo vemos que ela apresentava “atitudes ‘modernistas’ de vanguarda, consideradas até um tanto ou quanto amalucadas. Lembrada como dona de casa excêntrica, onde os animais domésticos disputavam espaços nos sofás e os pombos e galos voavam por sobre as cabeças dos visitantes; ou como desalinhada e de mau aspecto sob o ponto de vista físico; lembrada ainda como de comportamento avançado sob o ponto de vista moral; muitos esquecem o valor literário que Amélia possuiu”.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PENINHA - DICA MUSICAL

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

RECOMENDAÇÕES DO CHICO XAVIER

Outro dia, relendo umas anotações psicografadas pelo famoso médium mineiro Chico Xavier, recordei um baita desabafo de minha amada avó-madrinha Zefinha, mãe da minha mãe, ambas já eternizadas.

Há muitos anos, ela já dizia que o Brasil estava recheado de patifarias, inverdades, insinceridades políticas, fuxicos e fofocas, desequilíbrios sociais, autoritarismos antidemocráticos, preconceitos mil, machismos alucinados e inverdades históricas as mais cabeludas, além de incontáveis fingimentos religiosos, praticados por pessoas que desconhecem por completo a diferença entre Deus e deus, o verdadeiro e o construído ao longo dos séculos pelos poderes dominantes até hoje manobrando manadas em prol dos seus interesses por malacheia.

Fico a imaginar o que vovó diria dos tempos atuais, onde uma manada eleitoral inculta e religiosamente fundamentalista, se prepara para sufragar, em 2026, um novo Presidente da República, outro Congresso Nacional, Executivos e Assembleias Estaduais.

Apesar de todos os pesares, entretanto, ainda confio nos amanhãs nacionais, pondo fé numa juventude militantes, de centro-esquerda e de centro-direita, mais racionais, éticos e empreendedores, capazes de defenestrar do cenário pátrio os sectários que apenas desejam enodoar o Pavilhão Pátrio, tentando jogar merda no ventilador da nossa Soberania Nacional.

É chegada a hora de uma ampla Frente Democrática Brasileira, composta de lideranças moralmente bem estruturadas, civilizadamente contemporâneas, não messiânicas, que busquem, através de debates consistentes, estruturar um efetivo planejamento social-democrático, favorecendo gregos e troianos de todas as regiões, através de um sistema educacional que integre humanismo, tecnologia, autoconhecimento e empreendedorismo.

Creio que o que está faltando no Brasil são balizamentos de excelentes norteadores existenciais, de excelente lastro ético, militantes preparados para sempre travar o bom combate, alertando mentes e corações para os alucinados oportunistas, dos dois extremos ideológicos, que apenas desejam tocar fogo no circo, fingindo-se de bons malabaristas, quando apenas se portam como malas feias, pregando o que não sente para os desatentos diários.

Como estava relendo o Chico Xavier, aproveito a oportunidade para transcrever neste cantinho do JBF, alguns ensinamentos do médium, psicografados do Além. Recomendações que poderão balizar um futuro brasileiro soberano e crítico para todas as classes sociais, sem as chafurdices políticas atuais, causadas por uma incultura quase generalizada dos atuais sistemas partidários. Ei-las:

“Coragem é suportar a presença de pessoa que nós sabemos seja muto difícil para compartilhar nossa vida.”

“Enquanto o estudo nos esclarece, o trabalho dissipa as sombras negativas que possam alcançar nosso cérebro.”

“Toda vez que as circunstâncias te induzam a ouvir as verdades do Evangelho, não penses que o acaso esteja presidindo semelhantes eventos. Forças divinas agirão a fim de que te informes quanto ao teu próprio caminho.”

“Existem pessoas que gostam muito de usar a franqueza, mas é uma franqueza que joga todo mundo no chão.”

“Quem deserta da luta por achar que a luta está muito grande, não tenha dúvida: vai encontrar uma luta muito maior pela frente.”

“Servir sempre, sem nenhuma ideia de melindre pessoal diante da crítica que porventura apareça. Assim aprimora-se a militância.”

“Nenhum de nós pode saber o passado real.”

“Existem dois tipos de renúncia: a produtiva, que gera o bem para os outros, e a vazia.”

“Quem lança muito as culpas nos outros é porque não aceita as culpas que tem.”

“Ninguém é suficientemente perfeito para exigir o que ainda não realizou dentro de si.”

“Eu nem sempre posso falar o que penso, mas o que não posso falar é exatamente aquilo que não posso dizer”.

Recomendações sábias que evitam galhofas, gabolices e hipocrisias fétidas travestidas de cretinices messiânicas, que deixam o ambiente nunca higienizado.