PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

NUNCA MAIS – Auta de Souza

Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto!
E nem sequer o som de tua fala
Ouvir de manso à hora do Sol posto
Quando a Tristeza já do Céu resvala!

Talvez assim o fúnebre desgosto
Que eternamente a alma me avassala
Se transformasse n’um luar de Agosto,
Sonho perene que a Ventura embala.

Talvez o riso me voltasse à boca
E se extinguisse essa amargura louca
De tanta dor que a minha vida junca…

E, então, os dias de prazer voltassem
E nunca mais os olhos meus chorassem…
Ah! se eu pudesse nunca ver-te, nunca!

Auta de Souza, Macaíba-RN (1876-1901)

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

BRASIL VAI PAGAR CARO POR ESCOLHER FAZER NEGÓCIOS COM A RÚSSIA

Rússia responde por mais da metade do diesel importado pelo Brasil

Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que vai da Turquia até a Islândia, fez um anúncio que deve criar um problemão para o diesel no Brasil. A Otan é um tratado de defesa que nasceu para se contrapor à União Soviética; a URSS acabou, mas a organização continua, agora de olho na Rússia. Rutte afirmou que, a menos que a Rússia acabe a guerra de agressão contra a Ucrânia, os países que fornecerem divisas para a Rússia, comprando dos russos e ajudando-os a bancar as armas que massacram ucranianos, serão taxados em 100% em todas as suas exportações.

O Brasil é dependente do diesel russo e, desde o governo Lula, a Rússia é o maior fornecedor de diesel para o Brasil. Foi assim em 2023, em 2024, e continua sendo este ano. A Rússia faz um preço bom para o Brasil, que paga bem, compra tudo dos russos e envia recursos para eles. Mais da metade do nosso diesel vem da Rússia, e vai para o tanque dos caminhões brasileiros que transportam mais de dois terços da carga nacional.

A Petrobras está com um problema danado, porque terá de encontrar outro fornecedor de diesel. Os 50% de Donald Trump, no fim das contas, eram fichinha, porque só 3% da produção da Petrobras era exportada para os Estados Unidos. Havia como encontrar outros compradores de produtos da Petrobras, como gás e petróleo. Mas o diesel que vem da Rússia garante um preço razoável na bomba para o caminhoneiro, para os ônibus e para todos aqueles que usam diesel, como as camionetas. Como é que a Petrobras vai encontrar quem forneça todo esse diesel para o Brasil no lugar da Rússia? Vejam o gigantesco problema que pode atingir os caminhoneiros, se não aparecer um fornecedor com preço parecido.

* * *

Argentina está voando e aumenta importações vindas do Brasil

Já a Argentina vai muito bem, tão bem que está ajudando o Brasil. No primeiro semestre, as importações vindas do Brasil já passaram de US$ 9 bilhões, 55% a mais que no primeiro semestre do ano passado. A Argentina está enriquecendo e está comprando do Brasil, beneficiando os fornecedores brasileiros. Nós já somos o terceiro maior exportador para a Argentina, atrás do Chile, que está ali na fronteira, e dos Estados Unidos – que, aliás, estão fornecendo até material bélico para a Argentina.

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Esquerda faz reunião sobre “democracia” no Chile

Falando no Chile, Gabriel Boric está sendo o anfitrião de um encontro da esquerda, de que Lula está participando. As pesquisas lá no Chile mostram que ele está com reprovação de 62%. E os candidatos de direita, somados, dão muito mais que a candidata do Partido Comunista à sucessão de Boric na eleição do fim deste ano. Estão nesta reunião o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que é muito criticado na Espanha; o presidente Yamandú Orsi, do Uruguai; e o presidente Gustavo Petro, da Colômbia. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, foi convidada e não foi.

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Centenas de terroristas a caminho da América do Sul para “esfriarem”

Um diplomata da Embaixada da Argentina em Beirute, no Líbano, afirmou que 400 líderes do Hezbollah estão vindo para “esfriar” na América do Sul. Eles devem ir para a Colômbia, onde estão as Farc, para o Brasil e para a Argentina. Todos sabem que Foz do Iguaçu é uma espécie de “frigorífico” de terroristas, para onde eles vão com o objetivo de se tornarem esquecidos por uns cinco anos. Nesse período, não cometem nenhuma infração contra a lei brasileira, para não chamar atenção. Mas, a essa altura, deveria estar todo mundo de olho.

