DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DESINSPIRAÇÃO

Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Mote deste colunista

Tem dia que amanheço
Com a cabeça doída
Não encontro uma saída
Nem rumo nem endereço
Esqueço até do meu terço
Parece mais faroeste
Eu não sei qual é a peste
Que acontece comigo
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Poeta Nascimento

Faz tempo que eu não pago
Um mote pra Nascimento
Pareço mais um jumento
Mas qualquer dia eu trago.
Nem que eu vá em Santiago
Ou suba no Evereste
Ande de leste a oeste
E encontre até meu umbigo.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Novo Abrantes

A mente fica endoidada
O coração quase pára
A alma fica uma arara
De raiva, não sai é nada
Minha voz fica enraivada,
Digo: – Isso é uma peste!
Nem lembrando do Nordeste
Consigo encontrar abrigo.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Cabal Abrantes

Acordei meio confuso
Já não rimo lé com cré
Tô parecendo um mané
Já entrando em parafuso
Muito pensamento intruso
Preciso fazer um teste
Pra que a alma manifeste
E volte a ser meu abrigo
Tem dia que não consigo
Fazer um mote que preste

Ronaldo Barbosa

Poeta nem todo dia
Recebe a inspiração.
Às vezes o coração
Padece sem energia
E não produz fantasia,
Matéria de que se veste
A ideia. Embora reste
Vontade, porém vos digo:
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Melchior SEZEFREDO Machado

Tem dia que o HD
Fica no vai e não vai
Como o sinal do Wi Fi
Dum sítio de Zabelê
Eu me arreto porque
Nunca arreguei para teste
Seja no Monte Evereste
Ou na “Mãe de Calor de Figo”.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Solano Trindade

Francisco Solano Trindade nasceu em 24/7/1908, no Recife, PE. Poeta, pintor, folclorista, ator, cineasta, teatrólogo e um dos nomes destacados na luta pela emancipação e valorização da cultura negra no último país das Américas, o novo mundo, a abolir a escravidão em 1888.

Filho de Emerenciana Maria de Jesus e Manuel Abílio Trindade, uma família humilde do bairro São José, onde realizou os primeiros estudos no Colégio Agnes Americano. O pai foi sapateiro e comerciário e participava das danças de Pastoril e Bumba-meu-boi em companhia do filho, que passou a apreciar a arte popular. Em 1934 idealizou o I Congresso Afro-Brasileiro, no Recife, e o II em Salvador, em 1936. A década de 1930 foi marcada por uma releitura da questão racial brasileira, ocorrida com o lançamento do livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, em 1933. O objetivo destes congressos foi incrementar e valorizar a contribuição cultural dos descendentes africanos.

Ainda em 1936, fundou o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, como extensão da Frente Negra Brasileira. Nesta época publicou seus primeiros Poemas Negros e viajou pelo País, visitando Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde criou o Grupo de Arte Popular, em Pelotas e pouco depois partiu para o Rio de Janeiro. Em 1944 publicou o livro Poemas de uma vida simples. No ano seguinte, junto com Abdias Nascimento, criou o Comitê Democrático Afro-Brasileiro. Em seguida, junto Haroldo Costa, fundou o Teatro Folclórico. Desde então, passou a atuar na política, filiado ao Partido Comunista e mantinha reuniões em sua casa.

Em 1935 casou-se com Margarida Trindade, com quem teve 4 filhos. Durante o Governo Dutra (1946-1953) foi preso político e pouco depois criou o Teatro Popular Brasileiro junto com a esposa e o sociólogo Edson Carneiro, em 1950. Em seguida, foi convidado a se apresentar na Europa, mostrando seu trabalho em diversos países. De volta ao Brasil, esteve em São Paulo e foi convidado pelo escultor Assis do Embu para uma apresentação naquela cidade, onde passou uma temporada. Na época Embu já se mostrava como uma cidade receptora de artistas. Seu grupo atraía grande número de espectadores com peças, tais como Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1967. Por essa época conheceu e fez uma apresentação para Leopold Senghor, escritor e ex-presidente senegalês e um dos ideólogos do conceito de negritude.

