JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Amélia Carolina de Freitas Beviláqua nasceu em 7/8/1860, na fazenda Formosa em Jerumenha, PI. Advogada, jornalista, crítica literária, contista, ensaísta e pioneira na luta pelos direitos da mulher. Foi a primeira mulher a se candidatar a uma cadeira na ABL-Academia Brasileira de Letras, em 1930, e ocupou a cadeira nº 23 da Academia Piauiense de Letras.

Filha de Teresa Carolina da Silva Freitas e do Desembargador José Manuel de Freitas, concluiu os primeiros estudos em Recife, onde conheceu e casou-se, em 1883, com o jurista Clóvis Beviláqua, um dos fundadores da ABL Sua vida literária iniciou ainda cedo, quando era estudante em São Luís, MA, colaborando com o jornal da escola, publicando contos e poesias. Em 1889, publicou artigos nos jornais de Recife e na Revista do Brasil, de São Paulo. Foi, também, redatora oficial do periódico O Lyrio, de Recife, em 1902, uma publicação integrada só por mulheres..

Em 1930, com o falecimento do acadêmico Alfredo Pujol, o marido sugeriu-lhe que se candidatasse à vaga então aberta na ABL-Academia Brasileira de Letras. Essa destemida candidatura feminina, causou agitação entre os “imortais”. O regulamento da Casa previa que todos os brasileiros poderiam participar daquela confraria. No entanto, a expressão não incluía as mulheres, e baseado em tal argumento o pedido foi negado. O marido sustentou que o termo “brasileiros” incluía as mulheres e seu argumento estava fundado em dicionários e na literatura, esclarecendo que “hominis appellatione tam foeminam quam masculum contineri non dubitatur”.

Em seguida, Clóvis manifestou seu protesto junto a ABL: “Fecharam, rudemente, as portas da Academia, para Amélia, a quem se não pode recusar o título de fina artista da palavra escrita, à vista de numerosos trabalhos publicados, nos quais o sentimento e a ideia se exprimem por forma correta e límpida. Ainda quando lhe recusem uma cadeira no recinto acadêmico, por não quebrarem a norma rotineira, devia merecer a atenção, e o tratamento delicado, a quem tem direito, como escritora e como mulher da sociedade”. Conta a história que a partir deste dia ele deixou de frequentar a ABL.

Na década de 1920, ela já era um nome reconhecido por críticos como Sílvio Romero e Araripe Júnior, tendo várias obras publicadas por Bernard de Fréres, importante editora da época. Sua projeção literária inspirou outras mulheres, especialmente as que viviam no Piauí, a publicar seus escritos. Nesse contexto, dá-se a superação de uma lacuna no período da escrita feminina piauiense, que se seguiu após o fim do primeiro jornal de redação exclusivamente feminina do Piauí, Borboleta (1904-1906); e o surgimento da revista Alvorada (1909-1912).

Assim, a escrita feminina ressurgia com as mulheres e seus nomes e pseudônimos, importante recurso literário que foi utilizado por várias escritoras, como Charlotte Brontë ou Nísia Floresta. Entre suas obras encontram-se a poesia e contos, bem como polêmica e ensaios: Alcyone (1902), Instrução e Educação da Infância (1906), Literatura e Direito (1907), Vesta (1908), Angústia (1913), Açucena (1921), Impressões (1929), Flor do Orfanato (1931), Divagações (1931), Recordação do dia 7 de Agosto (1933), Alma Universal (1935) entre outros.

Faleceu em 17/11/1946 e teve sua memória registrada no artigo “Amélia Beviláqua que era mulher de verdade: a memória construída da esposa de Clóvis Beviláqua”, publicado por Wilton Carlos Lima da Silva na revista INTER thesis, vol, 11, nº 2, jul-dez. 2014, da UFSC. No artigo vemos que ela apresentava “atitudes ‘modernistas’ de vanguarda, consideradas até um tanto ou quanto amalucadas. Lembrada como dona de casa excêntrica, onde os animais domésticos disputavam espaços nos sofás e os pombos e galos voavam por sobre as cabeças dos visitantes; ou como desalinhada e de mau aspecto sob o ponto de vista físico; lembrada ainda como de comportamento avançado sob o ponto de vista moral; muitos esquecem o valor literário que Amélia possuiu”.

7 pensou em “AS BRASILEIRAS: Amélia Beviláqua

  1. Faltou so a história de seus gatos, presos em gaiolas de passarinho. Na Sala de Jantar. Um dia o mestre conta essa história. Há braços.

    • Dom José Paulo
      Gatos presos numa gaiola de passarinhos deve ser uma boa história. Peço me enviar esta história para completar a síntese biográfica de Amélia Beviláqua e compartilhá-la com os leitores

    • Caro Joaquim
      Muito bom receber sua visita ao Memorial.
      Não tenho estas biografias. Por favor, mande-as para incluirmos no Memorial do Povo Brasileiro
      .

    • Pois é, Airton
      Estou no encalço das mulheres para incluir no Memorial. Caso se “alembre” de alguma, não hesite em mandá-la

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