Bom dia, nobres amigos!
Um encontro memorável.
Um fato histórico que merece registro.

Francisco Maia de Queiroz, o Louro Branco (1943-2018)
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Louro Branco
No dia que eu morrer
Deixo a mulher sem conforto
Roupas em malas guardadas
E o chapéu em torno torto
E a viola com saudades
Dos dedos do dono morto.
* * *
Lindomar Paiva
Uma vez eu amei muito e sofri,
A ela eu dediquei o meu carinho,
Mesmo assim, ela me deixou sozinho,
Sem pensar no quanto eu padeci,
Ela nem imagina o que eu perdi,
Nem o quanto sozinho eu chorei,
Tudo que ela me fez, eu perdoei,
Derramei toda lágrima no meu pranto,
Quem quiser ter saudades do meu tanto,
Sofra e ame do tanto que amei.
* * *
Manoel Filó
Quem numa separação
Sofrer contrariedade
Reconquiste o que perdeu
Pra viver mais à vontade
Porque não é de espingarda
Que a gente mata a saudade.
* * *
Biu de Crisanto
Não esqueço um só segundo
Dos dias da mocidade
Mas o tempo me roubou
Da vida mais da metade
Restando só amargura
Tristeza, dor e saudade.
* * *
Antonio Pereira de Moraes
Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.
*
Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.
*
Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.
*
Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ninguém.
*
No Silêncio da Saudade
Quem ama sofre calado,
Ausente de seu amor!
Tornando-se um sofredor…
Porque não ver ao seu lado,
Seu coração é magoado!
*
Pra viver não tem ação…
Seu mundo vira ilusão…
A tristeza a mente invade…
No silêncio da saudade!
Só quem fala é o coração.
*
Se a saudade matasse
No túmulo eu já vivia
Há muito eu já residia
Mas continuo no impasse
Se o meu amor voltasse
Essa saudade morria
A mim não perturbaria
A vida era um mar de rosa
Cantando e falando prosa
Na vida eu tinha alegria…
*
Quem ama sofre calado
Seu peito é tristeza e dor
Tornando-se um sofredor…
Porque não tem ao seu lado,
Seu amor mais desejado
Pra viver não tem ação…
Seu mundo vira ilusão…
A tristeza a mente invade…
No silêncio da saudade!
Só quem fala é o coração.
Só há 8,2 bilhões de habitantes no planeta Terra. Mas a transposição do São Francisco levou água a 13 bilhões de pessoas. A mentira está para Lula assim como o ar que ele respira. Sem mentir, Lula não faz política. Sem mentir, Lula não recebe votos. Lula é o pai da mentira. pic.twitter.com/SY0vrfBEDl
— Luiz Cláudio (@luizcl_souza) July 3, 2025
O fato aconteceu na praia da Avenida da Paz. Apareceu em Maceió um português fazendo demonstrações aéreas com um avião teco-teco sobre o mar. Seu proprietário fazia apresentações em todas as cidades que passava, vivia desse biscate.
O avião de nome Garoto decolava e pousava na praia da Avenida durante a maré baixa num local mais deserto. Suas apresentações eram piruetas, parafusos, folhas secas e outras acrobacias sobre o mar azul esmeralda.
Como não podia cobrar dos expectadores que ficavam na praia observando, ele cobrava de quem se arriscava a dar uma voada com ele durante suas peripécias aéreas. Um de cada vez porque só havia um lugar além do piloto. Cada voo de cinco minutos, o português cobrava cem reais.
Numa tarde bonita e ensolarada de verão, o português fazia magníficas exibições nos céus da praia da Avenida. O povo assistindo o espetáculo vibrava com o arrojo do piloto, uma maravilha de exibição.
Entre os candidatos ao voo surgiu Seu Portela, figura altamente conhecida na cidade, onde tinha uma loja no centro, na Rua do Comércio.
Eram aproximadamente quatro da tarde quando chegou sua vez. O português colocou Seu Portela na poltrona, prendeu-o com o cinto de segurança, deu-lhe todas as recomendações e assumiu o comando do Garoto.
