JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

FALA FORA DOS AUTOS E AMEAÇA BANCOS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO

O ministro Alexandre de Moraes deu entrevista à Reuters, e já tinha dado entrevista ao Washington Post. Os norte-americanos devem estar admirados, porque aqui ministro da suprema corte dá entrevista. Ele disse à Reuters que, se os bancos resolverem aplicar a lei internamente, podem ser “penalizados”. Acho que ele quis dizer “punidos” – eu fico penalizado quando eu fico com pena de alguém, como quando vou a um velório e fico penalizado com os parentes do morto. Moraes decerto quis dizer “punido”.

O interessante é que Moraes está se referindo a ele próprio, porque ele é o punido. Ele é um ministro do Supremo, ele é um juiz da suprema corte, e ele está falando de si mesmo. Mas isso não é surpresa. Há seis anos o Supremo tem aquele inquérito em sua própria defesa. Ele é o queixoso, ele se julga a vítima. O ministro Moraes está julgando pessoas que o teriam ameaçado de morte. Isso é impossível de caber na cabeça de qualquer estudante de primeiro semestre de Direito. Mas é possível aqui no Brasil, ante o silêncio da mídia domesticada, a pet media. É uma aberração.

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Dino criou o caos para proteger Moraes

O editorial de quarta-feira de O Estado de S.Paulo chamou a decisão do ministro Flávio Dino de “temerária”, porque usou uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (a ADPF 1778), sobre o desastre de Mariana, para, segundo o editorial, fazer manifesto político de defesa da soberania nacional. E com isso, lembra o editorial, criou uma enorme insegurança jurídica no sistema financeiro nacional.

O Estadão explica tudo aquilo que eu já expliquei a vocês: a Lei Magnitsky não vale aqui no Brasil, vale nos Estados Unidos. Mas, se um banco brasileiro tem interesses nos Estados Unidos, usa serviços dos Estados Unidos, tem filial nos Estados Unidos, tem ações nos Estados Unidos, vai ser punido nos Estados Unidos por ter entre seus clientes um sancionado pela Lei Magnitsky – no caso, o ministro Moraes. O editorial mostrou que, por causa disso, no dia seguinte, os maiores bancos brasileiros perderam R$ 42 bilhões do patrimônio espelhado pelas ações. E isso em uma questão que nem estava com Flávio Dino, mas sim com o ministro Cristiano Zanin, que é o relator de uma ação movida pelo líder do PT, Lindbergh Farias.

Dino, segundo o editorial do Estadão, instalou um tumulto jurídico que ninguém consegue resolver para blindar Moraes. O Banco do Brasil emitiu uma nota que não diz nada com coisa nenhuma. Fala em generalidades, vai rodando, e não entra no assunto. E, depois dessa queda no valor das ações dos bancos, Dino ainda ironizou, como ele costuma fazer: “Eu não sabia que era tão poderoso”, vejam só.

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Imprensa domesticada requenta notícia sobre Carla Zambelli para espalhar fake news

Na sexta-feira haverá a perícia médica de Carla Zambelli pedida pela Justiça italiana. E no dia 27 haverá uma nova audiência, em que a defesa dela está trazendo do Brasil um laudo psiquiátrico. A pet media, a imprensa domesticada, aproveitou uma notícia aparentemente nova, de uma nota da Advocacia-Geral da União, para as pessoas pensarem que ela estava com prisão dupla. Não; é notícia velha, do dia 15, que foi requentada, quando o juiz determinou a perícia médica, a nova audiência do dia 27, e que ela fosse mantida em custódia.

COMENTÁRIO DO LEITOR

CASTRO ALVES E FLORBELA ESPANCA

Comentário sobre a postagem DAMA NEGRA – Castro Alves

João Francisco:

Acho que de todos os poetas brasileiros, no aspecto da boemia, o que mais se aproximou da Florbela Espanca foi Castro Alves.

Alguns dirão que foi o contrário, pois quando Florbela surgiu no início do século XX, Castro Alves já tinha falecido.

O que há de comum entre os dois? Viveram pouco e intensamente. Castro Alves morreu com 24 anos e Florbela, com 35.

Mas o como viveram é que faz toda a diferença. Castro alves era um sedutor galanteador romântico e passou por muitos lugares (Savador, Recife, RJ e SP) deixando amantes e aventuras. Historicamente viveu o auge da escravidão e dos movimentos abolicionistas. Foi muito profícuo em sua obra. Morreu em consequência da tuberculose, doença comum na época que acometia os boêmios.