Apaixonou-se pela cidade e mudou-se para Embu, tornando sua casa um núcleo artístico. Suas atividades, junto com Assis, resultaram no surgimento da feira de artesanato provocando uma transformação radical na cidade, com o aumento do fluxo turístico. Ele chegou a ser conhecido como o “patriarca do Embu”. Mais tarde a cidade passou a se chamar, por decreto, Embu das Artes (2011) e ele foi homenageado com o nome de uma escola, uma rua no centro da cidade e o Teatro Popular Solano Trindade. Sua poesia, carregada de sentimento, expressa uma identidade racial e social identificada com os negros e com as classes populares. O poeta Carlos Drummond de Andrade declarou “Há nesses versos uma força natural e uma voz individual rica e ardente que se confunde com a voz coletiva”.

Um de seus poemas mais conhecidos, Tem gente com fome, foi musicado e gravado por Ney Matogrosso. Trem sujo da Leopoldina correndo parece dizer “tem gente com fome, tem gente com fome, tem gente com fome”. O ritmo é acelerado, mas no final quando vai parando, uma voz sentencia: “se tem gente com fome, dá de comer”. Deixou uma expressiva obra ressaltando a cultura de seu povo: Poemas de Uma Vida Simples (1944), Cantares ao Meu Povo (1963). Em 2008, ano de comemoração do seu centenário foi lançada, pela Ediouro, uma coletânea de poemas, incluindo alguns inéditos, com um título apropriado: O Poeta do Povo. Em seguida foi lançada mais uma coletânea: Poemas Antológicos (2009), pela Editora Nova Alexandria.

A partir de 1970 a saúde foi se complicando e veio a falecer em 19/2/1974. No carnaval de 1976 foi homenageado pela Escola de Samba Vai-Vai, com enredo elaborado por sua filha Raquel. Os versos do samba de Geraldo Filme ecoaram pela avenida: “Canta meu povo, vamos cantar”, fazendo justiça a uma de suas máximas: “Devolver ao povo em forma de arte”. Pouco antes de falecer deixou um conselho ao seu povo: “tem de haver maior solidariedade entre os negros de todo o mundo, os quais deveriam se reunir aos brancos que são contra o racismo”.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

GOSTOS E DESGOSTOS

Num papo recente com um grupo de vestibulandos futuros de Ciências Humanas, um deles me fez uma pergunta sobre os 10 gostos e 10 desgostos acontecidos na minha caminhada terrestre até aquele dia.

Favorecido por uma razoável memória, explicito abaixo o que foi para o grupo apresentado, sem qualquer ordem de prioridade.

GOSTOS

1. A educação recebida de um pai humanista, cristão e profundamente ético, conservador, mas não reacionário, e de uma mãe, com apenas curso primário, braba e cuidadosa, que vivia para os afazeres da casa, do marido e dos dois filhos, ainda se preocupando com o restante da família, sabendo rigorosamente controlar as despesas da casa e da educação dos filhos, sempre de opinião sincera, às vezes até desproporcional.

2. A educação ginasiana recebida no então Ginásio São Luiz, Marista, em Ponte d’Uchoa, capital pernambucana.

3. Os incentivos culturais proporcionados pela professora Myriam Didier do Rego Maciel, que morava quase em frente da nossa casa, possuidora de uma gigantesca biblioteca particular e que emprestava os livros para os meninos da redomdeza que nem eu, colegas brincantes das suas filhas.

4. A convivência na graduação de Economia da Universidade Católica de Pernambuco, onde fui aluno do melhor professor de toda minha vida escolar, o notável professor Germano de Vasconcelos Coelho, paraninfo de formatura de nossa turma, em 1966.

5. A caminhada profissional iniciada no então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, sediado no Recife, onde aprendi a ser um pesquisador social de visão multidisciplinar, sempre incentivado pelo então diretor, o saudoso poeta Mauro Mota.