Taxiou pela beira da praia de areia dura e extensa, tomou velocidade e decolou em direção ao mar. Rapidamente atingiu a altitude necessária e iniciou as acrobacias aéreas.
Não demorou muito. Após um arrojado “looping”, deu sinal que estava retornando à praia. Os inúmeros expectadores acharam estranho. Por que em tão pouco tempo o avião retornava ao solo? Seria alguma complicação mecânica? Alguma pane? Estava a perigo? Eram as perguntas que faziam entre eles. Formou-se maior expectativa.
O avião pousou abruptamente e de repente o piloto desembarcou, deixando seu Portela na aeronave.
O lusitano gritava em direção ao povaréu apreensivo que estava plantado na Avenida, perguntava se alguém dispunha de uma capa para emprestar-lhe, pois havia uma situação de emergência.
Quem teria, numa tarde maceioense ensolarada de verão, na beira da praia, uma capa para emprestar a quem quer que seja?
Com a resposta negativa, o português buscou uma alternativa e conseguiu com um pescador que morava em uma casa de taipa e palha ali próxima, um pedaço de pano, ou melhor, uma rota vela de jangada.
Com o trapo na mão o piloto retornou correndo à aeronave, ajudou o seu Portela a desembarcar e envolveu-o com o velho molambo, levando-o para um local onde conseguiu meios para que o levassem rapidamente para sua residência. Nessa altura a moçada perguntava o que teria ocorrido.
Acontece que por onde seu Portela passou, entre o avião até a Avenida, deixou um rastro líquido e escuro na areia branca da praia, juntamente com uma catinga, com o fedor de merda, insuportável para quem estava mais próximo.
Sem esconder, o nobre piloto português contou a história: Assim que levantaram voo, o seu Portela num grito pediu para descer. Como o piloto já estava preparado para o “looping”, não atendeu aos pedidos e deu aquelas voltas com o teco-teco se curvando no ar, enquanto o acompanhante gritava de medo. Só depois de o português ouvir seu Portela gritar que estava todo cagado, ele resolveu aterrissar.
Foi uma gargalhada geral, os comentários e as galhofas espalharam-se entre as pessoas presentes que estavam assistindo ao espetáculo e assim foi se espalhando na Rua do Comércio, em Jaraguá, no Farol, na Ponta Grossa. À noite Maceió todo já sabia da cagada do seu Portela no avião.
Por vários dias que se seguiram o comentário era o mesmo, nas escolas, nos bares, nos lares, na zona, nas barbearias, o assunto era a aventura de seu Portela no voo do Garoto.
Os estudantes assumiram a chacota, passavam em frente da lojinha de seu Portela na Rua do Comércio, se divertiam cantando uma modinha que um jovem compôs em alusão a desventura aérea do comerciante.
“Marchinha do seu Portela”
Eu fui alegre
Passear de avião
Para mostrar
Que sou cabra valentão
Mas vejam só,
Que eu não posso andar voando
He He…………
Estou me cagando, estou me cagando.
Portela não seja frouxo,
Não coma mais sururu
Quando subir no Garoto
Arroche as pregas do……..”bolso”.
Seu Portela tinha bom humor e levou também na gozação. Se importasse com o acontecido, até hoje, o povo estaria gozando o seu inesquecível e histórico voo sobre o mar.
Ou a Xuxa virou homem ou o Eduardo Costa está querendo se transformar nela.
O Diabo dá, mas depois cobra, e caro.
o eduardo costa está a dois passos de se transformar na xuxa
— luscas (@luscas) July 3, 2025

Pacote de corte de gastos e impostos proposto por Trump foi aprovado no Congresso dos EUA
4 de julho é o dia da independência dos Estados Unidos, e o presidente Donald Trump escolheu esse dia para sancionar uma lei aprovada esta semana no Congresso americano. Passou pela Câmara de Representantes, foi para o Senado, que fez alterações; o texto voltou para a Câmara, que aprovou a nova versão na quinta-feira. Todos os democratas votaram contra, assim como dois republicanos. Mesmo assim, sobraram republicanos suficientes votando a favor de Trump.
