DEU NO JORNAL

FAZENDEIROS DE IMPOSTOS: A FATURA QUE NÃO CHEGA, MAS VOCÊ PAGA MESMO ASSIM

Roberto Motta

Imposto é o dinheiro que você paga para que o Estado não tome sua liberdade ou sua propriedade

Uma das grandes sacadas do Estado foi separar o setor que coleta o dinheiro do povo das áreas que gastam esse dinheiro. A Secretaria ou Ministério da Fazenda é a área que “arrecada” – toma – o dinheiro da população por meio de impostos e o coloca nos cofres do governo. Todas as outras áreas gastam o dinheiro. Isso dá a impressão de que a Fazenda é malvada e as outras áreas são boazinhas. Mas todas são tentáculos do mesmo polvo.

Agora imagine que o Estado fosse organizado de uma forma diferente. Imagine que cada órgão do Estado precisasse arrecadar, ele próprio, o dinheiro que gasta. Imagine que, ao invés de pagar essa enorme quantidade de impostos embutidos em tudo o que a gente compra, vende, usa, recebe, aluga e herda, nós pagássemos diretamente a cada órgão do Estado o que ele nos custa.

Imagine que você recebesse na sua casa, todos os meses, o boleto do Ministério da Saúde, o boleto do Ministério da Educação, o boleto da Secretaria Estadual de Transportes, o boleto da Vigilância Sanitária, o boleto da Agência Nacional de Energia Elétrica, o boleto do Judiciário, o boleto dos Correios, o boleto da Câmara dos Deputados, e por aí vai.

(Pare um minuto para refletir e constatar que é realmente você que paga por isso tudo. O Estado – formado pelo governo federal, o governo estadual, a prefeitura e todos os outros Poderes – não tem nenhuma fonte de renda a não ser você).

Se os custos do Estado fossem cobrados dessa forma, a maioria das pessoas sentiria revolta ao descobrir a quantidade de coisas que bancamos com nosso dinheiro.

Já imaginou se você pudesse decidir que vai pagar o boleto da Secretaria Municipal de Parques e Jardins – porque acha que eles fazem um bom trabalho – mas não vai pagar os boletos do Ministério da Justiça e do Itamaraty, por que não concorda com o que eles fazem?

Você já imaginou se isso fosse possível?

Isso não é possível porque o mecanismo de financiamento do Estado foi montado e aperfeiçoado para conveniência máxima do Estado e não do cidadão. Esse mecanismo teve origem no confisco violento de riqueza que depois foi batizado de “imposto” ou “tributo”.

Está implícita nesse sistema a ideia de que o dinheiro está melhor nas mãos do Estado do que nas mãos do cidadão, como se a máquina estatal fosse a tradução perfeita dos desejos e necessidades das pessoas e como se o bem-estar e segurança do Estado significasse o bem-estar e segurança de todos.

Por isso, deixar de entregar ao Estado a parte que lhe é devida é considerado crime grave. O Estado dedica seus melhores servidores à missão de encher seus cofres. A profissão de coletor de impostos recebe, quase sempre, a maior remuneração. Sempre foi assim. No início do século XX o posto mais cobiçado no serviço público dos Estados Unidos era o de chefe da alfândega de Nova Iorque. Não só o salário era o maior de todo o Estado, mas os fiscais da alfândega tinham direito a um percentual sobre as multas que aplicavam.

Vem da antiguidade a ideia dos “fazendeiros de impostos” (tax farming). Imperadores, reis e sultões concediam a alguns de seus súditos o privilégio de arrecadar impostos em seu nome. Esses “fazendeiros” faziam o serviço sujo de coleta em nome do soberano e ficavam com uma parte do dinheiro como remuneração. Essa prática durou na França até as vésperas da Revolução de 1789.

Mas a maior conquista do Estado foi a mente do homem comum. Não é difícil encontrar ovelhas cidadãs que elaboram sofisticadas justificativas para o direito do lobo estatal de devorá-las. Muitas pessoas argumentam veementemente em defesa da cobrança de impostos e estão sempre em busca de uma contraditória “justiça tributária”. Por esses dias está programada para ocorrer no Brasil uma manifestação de caráter inédito no mundo: um político radical de esquerda convocou o povo para ir às ruas apoiar o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras.

Então é sempre bom lembrar: imposto não é “o dinheiro que você paga ao Estado em troca dos serviços prestados”. O Estado não tem obrigação de prestar serviço algum (isso está escrito no Código Tributário Nacional: imposto é uma obrigação do cidadão que não está vinculada a nenhuma contraprestação por parte do Estado).

Imposto é o dinheiro que você paga para que o Estado não tome sua liberdade ou sua propriedade. O mínimo que devemos a nós mesmos é a capacidade de encarar e descrever a realidade como ela é.

XICO COM X, BIZERRA COM I

DOS AVIÕES QUE FALAM…

Domingo de manhã, sol recém-acordado, estou vendo o Senhor Boldrin do Brasil, naTV. Chega Bernardo, à época com 5 anos e, do alto de sua sabedoria inocente (ou seria de sua inocência sábia?) pergunta se estou vendo filminho.

– Não, Bê, estou vendo um programa de música boa – respondo.

Ele ri meio desconfiado, como que discordando da qualidade daquilo que vejo e corre pra anunciar à mãe:

– Mãe, Vovô ‘tá vendo um filminho de Velho.

