LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

DIAS REPLETOS DE BEM!

Ontem, sábado, recebi do meu querido amigo e colunista fubânico Xico Bizerra, a mensagem que está a seguir:

Que venham muitos Natais 
Com suas luzes e brilhos
Para nós, que somos pais
Pros netos, mulher e filhos
Dias repletos de bem 
E que o nosso velho trem
Demore a sair dos trilhos

Xico, grande poeta, cronista talentoso, compositor de sucesso e uma figura humana fantástica, acertou em cheio no seu desejo: que nosso velho trem demore, custe muito a sair dos trilhos!

E que tenhamos ainda muitos e muitos anos de vida e de boa convivência pela frente.

E aproveito a data de hoje pra desejar um Feliz Ano Todinho pra todos os meus amigos e queridos leitores desta gazeta!!!

E, para abrilhantar o nosso domingo, fecho a postagem com a música “Se Tu Quiser”, um dos maiores sucesos da autoria de Xico Bizerra, numa belíssima interpretação da grande artista Kelly Rosa!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

É NATAL

 Natal de luz – que ilumine nossas mentes

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé

Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz

Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna

Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna”

Nesta penúltima coluna do ano, em contrição, dobro mais uma vez os joelhos, junto as mãos, e me dirijo ao meu único Senhor, para pedir a graça da Paz, da saúde, da humildade e do arrependimento de todos que, ainda que distantes materialmente, fizeram e fazem parte da minha existência, e do meu crescimento como ser humano.

Senhor,

Concedei-lhes um Feliz Natal, que vá além da mesa farta transbordante, que seja repleta de humildade e agradecimento pelos dias de vida concedidos.

Que reine a Paz,

Que reine a iniciativa do perdão,

Que todos tenham oportunidades para o cumprimento das missões.

Que nada consiga separar as famílias – quaisquer que sejam os objetivos ideológicos.

Que o pão esteja sempre disponível à divisão e multiplicação.

Que a saúde seja tão farta quanto a ceia natalina que hoje está servida.

Que seja feita, Senhor, a tua vontade!

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

NOTA DE FALECIMENTO

É com profundo pesar que comunico que a República Federativa do Brasil, no dia 31/10/2022, foi submetida a uma cirurgia delicada para extirpar do seu organismo males históricos, como corrupção, leniência judicial, desvio de conduta, bem como seus efeitos colaterais. A equipe médica, comandada pelo Dr. Alegilbarchin, não percebeu a infecção generalizada que acometia o pobre paciente e ao invés de ministrar antibiótico, receitou placebo levando o paciente a um estado vegetativo que atingiu a esperança e fez o paciente sangrar até a exaustão.

O processo cirúrgico começou às 8h do dia 31/10/2022 e terminou às 17h, no entanto, somente às 22h, com a divulgação do boletim médico, era notório que a agonia do paciente, respirando por aparelhos, causou um excesso de tristeza nos seus dependentes. A equipe comandada pelo Dr. Alegilbarchin, alegou que era apenas 58 milhões de imbecis que não entendiam das novas técnicas cirúrgicas e não considerou a formação de cada membro da equipe cirúrgica.

Familiares da combalida paciente, desde então, se mantiveram em vigília entoando cânticos de louvor numa medida desesperada de que outra equipe fosse reanimar o enfermo. Ledo engano, pois sem comando a equipe consultada “lavou as mãos” replicando o gesto de Pôncio Pilatos.

Durante mais de um ano, o óbito da República Federativa do Brasil não foi divulgado de forma correta, no entanto, a equipe do Drl. Alegilbarchin, devidamente treinada em sistemas de saúde de países de tecnologia de ponta como Cuba, Irã, Nicarágua, não assinou o atestado de óbito e aciona a justiça sempre que qualquer pessoa indagar a “causa mortis” do referido paciente, que foi falência múltipla do órgãos e das instituições.

Para a equipe médica, nada disso! Para eles o paciente renasceu das cinzas que se encontrava e passou a mostra que o referido paciente sofreu apenas uma operação plástica ficando revigorado, com expectativa de vida secular e condições de gerar e distribuir riqueza de forma igualitária. Todavia, a poupança formada por esse rebento, arrebentou já no seu primeiro ano de vida, pós cirurgia, visto que, passado um ano, essa criança traz as malezas congênitas dos seus ancestrais que o conceberam na primeira metade desse século.

A plástica realizada sob a égide da idiocrasia, trouxe a face cruel de uma criança perdulária que a cada dia gera um mal maior do que o do dia anterior. Cerca por 38 padrinhos diretos, alguns dos quais envolvidos em falcatruas e outros que no passado chamaram seu genitor de ladrão, Pindorama Luljan, em apenas em um ano, mostrou ao cordão de idiotas que torceu pelo seu nascimento, fez os seus responsáveis torrar milhões em cartão corporativo, comprar sofá e colchão por R$ 80 mil, pagar viagens de “papai e mamãe” para que eles percorressem pouco mais de duas voltas ao mundo.

O problema é que Pindorama Luljan tem padrinhos muitos fortes. Daqueles 38 padrinhos diretos, tem um “tiozinho”, conhecido marmitex de porta de cadeia, que numa trama bem arquitetada, convenceu 375, dos 513, vizinhos a aprovar um protocolo de intenções chamada “reforma tributária” na qual o bolso dos idiotas será penalizado duramente.