DEU NO JORNAL

COINCIDÊNCIAS

Evidenciando que a Venezuela é logo ali, Lula (PT) adota a estratégia ou o padrão de comportamento do ditador Nicolas Maduro ao chamar críticos de “traidores da pátria”, criminalizando a oposição e justificando medidas de endurecimento do regime.

Na Venezuela, reparem as coincidências, a Venezuela passou a censurar redes sociais e depois a imprensa, anulou o Legislativo, perseguiu e prendeu oposicionistas, tornando-os inelegíveis, e instaurou a ditadura de uma vez por todas.

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É triste, é desolador.

A administração da nossa republiqueta lutando desesperadamente pra ser igual ao tirânico vizinho.

Que os céus se apiedem de nós!!!

COMENTÁRIO DO LEITOR

SANÇÕES

Comentário sobre a postagem INVESTIGAÇÕES

João Francisco:

As sanções advindas de práticas injustas de comércio previstas na tal seção 301 da Lei de Comércio americana, uma vez implantadas, são terríveis.

Como vai o Brasil demonstrar que nosso governo não trata as Big Tech’s de forma injusta, se atualmente estão cogitando aumentar os impostos que incidem sobre estas empresas?

Como o Brasil vai demonstrar que combate a pirataria de produtos americanos se a 25 de março em SP (o maior, mas não único exemplo) vive disso?

Estava tudo quieto na relação BRA-EUA, empresas brasileiras, aos poucos estavam ganhando mercado. De repente o Desmiolado chuta a barraca e desanda tudo.

– Ah, mas se os EUA não comprarem nosso pescado o preço vai subir lá.

Outros fornecedores estão rindo de orelha a orelha.

DEU NO JORNAL

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

RÁPIDA E MORTAL (1995), UM SPAGHETTI WESTERN TRASH

Cartaz quando lançado em DVD

“RÁPIDA E MORTAL,” título recebido no Brasil para o oeste THE QUICK AND THE DEAD, do diretor americano Sam Raimi, famoso por dirigir a série de filmes do Homem-Aranha e do Grito, conta a história de uma mulher misteriosa, Ellen, que cavalga até a cidade fictícia de Redemption em busca de vingança. Ela vem para matar o poderoso xerife da cidade, o homem que tornou o lugarejo desolado por suas ações cruéis qual o deserto que agora ela atravessa para chegar lá. Mas os demônios que a levaram para este mortal conflito são os mesmos que a colocaram numa situação limite; e o estranho é que pode ser a única a cair morta ao final do acerto de contas. Estrelado por Sharon Stone no papel da atriz principal, ela é a mulher sedutora de homens em Instinto Selvagem e Gene Hackman, cinco vezes indicado ao Oscar, vencedor por duas vezes, numa atuação magistral como o xerife vingativo.

“Rápida e Mortal” é um daqueles faroestes descartáveis, que diverte, mas você só assiste uma vez. Está a milhões de anos de ser uma obra-prima. Mas o pior é que o filme diverte mesmo. Prepare-se para tiroteios rápidos, vilões cruéis e caricatos, e mortes mais que dramáticas. O filme em si é exagerado, mas esta é a fórmula certa, o exagero para divertir. O diretor Sam Raimi conduziu a brincadeira certinha. Mas miss Stone estava bem à vontade, até porque o filme teve poder de barganha da loura. Ela mandava em Hollywood nesta época. Coadjuvante de luxo do porte de Leonardo DiCaprio e Russel Crowe, mas mesmo assim o filme não decolou e caiu no esquecimento. O que fica de reflexão é porque Hollywood é tão injusta com seus mitos? DiCaprio e Crowe nesta época eram quase desconhecidos e Sharon era a rainha da cocada preta; hoje Crowe e DiCaprio figuram como os maiores astros de Hollywood enquanto a estrela de Sharon se apagou e a cocada preta alguém comeu.