Florbela foi diferente. Até mesmo por ser mulher, não tinha a mesma libertade romântica que Castro Alves usufruia. Era mais intensa em seus relacionamentos, possessiva o que se refletia em seus versos da fase mais jovem. Jamais teve pretenções políticas ou seguiu tendências em sua obra.

Ela era a tendência.

Teve um fim difícil, com tendências depressivas e ansiosa; ficou doente e cometeu suicídio. Mesmo nesta fase derradeira e triste tinha um domínio artístico sobre as palavras em forma de versos, que eu ainda não vi em outro artista.

Castro Alves e Florbela Espanca marcaram definifivamente as culturas do Brasil e Portugal como nenum outro.

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

ESTRAGO

Velho comuna, Flávio Dino ironizou o estrago que fez na Bolsa.

“Não sabia que era tão poderoso”.

Bancos perderem R$ 42 bilhões em valor de mercado.

Ele viu “especulação financeira”.

Não sabe o que diz.

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Comuna e ministro do gunverno petista.

Esse resumo diz tudo.

E explica o estrago que ele provocou.

DEU NO JORNAL

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

RON PAUL E O BANCO CENTRAL

Essa é uma entrevista com o senador e ex-candidato à presidência dos EUA, Ron Paul, realizada em 2012:

Qual o problema com o Banco Central?

Um banco central tenta fazer algo que é impossível de ser feito. Portanto, não se trata de culpar uma única pessoa. O culpado não é apenas o atual presidente ou o presidente anterior. O principal problema é a suposição de que os burocratas podem saber exatamente qual deve ser a taxa de juros do momento e qual deve ser a oferta monetária, ou a suposição de que é possível ter preços estáveis ao mesmo tempo em que se imprime dinheiro. Há ainda o grande problema de se imaginar que o desemprego pode ser solucionado pela simples manipulação da oferta monetária.

O país estaria melhor sem um Banco Central?

É claro. É melhor que não tenhamos depressões, inflação, caos econômico e todos os outros problemas por que passamos. Não teríamos esse sistema furtivo de financiamento de programas de um estado gigante. Seria impossível o estado financiar suas guerras e seus vários programas assistencialistas, coisas que apenas fazem com que o estado cresça ainda mais e torne as pessoas – ricos e pobres – dependentes do assistencialismo. Nada disso pode acontecer sem um banco central.

O que o senhor acha da medida do Fed de injetar US$ 600 bilhões de dólares na economia americana na esperança de estimular a recuperação por meio da compra de títulos de longo prazo em posse dos bancos?

É terrível. Eles nos jogaram nessa encrenca porque houve um afrouxamento monetário excessivo. Foi a contínua inflação da oferta monetária e taxas de juros artificialmente baixas que levaram os EUA à sua atual situação econômica – isso nos deu todas as bolhas por que passamos e você não pode resolver todos os problemas causados pela inflação simplesmente gerando mais inflação. Já tivemos a primeira rodada de afrouxamento monetário; estamos agora na segunda. Porém, dessa vez será sob a orquestra de Bernanke. Eles não falaram que houve afrouxamento monetário sob o comando de Greenspan, mas essencialmente houve a mesma coisa – uma maciça inflação da oferta monetária, com taxas de juros muito abaixo das que prevaleceriam no livre mercado.

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DEU NO JORNAL

A CENSURA POR TRÁS DAS BOAS INTENÇÕES

O vídeo do youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, fez o Congresso Nacional tirar da gaveta o PL 2.628/22, proposto três anos atrás e aprovado no Senado em 2024. As graves denúncias do influenciador sobre a “adultização” de crianças e adolescentes nos ambientes virtuais ganharam dimensão inédita – episódios semelhantes já haviam sido denunciados antes, mas sem a mesma repercussão e com resultado nulo – e levaram o presidente da Câmara, Hugo Motta, a acelerar a tramitação do projeto na casa. Na terça-feira, aprovou-se em votação simbólica o caráter de urgência da proposta, que pode ir ao plenário nesta quarta-feira. O texto, no entanto, traz camuflada, entre as boas intenções, uma porta escancarada para a censura.