Lamentavelmente, os doadores de sangue, os crédulos que a República Federativa do Brasil era capaz de sobreviver aos ataques bacterianos do hospital onde o paciente estava internado, vai precisar esperar até 2026 para tentar mudar alguma coisa, visto que os adeptos da limpeza moral aceitaram o remédio amargo ministrado pela equipe do Dr. Alegilbarchin.

COMENTÁRIO DO LEITOR

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CHUVA NO SERTÃO

Um poeta matuto se distrai
Escrevendo as belezas do sertão.

Mote de Lenelson Piancó

No sertão quando passa uma neblina
É bonito demais de ver a cena
Do orvalho descendo pela pena
Da cabeça de um galo de campina.
Um carão às seis horas da matina
Canta alto, faz sua previsão.
Deus escuta a cantiga do carão
Abre a porta do céu, a água cai.
E um poeta matuto se distrai
Escrevendo as belezas do sertão.

Lenelson Piancó

A mesinha dos santos bem forrada,
Uma vela que há pouco foi acesa
Ilumina a imagem de Teresa,
Santo Antônio e Maria Imaculada.
A devota, escutando a trovoada,
Agradece através da oração.
O seu ato ao chegar na Amplidão
Bota um riso na face de Adonai.
Um poeta matuto se distrai
Escrevendo as belezas do sertão.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Beatriz Nascimento

Maria Beatriz Nascimento nasceu em 12/7/1942, em Aracaju, SE. Professora, historiadora, poeta, roteirista e militante em defesa dos direitos humanos de negros e mulheres. Realizou diversas pesquisas sobre os quilombos no Brasil e as condições de trabalho da população negra.

Filha de Rubina Pereira do Nascimento e Francisco Xavier do Nascimento, uma família humilde com 10 filhos. Aos 7 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde realizou os primeiros estudos. Em 1968 ingressou no curso de História, na UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante o curso, concluído em 1971, fez estágio no Arquivo Nacional, tendo como orientador o historiador José Honório Rodrigues.

Em seguida passou a lecionar História na escola Estadual Roma, em Copacabana e em 1978 iniciou o curso de pós-graduação na UFF-Universidade Federal Fluminense, concluído em 1981. Sua área de pesquisa abrangeu os sistemas alternativos organizados pelos negros nos quilombos e favelas. Tornou-se conhecida na área dos estudos das relações raciais e no movimento negro a partir do documentário Ôrí (1989). Trata-se de um “filme-tese” de longa metragem, dirigido por Raquel Gerber, baseado em suas narrações e pesquisas realizadas no período 1977-1988 sobre o movimento negro nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.

O filme tem o quilombo como tema, permeado com a trajetória de sua própria vida. Uma síntese extraída da sinopse do filme relata a “abordagem de temas como corporeidade do negro, a perda da imagem que atingia os africanos escravizados e seus descendentes em diáspora e a situação das mulheres negras no Brasil, analisando sua condição social inferior devida ao amálgama de heranças escravistas com mecanismos racistas”.

Estreou em 4/3/1989 no Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ougadougou, em Burkina Fasso, recebendo o prêmio Paul Robeson e em Curitiba, em 5/10/1989.

Através de seus artigos, publicados em periódicos especializados, sobre o conceito de quilombo na história, raça, racismo e sexismo ficou conhecida também no meio acadêmico. Teve atuação destacada na criação do “Grupo de Trabalho André Rebouças”, na UFF-Universidade Federal Fluminense, em 1974, e o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras, em 1975. Segundo Lélia Gonzalez, Beatriz foi responsável pelo renascimento do movimento negro no Rio de Janeiro nos anos 1970. Participou de diversos eventos sobre cultura negra e quilombos no meio acadêmico e esteve 2 vezes em Angola afim de conhecer os territórios dos antigos quilombos.

Tinha uma consciência muito clara de sua condição e uma nítida visão do preconceito estrutural que permeia as relações sociais no Brasil: “Ser negro é enfrentar uma história de quase quinhentos anos de resistência à dor, ao sofrimento físico e moral, à sensação de não existir, à prática de ainda não pertencer a uma sociedade em que consagrou tudo o que possuía, oferecendo ainda hoje o resto de si. Ser negro não pode ser reduzido a um “estado de espírito”, “alma branca ou negra”, aspectos de comportamento que certos brancos escolhem como sendo negros e assim os adotam como seus.”

Em 1995, enquanto cursava mestrado em Comunicação Social na UFRJ, aconselhou uma amiga a se separar do companheiro após ouvir várias reclamações de violência doméstica. Em 28 de janeiro daquele ano, o companheiro da amiga deu-lhe 5 tiros por entender que ela interferia em sua vida privada. Em 19/4/1996, o assassino foi condenado a 17 anos de prisão pela morte de Maria Beatriz.

Em 2009, o pesquisador Alex Raatts publicou o livro Eu sou Atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento, publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Instituto Kuanza. Em 2015 o mesmo autor organizou e publicou Todas [as] distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento, publicado pela editora Ogum’s Toques Negros. Em seguida o senador Paulo Paim elaborou o PL 614/2022, que resultou na Lei 14.712/2023, incluindo-a no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”.