6.A minha participação na Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, gestão do nunca esquecido arcebispo Dom Hélder Câmara, que sempre orientava seus auxiliares com uma recomendação inesquecível: “Nunca transformem lagartixa em jacaré”.

7. A minha paternidade de três filhos – Carolina, Daniel e Rafael – que me têm proporcionado grandes contentamentos.

8. A atividade docente exercida na Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco – FCAP, Universidade Estadual de Pernambuco, hoje integrando seu Conselho Universitário.

9. Ser Cidadão Pernambucano pela Assembleia Legislativa do Estado, e Cidadão Recifense pela Câmara Municipal da Cidade do Recife.

10. Ter um site – www.fernandogoncalves.pro.br – onde exponho meus livros, textos e atividades outras, pessoais e profissionais.

DESGOSTOS

1. Atropelamento por um veículo, aos 14 anos, que me deixou com a perna engessada por 11 meses, salvo pela competência do médico ortopedista pernambucano Dr. Barros Lima, de saudosa memória.

2. Eternização de amigos e amigas queridos, além de personalidades nacionais que muita fazem, hoje, na fase atual da vida brasileira.

3. Amizades interesseiras e oportunistas, algumas delas extremamente predatórias, irrecuperáveis. Mínimas, graças ao Pai Eterno.

4. Insuficiência de conteúdo filosófico, que muito contribuiria para um aprimoramento do meu ideário humanista.

5. A existência de muitos milhões de irmãos brasileiros que sofrem de fome e desnutrição.

6. O não-aprimoramento da Cidadania Brasileira, potencializada por um sistema educacional carente de um mínimo nível crítico-construtivo, favorecendo a multiplicação do analfabetismo funcional.

7. A mediocridade em ascensão da cultura brasileira, causada por eventos promocionais ridículos e nada edificantes.

8. Ausência de um Código Penal Brasileiro atualizado, favorecendo o incremento de vários tipos de criminalidade, vitimando mulheres, crianças, idosos, negros, deficientes físicos e mentais, indígenas, homossexuais e moradores de rua.

9. A redução crescente de uma fraternidade interreligiosa, causada por uma odiosidade crescente entre as crenças cristãs e não-cristãs, como se todos não fossem filhos amados de um mesmo Pai Criador.

10. Um humanismo planetário decrescente, favorecendo procedimentos bélicos nos quatro cantos do mundo, visivelmente genocidas.

Ao final do encontro, saí plenamente convencido de que estamos ingressando, com a Inteligência Artificial, numa Nova Era, com a esperança plena de amanhãs mais solidários e fraternos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

O ar está pesado. Tudo está absurdamente silencioso mesmo diante do cenário assustador que estamos vivendo. Seria a paralisia da incredulidade?

Mesmo com Bolsonaro tendo que se submeter a usar tornozeleira, ficar incomunicável, preso em sua casa, não vimos nenhuma reação interna. Isso sim é ainda mais assustador.

Trump, nós já sabíamos que iria reagir de imediato mas ainda é pouco. Estou convicta que vem muito mais pela frente. Se não conseguimos resolver internamente que seja os EUA a dar cabo do desejo de finalizar a implantação do comunismo em nosso país.

As sanções não serão apenas contra o Brasil. O Brasil sofrerá mais. O povo sofrerá mais. Quanto mais amargo for o remédio melhor sua eficácia não permitindo que a doença se torne crônica (estamos a meio passo disso). Que tragam o destróier para o lago Paranoá! E que seja logo.

Mudando de assunto, na sexta-feira deixei dito que hoje viria compartilhar com os fubânicos meu grande sonho. O sonho do tamanho do mundo que não verei se realizar. Infelizmente. Que Deus ilumine as próximas gerações e que algum dia esse sonho possa se tornar realidade!!!

Em vídeo, logo abaixo, o meu sonho que sei que é de todos nós.

Um ótimo domingo a todos.

O original:

PENINHA - DICA MUSICAL