Domingo de manhã, sol recém-acordado, estou vendo o Senhor Boldrin do Brasil, naTV. Chega Bernardo, à época com 5 anos e, do alto de sua sabedoria inocente (ou seria de sua inocência sábia?) pergunta se estou vendo filminho.
– Não, Bê, estou vendo um programa de música boa – respondo.
Ele ri meio desconfiado, como que discordando da qualidade daquilo que vejo e corre pra anunciar à mãe:
– Mãe, Vovô ‘tá vendo um filminho de Velho.
Depois ele se achega e fica ao meu lado vendo o velho Boldrin, como se estivesse vendo um filminho da Peppa, ou da Patrulha Canina, ou aquele dos aviões que conversam entre si … Ele fica feliz vendo o povo cantar música boa na telinha. Eu, mais ainda. Como às vezes acontece comigo: eu vendo filminho de criança, com ele ao lado, como se estivesse vendo aquele musical por mim tão desejado …
Marcado pelo tempo, percebo um menininho inocente e sábio desabrochando em mim. Que nem Bernardo …

Bernardo é um sábio. Neto de sábio, sábio é. Como filho de peixe… Viva Bernardo, e viva Xico. Vivam os dois, para sempre, amém.