O pacote tem cortes em impostos e em despesas do governo, principalmente. Ele afeta áreas como saúde, favores para energia eólica e energia solar, subsídios para alimento, e previdência, além de cortar impostos. Para termos ideia de como isso tem efeito no cotidiano, nos Estados Unidos incide imposto sobre gorjetas – em qualquer lugar, mas principalmente em restaurante. Agora a gorjeta ficará fora; os garçons vão ganhar mais, e pagarão menos impostos.
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Aqui, Lula não corta gasto e publica vídeo mentiroso para justificar aumento de impostos
Enquanto os EUA cortam gastos e impostos, aqui acontece o oposto: o governo não corta seus gastos, aumenta a despesa e os impostos. É o inverso da sensatez. Não sei quando vamos parar com isso, porque nosso presidente não aceita cortar gastos, diz que todo gasto do governo é investimento, e resolveu brigar no Supremo para derrubar a decisão de uma maciça maioria do Congresso Nacional, que impediu que a elevação do IOF, imposto que incide sobre os empréstimos de que grande parte do povo brasileiro precisa, inclusive os débitos em conta, saldo devedor, cartão de crédito
O PT chegou ao ponto de fazer um vídeo com propaganda falsa, dizendo que o pobre está carregado de imposto e o rico paga pouco. Mas imaginem o tamanho do IOF cobrado sobre uma operação de crédito numa grande empresa, que é muito maior que o crédito pego por um operário. Esse é o “duplipensar” do George Orwell em 1984. O governo diz “nós vamos carregar nos ricos, e tirar dos ricos para dar para os pobres”, como se fosse Robin Hood. Esse é o duplipensar: fingir que fará algo de bom para que as pessoas aceitem algo ruim. Eu estou tratando disso num artigo que a revista Oeste está publicando essa semana.
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Lula vai sediar cúpula esvaziada dos Brics
Nesta sexta-feira já começam os bloqueios de trânsito no Rio de Janeiro, nos locais onde haverá a reunião dos Brics no sábado e no domingo. Mas as grandes figuras não virão: nada de Vladimir Putin, nada de Xi Jinping, nada de aiatolá Khamenei nem do presidente Masoud Pezeshkian – sim, o Irã é membro dos Brics, um bloco de esquerda, de cunho marxista, para fazer frente ao dólar e aos norte-americanos pela via da economia, porque as novas armas da dominação são a economia e o lado cibernético.
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Continua o mistério sobre o ataque hacker ao sistema financeiro
A polícia está investigando 140 contas nessa história do hacker que atacou uma conta vinculada ao Banco Central. O BC até agora não esclareceu nada, especialmente o montante que foi retirado de contas de reserva daqueles estabelecimentos não bancários que trabalham no sistema financeiro brasileiro. Falam em R$ 800 milhões, convertidos em criptomoedas para apagar o rastro. O sujeito que fez isso descobriu uma nova forma de assaltar banco, em que o assaltante não corre risco de levar um tiro.
Sobral Pinto, mais que grande advogado, foi sempre símbolo de correção. E, para seus colegas de profissão, um exemplo. Participou, ativamente, na campanha de JK à presidência da República (em 1955). E, já no governo, Juscelino o indicou para vaga deixada, no Supremo, pela aposentadoria do ministro Frederico de Barros Barreto. Algo não apenas esperado por todos, sobretudo justo. Ele simplesmente merecia. Reação de Sobral
‒ Não posso, Presidente, que participei de sua campanha. E não seria digno, de minha parte. O que diriam de mim?, de nós dois?, se aceitasse.
