FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Num papo recente com um grupo de vestibulandos futuros de Ciências Humanas, um deles me fez uma pergunta sobre os 10 gostos e 10 desgostos acontecidos na minha caminhada terrestre até aquele dia.

Favorecido por uma razoável memória, explicito abaixo o que foi para o grupo apresentado, sem qualquer ordem de prioridade.

GOSTOS

1. A educação recebida de um pai humanista, cristão e profundamente ético, conservador, mas não reacionário, e de uma mãe, com apenas curso primário, braba e cuidadosa, que vivia para os afazeres da casa, do marido e dos dois filhos, ainda se preocupando com o restante da família, sabendo rigorosamente controlar as despesas da casa e da educação dos filhos, sempre de opinião sincera, às vezes até desproporcional.

2. A educação ginasiana recebida no então Ginásio São Luiz, Marista, em Ponte d’Uchoa, capital pernambucana.

3. Os incentivos culturais proporcionados pela professora Myriam Didier do Rego Maciel, que morava quase em frente da nossa casa, possuidora de uma gigantesca biblioteca particular e que emprestava os livros para os meninos da redomdeza que nem eu, colegas brincantes das suas filhas.

4. A convivência na graduação de Economia da Universidade Católica de Pernambuco, onde fui aluno do melhor professor de toda minha vida escolar, o notável professor Germano de Vasconcelos Coelho, paraninfo de formatura de nossa turma, em 1966.

5. A caminhada profissional iniciada no então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, sediado no Recife, onde aprendi a ser um pesquisador social de visão multidisciplinar, sempre incentivado pelo então diretor, o saudoso poeta Mauro Mota.

6.A minha participação na Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, gestão do nunca esquecido arcebispo Dom Hélder Câmara, que sempre orientava seus auxiliares com uma recomendação inesquecível: “Nunca transformem lagartixa em jacaré”.

7. A minha paternidade de três filhos – Carolina, Daniel e Rafael – que me têm proporcionado grandes contentamentos.

8. A atividade docente exercida na Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco – FCAP, Universidade Estadual de Pernambuco, hoje integrando seu Conselho Universitário.

9. Ser Cidadão Pernambucano pela Assembleia Legislativa do Estado, e Cidadão Recifense pela Câmara Municipal da Cidade do Recife.

10. Ter um site – www.fernandogoncalves.pro.br – onde exponho meus livros, textos e atividades outras, pessoais e profissionais.

DESGOSTOS

1. Atropelamento por um veículo, aos 14 anos, que me deixou com a perna engessada por 11 meses, salvo pela competência do médico ortopedista pernambucano Dr. Barros Lima, de saudosa memória.

2. Eternização de amigos e amigas queridos, além de personalidades nacionais que muita fazem, hoje, na fase atual da vida brasileira.

3. Amizades interesseiras e oportunistas, algumas delas extremamente predatórias, irrecuperáveis. Mínimas, graças ao Pai Eterno.

4. Insuficiência de conteúdo filosófico, que muito contribuiria para um aprimoramento do meu ideário humanista.

5. A existência de muitos milhões de irmãos brasileiros que sofrem de fome e desnutrição.

6. O não-aprimoramento da Cidadania Brasileira, potencializada por um sistema educacional carente de um mínimo nível crítico-construtivo, favorecendo a multiplicação do analfabetismo funcional.

7. A mediocridade em ascensão da cultura brasileira, causada por eventos promocionais ridículos e nada edificantes.

8. Ausência de um Código Penal Brasileiro atualizado, favorecendo o incremento de vários tipos de criminalidade, vitimando mulheres, crianças, idosos, negros, deficientes físicos e mentais, indígenas, homossexuais e moradores de rua.

9. A redução crescente de uma fraternidade interreligiosa, causada por uma odiosidade crescente entre as crenças cristãs e não-cristãs, como se todos não fossem filhos amados de um mesmo Pai Criador.

10. Um humanismo planetário decrescente, favorecendo procedimentos bélicos nos quatro cantos do mundo, visivelmente genocidas.

Ao final do encontro, saí plenamente convencido de que estamos ingressando, com a Inteligência Artificial, numa Nova Era, com a esperança plena de amanhãs mais solidários e fraternos.

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