A coragem de Sam Raimi se afirma na confiança do protagonismo a uma mulher. Em território historicamente dominado por homens, no qual a mulher ou era submissa esposa ou prostituta, surge cavalgando no horizonte a bela Ellen (Sharon Stone). Vestida de cowboy, arma no coldre, chapéu e aquele olhar ferino tipo “Estranho Sem Nome”, ela chega até a cidade de Redemption em busca da boa e velha vingança, tema abundante num período em que 09 entre 10 pessoas carregavam armas nas ruas e, não raro, davam vazão à raiva metendo bala na cabeça de alguém. No caso de Ellen, a desforra tem razões mais sombrias e remonta ao assassinato do pai, então Xerife, pelo bando de John Herod (Gene Hackman) que, claro, ela encontrará na cidadela com nome de premonição.

John Herod promove na ocasião um torneio de tiro, onde viver é sinal de vitória. Ele traz forçosamente o velho parceiro Cort (Russell Crowe) para a peleja, tirando-o da vida dedicada às pregações religiosas para lembrá-lo de seu passado assassino. Cort, rápido e letal, será espécie de suporte psicológico a Ellen. Além da vingança, outro tema trabalhado em Rápida e Mortal é a relação pai/filho, uma vez que Herod terá como oponente seu próprio filho Fee “The Kid” (Leonardo DiCaprio), jovem ávido para provar ao pai seu valor, nem que para isso precise matá-lo em duelo.

Sam Raimi cozinha esse assado numa panela repleta de referências, sendo a principal delas o italiano Sérgio Leone, ícone do chamado spaghetti western, e o maior diretor de faroeste do Século XX. Entre filiar-se à tradição estadunidense e seguir a maior dramaticidade do bangue-bangue europeu, o diretor envereda visualmente pela segunda, muito mais próxima de seu itinerário estilístico repleto de ângulos insólitos e tipos marcados.

Mas Raimi não se propõe ao pastiche, dotando Rápida e Mortal de identidade própria e carimbo com sua assinatura contumaz. Quiçá o problema (se isso for problema) maior do filme reside no eclipse da protagonista por dois personagens tão ou mais fortes que ela própria: Herod e Cort. Algo a ver com as interpretações contundentes de Gene Hackman e Russell Crowe, frente à burocrática Sharon Stone? Pode ser. Independente dessas questões, Rápida e Mortal é um filme que tem seus brios, empolgantes e cheios de energia. Se não trouxe nada de novo para o gênero, o resgatou dignamente do limbo.

O filme possui várias qualidades, e uma delas é seu elenco impressivo. Dentre os atores presentes no filme, tem-se a presença de Sharon Stone, Gene Hackman, Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, então o filme apresenta um conjunto de atores talentosos. Apesar de que na época o impacto de alguns desses nomes não ser o mesmo de hoje, já que o filme foi feito com o DiCaprio antes de fazer Titanic e Crowe antes de ganhar seu Oscar. Isso não tira o peso de suas performances, que são boas. Mas é Hackman que dá um show aqui, com uma atuação que eleva o personagem que ele interpreta. Que tem presença de tela e que sabe entregar ótimos diálogos.

Um dos pontos altos do filme são as cenas dos duelos, que são bem trabalhadas, e todas elas são distintas umas das outras, principalmente por causa do ritmo e da edição, que sempre varia e impede que as cenas pareçam repetitivas. O filme também é ótimo tecnicamente falando, já que possui ótimos cenários, com um design de produção coerente, assim como os figurinos, que combinam com a personalidade de seus personagens. A trilha de Alan Silvestri casa com o filme de forma perfeita, e a música tema do filme é bastante melódica e memorável.

O western spaghetti de Sam Raimi é autêntico e divertido. Apesar de ser um caso de um filme com mais estilo do que substância. Relevam-se todos os problemas com o roteiro e alguns personagens. São uma hora e trinta minutos que passam rápido e que cumprem seu papel de entretenimento, para os que gostam do gênero spaghett western.

Trailer: The Quick and The Dead (1995) [CZ]

RÁPIDA E MORTAL (The Quick and the Dead, 1995) – Crítica

PENINHA - DICA MUSICAL