A força do exemplo de Sobral deveria estar no coração de todos aqueles que estivessem, depois, em situações próximas. Só que assim não se deu, infelizmente, o “Cadáver do passado” (sem título, 01/07/1914, Fernando Pessoa) não serviu de lição aos pósteros. Lembremos apenas dois casos:
Primeiro deles foi Sérgio Moro, que jamais poderia ser ministro da Justiça de Bolsonaro. A quem ajudou indiretamente, na eleição, ao condenar Lula. Impedindo fosse candidato. Mas acabou aceitando esse cargo e deu no que deu. Nem Bolsonaro podia convidar, nem ele aceitar. O destino é cruel. Se recusasse, teria sido bem melhor para ele, que hoje estaria no Supremo. E para o Brasil; com a história da Lava-Jato, quem sabe?, sendo outra.
O segundo caso foi o de Ricardo Lewandowski. Para compreender o que fez, é preciso voltar um pouco no tempo. Em 08/03/2021 o ministro Fachin decidiu, monocraticamente, que a condenação de Lula não valia. Por uma questão menor, de foro. Algo difícil, quase impossível, de acreditar. Sem se incomodar com o fato de ter o ex-presidente sido condenado por 1 juiz, 3 desembargadores-federais do TRF4 e 5 ministros do STJ, que detidamente examinaram a situação em seus múltiplos aspectos. Inclusive o tal foro.
No total 9 decisões, antes, por unanimidade sempre quando coletivas. E o ministro sozinho, sem ouvir nenhum colega, teve a coragem (digamos assim) de anular os 4 processos então em curso contra o ex-presidente: aquele em que havia já sido condenado, Triplex de Guarujá; e os três restantes, ainda em curso – Sítio de Atibaia, Sede do Instituto Lula, Doações ao Instituto Lula.
Mas o serviço não estava completo, faltava o mais complicado. Que exigia coragem (digamos assim, novamente) ainda maior. Difícil de explicar à opinião pública. É que as provas, todas (inclusive numerosos depoimentos), permaneciam nos autos. Sem ser afetadas pela questão do foro. E qualquer juiz poderia quando quisesse, com base nelas, voltar a condenar aquele que, na época, era então já candidato a ser, novamente, presidente da República.
Coube a Lewandowski o papel de dar fim a esse risco, um trabalho do qual não tem razões para se orgulhar. Ao contrário. E o fez, em 29/06/2021, anulando todas as tais provas produzidas contra o então ex‒presidente Lula. Sem fundamentos jurídicos. Sem maiores explicações. Nem maiores constrangimentos. Como se seu poder não tivesse nenhum limite. Novamente em decisão monocrática e, mais uma vez, sem ouvir ninguém.
Impedindo pudesse, o antes condenado, vir a ser punido no futuro; que, mesmo quanto feitas novas provas, os processos correspondentes, dada a idade do acusado, estariam então prescritos. Uma espécie de anistia prévia. E pouco depois, quando se aposentou, acabou ganhando um presente régio, que foi o cargo de ministro da Justiça. O mesmo de Moro. Com o exemplo de Sobral Pinto, nesses dois casos, jogado no lixo.
A família toda agradece. Inclusive seu filho advogado, Enrique Lewandowski, contratado (em 02/12/2024) pelo Centro de Estudos dos Aposentados e Pensionistas ‒ CEBAP; e também, a seguir, pela Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos ‒ AMBEC. Duas das associações comprometidas nesse escândalo da Previdência Social (não sei se houve mais alguma contratação, depois). E que deveriam estar sendo, ou no futuro deveriam vir a ser, teriam que ser, fiscalizadas pelo pai do advogado – o mesmo Lewandowski que, ministro, dirige a Polícia Federal.
Membros do Ministério Público (Lei 11.425/2006, art. 21) não podem advogar, um impedimento funcional e ético. Mas isso foi no passado que passou, amigo leitor. E não vale mais, hoje, para situações similares. Como quando Ministros do Supremo, sem dramas íntimos de consciência, julgam casos defendidos pelos caros escritórios de suas mulheres, assim decidiram. E o filho de Ministro advoga causas que estão (ou deveriam estar) sendo investigadas por seu pai ministro. Não é razoável. “O tempore, o mores” diria, o romano Cícero, caso ainda estivesse entre nós.
