COINCIDÊNCIAS?

1. Primeiramente, tomemos um sol de tamanho intermediário (5ª grandeza) e com uma atividade regular e de baixo nível. Não poderia ser uma dessas estrelas supergigantes pois a curta vida delas (10 a 50 milhões de anos “apenas”) não seriam suficientes para o que estamos planejando, projeto para 4,5 bilhões de anos.

2. Depois, que a estrela não tenha uma emissão de radiação muito intensa ou mesmo irregular pois, de outra forma, torraria periodicamente os planetas que estivessem gravitando ao seu redor.

3. O planeta que temos em vista teria que ser um cujo tamanho não fosse tão gigante, pois sua gravidade esmagaria qualquer ser semovente que nele surgisse. Por outro lado, não poderia também ser tão pequeno, pois assim não teria gravidade suficiente para “segurar” uma atmosfera, camada fundamental para lhe dar equilíbrio térmico na superfície e para proteger-lhe de meteoros e da radiação solar mais nociva.

4. Este planeta teria de estar em uma órbita a uma distância tal que mantivesse a sua temperatura superficial entre valores acima do ponto de congelamento da água e abaixo do ponto de ebulição da mesma.

5. De preferência, o mesmo planeta deveria girar em torno do seu eixo em um ângulo inclinado em relação a sua órbita ao redor do sol. Desta forma, seriam geradas estações mais quentes e mais frias em cada um dos seus hemisférios. Tal efeito seria obtido através do impacto com um grande meteoro, especialmente durante sua fase de formação, quando ainda estaria bastante quente e sua matéria plástica, de forma a inclinar seu eixo e a criar-lhe um grande satélite, que teria a função de dar estabilidade a seus movimentos de bamboleio.

6. Seria extremamente interessante que este planeta tivesse também um colega gigante, orbitando em uma órbita exterior à sua, de modo que a grande força gravitacional deste atraísse para si e destruísse todo o lixo interestelar que penetrasse no espaço das suas órbitas. Isto faria com que o impacto do “nosso” planeta com estes objetos errantes se tornasse um evento extremamente raro.

7. O mesmo planeta teria que ser composto por poeira estelar oriunda de supernovas que tivessem gerado grandes quantidades de elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio comuns no universo, elementos tais como o ferro, o alumínio e o silício; mas que, ao mesmo tempo, tivesse também grandes quantidades de todos os demais elementos da tabela periódica, principalmente elementos como o oxigênio, o nitrogênio, o cálcio e o carbono.

8. Quanto à estrutura e composição deste planeta, algumas exigências seriam primordiais. Em primeiro lugar, seu núcleo deveria ser composto majoritariamente por Ferro e níquel, elementos com propriedades magnéticas. Tal exigência se justifica pela necessidade de ser gerado um poderoso campo magnético que sirva para desviar as partículas advindas do sol e que sejam mais carregadas eletricamente, partículas estas que poderiam ser sobremaneira prejudiciais ao nosso projeto.

9. Na camada intermediária, que assim como o núcleo, também guardaria ainda uma grande porção do calor originado quando da formação do planeta (3.400 °C), poderia ser formado por outros elementos, tais como silício e magnésio, desde que se mantivessem em um estado pastoso, a fim de propiciar sustentação e mobilidade à camada da crosta da superfície.

10. A camada mais externa, também conhecida como crosta, seria como uma película sólida envolvendo totalmente o planeta. Essa camada teria uma espessura variando entre 0 e 40 Km e seria formada majoritariamente por rochas ricas em silício, magnésio e alumínio.

11. Do total de 93 elementos químicos naturais existentes na crosta, nove destes elementos formariam 99% da sua massa. Estes elementos seriam: Oxigênio, Silício, Alumínio, Ferro, Cálcio, Sódio, Potássio, Magnésio e Titânio. Quanto aos demais, deveriam ser encontrados esporadicamente e de forma localizada.

12. Acima desta película que boiaria sobre o magma escaldante, seria primordial a existência de uma atmosfera. Esta seria responsável, dentre outras coisas, por manter o equilíbrio térmico do planeta, protege-lo contra o impacto de meteoros e filtrar os raios ultravioleta vindos do sol.

13. Ao longo dos bilhões de anos que duraria o esfriamento, o planeta seria constantemente bombardeado por cometas compostos majoritariamente por água congelada. Este bombardeio deveria vir a formar um outro componente fundamental na estrutura planejada: a formação de vastos oceanos em sua superfície.

14. A existência desta imensa camada líquida na superfície do planeta propiciaria alguns efeitos altamente desejáveis: Inicialmente, por ser a água o único composto conhecido que aumenta de volume ao congelar, o gelo que se desprendesse das calotas congeladas nos polos permanece boiando. Isto faria com que refletissem uma parte mais alta da radiação solar, assim como absorveriam uma grande quantidade de calor até se converterem em líquido novamente. Ambos os efeitos provocariam um resultado altamente positivo na manutenção do equilíbrio térmico desta tênue camada superficial.

15. Outro efeito positivo seria propiciar a diluição dos inúmeros elementos químicos presentes na camada superficial do planeta, de modo a combiná-los na formação de novas moléculas. Destes elementos, o carbono, ao se combinar com o hidrogênio e o oxigênio da água, viria a criar o tijolo básico de algo absolutamente novo e inusitado em todo o universo: A vida!