Depois ele se achega e fica ao meu lado vendo o velho Boldrin, como se estivesse vendo um filminho da Peppa, ou da Patrulha Canina, ou aquele dos aviões que conversam entre si … Ele fica feliz vendo o povo cantar música boa na telinha. Eu, mais ainda. Como às vezes acontece comigo: eu vendo filminho de criança, com ele ao lado, como se estivesse vendo aquele musical por mim tão desejado …

Marcado pelo tempo, percebo um menininho inocente e sábio desabrochando em mim. Que nem Bernardo …

DEU NO JORNAL

NÚMEROS DESOLADORES

A segunda pesquisa trimestral da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) traz números desoladores para a economia guiada por Fernando Haddad (Fazenda).

Com a sanha arrecadatória de Taxxad, sobra pouco otimismo para os brasileiros: 71% dos entrevistados consideram que os impostos vão aumentar.

É o pior índice da série histórica.

Os que acham que vão diminuir somam 7%, a menor taxa.

Resultado parecido ocorreu na previsão de endividamento familiar e de pessoas: 71% acham que vai aumentar e só 10% creem em redução.

* * *

Alguém esperava números diferentes?

Estes percentuais estão em perfeito acordo com a nossa atual administração da  republiqueta banânica.

E Taxxad vai continuar arrochando.

Aguardem.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

ESTÃO TODOS CURIOSOS

Bom dia! Muita curiosidade para saber o que o ministro André Mendonça, do Supremo, vai fazer com um mandado de segurança impetrado pelo advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini.

Acho que, com liminar, ele pede para suspender o processo, que está baseado em vícios. Entre os quais, ele disse que o próprio Supremo decidiu que esse processo todo — onde está incluído esse processo lá atrás —, assim que tivesse a denúncia, fosse encaminhado para o juiz natural.

Ou seja, todos aqueles que não têm prerrogativa de tribunal, de foro, vão para a primeira instância. E até agora, não foram.

Outra coisa: ele disse que ficou preso sem provas. E tem uma fraude para a lei americana gravíssima, de um documento público, que é a ficha de entrada de Filipe Martins — escrita Felipe, e não Filipe, como é certo — e com o número do passaporte antigo dele, que já estava vencido. Já não era mais válido, ele tinha perdido, aliás. Então, o que será que vai fazer o ministro André Mendonça?

* * *

Lula provoca Trump com jabuticaba

Uma outra questão que se enquadra na política externa brasileira. Eu não sei como o Itamaraty reagiu a essa postagem de Janja, do Lula comendo jabuticaba e provocando, mais uma vez, Trump — dizendo que ia levar jabuticaba pra ele, que se chupar jabuticaba a pessoa não fica brigando.

O Itamaraty precisa resolver também aquela denúncia grave de espionagem sobre o Paraguai, na questão da renovação do acordo de Itaipu. Já faz três meses que o embaixador do Paraguai está em Assunção. O governo do Paraguai o chamou de volta para mostrar o desagrado, esperando que o Brasil peça desculpas e explique o que foi que houve na espionagem de um aliado, um parceiro, na maior hidrelétrica do mundo.

* * *

Deputada do PT assassinada era vinculada a facção criminosa

Tem um outro caso da vereadora que foi morta no Rio Grande do Sul, em Formigueiro, a vereadora do PT, Elisane Rodrigues. Foi assassinada no dia 17 de junho. No dia seguinte, a primeira-dama Janja postou que foi um ato cruel, inadmissível, feminicídio, exige resposta firme e urgente.

Vereadora do PT. Aí começou o PT já a fazer campanha tipo Marielle. Agora a polícia descobriu, prendeu a mandante, prendeu o executor. A vereadora era contadora e tesoureira de uma facção criminosa, de narcotráfico naquela região. O filho dela confessou isso, está envolvido.

E aí eu fico pensando: como, já no primeiro dia, liminarmente, a priori, sem ter mais dados, já vão fazendo campanha de que foi um assassinato político? Como aconteceu com a Marielle lá no Rio de Janeiro.

Quantas vezes acusaram a família Bolsonaro? E não era nada disso, olha lá: um deputado e um integrante do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

* * *

Sapato custa mais de oito salários mínimos

Um amigo meu, de São Paulo — porque o pai dele usava esse sapato —, identificou o sapato que Lula calçava no dia de uma entrevista que deu no Alvorada, para a Globo. Ele me disse — o meu amigo me disse — que é um Church’s. Aí eu fui ver quanto custa esse sapato aqui no Brasil: R$ 12.721.

Dá mais de oito meses de salário mínimo. Mas digo aqui: quanto à opinião do meu amigo, não sei se era esse o sapato. Meu amigo disse. Talvez por isso a gente queira tanto ver o cartão corporativo lá do presidente.

* * *

Ração envenenada mata 245 cavalos

E uma notícia triste, para todos nós que gostamos de animais e de cavalos: 245 cavalos já foram mortos, intoxicados pela ração que provavelmente continha uma forrageira, mas é preciso ter cuidado com ela, do gênero crotalária.

Parece que é aquela planta que atrai libélula, que mata a larva de mosquito do Aedes aegypti. Inclusive, um cavalo de R$ 12 milhões foi morto. Já está tudo registrado no Ministério da Agricultura.

A primeira denúncia foi em maio, e está comprovada. Já fizeram o exame da ração. Pegou, matou cavalos em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas. Está lá na Secretaria de Defesa Agropecuária.

* * *

Por que não se faz levantamento de casos de trombose?

Aí uma perguntinha rápida: por que não fazem levantamento dos casos de trombose, hein? Por quê? Porque, provavelmente, os órgãos envolvidos nisso foram os mesmos que liberaram remédios, injeções que podem provocar trombose. Estariam se incriminando. Por que não fazem um levantamento? Porque cada vez mais a gente ouve isso nas redes sociais e há cada vez maior preocupação.

PENINHA - DICA MUSICAL