Mais um dos tais casos exemplares veio com a Ditadura Militar que teve início em 1964. É que o Supremo, na sua função básica de guardião da Constituição, na época mais que nunca teria que atuar na defesa dos Direitos Humanos e da Democracia.
Começam os mais sombrios anos da Redentora, em 1969, e três ministros se rebelam. O Supremo, por mãos deles, não estaria a serviço de governos autoritários. Em razão disso a Junta Militar, que acabara de assumir o governo, aposentou compulsoriamente Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal. Em protesto renunciaram, a seus cargos, o presidente da Casa, Gonçalves de Oliveira; e seu substituto, Antônio Carlos Lafayette de Andrade. Menos 5 ministros, portanto, com quem a Ditadura se preocupar.
Em breve síntese havia, então, dois Supremos. Um que defendia os direitos previstos (e em tese garantidos) na Constituição. E, outro, que ali estava na função subalterna de servir ao Governo Militar e cumprir suas ordens. Cego, surdo e mudo ante censura, torturas, mortes e desaparecimentos forçados. E sem aparentes “escrúpulos de consciência”, uso de propósito uma frase do passado.
O Supremo de hoje, amigo leitor, teria que decidir algo parecido; em síntese, se estaria mesmo disposto a defender a Constituição e a Democracia. Em um cenário diverso, mas igualmente grave, quando é grande a tentação de em algumas situações substituir outros poderes, como o Executivo ou o Legislativo. Achando pouco, agora, passa a exercer o papel de censor nacional. Dizendo quais informações deveremos ter (ou não) disponíveis. Com novo lema, na Côrte, agora é Censura nunca, mas…
Paro por aqui. Trata-se de uma escolha já feita, sabemos todos qual foi, é inútil continuar. Apenas cabe lamentar que não se tenha, no Brasil de hoje, o Supremo altivo de Evandro, Hermes e Victor. A força de seus exemplos, como antes o de Sobral, não valeram. É pena. E segue a vida.
Vejamos como todos esses personagens serão tratados mais tarde, algum dia senhores, quando a história desse tempo for escrita nos livros.
A desilusão é o sentimento de descrença que se apossa de alguém, depois de sofrer uma agressão injusta, ou receber pedradas de pessoas invejosas e más.
“Por inveja, Caim matou seu irmão Abel” – está na Bíblia.
A inveja é o sentimento mais sórdido e perigoso que povoa a humanidade. É capaz de provocar a destruição da alma de alguém. Traz danos irreparáveis à alma e torna irrespirável o ambiente em que agredido e agressor se encontrem.
Ao invés de esboçar alegria e gratidão, às vezes, quem foi ajudado estampa no olhar apenas revolta. É normal a pessoa que foi ajudada se afastar, passando a ser indiferente a quem o ajudou.
Diz a história que, certa vez, o filósofo chinês Confúcio recebeu uma pedrada, enquanto caminhava com seus discípulos. Um deles, disse que sabia de onde tinha vindo a pedrada, e apontou um nome. Imediatamente, Confúcio contestou:
– Não! Eu nunca fiz nada por esta pessoa.
Somente quem foi ajudado é capaz de retribuir a ajuda com pedradas…
Faz sentido…
Mudando o rumo desta prosa, e ainda sob o espírito junino, que acaba de findar, evoco a beleza da música MANÉ FOGUETEIRO, que Dona Lia, minha saudosa mãe, gostava de cantarolar:
Mané Fogueteiro era o Deus das crianças,
Na vila distante de Três Corações,
Nos dias de festa de festa fazia rodinhas,
soltava foguete,
soltava balões.
Mané Fogueteiro
gostava da Rosa,
cabocla mais linda
esse mundo não tem,
porém o pior é que o Zé Boticário,
gostava um bocado da Rosa também.
E um dia encontraram
Mané Fogueteiro,
com olhos vidrados,
de bruços no chão.
Um tiro certeiro varara-lhe o peito,
na volta da festa do Juca Romão.
Porém os que morrem de tiro conservam
a última cena
nos olhos sem luz:
um claro foguete de lágrimas frias,
alguém viu brilhando
em seus olhos azuis.