16. Estas formas primevas e primitivas de vida absorveriam o dióxido de carbono, presente em altas concentrações na atmosfera inicial e, ao captar a energia dos raios solares, liberariam os átomos de oxigênio e incorporariam o átomo de carbono à sua estrutura, juntamente com a água. Assim, estas formas de fito plâncton lentamente reduziriam o teor de dióxido de carbono e elevaram o teor de oxigênio na atmosfera até o patamar de 22% necessário.

17. Um pouco a mais de oxigênio na atmosfera seria o suficiente para que toda a matéria composta de carbono existente na superfície do planeta vivesse eternamente em combustão. Por outro lado, um pouco a menos de oxigênio inviabilizaria a manutenção de vida em corpos maiores que os simples plânctons.

18. Este mesmo oxigênio, além de propiciar a reação química geradora da energia necessária à manutenção da vida, seria também responsável por filtrar a radiação ultravioleta vinda do sol, ao se transformar de O₂ em sua forma alotrópica O₃, também conhecida como “Ozônio”, nas altas camadas da atmosfera.

Poderia continuar descrevendo por páginas e páginas uma incrível e infinita sucessão em cadeia de “coincidências” que propiciaram a este arrogante “macaco pelado” que vos fala estar aqui agora divagando sobre as mesmas. Só que são tantas e tão maravilhosas “coincidências” que eu ouso acreditar que não sejam apenas simples coincidências.

Lá em cima, a esta altura, deve ter alguém cantando…

Planeta Azul,
Azul Planeta.
Planeta Azul,
Tá marcado com minha letra!

10 pensou em “COINCIDÊNCIAS?

  1. Aí, um tal Peter Higgs previu a existência de uma partícula elementar subatômica, O Bóson, que é a chave para explicar a origem da massa das demais partículas.
    Em março de 2013 foi encontrada essa partícula e temos então o conhecimento sobre o campo subatômico que confere existência a tudo quanto há no universo, incluso este ser aqui e este ser-aí.

    O Bóson de Higgs deu o Nobel a quem o encontrou.
    Pelo menos é o que está na Wikipédia.

    Assim, sabendo que existem mentes humanas capazes de encontrar a origem da existência de maneira científica, continuo acreditando no ser humano, mesmo que os exemplos banânicos de estupidez absoluta, de vez em quando, abalem a minha confiança.

  2. O mais incrível é que é uma coincidência produzida durante mais de 4 bilhões de anos da existência do nosso sistema solar.
    Junte esta coincidência nos mais 13,5 bilhões de anos do universo hoje conhecido e teremos a mágica ou se quiser o milagre produzido.
    Não fique triste pela coincidência, pois isto é o que é maravilhoso.
    E se for procurar mais alguma maravilha universal, pense na consciência, no espirito, na lógica, na razão, também produtos da mesma matéria, se na mistura e dose correta.
    Tudo consequência da coincidência que continua acontecendo, resultado de 13,5 bilhões de anos. ( noves fora o sapão capa preta ).

  3. Mas será que os outros bilhões de galáxias, cada um com seus milhões de estrelas, não servem para nada além de ficar brilhando no “nosso” céu? Que desperdício seria….

    Prefiro pensar que o universo está cheio de vida, ainda que muitas destas vidas estejam muito além da nossa capacidade de imaginá-las. (ou como disse o cientista John Haldane, o universo não é apenas mais estranho do que imaginamos; é mais estranho do que somos capazes de imaginar.)

  4. Assisti o documentário.
    Recomendo.
    De tantas coisas maravilhosas ficou a frase do italiano Dante:
    – Não nascemos para vivermos como animais, mas para adquirirmos conhecimento e virtude.

  5. Bom Adônis, não sei o que dizer .
    Feliz por sairmos daquela assunto nacional para o qual a saída é um pouco drástica e qualquer perspectiva é angustiante.
    Aí vou lendo e lendo e lendo…
    E você , terrível , sempre nos põe para pensar, pensar muito, no domingo.
    Ô suplício meu Deus.
    Mas é um pensar de alto nível, que nos faz chegar ao âmago das perguntas essenciais.
    Mas sabia que é menos angustiante, mesmo sem resposta que se possa bater o martelo, que as mesquinharias e pobreza, indigência mesmo, dos nossos problemas nacionais-atuais ?
    E o vídeo do Beradero, assistí todo, foi o complemento perfeito.
    Bom , deixa eu ir fazer um bolo de canela aqui, pro cafezinho da tarde .
    Bom fim de semana,

    • Ai meu Deus, Valéria.
      Enchi a boca d´água só ao pensar em seu bolo de canela com um gostoso café.
      ME CONVIDA!!!
      P.S. Adorei seu comentário. Muito obrigado pelas palavras de incentivo.

  6. Concordo com Marcelo: é muita petulância de nossa parte acreditar que somos os únicos do universo. Também não acho que as formas de vida por aí se assemelham a nossa. Cada planeta tem sua “vestimenta” própria e cada um que chegar por lá vai ter que usar. Como um cara que vai megulhar.

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