Um dos raríssimos consensos que há no Brasil quando o assunto é a regulação das mídias sociais é a necessidade de ação mais proativa das Big Techs na proteção da imagem de crianças e adolescentes e na prevenção de sua exposição a conteúdos prejudiciais a seu desenvolvimento psicológico e socioafetivo. Pornografia infantil e outros crimes contra a infância e a adolescência são casos típicos em que o modelo de “dever de cuidado”, aquele em que o provedor retira conteúdos do ar por conta própria, dispensando até a necessidade de notificação ou denúncia, pode e deve ser aplicado. São casos óbvios, que poderiam ser identificados até mesmo com a ajuda de inteligência artificial; as raríssimas situações de remoção indevida (por exemplo, o compartilhamento de imagens de crianças com fins de pesquisa médica) poderiam ser resolvidas individualmente, e o eventual prejuízo é ínfimo em comparação com o benefício da ação rápida dos provedores.

E é preciso reconhecer que o PL 2.628, agora apelidado “PL da Adultização” devido ao vídeo de Felca, age neste sentido e em muitos outros, buscando a proteção da infância e da adolescência. Entre outras medidas, ele impõe às empresas de tecnologia várias medidas que evitem a exposição de crianças a vários conteúdos, inclusive pornografia; obriga a adoção de mecanismos de controle parental, inclusive para monitoramento de interações entre as crianças e outros adultos; e proíbe “armadilhas” que levem crianças e adolescentes a se tornarem dependentes de certos produtos on-line, como jogos. Tudo isso sem prescindir da autoridade familiar, afirmando que o texto legal “não exime os pais e responsáveis (…) de atuarem para impedir sua [das crianças e adolescentes] exposição às situações violadoras”.

Destaque-se, também, que pela primeira vez o Congresso está perto de aprovar uma lei que obrigue as Big Techs a ser transparentes nos casos de remoção de conteúdo, informando ao usuário qual publicação sua foi removida, por que motivos, e dando-lhe possibilidade de apresentar contestação. Os provedores tradicionalmente têm sido refratários a qualquer tipo de transparência neste sentido, removendo publicações e suspendendo contas sem dar explicação alguma, agindo como editores enquanto alegam ser meros intermediários para a transmissão de conteúdos, sem aceitar sujeitar-se à responsabilização jurídica que suas políticas de moderação deveriam ensejar.

Mas os benefícios terminam aí, e o pulo do gato é suficientemente grave para ofuscar tudo o que o PL 2.628 tenha de positivo. A esquerda tem se mobilizado pela aprovação do texto, mas a proteção de crianças e adolescentes contra a “adultização” (e, mais especificamente, a erotização) nunca foi uma preocupação sua – muito pelo contrário. A possível explicação está em um dispositivo introduzido no PL a pedido do governo federal, como diz o próprio relator da proposta na Câmara, deputado Jadyel Alencar. O texto introduz a figura de uma “autoridade nacional” não identificada, que “ficará responsável por fiscalizar o cumprimento desta lei em todo o território nacional e poderá editar normas complementares para regulamentar os dispositivos. Tal autoridade poderá até mesmo suspender temporariamente ou tirar do ar uma rede social “em caso de descumprimento das obrigações previstas nesta lei”.

Em outras palavras, um órgão do Poder Executivo ou vinculado a ele ganha o poder de censurar uma rede social inteira se julgar que ela não está agindo para proteger crianças e adolescentes. Mas com que critérios fará essa avaliação? O que será preciso para uma punição desse tipo? Um caso de grande comoção nacional há de bastar? Ninguém sabe, porque a lei não tem uma palavra sobre o assunto. E, ainda que tivesse, trata-se do tipo de decisão que, na muito mais benigna das hipóteses, deveria caber apenas ao Judiciário, por questão de princípio – ainda que o atual Judiciário esteja longe dos padrões mínimos de respeito à liberdade de expressão e ao devido processo legal. A mera possibilidade de um ente da administração pública poder tirar do ar um provedor por ato administrativo bate de frente com trecho do mesmo PL segundo o qual a tal “autoridade nacional” não poderá adotar “práticas contra (…) [a] liberdade de expressão”; afinal, se calar milhões de usuários assim não é censura pura, atentado gravíssimo contra a liberdade de expressão, o que mais poderia sê-lo?

Lula, seu governo e a esquerda em geral jamais esconderam seu desejo de controlar o discurso público; se antes falavam na “democratização dos meios de comunicação”, o advento das redes sociais levou a uma mudança no discurso, enfatizando a “regulação das redes”. A chance de conseguir o poder de “desligar” uma rede social, colocada de carona em um projeto sobre um tema que mobiliza o país, é o melhor presente que a esquerda poderia receber, já que tentativas anteriores neste sentido falharam. É preciso correr contra o tempo para manter o que há de bom no PL 2.628 sem fazer dele o cavalo de Troia por onde a censura governamental pode se tornar lei no Brasil.